Passagens sobre Eco

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Frases sobre eco, poemas sobre eco e outras passagens sobre eco para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Grandeza Oculta

Estes v√£o para as guerras inclementes,
Os absurdos heróiis sanguinolentos,
Alvoroçados, tontos e sedentos
Do clamor e dos ecos estridentes.

Aqueles para os frívolos e ardentes
Prazeres de acres inebriamentos:
Vinhos, mulheres, arrebatamentos
De lux√ļrias carnais, impenitentes.

Mas Tu, que na alma a imensidade fechas,
Que abriste com teu Gênio fundas brechas
no mundo vil onde a maldade exulta,

√ď delicado esp√≠rito de Lendas!
Fica nas tuas Graças estupendas,
No sentimento da grandeza oculta!

Jardim

Negro jardim onde violas soam
e o mal da vida em ecos se dispersa:
à toa uma canção envolve os ramos
como a est√°tua indecisa se reflete

no lago h√° longos anos habitado
por peixes, não, matéria putrescível,
mas por p√°lidas contas de colares
que alguém vai desatando, olhos vazados

e m√£os oferecidas e mec√Ęnicas,
de um vegetal segredo enfeitiçadas,
enquanto outras vis√Ķes se delineiam

e logo se enovelam: mascarada,
que sei de sua essência (ou não a tem),
jardim apenas, pétalas, presságio

Agradar a Todos e a Ninguém

Aqueles que procuram agradar andam muito enganados. Para agradar, tornam-se male√°veis e d√ļcteis, apressam-se a corresponder a todos os desejos. E acabam por trair em todas as coisas, para serem como os desejam. Que hei-de eu fazer dessas alforrecas que n√£o t√™m ossos nem forma? Vomito-os e restituo-os √†s suas nebulosas: vinde ver-me quando estiverdes constru√≠dos.
As pr√≥prias mulheres se cansam quando algu√©m, para lhes demonstrar amor, aceita fazer-se eco e espelho, porque ningu√©m tem necessidade da sua pr√≥pria imagem. Mas eu tenho necessidade de ti. Est√°s constru√≠do como fortaleza e eu bem sinto o teu n√ļcleo. Senta-te ali, porque tu existes.
A mulher desposa e torna-se serva daquele que é de um império.

O Noivado do Sepulcro

Vai alta a lua! na mans√£o da morte
J√° meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!… mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D’entre os sepulcros a cabe√ßa ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!… na amplid√£o celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se!… com sombrio espanto
Olhou em roda… n√£o achou ningu√©m…
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

“Mulher formosa, que adorei na vida,
“E que na tumba n√£o cessei d’amar,
“Por que atrai√ßoas, desleal, mentida,
“O amor eterno que te ouvi jurar?

“Amor! engano que na campa finda,
“Que a morte despe da ilus√£o falaz:
“Quem d’entre os vivos se lembrara ainda
“Do pobre morto que na terra jaz?

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Pequenina

Eu bem sei que te chamam pequenina
E ténue como o véu solto na dança,
Que és no juízo apenas a criança,
Pouco mais, nos vestidos, que a menina…

Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina…

Mas, filha, l√° nos montes onde andei,
Tanto me enchi de ang√ļstia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,

Que n√£o quero imperar nem j√° ser rei
Sen√£o tendo meus reinos em teu seio
E s√ļbditos, crian√ßa, em teus bonecos!

A Crise da Democracia

√Č natural que a crise da democracia, imposs√≠vel de negar, se revele sob o aspecto de sucessivas crises pol√≠ticas. Mas para qu√™ jogar com as palavras? Quando a m√°quina se desarranja, frequentemente, por melhor eco e por mais vistosas engrenagens que possua, torna-se urgente p√ī-la de lado como in√ļtil, aproveitando-lhe, √© claro, as inova√ß√Ķes, tudo o que for suscept√≠vel de aplicar a outra m√°quina…
(…) N√£o √© poss√≠vel negar certas verdades e conquistas da democracia que s√£o hoje indispens√°veis √† vida de todos os regimes. Mas os sistemas propriamente ditos, na sua inteireza, nascem, vivem e morrem como os homens. As escolas pol√≠ticas e sociais s√£o como as escolas liter√°rias. Esgotada a sua capacidade criadora, a sua flama, perdem a for√ßa, extinguem-se, depois de terem deixado a sua marca, o tra√ßo profundo da sua influ√™ncia. Os pr√≥prios defensores da democracia procuram transigir com o esp√≠rito do seu tempo, confessando e admitindo a necessidade de modificar o sistema das suas ideias, de renovar os √≥rg√£os da democracia. Mas que prop√Ķem eles, afinal, para que se efective essa renova√ß√£o? Medidas rid√≠culas que n√£o se adaptam ao pr√≥prio sistema: ligeiras altera√ß√Ķes no regulamento interno das C√Ęmaras, limita√ß√Ķes no tempo dos discursos, restri√ß√Ķes no uso da palavra,

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Não há nada mais forte que a compaixão. Nem a sua própria dor pesa tão fortemente como a dor que se sente por alguém, pela dor de alguém amplificada pela imaginação e prolongada por centenas de ecos.

