Cita√ß√Ķes sobre Desalento

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Frases sobre desalento, poemas sobre desalento e outras cita√ß√Ķes sobre desalento para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Quatro Sonetos De Meditação РII

Uma mulher me ama. Se eu me fosse
Talvez ela sentisse o desalento
Da √°rvore jovem que n√£o ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce

Na sua tarde em flor. Uma mulher
Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
O desejo da morte que me quer.

Uma mulher me ama. Quando o escuro
Do crep√ļsculo m√≥rbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos

E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos
Vindos de ver a morte em mim divina:
Uma mulher me ama e me ilumina.

Flores Velhas

Fui ontem visitar o jardinzinho agreste,
Aonde tanta vez a lua nos beijou,
E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste,
Soberba como um sol, serena como um v√īo.

Em tudo cintilava o límpido poema
Com ósculos rimado às luzes dos planetas:
A abelha inda zumbia em torno da alfazema;
E ondulava o matiz das leves borboletas.

Em tudo eu pude ver ainda a tua imagem,
A imagem que inspirava os castos madrigais;
E as vibra√ß√Ķes, o rio, os astros, a paisagem,
Traziam-me à memória idílios imortais.

E nosso bom romance escrito num desterro,
Com beijos sem ruído em noites sem luar,
Fizeram-mo reler, mais tristes que um enterro,
Os goivos, a baunilha e as rosas-de-toucar.

Mas tu agora nunca, ah! Nunca mais te sentas
Nos bancos de tijolo em musgo atapetados,
E eu não te beijarei, às horas sonolentas,
Os dedos de marfim, polidos e delgados…

Eu, por n√£o ter sabido amar os movimentos
Da estrofe mais ideal das harmonias mudas,
Eu sinto as decep√ß√Ķes e os grandes desalentos
E tenho um riso meu como o sorrir de Judas.

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Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue.

N√ļpcias Pag√£s

Bra√ßos dados, n√≥s dois, vamos sozinhos…
O teu olhar de encantamento espraias
pelas curvas e sombras dos caminhos
debruados de jasmins e samambaias

H√° queixumes de amor na alma dos ninhos
e as nuvens lembram dan√ßas de cambraias…
– na minha m√£o ansiosa de carinhos
tonta de amor, a tua m√£o, desmaias…

Andamos sobre painas… entre alfombras…
E à luz frouxa da tarde em desalento
misturam-se no ch√£o as nossas sombras

– Aqui… H√° rosas soltas, desfolhadas…
Nada receies, meu amor Рé o vento
em marcha nupcial pelas ramadas!

O Martírio Do Artista

Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!

Tarda-lhe a idéa! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do √ļltimo momento!

Tenta chorar e os olhos sente enxutos!…
√Č como o paral√≠tico que, √† mingua
Da própria voz e na que ardente o lavra

Febre de em v√£o falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem à boca uma palavra!

N√£o ligo assim uma import√Ęncia por a√≠ al√©m a esta coisa complicad√≠ssima a que se chama vida, quer ela decorra no meio de fant√°sticas alegrias, quer se arraste por entre as m√°goas e os desalentos que s√£o, afinal de contas, o p√£o de cada dia de quase todos n√≥s.

Nada Vale Nada

Aqui tenho √† mesa de cabeceira o √ļltimo livro ainda a cheirar √† tinta da tipografia. N√£o h√° d√ļvida nenhuma que o concebi, que o realizei, e que, depois disso, com os magros vint√©ns que vou ganhando por estes montes, consegui p√ī-lo em letra redonda ‚ÄĒ a forma material m√°xima que se pode dar a um escrito. E, contudo, olho esta realidade que eu tirei do nada, que bem ou mal arranquei de mim, com o mesmo des√Ęnimo com que olho uma teia de aranha. E n√£o √© por saber de antem√£o que o livro vai ser abocanhado ou ignorado. N√£o obstante a lei natural que aconselha a que n√£o haja homem sem homem, √© preciso que a santa cegueira do artista lhe d√™ a for√ßa bastante para, em √ļltima an√°lise, ficar s√≥ e confiante. Ora eu tenho, como artista, essa cegueira. O meu desalento vem duma voz negativa que me acompanha desde o ber√ßo e que nas piores horas diz isto: Nada, em absoluto, vale nada.

