Passagens sobre Convers√£o

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Frases sobre convers√£o, poemas sobre convers√£o e outras passagens sobre convers√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Sei bem que a pr√≥pria palavra √© uma institui√ß√£o dos outros, mas a subst√Ęncia da vida √© a assimila√ß√£o, isto √©, a convers√£o do que √© outro em nosso. E quanto mais nosso tornarmos o que √© dos outros, mais vivemos. Para tornarmos mais nosso o que √© dos outros, √© preciso que ele, inicialmente, seja o menos poss√≠vel dos outros j√°, para que mais facilmente seja nosso.

Esquecemos que todos os povos do mundo são pacíficos, à partida. Os povos não são um produto genético, imutável. São produto da História. E a História pode facilmente converter os desejos de Paz em violência pessoal e social.

A Fragilidade dos Valores

Todas as coisas ¬ęboas¬Ľ foram noutro tempo m√°s; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprud√™ncia de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, ben√©volos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os ¬ęvalores por excel√™ncia¬Ľ; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza.
A submiss√£o ao direito: oh! que revolu√ß√£o de consci√™ncia em todas as ra√ßas aristocr√°ticas quando tiveram de renunciar √† vingan√ßa para se submeterem ao direito! O ¬ędireito¬Ľ foi por muito tempo um vetitum, uma inova√ß√£o, um crime; foi institu√≠do com viol√™ncia e opr√≥bio.
Cada passo que o homem deu sobre a Terra custou-lhe muitos supl√≠cios intelectuais e corporais; tudo passou adiante e atrasou todo o movimento, em troca teve inumer√°veis m√°rtires; por estranho que isto hoje nos pare√ßa, j√° o demonstrei na Aurora, aforismo 18: ¬ęNada custou mais caro do que esta migalha de raz√£o e de liberdade, que hoje nos envaidece¬Ľ. Esta mesma vaidade nos impede de considerar os per√≠odos imensos da ¬ęmoraliza√ß√£o dos costumes¬Ľ que precederam a hist√≥ria capital e foram a verdadeira hist√≥ria,

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O que o poeta faz é mais do que dar nome às coisas. O que ele faz é converter as coisas em aparência pura. O que o poeta faz é iluminar as coisas.

Os h√°beis oradores, com ast√ļcia e prud√™ncia, sabem converter em elogios os insultos recebidos dos amigos.

Um Segredo de um Casamento Feliz

Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.

Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.

Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.

O casamento feliz n√£o √© nem um contrato nem uma rela√ß√£o. Rela√ß√Ķes temos n√≥s com toda a gente. √Č uma cria√ß√£o. √Č criado por duas pessoas que se amam.

O nosso casamento √© um filho. √Č um filho inteiramente dependente de n√≥s. Se n√≥s nos separarmos, ele morre. Mas n√£o deixa de ser uma terceira entidade.

Quando esse filho é amado por ambos os casados Рque cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro.

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A Verdade Está à Frente do Nosso Nariz

N√≥s j√° esquecemos completamente o axioma de que que a verdade √© a coisa mais po√©tica no mundo, especialmente no seu estado puro. Mais do que isso: √© ainda mais fant√°stica que aquilo que a mente humana √© capaz de fabricar ou conceber… de facto, os homens conseguiram finalmente ser bem sucedidos em converter tudo o que a mente humana √© capaz de mentir e acreditar em algo mais compreens√≠vel que a verdade, e √© isso que prevalece por todo o mundo. Durante s√©culos a verdade ir√° continuar √† frente do nariz das pessoas mas estas n√£o a tomar√£o: ir√£o persegui-la atrav√©s da fabrica√ß√£o, precisamente porque procuram algo fant√°stico e ut√≥pico.

O Grau da Nossa Emancipação

A esfera da consciência reduz-se na acção; por isso ninguém que aja pode aspirar ao universal, porque agir é agarrar-se às propriedades do ser em detrimento do ser, a uma forma de realidade em prejuízo da realidade. O grau da nossa emancipação mede-se pela quantidade das iniciativas de que nos libertámos, bem como pela nossa capacidade de converter em não-objecto todo o objecto. Mas nada significa falar de emancipação a propósito de uma humanidade apressada que se esqueceu de que não é possível reconquistar a vida nem gozá-la sem primeiro a ter abolido.
Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar as coisas em si pr√≥prias ou de denunciar a sua fragilidade. O nosso ofegar postula-as e deforma-as, cria-as e desfigura-as, e amarra-nos a elas. Agito-me e portanto emito um mundo t√£o suspeito como a minha especula√ß√£o, que o justifica, adopto o movimento que me transforma em gerador de ser, em artes√£o de fic√ß√Ķes, ao mesmo tempo que a minha veia cosmog√≥nica me faz esquecer que, arrastado pelo turbilh√£o dos actos, n√£o passo de um ac√≥lito do tempo, de um agente de universos caducos.
Empanturrados de sensa√ß√Ķes e do seu corol√°rio, o devir, somos seres n√£o libertos, por inclina√ß√£o e por princ√≠pio,

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O falhado é um homem que errou mas não é capaz de converter o seu erro em experiência.

