Passagens sobre Cópia

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Frases sobre c√≥pia, poemas sobre c√≥pia e outras passagens sobre c√≥pia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O homem moral é uma espécie inferior à do homem imoral, uma espécie mais fraca. Mais ainda: ele deriva de um tipo moral, mas não é propriamente esse tipo; não passa de uma cópia, ainda que possa ser uma boa cópia, e a medida do valor que tem é-lhe dada pelo exterior.

Que o Rudo Engenho Meu me Desengana

De t√£o divino acento em voz humana,
De eleg√Ęncias que s√£o t√£o peregrinas,
Sei bem que minhas obras n√£o s√£o dignas,
Que o rudo engenho meu me desengana.

Porém da vossa pena ilustre mana
Licor que vence as √°guas Cabalinas;
E convosco do Tejo as flores finas
Farão inveja à cópia Mantuana.

E pois a vós, de si não sendo avaras,
As filhas de Mnemósine fermosa
Partes dadas vos têm ao mundo claras;

A minha Musa, e a vossa t√£o famosa,
Ambas se podem nele chamar raras,
A vossa de alta, a minha de invejosa.

O Risco de Nunca termos Conhecido a nossa Verdadeira Alma

São muito raros aqueles que morrem tendo possuído verdadeiramente a sua alma. Com frequência, nem sequer a conheceram. Desde a primeira idade, tiveram na sua frente os exemplos que lhes pareciam óptimos e, a pouco e pouco, lhes moldaram, comprimiram e mascararam a sua natureza. Se essa natureza era baixa e pobre e os exemplos foram bem escolhidos, a imitação evitou mais um idiota ou delinquente.
Todavia, em muitos casos, trata-se de naturezas ricas e generosas que teriam podido dar mais do que obtiveram com o m√©todo quadr√ļmano – e vale muito mais um talento pequeno, mas novo, do que a imita√ß√£o med√≠ocre de um g√©nio.
Mas quase ningu√©m se atreve a ser o que √© e todos querem ser outros. E como nem a todos se adapta o modelo que escolheram, a imita√ß√£o resulta quase sempre inferior ao modelo: um desenho tosco efectuado numa parede vale sempre mais do que uma c√≥pia da Sibila de Miguel √āngelo.
Mas o homem n√£o pode deixar de copiar e n√£o faz sen√£o copiar: √© um fabricante de duplicados. Porque quer ter uma r√©plica do mundo, reduzida √†s propor√ß√Ķes humanas e aos seus gostos.

Acima da Verdade Est√£o os Deuses

Acima da verdade est√£o os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que h√° o Universo.

Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,

Porque visíveis à nossa alta vista,
S√£o t√£o reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
S√£o outra Natureza.

Tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer. Desdiz não só da perfeição externa, senão da perfeição interna; falha não só à regra do que deveria ser, senão à regra do que julgávamos que poderia ser. Somos ocos não só por dentro, senão também por fora, párias da antecipação e da promessa.

A Multid√£o Embrutece

Assim que muitos homens se encontram juntos, perdem-se. A multidão transporta as suas unidades do presente para o passado e precipita-as de cima para baixo: trata-se de um recuo e uma decadência.
Todo o homem, l√° dentro, converte-se noutro – mas pior. Nas multid√Ķes, a uni√£o √© constitu√≠da pelos inferiores e fundada nas partes inferiores de todas as almas. S√£o florestas em que os ramos altos n√£o se entrela√ßam, mas apenas, em baixo na escurid√£o, as ra√≠zes terrosas. Todos perdem o que os torna diferentes e melhores, enquanto o antigo r√ļstico – que, entre obst√°culos, morda√ßas e a√ßaimos, parecia aniquilado – acorda e muge. Em todas as multid√Ķes, como em toda a Humanidade, os med√≠ocres s√£o infinitamente mais que os grandes, os calmos que os violentos, os simples que os profundos, os primitivos que os civilizados, e √© a maioria que cria a alma comum que imbrica e nivela todo o agrupamento de homens.
Aquele que em cada um forma o seu superior n√£o pode conformar-se e fundir-se – √© a pessoa √ļnica e, portanto, incomunic√°vel. Toda a pessoa se op√Ķe √†s outras, existe enquanto √© diferente, n√£o se pode liquefazer num todo. Mas h√° em cada um de n√≥s,

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Obrei quanto o Discurso me Guiava

Obrei quanto o discurso me guiava,
Ouvi aos s√°bios quando errar temia;
Aos bons no gabinete o peito abria,
Na rua a todos como iguais tratava.