Vencer é Resignar-se

Conformar-se √© submeter-se e vencer √© conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vit√≥ria √© uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram √† luta que lhes deu a vit√≥ria. Ficam satisfeitos, e satisfeito s√≥ pode estar aquele que se conforma, que n√£o tem a mentalidade do vencedor. Vence s√≥ quem nunca consegue. S√≥ √© forte quem desanima sempre. O melhor e o mais p√ļrpura √© abdicar. O imp√©rio supremo √© o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia n√£o pesa como um fardo de j√≥ias.

A Esperança

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim n√£o pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro Рavança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

Mysticismo Humano

A alma é como a noute escura, immensa e azul,
Tem o vago, o sinistro, e os canticos do sul,
Como os cantos d’amor serenos das ceifeiras
Que cantam ao luar, √° noute pelas eiras…
√Ās vezes vem a nevoa √° alma satisfeita,
E cae sombria, vaga, e meuda e desfeita…
E como a folha morta em lagos somnolentos
As nossas illus√Ķes v√£o-se nos desalentos!

Tem um poder immenso as Cousas na tristeza!
Homem! conheces tu o que √© a natureza?…
– √Č tudo o que nos cerca – √© o azul, o escuro,
√Č o cypreste esguio, a planta, o cedro duro,
A folha, o tronco a flor, os ramos friorentos,
√Č a floresta espessa esguedelhada aos ventos;
N√£o entra o vicio aqui com beijos dissolutos,
Nem as lendas do mal, nem os choros dos lutos!…

– E os que viram passar serenos os seus dias…
E curvados se v√£o, √°s longas ventanias,
Cheio o peito de sol, atravez das florestas,
√Ā calma do meio dia… e dormiam as sestas,
Tranquillos sobre a eira, entre as hervas nas leivas…

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Princesa Desalento

Minh’alma √© a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
√Č revoltada, tr√°gica, sombria,
Como galopes infernais de vento!

√Č fr√°gil como o sonho dum momento,
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria!
Minh’alma √© a Princesa Desalento…

Altas horas da noite ela vagueia…
E ao luar suavíssimo, que anseia,
P√Ķe-se a falar de tanta coisa morta!

O luar ouve a minh’alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz √† tua porta…

Acusam-me de M√°goa e Desalento

Acusam-me de m√°goa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
n√£o fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que n√£o nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.

Entretanto, deixai que me n√£o cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.

D. Quixote

Assim √† aldeia¬†volta o da “triste figura”
Ao tardo caminhar do Rocinante lento:
No arcaboiço dobrado Рum grande desalento,
No entristecido olhar – uns laivos de loucura…

Sonhos, a glória, o amor, a alcantilada altura
Do ideal e da Fé, tudo isto num momento
A rolar, a rolar, num desmoronamento,
Entre os risos boçais do Bacharel e o Cura.

Mas, certo, ó D. Quixote, ainda foi clemente
Contigo a sorte, ao p√īr nesse teu c√©rebro oco
O brilho da Ilusão do espírito doente;

Porque há cousa pior: é o ir-se a pouco e pouco
Perdendo, qual perdeste, um ideal ardente
E ardentes ilus√Ķes – e n√£o se ficar louco!

