Passagens sobre CalĂșnia

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Frases sobre calĂșnia, poemas sobre calĂșnia e outras passagens sobre calĂșnia para ler e compartilhar. Leia as melhores citaçÔes em Poetris.

Aos Mesmos

De insĂ­pida sessĂŁo no inĂștil dia
Juntou-se do Parnaso a galegage;
Em frase hirsuta, em gĂłtica linguage,
Belmiro um ditirambo principia.

Taful que o portuguĂȘs nĂŁo lhe entendia,
Nem ao resto da cĂŽmica salsage,
Saca o soneto que lhe fez Bocage,
E conheceu-se nele a Academia.

Dos sĂłcios o pior silvou qual cobra,
Desatou-se em trovÔes, desfez-se em raios,
Dando ao triste Bocage o que lhe sobra.

Fez na calĂșnia vil cruĂ©is ensaios,
E jaz com grandes créditos a obra
Entre mĂŁos de marujos e lacaios.

A lĂ­ngua que calunia mata trĂȘs pessoas ao mesmo tempo: a que profere a calĂșnia, a que escuta, e a pessoa sobre a qual se fala.

A calĂșnia Ă© como uma moeda falsa: muitos que nĂŁo gostariam de a ter emitido, fazem-na circular sem escrĂșpulos.

Inominado Nome

Persigo-o no ininteligĂ­vel arbĂ­trio
dos astros, na clandestina linfa
que percorre os tĂșrgidos corredores
do indecifrĂĄvel, nos falsos indĂ­cios
que, de fogos fĂĄtuos, escurecem

a persistente incĂłgnita do nome.
Em persegui-lo persisto onde, bem
sei, nĂŁo lograrei achĂĄ-lo, que nunca
achado serå em tempo ou espaço
que excedam meu limite e dimensĂŁo.

Um nome, ainda obscuro, pressinto
no sal da boca amarga, Conheço-lhe
o rosto familiar, desfocado embora,
no halo do tempo e da distĂąncia.
É, creio, a face indefectível de tudo

quanto tenho de calar. Este nome
(este rosto) habita-me silente, contra
a recusa, a mentira, ou a calĂșnia.
Na epiderme, nos nervos e na carne,
sobre a lĂ­ngua e o palato, adivinho-lhe

forma, sabor e propósito. Ouço-o
dentro de mim, mau grado
o queira ou nĂŁo, que em mim
sĂł estĂĄ sofrĂȘ-lo porque em mim
vive e dura, enquanto eu dure e viva.

E nĂŁo por meu mal, que meu
mal seria, mais que perdĂȘ-lo,
sem ele viver.
Um rosto persigo,
um nome guardo no sal da boca

amarga,

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O Amor como Factor Civilizador

As provas da psicanĂĄlise demonstram que quase toda relação emocional Ă­ntima entre duas pessoas que perdura por certo tempo — casamento, amizade, as relaçÔes entre pais e filhos — contĂ©m um sedimento de sentimentos de aversĂŁo e hostilidade, o qual sĂł escapa Ă  percepção em consequĂȘncia da repressĂŁo. Isso acha-se menos disfarçado nas altercaçÔes comuns entre sĂłcios comerciais ou nos resmungos de um subordinado em relação ao seu superior. A mesma coisa acontece quando os homens se reĂșnem em unidades maiores. Cada vez que duas famĂ­lias se vinculam por matrimĂłnio, cada uma delas se julga superior ou de melhor nascimento do que a outra. De duas cidades vizinhas, cada uma Ă© a mais ciumenta rival da outra; cada pequeno cantĂŁo encara os outros com desprezo. Raças estreitamente aparentadas mantĂȘm-se a certa distĂąncia uma da outra: o alemĂŁo do sul nĂŁo pode suportar o alemĂŁo setentrional, o inglĂȘs lança todo tipo de calĂșnias sobre o escocĂȘs, o espanhol despreza o portuguĂȘs. NĂŁo ficamos mais espantados que diferenças maiores conduzam a uma repugnĂąncia quase insuperĂĄvel, tal como a que o povo gaulĂȘs sente pelo alemĂŁo, o ariano pelo semita.
Quando essa hostilidade se dirige contra pessoas que de outra maneira sĂŁo amadas,

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O triunfo de um ideal moral Ă© obtido usando os mesmos meios imorais utilizados para obter qualquer outro triunfo: a violĂȘncia, a mentira, a calĂșnia, a injustiça.

A calĂșnia Ă© sem dĂșvida, o pior dos flagelos, visto que faz dois culpados e uma vĂ­tima.

