Passagens sobre Dezenas

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Frases sobre dezenas, poemas sobre dezenas e outras passagens sobre dezenas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O paraíso é comparável a uma cena em que dezenas de belas garças voam fazendo um círculo no céu: há os que contemplam tal cena e admiram-na, mas há os que nem olham para ela, considerando-a sem graça.

Tenho sempre na cabeça armazenadas algumas dezenas de coisas para impingir aos outros com o rótulo de versos.

O Casamento é a Mais Rica Aventura Humana

Meu caro leitor!
Se não tens tempo nem oportunidade para consagrar uma dezena de anos da tua vida a uma viagem em volta do mundo para observar tudo o que um circunavegador pode aprender; se te falta, por não teres estudado por muito tempo as línguas estrangeiras, os dons e os meios de te iniciar nas mentalidades diversas dos povos que se revelam aos cientistas; se não pensas em descobrir um novo sistema astronómico que suprima o de Copérnico, bem como o de Ptolomeu Рentão, casa-te; e mesmo que tenhas tempo para viajar, dons para os estudos e a esperança de fazer descobertas, casa-te do mesmo modo. Tu não te arrependerás, ainda que isso te impeça de conheceres todo o Globo terrestre, de te exprimires em muitas línguas e de compreenderes o espaço celeste; pois o casamento é e continuará a ser a viagem da descoberta mais importante que o homem pode empreender; qualquer outro conhecimento da vida, comparado ao de um homem casado, é superficial, pois ele e só ele penetrou verdadeiramente na existência.

Apto e Inapto, Verdade e Mentira

A dura√ß√£o, seja os s√©culos para as civiliza√ß√Ķes, seja os anos e as dezenas de anos para o indiv√≠duo, tem uma fun√ß√£o darwiniana de elimina√ß√£o do inapto. O que est√° apto para tudo √© eterno. √Č apenas nisto que reside o valor daquilo a que chamamos a experi√™ncia. Mas a mentira √© uma armadura com a qual o homem, muitas vezes, permite ao inapto que existe em si sobreviver aos acontecimentos que, sem essa armadura, o aniquilariam (bem como ao orgulho para sobreviver √†s humilha√ß√Ķes), e esta armadura √© como que segregada pelo inapto para prevenir uma situa√ß√£o de perigo (o orgulho, perante a humilha√ß√£o, adensa a ilus√£o interior). Subsiste na alma uma esp√©cie de fagocitose; tudo o que √© amea√ßado pelo tempo, para n√£o morrer, segrega a mentira e, proporcionalmente, o perigo de morte. √Č por isso que n√£o existe amor pela verdade sem uma admiss√£o ilimitada da morte. A cruz de Cristo √© a √ļnica porta do conhecimento.

O que Distingue um Amigo Verdadeiro

N√£o se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conhe√ßam pessoas de quem apetece ser amiga, n√£o se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupa√ß√£o da alma e a ocupa√ß√£o do espa√ßo, o tempo que se pode passar e a aten√ß√£o que se pode dar ‚ÄĒ todas estas coisas s√£o finitas e t√™m de ser partilhadas. N√£o chegam para mais de um, dois, tr√™s, quatro, cinco amigos. √Č preciso saber partilhar o que temos com eles e n√£o se pode dividir uma coisa j√° de si pequena (n√≥s) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém,

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Pressentimento

O fim do nosso amor pressenti – na agonia
das tuas pr√≥prias cartas, r√°pidas, pequenas…
– se nem tantas, com carinho imenso te escrevia
t√£o poucas me chegavam por reposta apenas…

Nas cartas que a sofrer, te escrevia, às dezenas
adiava a realidade sempre, dia a dia,
procurando iludir em v√£o as minhas penas
muito embora eu soubesse o quanto me iludia!

Hoje… j√° n√£o foi mais surpresa para mim,
dizes (como quem tem piedade), que é melhor
n√£o continuarmos mais… e tens raz√£o: √© o fim…

H√° muito eu o esperava e o pressentia no ar…
Chegou… que hei de fazer?… Foi bom… Seria Pior
se ele n√£o viesse nunca… e eu ficasse a esperar…

A Esperança de uma Relação Profunda

Conhecemos as pessoas durante anos, at√© mesmo dezenas de anos, habituamo-nos a evitar os problemas pessoais e os assuntos verdadeiramente importantes, mas guardamos a esperan√ßa de que, mais tarde, em circunst√Ęncias mais favor√°veis, se possam justamente abordar esses assuntos e esses problemas. A esperan√ßa, sempre adiada, de um relacionamento mais humano e mais completo nunca desaparece completamente, porque nenhuma rela√ß√£o humana se contenta com limites definitivos, restritos e r√≠gidos. Permanece, portanto, a esperan√ßa, de que haja um dia uma rela√ß√£o ¬ęaut√™ntica e profunda¬Ľ. E permanece durante anos, at√© mesmo d√©cadas, at√© que um acontecimento definitivo e brutal (em geral, uma coisa como a morte) vem dizer-nos que √© demasiado tarde, que essa ¬ęrela√ß√£o aut√™ntica e profunda¬Ľ, cuja imagem t√≠nhamos amado, tamb√©m n√£o existir√°; n√£o existir√°, tal como as outras.