Julgando os crimes nunca os votos dava,
Mais duro, ou pio do que a lei pedia:
Mas devendo salvar ao justo ria,
E devendo punir aos réu chorava.

N√£o foram, Vila Rica, os meus projetos,
Meter em ferro cofre cópia de ouro,
Que farte aos filhos, e que chegue aos netos:

Outras s√£o as fortunas, que me agouro,
Ganhei saudades, adquiri afetos,
Vou fazer deste bens melhor tesouro.

Só a literatura Рcópia silenciosa das coisas que não existem, tem foros de cidade no país das Artes. As outras são arrabaldes de vilas que já não existem.

Pinheiro Manso

Copado, alto, gentil Pinheiro Manso;
Debaixo cujos ramos debruçados
Do sol ou lua nunca penetrados,
J√° gozei, j√° gozei mais que descanso…

Quando para onde estás os olhos lanço,
Tantos gostos ao pé de ti passados
Vejo na fantasia retratados,
Tão vivos, que jàmais de ver-te canso!

Ah! deixa o outono vir; de um jasmineiro
te hei-de cobrir, terás cópia crescida
De flores, serás honra dêste outeiro.

E para te dar glória mais subida,
No meu tronco feliz, alto Pinheiro,
O teu nome escreverei de Margarida.

N√£o, n√£o √© Cansa√ßo…

N√£o, n√£o √© cansa√ßo…
√Č uma quantidade de desilus√£o
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…

N√£o, cansa√ßo n√£o √©…
√Č eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
√Č uma sensa√ß√£o abstrata
Da vida concreta ‚ÄĒ
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma ang√ļstia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como…
Sim, ou por sofrer como…
Isso mesmo, como…

Como qu√™?…
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formid√°vel realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: √© cansa√ßo!…

A Mediocridade que Vulgariza o Talento

N√£o se tem ideia como abunda a mediocridade. (…) S√£o pessoas como essas que travam sempre, em todos os lados, a m√°quina accionada pelos homens de talento. Os homens superiores s√£o por natureza inovadores. Quando surgem deparam com o disparate e a mediocridade por todos os lados (ela que tudo domina e que se manifesta em tudo o que se faz). O seu impulso natural √© assentar tudo de novo em terreno s√≥lido e experimentar caminhos novos, para fugir a essa vulgaridade e parvo√≠ce. Se por acaso eles triunfam e acabam por levar a melhor sobre a rotina, t√™m de ser ver a contas, por seu turno, com os incapazes – que fazem ponto de honra da c√≥pia grosseira dos seus processos e estragam tudo o que lhes vem √†s m√£os.
Depois deste primeiro movimento, que leva os inovadores a sairem das sendas j√° tra√ßadas, segue-se quase sempre outro que os faz, no fim da sua carreira, conter o indiscreto entusiasmo que vai sempre demasiado longe e que, pelo exagero, arruina o que inventaram. Ao se darem conta do triste uso que √© feito das inova√ß√Ķes que eles lan√ßaram no mundo, come√ßam a elogiar aquilo que, afinal, gra√ßas a eles,

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As Ideias dependem das Sensa√ß√Ķes

√Ä primeira vista, nada pode parecer mais ilimitado do que o pensamento humano, que n√£o apenas escapa a toda autoridade e a todo poder do homem, mas tamb√©m nem sempre √© reprimido dentro dos limites da natureza e da realidade. Formar monstros e juntar for¬≠mas e apar√™ncias incongruentes n√£o causam √† imagina√ß√£o mais em¬≠bara√ßo do que conceber os objectos mais naturais e mais familiares. Apesar de o corpo confinar-se num s√≥ planeta, sobre o qual se arrasta com sofrimento e dificuldade, o pensamento pode transportar-nos num instante √†s regi√Ķes mais distantes do Universo, ou mesmo, al√©m do Universo, para o caos indeterminado, onde se sup√Ķe que a Natureza se encontra em total confus√£o. Pode-se conceber o que ainda n√£o foi visto ou ouvido, porque n√£o h√° nada que esteja fora do poder do pensamento, excepto o que implica absoluta contradi√ß√£o.