A calĂșnia Ă© como uma vespa que o importuna e, contra a qual, nĂŁo se deve fazer qualquer movimento, a nĂŁo ser que se tenha a certeza de a matar.

Os Artistas Verdadeiros nĂŁo TĂȘm Ideologia

Dia entre pescadores. Eles a pescarem sardinha para a fome orgĂąnica do corpo, e eu a pescar imagens para uma necessidade igual do espĂ­rito. Tisnados de saĂșde, os homens olham-me; e eu, amarelo de doença, olho-os tambĂ©m. Certamente que se julgam mais justificados do que eu, e que o mundo inteiro lhes dĂĄ razĂŁo. Mas da mesma maneira que eles, sem que ninguĂ©m lhes peça sardinha, se metem Ă s ondas, tambĂ©m eu, sem que ninguĂ©m me peça poesia, me lanço a este mar da criação. HĂĄ uma coisa que nenhuma ideologia pode tirar aos artistas verdadeiros: Ă© a sua consciĂȘncia de que sĂŁo tĂŁo fundamentais Ă  vida como o pĂŁo. Podem acusĂĄ-los de servirem esta ou aquela classe. Pura calĂșnia. É o mesmo que dizer que uma flor serve a princesa que a cheira. O mundo nĂŁo pode viver sem flores, e por isso elas nascem e desabrocham. Se olhos menos avisados passam por elas e as nĂŁo podem ver, a traição nĂŁo Ă© delas, mas dos olhos, ou de quem os mantĂ©m cegos e incultos.

Ode Ă  Amizade

Se depois do infortĂșnio de nascermos
Escravos da Doença e dos Pesares
Alvos de Invejas, alvos de CalĂșnias
Mostrando-nos a campa
A cada passo aberta o Mar e a Terra;
Um raio despedido, fuzilando
Terror e morte, no rasgar das nuvens
O tenebroso seio
A Divina Amizade nĂŁo viera
Com piedosa mĂŁo limpar o pranto,
Embotar com dulcĂ­ssono conforto
As lanças da Amargura;
O Såbio espedaçara os nós da vida
Mal que a RazĂŁo no espelho da ExperiĂȘncia
Lhe apontasse apinhados inimigos
C’o as cruas mĂŁos armadas;
Terna Amizade, em teu altar tranquilo
Ponho — por que hoje, e sempre arda perene
O vago coração, ludíbrio e jogo
Do zombador Tirano.
Amor me deu a vida: a vida enjeito,
Se a Amizade a nĂŁo doura, a nĂŁo afaga;
Se com mais fortes nĂłs, que a Natureza,
Lhe nĂŁo ata os instantes.
Que só ditosos são na aberta liça
Dois mortais, que nos braços da Amizade,
Estreitos se unem, bebem de teu seio
NectĂĄrea valentia.
Tu cerceias o mal, o bem dilatas,
E as almas que cultivas cuidadosa,

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Arda De Raiva Contra Mim A Intriga

Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciĂĄvel;
Destile seu veneno detestĂĄvel
A vil calĂșnia, pĂ©rfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim sĂł, o mundo miserĂĄvel.
Alimente por mim Ăłdio entranhĂĄvel
O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;
Sei desprezar um nome nĂŁo preciso;
Sei insultar uns cĂĄlculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lĂĄbios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens sĂŁo, desprezo e piso.

A ociosidade Ă© a mĂŁe da maledicĂȘncia, da calĂșnia e da intriga, coisas a que eu jĂĄ nĂŁo sei se hei-de chamar vĂ­cios se virtudes, tĂŁo habituada estou a vĂȘ-los morar em lĂĄbios tidos como santos por este mundo que Ă© com certeza o melhor dos mundos possĂ­veis e imaginĂĄveis.

A Melhor Forma de Combater o Inimigo Ă© tĂȘ-lo perto de Ti

Se receias que alguĂ©m se aproveite da tua ausĂȘncia para fazer queixas ou espalhar calĂșnias contra ti, arranja um pretexto amigĂĄvel e pede-lhe que te acompanhe na viagem, na caçada ou na guerra. Vigia-o e, quando estiveres na sua companhia, Ă  mesa ou noutro sĂ­tio, nĂŁo deixes que se afaste. De igual modo, para evitar que uma nação aproveite uma das tuas expediçÔes para te declarar guerra, leva contigo o escol dessa nação – como se nĂŁo tivesses aliados mais fiĂ©is -, mas procura que essa gente seja escoltada por um pequeno grupo de homens armados dedicados ao teu serviço.