CitaçÔes sobre CalĂșnia

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A calĂșnia Ă© sem dĂșvida, o pior dos flagelos, visto que faz dois culpados e uma vĂ­tima.

A calĂșnia Ă© como uma vespa que o importuna e, contra a qual, nĂŁo se deve fazer qualquer movimento, a nĂŁo ser que se tenha a certeza de a matar.

Os Artistas Verdadeiros nĂŁo TĂȘm Ideologia

Dia entre pescadores. Eles a pescarem sardinha para a fome orgĂąnica do corpo, e eu a pescar imagens para uma necessidade igual do espĂ­rito. Tisnados de saĂșde, os homens olham-me; e eu, amarelo de doença, olho-os tambĂ©m. Certamente que se julgam mais justificados do que eu, e que o mundo inteiro lhes dĂĄ razĂŁo. Mas da mesma maneira que eles, sem que ninguĂ©m lhes peça sardinha, se metem Ă s ondas, tambĂ©m eu, sem que ninguĂ©m me peça poesia, me lanço a este mar da criação. HĂĄ uma coisa que nenhuma ideologia pode tirar aos artistas verdadeiros: Ă© a sua consciĂȘncia de que sĂŁo tĂŁo fundamentais Ă  vida como o pĂŁo. Podem acusĂĄ-los de servirem esta ou aquela classe. Pura calĂșnia. É o mesmo que dizer que uma flor serve a princesa que a cheira. O mundo nĂŁo pode viver sem flores, e por isso elas nascem e desabrocham. Se olhos menos avisados passam por elas e as nĂŁo podem ver, a traição nĂŁo Ă© delas, mas dos olhos, ou de quem os mantĂ©m cegos e incultos.

Ode Ă  Amizade

Se depois do infortĂșnio de nascermos
Escravos da Doença e dos Pesares
Alvos de Invejas, alvos de CalĂșnias
Mostrando-nos a campa
A cada passo aberta o Mar e a Terra;
Um raio despedido, fuzilando
Terror e morte, no rasgar das nuvens
O tenebroso seio
A Divina Amizade nĂŁo viera
Com piedosa mĂŁo limpar o pranto,
Embotar com dulcĂ­ssono conforto
As lanças da Amargura;
O Såbio espedaçara os nós da vida
Mal que a RazĂŁo no espelho da ExperiĂȘncia
Lhe apontasse apinhados inimigos
C’o as cruas mĂŁos armadas;
Terna Amizade, em teu altar tranquilo
Ponho — por que hoje, e sempre arda perene
O vago coração, ludíbrio e jogo
Do zombador Tirano.
Amor me deu a vida: a vida enjeito,
Se a Amizade a nĂŁo doura, a nĂŁo afaga;
Se com mais fortes nĂłs, que a Natureza,
Lhe nĂŁo ata os instantes.
Que só ditosos são na aberta liça
Dois mortais, que nos braços da Amizade,
Estreitos se unem, bebem de teu seio
NectĂĄrea valentia.
Tu cerceias o mal, o bem dilatas,
E as almas que cultivas cuidadosa,

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Arda De Raiva Contra Mim A Intriga

Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciĂĄvel;
Destile seu veneno detestĂĄvel
A vil calĂșnia, pĂ©rfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim sĂł, o mundo miserĂĄvel.
Alimente por mim Ăłdio entranhĂĄvel
O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;
Sei desprezar um nome nĂŁo preciso;
Sei insultar uns cĂĄlculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lĂĄbios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens sĂŁo, desprezo e piso.

A ociosidade Ă© a mĂŁe da maledicĂȘncia, da calĂșnia e da intriga, coisas a que eu jĂĄ nĂŁo sei se hei-de chamar vĂ­cios se virtudes, tĂŁo habituada estou a vĂȘ-los morar em lĂĄbios tidos como santos por este mundo que Ă© com certeza o melhor dos mundos possĂ­veis e imaginĂĄveis.

