Cita√ß√Ķes sobre Cancro

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Frases sobre cancro, poemas sobre cancro e outras cita√ß√Ķes sobre cancro para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Miser√°veis Macabros

√Č que n√£o foram t√£o poucas como isso as vezes que vi a piedade enganar-se. N√≥s, que governamos os homens, aprendemos a sondar-lhes os cora√ß√Ķes, para s√≥ ao objecto digno de estima dispensarmos a nossa solicitude. Mais n√£o fa√ßo do que negar essa piedade √†s feridas de exibi√ß√£o que comovem o cora√ß√£o das mulheres. Assim como tamb√©m a nego aos moribundos, e al√©m disso aos mortos. E sei bem porqu√™.
Houve uma altura da minha mocidade em que senti piedade pelos mendigos e pelas suas √ļlceras. At√© chegava a apalavrar curandeiros e a comprar b√°lsamos por causa deles. As caravanas traziam-me de uma ilha long√≠nqua unguentos derivados do ouro, que t√™m a virtude de voltar a compor a pele ao cimo da carne. Procedi assim at√© descobrir que eles tinham como artigo de luxo aquele insuport√°vel fedor. Surpreendi-os a co√ßar e a regar com bosta aquelas p√ļstulas, como quem estruma uma terra para dela extrair a flor cor de p√ļrpura. Mostravam orgulhosamente uns aos outros a sua podrid√£o e gabavam-se das esmolas recebidas.
Aquele que mais ganhara comparava-se a si pr√≥prio ao sumo sacerdote que exp√Ķe o √≠dolo mais prendado. Se consentiam em consultar o meu m√©dico, era na esperan√ßa de que o cancro deles o surpreendesse pela pestil√™ncia e pelas propor√ß√Ķes.

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Como sopa, de legumes. Porque um cientista, que fez um exame √† nutri√ß√£o dos americanos que deixaram de comer sopa √†s refei√ß√Ķes, declarou que se eles retomassem a sopa diminuiriam o cancro em mais do que 50 por cento. Tamb√©m gosto de sopa de peixe…

Não Há Comunicação Sem Envolvimento

S√≥ atrav√©s de um cerimonial consegues comunicar. Se ouvires distra√≠do essa m√ļsica e considerares distra√≠damente esse templo, n√£o nascer√° nada em ti, nem ser√°s alimentado. O √ļnico meio de que disponho para te explicar a vida a que te convido √©, por conseguinte, que tu te comprometas pela for√ßa e te deixes amamentar por ela. Como te havia eu de explicar essa m√ļsica que ouvi-la n√£o basta, se n√£o te achas preparado para te deixares formular por ela? T√£o prestes vejo a morrer em ti a imagem da propriedade, que dela pouco mais resta do que gravatos. A palavra ir√≥nica √© pr√≥pria mas √© do cancro; um sono mau, um barulho que perturba, e a√≠ est√°s tu privado de Deus. E recusado. Vejo-te sentado no portal, tendo atr√°s de ti a porta da tua casa fechada, totalmente separado do mundo, que n√£o passa do somat√≥rio de objectos vazios. Porque tu n√£o comunicas com os objectos, mas com os la√ßos que os ligam.

Febre Vermelha

Rozas de vinho! Abri o calice avinhado!
Para que em vosso seio o labio meu se atole:
Beber até cair, bebedo, para o lado!
Quero beber, beber até o ultimo gole!

Rozas de sangue! Abri o vosso peito, abri-o!
Montanhas alagae! deixae-as trasbordar!
As ondas como o oceano, ou antes como um rio
Levando na corrente Ophelias de luar…

Camelias! Entreabri os labios de Eleonora!
Desabrochae, √° lua, a ancia dos vossos calis!
Dá-me o teu genio, dá! ó tulipa de aurora!
E d√°-me o teu veneno, √≥ rubra digitalis…

Papoilas! Descerrae essas boccas vermelhas!
Apagae-me esta sede estonteadora e cruel:
√ď favos rubros! os meus labios s√£o abelhas,
E eu ando a construir meu corti√ßo de mel…

Rainunculos! Corae minhas faces-de-terra!
Que seja sangue o leite e rubins as opalas!
Tal se vêm pelo campo, em seguida a uma guerra,
Tintos da mesma cor os cora√ß√Ķes e as balas!…

Chagas de Christo! Abri as petalas chagadas!
N’uma raiva de cor, n’uma erup√ß√£o de luz!
Escancarae a bocca, √°s vermelhas rizadas,
Cancros de Lazaro!