O Aviltante Conceito da Perfectibilidade Humana

Converter em realidades os nossos sentimentos e propens√Ķes individuais, transformar as nossas disposi√ß√Ķes de √Ęnimo em medidas do universo, acreditar que, porque desejamos justi√ßa ou amamos a justi√ßa, a Natureza ter√° necessariamente de ter o mesmo desejo ou o mesmo amor, supor que, porque uma coisa √© m√°, ela pode ser tornada melhor sem a piorar, estas s√£o atitudes rom√Ęnticas e definem todos os esp√≠ritos que se revelam incapazes de conceber a realidade como algo situado fora deles pr√≥prios, como crian√ßas implorando por luas nesta Terra.
Quase todas as modernas reformas sociais s√£o concep√ß√Ķes rom√Ęnticas, um esfor√ßo para acomodar a realidade aos nossos desejos. O aviltante conceito da perfectibilidade humana.

Francisco de Assis n√£o se contentou em abra√ßar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gubbio para estar junto deles. Ele pr√≥prio viu neste encontro o ponto de viragem das sua convers√£o: ¬ęQuando estava nos meus pecados, parecia-me uma coisa insuport√°vel ver os leprosos, e foi o pr√≥prio Senhor a conduzir-me para o meio deles. E ao afastar-me deles, aquilo que me parecia amargo transformou-se em do√ßura¬Ľ (Fioretti 110).

O Poeta não é um Pequeno Deus

O poeta n√£o √© um ¬ępequeno deus¬Ľ. N√£o, n√£o √© um ¬ępequeno deus¬Ľ. N√£o est√° amrcado por um destino cabal√≠stico superior ao de quem exerce outros misteres e of√≠cios. Exprimi ami√ļde que o melhor poeta √© o homem que nos entrega o p√£o de cada dia: o padeiro mais pr√≥ximo, que n√£o se julga deus. Cumpre a sua majestosa e humilde tarefa de amassar, levar ao forno, dourar e entregar o p√£o de cada dia, com uma obriga√ß√£o comunit√°ria. E se o poeta chega a atingir essa simples consci√™ncia, a simples consci√™ncia tamb√©m se pode converter em parte de uma artesania colossal, de uma constru√ß√£o simples ou complicada, que √© a constru√ß√£o da sociedade, a transforma√ß√£o das condi√ß√Ķes que rodeiam o homem, a entrega da mercadoria: p√£o, verdade, vinho, sonhos.

Se o poeta se incorpora nessa nunca consumida luta para cada um confiar nas mãos dos outros a sua ração de compromisso, a sua dedicação e a sua ternura pelo trabalho comum de cada dia e de todos os homens, participa no suor, no pão, no vinho, no sonho de toda a humanidade. Só por esse caminho inalienável de sermos homens comuns conseguiremos restituir à poesia o vasto espaço que lhe vão abrindo em cada época,

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Ter coragem n√£o significa ter garantia de √™xito. √Č-nos pedida a coragem para lutar, n√£o necessariamente para vencer; para anunciar, n√£o necessariamente para converter. Hoje √© tempo de coragem!

Há uma necessidade de oração e penitência para implorar a graça da conversão e o fim de tantas guerras no mundo.

Se ¬ęos desertos exteriores se multiplicam no mundo porque os desertos interiores se tornaram t√£o vastos¬Ľ, precisamos de uma convers√£o ecol√≥gica que seja tamb√©m uma profunda convers√£o interior.

Na B√≠blia, parte-se sempre do cora√ß√£o, isto √©, de dentro, porque √© ali que nascem todas as injusti√ßas, a malvadez, as viol√™ncias, mas tamb√©m as escolhas pelo bem, por uma verdadeira convers√£o de n√≥s mesmos. Quando mudarmos alguma coisa dentro de n√≥s, logo a mudan√ßa se ver√° fora de n√≥s… e o mundo tornar-se-√° um jardim.

O Destino Desconhece a Linha Recta

O destino, isso a que damos o nome de destino, como todas as coisas deste mundo, n√£o conhece a linha recta. O nosso grande engano, devido ao costume que temos de tudo explicar retrospectivamente em fun√ß√£o de um resultado final, portanto conhecido, √© imaginar o destino como uma flecha apontada directamente a um alvo que, por assim dizer, a estivesse esperando desde o princ√≠pio, sem se mover. Ora, pelo contr√°rio, o destino hesita muit√≠ssimo, tem d√ļvidas, leva tempo a decidir-se. Tanto assim que antes de converter Rimbaud em traficante de armas e marfim em Africa, o obrigou a ser poeta em Paris.

