Cita√ß√Ķes sobre Consumidores

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Frases sobre consumidores, poemas sobre consumidores e outras cita√ß√Ķes sobre consumidores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Esmagamento do Eu

O espectáculo (da sociedade de consumo) que é a extinção dos limites do eu e do mundo pelo esmagamento do eu que a presença-ausência do mundo assedia, é igualmente a supressão dos limites do verdadeiro e do falso pelo recalcamento de toda a verdade vivida sob a presença real da falsidade que a organização da aparência assegura. Aquele que sofre passivamente a sua sorte quotidianamente estranha é, pois, levado a uma loucura que reage ilusoriamente a essa sorte, ao recorrer a técnicas mágicas. O reconhecimento e o consumo das mercadorias estão no centro desta pseudo-resposta a uma comunicação sem resposta. A necessidade de imitação que o consumidor sente é precisamente uma necessidade infantil, condicionada por todos os aspectos da sua despossessão fundamental.

Somos, ao contrário do que é hábito dizer-se, não uma sociedade de consumo, visada ao consumidor, mas uma sociedade de produção, virada ao produtor e seus interesses.

As Necessidades do Consumidor

As necessidades do consumidor podem ter origem estranha, frívola e até imoral, e no entanto pode defender-se optimamente uma sociedade que procura satisfazê-las. Mas a defesa perde o sentido se é o processo de satisfazer necessidades que as cria.

O Cidad√£o L√ļcido em Vez do Consumidor Irracional

J√° se sabe que n√£o somos um povo alegre (um franc√™s aproveitador de rimas f√°ceis √© que inventou aquela de que ¬ęles portugais sont toujours gais¬Ľ), mas a tristeza de agora, a que o Cam√Ķes, para n√£o ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente ¬ęapagada e vil¬Ľ, √© a de quem se v√™ sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as apar√™ncias dela ser√£o pagas bem caras num futuro que n√£o vem longe. E as alternativas, onde est√£o, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo n√£o serem previs√≠veis, t√£o cedo, alternativas nacionais pr√≥prias (torno a dizer: nacionais, n√£o nacionalistas), e que da crise profunda, crise econ√≥mica, mas tamb√©m crise √©tica, em que patinhamos, √© que poder√£o, talvez ‚ÄĒ contentemo-nos com um talvez ‚ÄĒ, vir a nascer as necess√°rias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem pr√©via defini√ß√£o condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidad√£o, um cidad√£o enfim l√ļcido e respons√°vel, no lugar que hoje est√° ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.

Consumismo Cego

A nossa vida √© influenciada em grande medida pelos jornais. A publicidade √© feita unicamente no interesse dos produtores e nunca dos consumidores. Por exemplo, convenceu-se o p√ļblico de que o p√£o branco √© superior ao p√£o escuro. A farinha, cada vez mais finamente peneirada, foi privada dos seus princ√≠pios mais √ļteis. Mas conserva-se melhor e o p√£o faz-se mais facilmente. Os moleiros e os padeiros ganham mais dinheiro. Os consumidores comem, sem o saber, um produto inferior. E em todos os pa√≠ses em que o p√£o √© a parte principal da alimenta√ß√£o, as popula√ß√Ķes degeneram. Gastam-se enormes quantias na publicidade comercial. Assim, imensos produtos alimentares e farmac√™uticos in√ļteis, e muitas vezes prejudiciais, tornaram-se uma necessidade para os homens civilizados. Deste modo, a avidez dos indiv√≠duos suficientemente h√°beis para orientar o gosto das massas populares para os produtos √† venda desempenha um papel capital na nossa civiliza√ß√£o.

O lugar do poeta é onde possa inquietar.
O lugar do poema é estar em presença do consumidor de poesia.
Ou do provável consumidor. Ninguém faz o poema por mero exercício verbal.

A Europa é um Comboio Disparado e sem Freios

Foi a falta de solidariedade que fez na Europa 18 milh√Ķes de desempregados, ou s√£o eles t√£o-somente o efeito mais vis√≠vel da crise de um sistema para o qual as pessoas n√£o passam de produtores a todo o momento dispens√°veis e de consumidores obrigados a consumir mais do que necessitam? A Europa, estimulada a viver na irresponsabilidade, √© um comboio disparado, sem freios, onde uns passageiros se divertem e os restantes sonham com isso.

A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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Quando uma pessoa √© o pr√≥prio n√ļcleo, ela n√£o tem mais diverg√™ncias. Ent√£o ela √© a solenidade de si pr√≥pria, e n√£o tem mais medo de consumir-se ao ritual consumidor.

A meta do marketing é conhecer e entender o consumidor tão bem, que o produto ou serviço se molde a ele e se venda sozinho.

O objetivo do consumidor não é possuir coisas, mas consumir cada vez mais e mais a fim de que com isso compensar o seu vácuo interior, a sua passividade, a sua solidão, o seu tédio e a sua ansiedade.

Um produto √© algo feito em f√°bricas; uma marca √© algo que √© comprado pelo consumidor. Um produto pode ser copiado por um concorrente; uma marca √© √ļnica. Um produto pode ficar rapidamente obsoleto; uma marca de sucesso √© eterna.

Os poetas fazem monopólio dos suspiros, mas, honra lhes seja feita, não encarecem o género; barateiam-no de modo que não há consumidora que tenha razão de queixa.