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Do Tempo ao Coração

E volto a murmurar¬†¬†¬† Do c√Ęntico de amor
gerado na Suméria      às novas europutas
Do muito que me d√°s ao muito que n√£o dou
mas que sempre conservo entre as coisas mais puras

De uma genebra a mais num bar de Amsterd√£o
a não perder o pé numa praia da Grécia
De tantas       tantas mãos          que nos passam pelas mãos
a t√£o poucas que s√£o as que nunca se esquecem

De ter visto o come√ßo e o fim da Via √Āpia
De ter atravessado o muro de Berlim
De outros muros que n√£o aparecem no mapa
De outros muros que só aparecem aqui

ao barro deste céu que te modela os ombros
ao sopro deste céu que te solta o cabelo
ao riso deste céu que vem ao nosso encontro
quando sabe que nós não precisamos dele

Da pertinaz presença          E da longevidade
do corvo         do chacal            do louco          do eunuco
ao rouxinol que morre em plena madrugada
à rosa que adormece em caules de um minuto

Do que foi noutro tempo a sa√ļde no campo
à lepra que nos rói a paisagem bucólica
Do tempo          ao coração minado pelo cancro
Dos rins             ao infinito incubado na cólera

Do tempo ao coração            mas com pausa na pele
como ¬ęRoma by night¬Ľ entre dois avi√Ķes
como passar o Ver√£o numa vogal aberta
como dizer que não         que já não somos dois

Dos rins ao infinito       A este       que não outro
Ao que rola dos rins    Ao que vai rebentar-te
na c√Ęmara blindada e nocturna do √ļtero
E nos transfere o fim para um pouco mais tarde

Da curva de entretanto       à entrada do poço
De soletrar em mim       a ler       nas tuas mãos
como é rápido       e lento      e recto       e sinuoso
o percurso que vai do tempo ao coração.

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Aberração

Na velhice autom√°tica e na inf√Ęncia,
(Hoje, ontem, amanh√£ e em qualquer era)
Minha hibridez √© a s√ļmula sincera
Das defectividades da Subst√Ęncia.

Criando na alma a estesia abstrusa da √Ęnsia,
Como Belerofonte com a Quimera
Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esfera
E acho odor de cad√°ver na fragr√Ęncia!

Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto
De anomalias l√ļgubres. Existo
Como o cancro, a exigir que os s√£os enfermem…

Te√ßo a inf√Ęmia; urdo o crime; engendro o iodo
E nas mudanças do Universo todo
Deixo inscrita a memória do meu gérmen!

A acção é uma doença do pensamento, um cancro da imaginação. Agir é exilar-se.

Vícios de Corpo e Alma

Se descobrires em ti um ponto fraco, em vez de o dissimulares reduz-te √†s tuas pr√≥prias dimens√Ķes e corrige-te. Ah!, se a alma tivesse de combater s√≥ o corpo ?! Porque ela tamb√©m tem as suas inclina√ß√Ķes viciosas e √© necess√°rio que uma das suas partes – a mais pequena, mas ao mesmo tempo a mais divina – combata a outra, sem cessar. Todas as paix√Ķes do corpo s√£o vis. As da alma, que s√£o vis, tornam-se verdadeiros cancros: a inveja, etc. A cobardia √© t√£o vil que deve ser comum a ambos.

Males de Anto

A Ares n’uma aldeia

Quando cheguei, aqui, Santo Deus! como eu vinha!
Nem mesmo sei dizer que doença era a minha,
Porque eram todas, eu sei l√°! desde o odio ao tedio.
Molestias d’alma para as quaes n√£o ha remedio.
Nada compunha! Nada, nada. Que tormento!
Dir-se-ia accaso que perdera o meu talento:
No entanto, √°s vezes, os meus nervos gastos, velhos,
Convulsionavam-nos relampagos vermelhos,
Que eram, bem o sentia, instantes de Cam√Ķes!
Sei de c√≥r e salteado as minhas afflic√ß√Ķes:
Quiz partir, professar n’um convento de Italia,
Ir pelo Mundo, com os p√©s n’uma sandalia…
Comia terra, embebedava-me com luz!
Extasis, spasmos da Thereza de Jezus!
Contei n’aquelle dia um cento de desgra√ßas.
Andava, á noite, só, bebia a noite ás taças.
O meu cavaco era o dos mortos, o das loizas.
Odiava os homens ainda mais, odiava as Coizas.
Nojo de tudo, horror! Trazia sempre luvas
(Na aldeia, sim!) para pegar n’um cacho d’uvas,
Ou n’uma flor. Por cauza d’essas m√£os… Perdoae-me,
Alde√Ķes! eu sei que v√≥s sois puros. Desculpae-me.

Mas, atravez da minha dor,

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Ironias do Desgosto

“Onde √© que te nasceu” – dizia-me ela √†s vezes –
“O horror calado e triste √†s coisas sepulcrais?
“Por que √© que n√£o possuis a verve dos franceses
“E aspiras, em sil√™ncio, os frascos dos meus sais?

“Por que √© que tens no olhar, moroso e persistente,
“As sombras dum jazigo e as fundas abstra√ß√Ķes,
“E abrigas tanto fel no peito, que n√£o sente
“O abalo feminil das minhas expans√Ķes?