Entretanto, embora o nosso pensamento pare√ßa possuir esta liber¬≠dade ilimitada (…) ele est√° realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e todo o poder criador do esp√≠rito n√£o ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experi√™ncia. Quando pensamos numa montanha de ouro, apenas unimos duas id√©ias compat√≠veis,

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A Mulher no Mundo da Política

H√° quem pense, e talvez com certa raz√£o, que a mulher deve entrar no mundo da pol√≠tica para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua ac√ß√£o. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela pr√≥pria √© obrigada a submeter-se a padr√Ķes que amea√ßam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela √© levada a transigir, torna-se numa c√≥pia daquilo que j√° √© mau nos homens. Eu penso que a ac√ß√£o da mulher deve desenvolver–se fora da pol√≠tica do Poder. Uma ac√ß√£o pol√≠tica de contra-poder. Pela recusa.

Construir uma Personalidade

Nem todos est√£o predestinados a terem a oportunidade de criar a sua pr√≥pria personalidade, a maioria permanece numa c√≥pia de um tipo de personalidade, sem nunca chegarem √† experi√™ncia de se tornarem um indiv√≠duo com identidade pr√≥pria. Mas aqueles que o conseguem, inevitavelmente descobrem que a luta pela personalidade envolve o conflito com as vidas normais das pessoas comuns e os valores tradicionais e conven√ß√Ķes burguesas que defendem. A personalidade √© o produto do confronto entre duas for√ßas opostas, o impulso de criar uma vida pr√≥pria, e a insist√™ncia do mundo que nos rodeia em que nos conformemos a ele. Ningu√©m consegue desenvolver uma personalidade a menos que esteja mentalizado para passar por experi√™ncias revolucion√°rias. A extens√£o dessas experi√™ncias difere, claro, de pessoa para pessoa, assim como a capacidade de conduzirem uma vida que √© verdadeiramente pessoal e √ļnica.

Irm√£o, Irm√£os

Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de import√Ęncia.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

S√£o seis ou s√£o seiscentas
dist√Ęncias que se cruzam, se dilatam
no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,

o mesmo vinh√°tico das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?

São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objectos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irm√£o futuro, antigo e sempre?

Preciso de Ti

Antes de come√ßar… Acabei de suplicar dez minutos para este bilhete… Terrivelmente, terrivelmente vivo, dorido, e sentindo absolutamente que preciso de ti. Permiti o sil√™ncio deliberadamente, sentindo uma grande necessidade de me retirar em mim mesmo, para escrever, e mil coisas prevalecendo.

Mudei para outra m√°quina, assustadora; a m√°quina francesa… maldita, e eu b√™bedo com o desejo de te escrever. Ouve, ligo-te de manh√£: esta noite ou escrevo ou rebento, mas tenho de te ver. Vejo-te brilhante e maravilhosa e ao mesmo tempo tenho estado a escrever √† June e todo dividido mas tu compreender√°s ‚ÄĒ tens de compreender. Vou atirar-me a uma pausa e fa√ßo uma chamada. Anais, apoia-me. N√£o deixes que os sil√™ncios te preocupem: est√°s toda √† minha volta como uma chama clara. Nada a n√£o ser dois pontos, n√£o encontro o ponto nem os ap√≥strofos. Nenhuma c√≥pia disto tamb√©m: √≥ptimo: b√™bedo… b√™bedo de vida… Anais, por Cristo: se tu soubesses o que estou a sentir agora.

Isto foi [escrito] ao chegar [ao escrit√≥rio]. Agora 3h20 da manh√£ no quarto do Fred… Toda a for√ßa desaparecida e destru√≠da por imagens. O Fred est√° na cama com a Gaby do chambre 48. Est√° deitada como um cad√°ver.

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