Cita√ß√Ķes sobre Ef√©mero

23 resultados
Frases sobre ef√©mero, poemas sobre ef√©mero e outras cita√ß√Ķes sobre ef√©mero para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

As Coisas Efémeras são as Mais Necessárias

Das coisas tang√≠veis, as menos dur√°veis s√£o as necess√°rias ao pr√≥prio processo da vida. O seu consumo mal sobrevive ao acto da sua produ√ß√£o; no dizer de Locke, todas essas ¬ęboas coisas¬Ľ que s√£o ¬ęrealmente √ļteis √† vida do homem¬Ľ, √† ¬ęnecessidade de subsistir¬Ľ, s√£o ¬ęgeralmente de curta dura√ß√£o, de tal modo que – se n√£o forem consumidas pelo uso – se deteriorar√£o e perecer√£o por si mesmas¬Ľ.
Após breve permanência neste mundo, retomam ao processo natural que as produziu, seja através de absorção no processo vital do animal humano, seja através da decomposição; e, sob a forma que lhes dá o homem, através da qual adquirem um lugar efémero no mundo das coisas feitas pelas mãos do homem, desaparecem mais rapidamente que qualquer outra parcela do mundo.

O Socorro Contra as Nossas Perdas

O verdadeiro bem ‚ÄĒ a sabedoria e a virtude ‚ÄĒ √© seguro e eterno; √© este bem, ali√°s, a √ļnica coisa imortal que √© concedida aos mortais. Estes, por√©m, s√£o t√£o falhos, t√£o esquecidos do caminho que seguem, do termo para que cada dia os vai arrastando que se admiram quando perdem alguma coisa ‚ÄĒ eles que, mais tarde ou mais cedo, h√£o-de perder tudo! Tudo aquilo de que √©s considerado dono est√° √† tua m√£o, mas sem ser verdadeiramente teu; um ser inst√°vel nada possui de est√°vel, um ser ef√©mero nada possui de eterno e indestrut√≠vel. Perder √© t√£o inevit√°vel como morrer; se bem a entendermos, esta verdade √© uma consola√ß√£o para n√≥s. Perde, pois, imperturbavelmente: tudo um dia morrer√°. Que socorro podemos conseguir contra todas as nossas perdas? Apenas isto: guardemos na mem√≥ria as coisas que perdemos sem deixar que o proveito que delas tiramos desapare√ßa tamb√©m com elas. Podemos ser privados de as possuir, nunca de as ter possu√≠do. √Č extremamente ingrato quem pensa que j√° nada deve porque perdeu o empr√©stimo!

Prazer com Virtude

Que dizer do facto de tanto os homens bons como os maus terem prazer, e de os homens infames terem tanto gosto em cometer actos vergonhosos como os homens honestos t√™m nas suas ac√ß√Ķes excelentes? √Č por isso que os antigos prescreveram que se procurasse a vida melhor, n√£o a mais agrad√°vel, de forma a que o prazer fosse, n√£o o guia, mas um companheiro da vontade recta e boa. Na verdade, a natureza deve ser o nosso guia: a raz√£o observa-a e consulta-a. Por isso, viver feliz √© o mesmo que viver de acordo com a natureza. Passo a explicar o que quer isto dizer: se conservarmos os nossos dons corporais e as nossas aptid√Ķes naturais com dilig√™ncia, mas tamb√©m com impavidez, tomando-os como bens ef√©meros e fugazes; se n√£o nos tornarmos servos deles, nem nos submetermos a coisas exteriores; se as coisas que s√£o circunstanciais e agrad√°veis ao corpo forem para n√≥s como auxiliares e tropas ligeiras num castro (que obedecem, n√£o comandam); nesta medida, todas estas coisas ser√£o √ļteis √† mente.
N√£o se deixe o homem corromper pelas coisas externas e inalcan√ß√°veis, e admire-se apenas a si pr√≥prio, confiando no seu √Ęnimo e mantendo-se preparado para tudo,

Continue lendo…

N√£o Fora o Mar!

N√£o fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.

N√£o fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena ang√ļstia, pequeno prazer.

N√£o fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sab√£o,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto ‚ÄĒ pingos de √°gua em minha m√£o.

N√£o fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga m√ļsica ao sol p√īr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.

N√£o fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilus√£o, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.

N√£o fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.