“H√° quem te julgue um velho. O teu sorriso √© falso;
“Mas quando tentas rir parece ent√£o, meu bem,
“Que est√£o edificando um negro cadafalso
“E ou vai algu√©m morrer ou v√£o matar algu√©m!

“Eu vim – n√£o sabes tu? – para gozar em maio,
“No campo, a quieta√ß√£o banhada de prazer!
“N√£o v√™s, √≥ descorado, as vestes com que saio,
“E os j√ļbilos, que abril acaba de trazer?

“N√£o v√™s como a campina √© toda embalsamada
“E como nos alegra em cada nova flor?
“Ent√£o por que √© que tens na fronte consternada”
“Um n√£o-sei-qu√™ tocante e enternecedor?”

Eu s√≥ lhe respondia: ‚ÄĒ “Escuta-me.

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Conquistar a Honra

Conquistar a honra n√£o √© sen√£o revelar as virtudes e os valores do homem, sem desvantagens; porque alguns procuram e solicitam a honra e a reputa√ß√£o, mas nas suas ac√ß√Ķes deixam muito a desejar; tais homens s√£o daqueles a respeito dos quais se fala muito, mas que no fundo ningu√©m admira; outros, pelo contr√°rio, escurecem as suas virtudes na apar√™ncia, para que sejam sobrevalorizadas na opini√£o. Aquele que leva a cabo uma coisa que nunca tinha sido tentada antes, ou que tinha sido abandonada depois da tentativa, ou realizada em melhores circunst√Ęncias, ganhar√° com isso maior honra do que se tiver efectuado uma coisa de maior dificuldade, ou de maior m√©rito, em que tivesse j√° havido um precursor. Se um homem regula as suas ac√ß√Ķes de maneira a satisfazer em algumas todos os partidos ou agrupamentos, maior conceito de elogios haver√° de obter.
Mau gerente da sua honra ser√° aquele que empreenda uma ac√ß√£o cujo insucesso lhe possa causar desgra√ßa maior do que a gl√≥ria que lhe adviria do sucesso. A honra que √© recebida e que vai quebrar-se sobre outrem √© a que tem mais brilhantes reflex√Ķes; como os diamantes talhados com v√°rias faces. Por isso deve o homem esfor√ßar-se por ultrapassar os seus √©mulos em quest√£o de honra,

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A Idade da Derrota Aceite

Tenho sessenta anos. N√£o te iludas: n√£o estou ainda bastante fraco para ceder √†s imagina√ß√Ķes do medo, quase t√£o absurdas como as da esperan√ßa e seguramente muito mais penosas. Se fosse preciso enganar-me a mim mesmo, preferia que fosse no sentido da confian√ßa; n√£o perderia mais com isso e sofreria menos. Este fim t√£o pr√≥ximo n√£o √© necessariamente imediato; deito-me ainda, todas as noites, com a esperan√ßa de chegar √† manh√£ seguinte. Adentro dos limites intranspon√≠veis de que te falei h√° pouco, posso defender a minha posi√ß√£o passo a passo e recuperar mesmo algumas polegadas do terreno perdido. N√£o deixo por isso de ter chegado √† idade em que a vida se torna, para cada homem, uma derrota aceite. Dizer que os meus dias est√£o contados n√£o significa nada; sempre assim foi; √© assim para todos n√≥s. Mas a incerteza do lugar, do tempo e do modo, que nos impede de distinguir bem o fim para o qual avan√ßamos sem cessar, diminui para mim √† medida que a minha doen√ßa mortal progride. Qualquer pessoa pode morrer de um momento para o outro, mas o doente sabe que passados dez anos j√° n√£o ser√° vivo.
A minha margem de hesitação já não se alonga em anos,

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Morre menos gente de cancro ou de coração do que de não saber para que vive; e a velhice, no sentido de caducidade, de que tantos se vão, tem por origem exactamente isto: o cansaço de se não saber para que se está a viver.

Também o que é Eterno

Também o que é eterno morre um dia.
Eu tusso e sinto a dor que a tosse traz;
O doutor quer por força a ecografia,
Mas eu n√£o estou pra tantas precis√Ķes.

Eu rio à morte com um riso largo:
Morrer é tão banal, tão tem que ser!
Disto ou daquilo, que me importa a mim?
Mas, ó horror, com fotos, não, nem documentos!

A tanta exactidão mata o mistério.
O pH, o √≠ndice quarenta…
N√£o quero as pulsa√ß√Ķes, os eritr√≥citos,
O temeroso alzaimer, ou o cancro,
Nem sequer o tão raro, do coração.

Ver o pulmão, o peito aberto, o coração,
A palpitar a cores no computador?
Eu morro, eu morro, n√£o se preocupem,
Mas sem saber, de gripe, ou duma coisa,
Ou doutra coisa.