Passagens sobre Cópia

27 resultados
Frases sobre c√≥pia, poemas sobre c√≥pia e outras passagens sobre c√≥pia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

LXXIX

Entre este √°lamo, o Lise, e essa corrente,
Que agora est√£o meus olhos contemplando,
Parece, que hoje o céu me vem pintando
A m√°goa triste, que meu peito sente.

Firmeza a nenhum deles se consente
Ao doce respirar do vento brando;
O tronco a cada instante meneando,
A fonte nunca firme, ou permanente.

Na líquida porção, na vegetante
Cópia daquelas ramas se figura
Outro rosto, outra imagem semelhante:

Quem n√£o sabe, que a tua formosura
Sempre móvel está, sempre inconstante,
Nunca fixa se viu, nunca segura?

De T√£o Divino Acento E Voz Humana

De t√£o divino acento e voz humana,
de t√£o doces palavras peregrinas,
bem sei que minhas obras n√£o s√£o dinas,
que o rudo engenho meu me desengana.

Mas de vossos escritos corre e mana
licor que vence as √°guas cabalinas;
e convosco do Tejo as flores finas
farão enveja à cópia mantuana.

E pois, a vós de si não sendo avaras,
as filhas de Mnemósine fermosa
partes dadas vos tem, ao mundo caras,

a minha Musa e a vossa t√£o famosa,
ambas posso chamar ao mundo raras:
a vossa d’alta, a minha d’envejosa.

Marília De Dirceu

Soneto 12

Obrei quando o discurso me guiava,
Ouvi aos s√°bios quando errar temia;
Aos Bons no gabinete o peito abria,
Na rua a todos como iguais tratava.

Julgando os crimes nunca os votos dava
Mais duro, ou pio do que a Lei pedia;
Mas devendo salvar ao justo, ria,
E devendo punir ao réu, chorava.

N√£o foram, Vila Rica, os meus projetos
Meter em f√©rreo cofre c√≥pia d’ouro
Que farte aos filhos, e que chegue aos netos:

Outras s√£o as fortunas, que me agouro,
Ganhei saudades, adquiri afetos,
Vou fazer destes bens melhor tesouro.

O homem moral é uma espécie inferior à do homem imoral, uma espécie mais fraca. Mais ainda: ele deriva de um tipo moral, mas não é propriamente esse tipo; não passa de uma cópia, ainda que possa ser uma boa cópia, e a medida do valor que tem é-lhe dada pelo exterior.

Que o Rudo Engenho Meu me Desengana

De t√£o divino acento em voz humana,
De eleg√Ęncias que s√£o t√£o peregrinas,
Sei bem que minhas obras n√£o s√£o dignas,
Que o rudo engenho meu me desengana.

Porém da vossa pena ilustre mana
Licor que vence as √°guas Cabalinas;
E convosco do Tejo as flores finas
Farão inveja à cópia Mantuana.

E pois a vós, de si não sendo avaras,
As filhas de Mnemósine fermosa
Partes dadas vos têm ao mundo claras;

A minha Musa, e a vossa t√£o famosa,
Ambas se podem nele chamar raras,
A vossa de alta, a minha de invejosa.

O Risco de Nunca termos Conhecido a nossa Verdadeira Alma

São muito raros aqueles que morrem tendo possuído verdadeiramente a sua alma. Com frequência, nem sequer a conheceram. Desde a primeira idade, tiveram na sua frente os exemplos que lhes pareciam óptimos e, a pouco e pouco, lhes moldaram, comprimiram e mascararam a sua natureza. Se essa natureza era baixa e pobre e os exemplos foram bem escolhidos, a imitação evitou mais um idiota ou delinquente.
Todavia, em muitos casos, trata-se de naturezas ricas e generosas que teriam podido dar mais do que obtiveram com o m√©todo quadr√ļmano – e vale muito mais um talento pequeno, mas novo, do que a imita√ß√£o med√≠ocre de um g√©nio.
Mas quase ningu√©m se atreve a ser o que √© e todos querem ser outros. E como nem a todos se adapta o modelo que escolheram, a imita√ß√£o resulta quase sempre inferior ao modelo: um desenho tosco efectuado numa parede vale sempre mais do que uma c√≥pia da Sibila de Miguel √āngelo.
Mas o homem n√£o pode deixar de copiar e n√£o faz sen√£o copiar: √© um fabricante de duplicados. Porque quer ter uma r√©plica do mundo, reduzida √†s propor√ß√Ķes humanas e aos seus gostos.

Acima da Verdade Est√£o os Deuses

Acima da verdade est√£o os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que h√° o Universo.

Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,

Porque visíveis à nossa alta vista,
S√£o t√£o reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
S√£o outra Natureza.

Tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer. Desdiz não só da perfeição externa, senão da perfeição interna; falha não só à regra do que deveria ser, senão à regra do que julgávamos que poderia ser. Somos ocos não só por dentro, senão também por fora, párias da antecipação e da promessa.

A Multid√£o Embrutece

Assim que muitos homens se encontram juntos, perdem-se. A multidão transporta as suas unidades do presente para o passado e precipita-as de cima para baixo: trata-se de um recuo e uma decadência.
Todo o homem, l√° dentro, converte-se noutro – mas pior. Nas multid√Ķes, a uni√£o √© constitu√≠da pelos inferiores e fundada nas partes inferiores de todas as almas. S√£o florestas em que os ramos altos n√£o se entrela√ßam, mas apenas, em baixo na escurid√£o, as ra√≠zes terrosas. Todos perdem o que os torna diferentes e melhores, enquanto o antigo r√ļstico – que, entre obst√°culos, morda√ßas e a√ßaimos, parecia aniquilado – acorda e muge. Em todas as multid√Ķes, como em toda a Humanidade, os med√≠ocres s√£o infinitamente mais que os grandes, os calmos que os violentos, os simples que os profundos, os primitivos que os civilizados, e √© a maioria que cria a alma comum que imbrica e nivela todo o agrupamento de homens.
Aquele que em cada um forma o seu superior n√£o pode conformar-se e fundir-se – √© a pessoa √ļnica e, portanto, incomunic√°vel. Toda a pessoa se op√Ķe √†s outras, existe enquanto √© diferente, n√£o se pode liquefazer num todo. Mas h√° em cada um de n√≥s,

Continue lendo…

Obrei quanto o Discurso me Guiava

Obrei quanto o discurso me guiava,
Ouvi aos s√°bios quando errar temia;
Aos bons no gabinete o peito abria,
Na rua a todos como iguais tratava.