Dorme Meu Filho

Dorme meu filho
dezenas de m√£os femininas trabalham
a atmosfera
onde os namorados pensam
cartazes simples
um por exemplo
min√ļsculo crust√°ceo denominado ciclope
por baixo da pele ou entre os m√ļsculos

Dorme meu filho
o amor
ser√°
uma arma esquecida
um pano qualquer como um lenço
sobre o gelo das ruas

Algumas mulheres fazem a infelicidade de dezenas de homens. Outras se limitam a um só: são as fiéis.

Havia na Manch√ļria um batalh√£o do ex√©rcito chin√™s formado somente por adeptos de certa seita religiosa. Eles usavam preso ao abd√īmen um talism√£ e possu√≠am a seguinte f√© inabal√°vel: ‚ÄėAs balas n√£o atingem; mesmo que me atinjam, n√£o morrerei; mesmo que eu morra, ressuscitarei‚Äô. Esses soldados investiam destemidamente contra os inimigos, causando-lhes s√©rios danos. Nem as rajadas de metralhadoras conseguiam det√™-los. Mesmo recebendo duas ou tr√™s balas no corpo, eles n√£o esmoreciam; quando ca√≠am, levantavam-se e avan√ßavam de novo. Por isso, quando se enfrentava esse batalh√£o, era inevit√°vel acabar em luta corpo-a-corpo, com baionetas. Consta que, ao final da luta, examinando-se os corpos de alguns desses soldados, que jaziam mortos, podia-se constatar em cada um deles dezenas de perfura√ß√Ķes √† bala, o que significava que, apesar desses ferimentos, eles continuaram avan√ßando e finalmente foram mortos a baionetadas. Como √© grande o poder da f√©! Aquele que se apavora porque teve hemoptise algumas vezes, deve envergonhar-se diante do exemplo desses soldados chineses. Aquele que n√£o consegue reerguer-se porque fracassou algumas vezes na vida deve envergonhar-se de sua fraqueza. Fracassar e cair n√£o √© vergonha; vergonhoso √© perder a coragem para se reerguer. Quando se faz limpeza no po√ßo, este parece secar temporariamente,

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As revolu√ß√Ķes duram semanas, anos; depois, durante dezenas e centenas de anos, adora-se, como algo de sagrado, esse esp√≠rito de mediocridade que as suscitou.

Imparcialidade Inconsciente do Crítico

Quando um cr√≠tico deve julgar uma obra pode escolher dois m√©todos. Ou limitar-se a essa √ļnica obra do autor e abstrair das outras; – ou integrar no seu ju√≠zo toda a produ√ß√£o do autor. Mas na maior parte das vezes ele emprega um outro m√©todo que lhe deveria ser sempre interdito – consiste em integrar no quadro das suas considera√ß√Ķes, paralelamente √† obra submetida a cr√≠tica, outras obras de acordo com o humor da sua escolha, deixando arbitrariamente de lado as outras que, de momento, n√£o servem o objectivo que persegue ou o efeito que pretende obter, outrogando-se assim o direito de fragmentar o autor a seu belo prazer.
Quantas vezes acontece Рe não é necessariamente por má vontade Рque o crítico projecta na obra de um autor a sua ideia fixa, sem ser já capaz de aí ver outra coisa a não ser essa ideia, que o obceca de modo monomaníaco; Рenquanto que para o autor ela é na sua obra apenas um elemento entre dezenas e não necessariamente o mais importante.
Atribui-se ao artista uma intenção artística, ética ou outra que ele nunca teve e critica-se-lhe o facto de não ter atingido aquilo que ele queria.

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Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.

Os Excluídos

Quem comete um erro é excluído; é fechado dentro de uma caixa. Quem está fora vê apenas a caixa. Mas quem está fechado, excluído, consegue ver cá para fora. Vê tudo, vê-nos a todos.
Em cada compartimento há dezenas de caixas. Milhares de caixas por todo o lado. A maior parte delas vazia. Outras têm lá dentro pessoas excluídas. Ninguém sabe quais as caixas que têm pessoas.
As caixas s√£o tantas que ningu√©m lhes d√° import√Ęncia. Pode estar l√° uma pessoa, at√© a que amas, mas nem olhas. J√° n√£o produzem efeito. Passas por elas centenas de vezes.

Gonçalo M.

A Grande Literatura

Os romances nunca serão totalmente imaginários nem totalmente reais. Ler um romance é confrontar-se tanto com a imaginação do autor quanto com o mundo real cuja superfície arranhamos com uma curiosidade tão inquieta. Quando nos refugiamos num canto, nos deitamos numa cama, nos estendemos num divã com um romance nas mãos, a nossa imaginação passa o tempo a navegar entre o mundo daquele romance e o mundo no qual ainda vivemos. O romance nas nossas mãos pode-nos levar a um outro mundo onde nunca estivemos, que nunca vimos ou de que nunca tivemos notícia. Ou pode-nos levar até às profundezas ocultas de um personagem que, na superfície, parece-se às pessoas que conhecemos melhor. Estou a chamar a atenção para cada uma dessas possibilidades isoladas porque há uma visão que acalento, de tempos a tempos, que abarca os dois extremos. Às vezes tento conjurar, um a um, uma multidão de leitores recolhidos num canto e aninhados nas suas poltronas com um romance nas mãos; e também tento imaginar a geografia de sua vida quotidiana. E então, diante dos meus olhos, milhares, dezenas de milhares de leitores vão tomando forma, distribuídos por todas as ruas da cidade, enquanto eles lêem, sonham os sonhos do autor,

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