A Crise da Indiferença e do Desalento

Hoje mais do que nunca, nesta hora angustiosa que atravessa o Pa√≠s, mantenho os Meus indiscut√≠veis direitos ao Trono de Meus Maiores. (…) Politicamente: a desuni√£o, a anarquia e o terror, verdadeiras significa√ß√Ķes do bolchevismo. Economicamente: a fome a bater √† porta dos pobres especialmente, a fome a aliada mais poderosa da desordem. Financeiramente: a ru√≠na que cada dia se aproxima, pois basta ver o que s√£o hoje a nossa circula√ß√£o fiduci√°ria, a nossa d√≠vida e o descr√©dito do dinheiro portugu√™s. Na nossa situa√ß√£o internacional melhor √© nem falar, t√£o graves s√£o as apreens√Ķes que acerca dela surgem de todos os lados. Por cima de todas estas coisas, h√° uma outra pior ainda, se poss√≠vel √©: a crise da indiferen√ßa e do desalento! (…) N√£o abdicamos dos nossos princ√≠pios, pois representam aqueles que durante s√©culos fizeram a gl√≥ria de Portugal, mas quando vemos o nosso Pa√≠s afundar-se √© nosso dever oferecer √† M√£e P√°tria os nossos servi√ßos para a socorrer.

Dia de Descanso

Hoje reservo o dia inteiro para chorar
√Č o domingo decadente¬†¬†¬† em que muitos
esperam pela morte de pé
√Č o dia do sarro que vem √† boca da mediocridade
circular    dos gestos que andam disfarçados de gestos
dos amores que deram em estribilhos
das correrias peder√°sticas para o futebol em cal√ß√Ķes
mais o melhor fato    e a mesquinhez nacional dos 10%
de desconto em todo o vestu√°rio

E choro   choro   porque a coragem
n√£o me falta para tudo isto e assisto
na nega de me ceder ao braço dado

Precisarei de um cansaço mas
l√° estavam espertas
as mil e n√£o sei quantas lojas abertas
para mo vender!

Mas hoje é domingo
Lá está o chão reluzente de martírio
e nem já o sonho me dá de graça o ter por não ter
j√° nem o amor que suponho me d√° o sonho de ser

E choro de coragem    isto é
as lágrimas hão-de cair sêcas nas minhas mãos
Falo cristalinamente sozinho
procurando entre as paredes e as varandas que v√£o cair
algum acaso    isto é
o eco,

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O amor veemente, o amor apaixonado, por mais perfeito que o queiram pintar, tem sempre intercadências de desalento e de tédio que assassinam a felicidade.

Finda

A conclusão de tudo é só a morte
e não há mais epílogo nem finda.
N√£o se termina o verso nem o curso
mudamos à conversa interrompida.

N√£o findamos o verso nem acaba
o desfazer-se o mar contra esta praia.
A conclusão de tudo é só a morte,
nem o silêncio quebra a sua amarra.

Sequer h√° conclus√£o? Sequer h√° morte
nas palavras deixadas pelos recantos
mais sujos e perdidos do seu norte?

Amor que nos moveu no desalento,
a pátria destes versos foi só pura
imaginação por dentro da memória.

(Mas j√° outras can√ß√Ķes nos estremecem:
longe do coração começa a História.)

Dionysio

Ungido para o fado e a nova festa
Meu carnaval profano j√° celebra
As quarentenas dívidas da carne
Na cela de costelas das mulheres.

Como devasso réu, confesso fauno,
No vinho das delícias me declaro
Sem culpa e sem pecado original
Pois nessa pena sou igual a tantos.

J√° disse certa vez em cantoria:
De nada me arrependo e reconfirmo
Agora que o meu tempo é só de gozo.

A vida que me dou n√£o d√° guarida
Nem guarda desalentos de tristeza
Somente na alegria é que me morro.

Infeliz

Alma vi√ļva das paix√Ķes da vida,
Tu que, na estrada da existência em fora,
Cantaste e riste, e na existência agora
Triste soluças a ilusão peerdida;

Oh! Tu, que na grinalda emurchecida
De teu passado de felicidade
Foste juntar os goivos da Saudade
Às flores da Esperança enlanguescida;

Se nada te aniquila o desalento
Que te invade, e o pesar negro e profundo,
Esconde à Natureza o sofrimento,

E fica no teu ermo entristecida,
Alma arrancada do prazer do mundo,
Alma vi√ļva das paix√Ķes da vida.