A Melhor Forma de Combater o Inimigo Ă© tĂȘ-lo perto de Ti

Se receias que alguĂ©m se aproveite da tua ausĂȘncia para fazer queixas ou espalhar calĂșnias contra ti, arranja um pretexto amigĂĄvel e pede-lhe que te acompanhe na viagem, na caçada ou na guerra. Vigia-o e, quando estiveres na sua companhia, Ă  mesa ou noutro sĂ­tio, nĂŁo deixes que se afaste. De igual modo, para evitar que uma nação aproveite uma das tuas expediçÔes para te declarar guerra, leva contigo o escol dessa nação – como se nĂŁo tivesses aliados mais fiĂ©is -, mas procura que essa gente seja escoltada por um pequeno grupo de homens armados dedicados ao teu serviço.

A Armadura

Desenganos, traiçÔes, combates, sofrimentos,
Numa vida jĂĄ longa acumulados, vĂŁo
— Como sobre um paul contínuos sedimentos,
Pouco a pouco envolvendo em cinza o coração.

E a cinza com o tempo atinge uma espessura
Que nem os mais cruéis desesperos abalam;
É como tenebrosa, impávida armadura
Ou couraça de bronze em que os golpes resvalam.

Impermeåvel da Inveja à peçonhenta bava,
Nela a CalĂșnia embota os seus dentes ervados;
Não hå braço que possa amolgå-la, nem clava
Que nesse duro arnĂȘs se nĂŁo faça em bocados.

E no entanto, através dessas rijas camadas,
Ou rompendo por entre as juntas da armadura,
Escorrem muita vez gotas ensanguentadas
Que o coração verteu dalguma chaga obscura…

Saber resistir Ă  violĂȘncia Ă© forte, mas vulgar; saber resistir Ă  calĂșnia e aos motejos Ă© maior esforço e mais raro.

Grande misĂ©ria Ă© que nĂŁo bastem os serviços, o amor e a verdade para conservar a graça dos prĂ­ncipes e que baste a calĂșnia para se perder.

CompreensĂŁo SĂĄbia e Activa

A primeira condição para libertar os outros Ă© libertar-se a si prĂłprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, nĂŁo o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligĂȘncia, eternamente crĂ­tica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirĂĄ do seu campo a histeria e a retĂłrica; e substituirĂĄ a musa trĂĄgica por PlatĂŁo e os geĂłmetras.
Hei-de vĂȘ-lo depois de despido de egoĂ­smo, atente somente aos motivos gerais; o seu bem serĂĄ sempre o bem alheio; terĂĄ como inferior o que se deleita na alegria pessoal e nĂŁo pĂ”e sobre tudo o serviço dos outros; Ă  sua felicidade nada falta senĂŁo a felicidade de todos; esquecido de si, batalharĂĄ, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorĂąncia e a misĂ©ria que impedem os seus irmĂŁos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
Nenhuma vontade de domĂ­nio; mandar Ă© do mundo das aparĂȘncias, tornar melhor de um sĂłlido universo de verdades; se tiver algum poder somente o veja como um indĂ­cio de que estĂŁo ainda muito baixos os homens que lho dĂŁo; incite-o o sentir-se superior a mais nobre e rude esforço para que se esbatam e percam as diferenças;

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Aqui, Onde O Talento Verdadeiro

Aqui, onde o talento verdadeiro
NĂŁo nega o povo o merecido preito;
Aqui onde no pĂșblico respeito
Se conquista o brasĂŁo mais lisonjeiro.

Aqui onde o gĂȘnio sobranceiro
E, de torpes calĂșnias, ao efeito,
JesuĂ­na, dos zoilos a despeito,
És tu que ocupas o lugar primeiro!

Repara como o povo te festeja…
VĂȘ como em teu favor se manifesta,
Mau grado a mĂŁo, que, oculta, te apedreja!

Fazes bem desprezar quem te molesta;
Ser indif’rente ao regougar da inveja,
“Das almas grandes a nobreza Ă© esta.”

Quem tudo suporta em silĂȘncio – calĂșnia, agressĂ”es, injĂșrias – conquista uma autoridade moral que faz calarem os opositores e transforma aversĂŁo em admiração.