Aqui

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu ‚ÄĒ eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não por aquilo que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
N√£o pelos incertos actos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Dant√£o

Parece-me que o vejo iluminado.
Erguendo delirante a grande fronte
– De um povo inteiro o f√ļlgido horizonte
Cheio de luz, de idéias constelado!

De seu cr√Ęnio vulc√£o – a rubra lava
Foi que gerou essa sublime aurora
РNoventa e três Рe a levantou sonora
Na fronte audaz da populaça brava!

Olhando para a história Рum século e a lente
Que mostra-me o seu cr√Ęnio resplandente
Do passado atrav√©s o v√©u profundo…

H√° muito que tombou, mas inquebr√°vel
De sua voz o eco formid√°vel
Estruge ainda na raz√£o do mundo!

O que o mundo chama de mérito e valor
são ídolos que têm apenas nome, mas nenhuma essência.
A fama que vos encanta, vós altivos mortais,
com um doce som, e que parece t√£o bela
é um eco, um sonho, melhor que um sonho, uma sombra,
que a cada sopro de vento se dispersa e desaparece.

O Sexo

Neste corpo, a densa neblina, quase um h√°bito,
lentamente descida, sedimento e sede,
subtilmente o acalma. Ancora que se desloca,
movediça e infirme. Só no olhar, além

da luz e da cal, se distinguem os desejos
e a mestria das palavras. E n√£o h√° remos
nem astros. Convido a neblina a esta
mesa de chumbo, onde nada levanta o fogo

solar ou os signos se alteiam. √Č a hora
em que o corpo treme e a sombra lavra as frouxas
manhãs. O que serão as tardes, sob a névoa,

quando o vigor agoniza e o v√£o das √°guas abre
o caos e os ecos? Estaremos em paz,
usando a palavra, √ļltima herdeira das areias.

Tristeza De Momo

Pela primeira vez, ímpias risadas
Susta em pranto o deus da zombaria;
Chora; e vingam-se dele, nesse dia,
Os silvanos e as ninfas ultrajadas;

Trovejam bocas mil escancaradas,
Rindo; arrombam-se os diques da alegria;
E estoira descomposta vozeria
Por toda a selva, e apupos e pedradas…

Fauno, indigita; a Náiade o caçoa;
S√°tiros vis, da mais indigna laia,
Zombam. N√£o h√° quem dele se condoa!

E Eco propaga a formid√°vel vaia,
Que al√©m por fundos boqueir√Ķes reboa
E, como um largo mar, rola e se espraia…

A Obra e o Eco da Obra

São complementares, não a obra e a crítica, mas a obra e o eco da obra. E o crítico é apenas uma forma de eco entre outras; certamente é em geral a mais forte, mas raramente é a mais pura e é sempre aquela que se apaga mais depressa.
Sobretudo nem uma palavra, caro autor – nenhuma resposta! A √ļnica que podes opor a todos os ataques, j√° a pronunciaste: – a tua obra. Se ela perdurar, venceste.

Romance

Fruto de solid√£o
preso à fronde do vento,
lua, tu nos d√°s
a medida do eterno,
essa altura que jogas
contra o espaço celeste
em nós refere a terra,
que em nossa √Ęnsia integras.
E ao nosso amor integras
tudo o que n√£o sofremos,
tudo o que n√£o tivemos
e apenas pressentimos,
em tua marcha sentimos
tudo o que n√£o teremos
e tudo o que j√° viveram
cora√ß√Ķes noutros tempos.
Flanco de solid√£o,
maçã casta e sensual
presa ao ramo oscilante
entre a alma e o carnal,
em ti, suprema altura,
os olhos v√£o reunindo
as trilhas do abandono
e alguns ecos da inf√Ęncia.

Pata branca de touro
extraviada no azul.

Sou

Sou o que sabe n√£o ser menos v√£o
Que o v√£o observador que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irm√£o.

Sou, t√°citos amigos, o que sabe
Que a √ļnica vingan√ßa ou o perd√£o
√Č o esquecimento. Um deus quis dar ent√£o
Ao ódio humano essa curiosa chave.

Sou o que, apesar de t√£o ilustres modos
De errar, n√£o decifrou o labirinto
Singular e plural, √°rduo e distinto,

Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.

√Č ent√£o um mundo de f√≥rmulas a que eu obede√ßo e tu obedeces? Sem ele n√£o poder√≠amos existir. Se v√≠ssemos o que est√° por tr√°s n√£o pod√≠amos existir. O nosso mundo n√£o √© real: vivemos num mundo como eu o compreendo e o explico. N√£o temos outro. √Č a voz dos mortos insistente que teima e se nos imp√Ķe. Mais fundo: n√£o existem sen√£o sons repercutidos. Decerto n√£o passamos de ecos.

Felizes

Felizes. Porque, ao fundo de si mesmos,
cheios andam de quanto v√£o pensando.
E, disso cheios,
nada mais sabem. D√£o para aquele lado
onde o mundo acabou, mas resta o eco
de o haverem pensado até ao cabo
e irem agora criar o movimento
que subsiste no tempo
de o mundo ainda estar a ser criado.
Por isso s√£o felizes. Foram sendo
até, perdido o tempo, só em memória o estarem
[habitando.