O Meu Car√°cter

Cumpre-me agora dizer que esp√©cie de homem sou. N√£o importa o meu nome, nem quaisquer outros pormenores externos que me digam respeito. √Č acerca do meu car√°cter que se imp√Ķe dizer algo.
Toda a constitui√ß√£o do meu esp√≠rito √© de hesita√ß√£o e d√ļvida. Para mim, nada √© nem pode ser positivo; todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, incerto para mim pr√≥prio. Tudo para mim √© incoer√™ncia e muta√ß√£o. Tudo √© mist√©rio, e tudo √© prenhe de significado. Todas as coisas s√£o ¬ędesconhecidas¬Ľ, s√≠mbolos do Desconhecido. O resultado √© horror, mist√©rio, um medo por de mais inteligente.
Pelas minhas tend√™ncias naturais, pelas circunst√Ęncias que rodearam o alvor da minha vida, pela influ√™ncia dos estudos feitos sob o seu impulso (estas mesmas tend√™ncias) – por tudo isto o meu car√°cter √© do g√©nero interior, autoc√™ntrico, mudo, n√£o auto-suficiente mas perdido em si pr√≥prio. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu car√°cter consiste no √≥dio, no horror e na incapacidade que impregna tudo aquilo que sou, f√≠sica e mentalmente, para actos decisivos, para pensamentos definidos. Jamais tive uma decis√£o nascida do autodom√≠nio, jamais tra√≠ externamente uma vontade consciente. Os meus escritos,

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A Doutrina Perfeita

Muitas vezes as pessoas dirigem-se a mim, dizendo: ¬ęvoc√™, que √© independente¬Ľ. N√£o sou assim; continuamente devo ceder a pequenas f√≥rmulas sofisticadas que corrompem, que d√£o um sentido inverso √† nossa orienta√ß√£o, que fazem com que a transpar√™ncia do cora√ß√£o se turve. Continuamente a nossa inseguran√ßa, o ego√≠smo, o esp√≠rito legalista, a mesquinhez, a vaidade, toda a esp√©cie de circunst√Ęncias que tomam o partido da vida como desfrute √† sensa√ß√£o se sobrep√Ķem √† luz interior. S√≥ a f√© √© independente. S√≥ ela est√° para al√©m do bem e do mal.

Estar para al√©m do bem e do mal aplica-se a Cristo. ¬ęPerdoa ao teu inimigo, oferece a outra face¬Ľ – disse Ele. N√£o √© um conselho para humilhados, n√£o √© um preceito para m√°rtires. Nisso aparece Cristo mal interpretado, a ponto de o cristianismo ter sido considerado uma religi√£o de escravos. Mas esquecemos que Cristo, como Homem, teve a experi√™ncia-limite, uma vis√£o do inconsciente absoluto, o que quer dizer que a sua consci√™ncia foi saturada, para al√©m do bem e do mal. Esse homem que perdoa ao seu inimigo n√£o o faz por contrariedade do seu instinto, por repara√ß√£o dos seus pecados; mas porque n√£o pode proceder de outra maneira.

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O Belíssimo Sonho do Preguiçoso Português

Quem se importa por√©m com isso? Trabalhar o menos poss√≠vel sob a tutela do Estado que lhe garanta o suficiente √† vida ‚ÄĒ, eis o sonho, o bel√≠ssimo sonho do pregui√ßoso portugu√™s!
Do pregui√ßoso portugu√™s, n√£o digo bem, do pregui√ßoso latino; porque em todos os pa√≠ses desta fam√≠lia se est√£o notando, em flagrante oposi√ß√£o aos anglo-sax√≥nios, as mesmas tend√™ncias as quais, no que particularmente respeita √† Fran√ßa, n√£o h√° muito vi afirmadas num livro dum escritor daquela nacionalidade que v√≥s talvez conhe√ßais ‚ÄĒ Gustave Le Bon.
Eu quero admitir, meus senhores, que sobre n√≥s influi o clima, a ra√ßa, as tradi√ß√Ķes, o passado, em tanto quanto a geografia e a hist√≥ria podem influir no car√°cter dum povo. N√£o podemos ent√£o transformar-nos completamente, e ut√≥pico mesmo me parece o desejo dum dos homens a quem o ensino secund√°rio em Fran√ßa mais deve, Demolins, expresso na sua obra sobre as causas da superioridade anglo-sax√≥nica: ‚ÄĒ inglesa, se assim me posso exprimir, as sociedades latinas.
Mas sem essa conversão completa, sem mudarmos mesmo grande parte das nossas ideias, sem irmos de encontro a algumas das nossas tendências, e pormos de lado alguns dos nossos sentimentos, nós podíamos, parece-me a mim,

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