Julgando os crimes nunca os votos dava,
Mais duro, ou pio do que a lei pedia:
Mas devendo salvar ao justo ria,
E devendo punir aos réu chorava.

N√£o foram, Vila Rica, os meus projetos,
Meter em ferro cofre cópia de ouro,
Que farte aos filhos, e que chegue aos netos:

Outras s√£o as fortunas, que me agouro,
Ganhei saudades, adquiri afetos,
Vou fazer deste bens melhor tesouro.

Só a literatura Рcópia silenciosa das coisas que não existem, tem foros de cidade no país das Artes. As outras são arrabaldes de vilas que já não existem.

Pinheiro Manso

Copado, alto, gentil Pinheiro Manso;
Debaixo cujos ramos debruçados
Do sol ou lua nunca penetrados,
J√° gozei, j√° gozei mais que descanso…

Quando para onde estás os olhos lanço,
Tantos gostos ao pé de ti passados
Vejo na fantasia retratados,
Tão vivos, que jàmais de ver-te canso!

Ah! deixa o outono vir; de um jasmineiro
te hei-de cobrir, terás cópia crescida
De flores, serás honra dêste outeiro.

E para te dar glória mais subida,
No meu tronco feliz, alto Pinheiro,
O teu nome escreverei de Margarida.

N√£o, n√£o √© Cansa√ßo…

N√£o, n√£o √© cansa√ßo…
√Č uma quantidade de desilus√£o
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…

N√£o, cansa√ßo n√£o √©…
√Č eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
√Č uma sensa√ß√£o abstrata
Da vida concreta ‚ÄĒ
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma ang√ļstia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como…
Sim, ou por sofrer como…
Isso mesmo, como…

Como qu√™?…
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formid√°vel realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: √© cansa√ßo!…

A Mediocridade que Vulgariza o Talento

N√£o se tem ideia como abunda a mediocridade. (…) S√£o pessoas como essas que travam sempre, em todos os lados, a m√°quina accionada pelos homens de talento. Os homens superiores s√£o por natureza inovadores. Quando surgem deparam com o disparate e a mediocridade por todos os lados (ela que tudo domina e que se manifesta em tudo o que se faz). O seu impulso natural √© assentar tudo de novo em terreno s√≥lido e experimentar caminhos novos, para fugir a essa vulgaridade e parvo√≠ce. Se por acaso eles triunfam e acabam por levar a melhor sobre a rotina, t√™m de ser ver a contas, por seu turno, com os incapazes – que fazem ponto de honra da c√≥pia grosseira dos seus processos e estragam tudo o que lhes vem √†s m√£os.
Depois deste primeiro movimento, que leva os inovadores a sairem das sendas j√° tra√ßadas, segue-se quase sempre outro que os faz, no fim da sua carreira, conter o indiscreto entusiasmo que vai sempre demasiado longe e que, pelo exagero, arruina o que inventaram. Ao se darem conta do triste uso que √© feito das inova√ß√Ķes que eles lan√ßaram no mundo, come√ßam a elogiar aquilo que, afinal, gra√ßas a eles,

Continue lendo…

As Ideias dependem das Sensa√ß√Ķes

√Ä primeira vista, nada pode parecer mais ilimitado do que o pensamento humano, que n√£o apenas escapa a toda autoridade e a todo poder do homem, mas tamb√©m nem sempre √© reprimido dentro dos limites da natureza e da realidade. Formar monstros e juntar for¬≠mas e apar√™ncias incongruentes n√£o causam √† imagina√ß√£o mais em¬≠bara√ßo do que conceber os objectos mais naturais e mais familiares. Apesar de o corpo confinar-se num s√≥ planeta, sobre o qual se arrasta com sofrimento e dificuldade, o pensamento pode transportar-nos num instante √†s regi√Ķes mais distantes do Universo, ou mesmo, al√©m do Universo, para o caos indeterminado, onde se sup√Ķe que a Natureza se encontra em total confus√£o. Pode-se conceber o que ainda n√£o foi visto ou ouvido, porque n√£o h√° nada que esteja fora do poder do pensamento, excepto o que implica absoluta contradi√ß√£o.

Entretanto, embora o nosso pensamento pare√ßa possuir esta liber¬≠dade ilimitada (…) ele est√° realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e todo o poder criador do esp√≠rito n√£o ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experi√™ncia. Quando pensamos numa montanha de ouro, apenas unimos duas id√©ias compat√≠veis,

Continue lendo…

A Mulher no Mundo da Política

H√° quem pense, e talvez com certa raz√£o, que a mulher deve entrar no mundo da pol√≠tica para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua ac√ß√£o. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela pr√≥pria √© obrigada a submeter-se a padr√Ķes que amea√ßam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela √© levada a transigir, torna-se numa c√≥pia daquilo que j√° √© mau nos homens. Eu penso que a ac√ß√£o da mulher deve desenvolver–se fora da pol√≠tica do Poder. Uma ac√ß√£o pol√≠tica de contra-poder. Pela recusa.