Continue lendo…

Todo o Mal Provém não da Privação mas do Supérfluo

Ser feliz √©, afinal, n√£o esperar muito da felicidade, ser feliz √© ser simples, desambicioso, √© saber dosear as aspira√ß√Ķes at√© √†quela medida que p√Ķe o que se deseja ao nosso alcance. Pegando de novo em Tolstoi, que vem sendo em mim um padr√£o tutelar, lembremos de novo um dos seus her√≥is, o pr√≠ncipe Pedro Bezoukhov (do romance ‘Guerra e Paz’). As circunst√Ęncias fizeram-no conviver no cativeiro com um s√≠mbolo da sabedoria popular, um tal Karataiev. Pois esse companheirismo desinteressado e genu√≠no, esse encontro com a vida crua mas desmistificadora, n√£o s√≥ modificaram o pr√≠ncipe Pedro como lhe revelaram o que ele precisava de saber para atingir o que n√≥s, pobres humanos, debalde perseguimos: a coer√™ncia, a pacifica√ß√£o interior, que s√£o correctivos da desventura.
Tolstoi salienta-nos que Pedro, ap√≥s essa viv√™ncia, apreendera, n√£o pela raz√£o mas por todo o seu ser, que o homem nasceu para a felicidade e que todo o mal prov√©m n√£o da priva√ß√£o mas do sup√©rfluo, e que, enfim, n√£o h√° grandeza onde n√£o haja verdade e desapego pelo ef√©mero. Isto, ali√°s, nos √© repetido por outra figura de Tolstoi, a princesa Maria, ao acautelar-nos com esta s√≠ntese desoladora: ¬ęTodos lutam, sofrem e se angustiam,

Continue lendo…

A Sofreguid√£o de um Instante

Tudo renegarei menos o afecto,
e trago um ceptro e uma coroa,
o primeiro de ferro, a segunda de urze,
para ser o rei efémero
desse amor √ļnico e breve
que se dilui em partidas
e se fragmenta em perguntas
iguais às das amantes
que a claridade atordoa e converte.
Deixa-me reinar em ti
o tempo apenas de um rel√Ęmpago
a incendiar a erva seca dos cumes.
E se tiver que montar guarda,
que seja em redor do teu sono,
num êxtase de lábios sobre a relva,
num delírio de beijos sobre o ventre,
num assombro de dedos sob a roupa.
Eu estava morto e n√£o sabia, sabes,
que h√° um tempo dentro deste tempo
para renascermos com os corais
e sermos eternos na sofreguid√£o de um instante.

Desaprender

H√° uma altura em que, depois de se saber tudo, tem de se desaprender. Sucede assim com o escrever. Com o escrever do escritor, entenda-se. Eu, provavelmente poeta, estou a aprender a… desaprender. E para qu√™ e como se desaprende? Para deixar de ronronar, para que o leitor, quando o nosso produto lhe chega √†s m√£os, n√£o exclame, satisfeito ou enfastiado: ¬ę- C√° est√° ele!¬Ľ.
Na verdura dos seus anos, a preocupação do escritor parece ser a da originalidade. Ser-se original é mostrar-se que se é diferente. E as pessoas gostam das primeiras piruetas que um sujeito dá. E o sujeito gosta de que as pessoas vejam nele um talento.
Aten√ß√£o, v√™m a√≠ as receitas, as ideias feitas, os passes de m√£o, os clich√©s, os lugares selectos ou, mais comezinhamente, os lugares comuns. O escritor est√° instalado. Rev√™-se na sua obra. Come√ßa a abalan√ßar-se a voos mais altos, a mergulhos mais fundos. √Č a intelectualidade que o chama ao seu seio, o p√ļblico que o p√Ķe, vertical, nas suas prateleiras. Arrumado.
Quase sem dar por isso, o escritor acomodou-se e tornou-se c√≥modo, quando propendia, nos seus verdes anos, a incomodar-se e a tornar-se inc√≥modo. Organiza ¬ędossiers¬Ľ com os recortes das cr√≠ticas que lhe fizeram ao longo da sua carreira (nome,

Continue lendo…

Meditação Sobre os Poderes

Rubricavam os decretos, as folhas tristes
sobre a mesa dos seus poderes efémeros.
Queriam ser reis, czares, tantas coisas,
e rodeavam-se de pequenos corvos,
palradores e reverentes, dos que repetem:
és grande, ninguém te iguala, ninguém.
Repartiam entre si os tesouros e as d√°divas,
murmurando forjadas confidências,
não amando ninguém, nada respeitando.
Encantavam-se com o eco liquefeito
das suas vozes comandando, decretando.
Banqueteavam-se com a pequenez
de tudo quanto julgavam ser grande,
com os quadros, com o fulgor novo-rico
das vénias e dos protocolos. Vinha a morte
e mostrava-lhes como tudo é fugaz
quando, humanamente, se est√° de passagem,
corpo em tr√Ęnsito para lado nenhum.
Acabaram sempre a chorar sobre a miséria
dos seus títulos afundados na terra lamacenta.

Os nossos actos s√≥ aparentemente s√£o ef√©meros. Por vezes, as suas repercuss√Ķes perduram por s√©culos. A vida do presente tece a do futuro.

Nenhuma Lei é Sagrada Para Mim

Nenhuma lei pode ser sagrada para mim, excepto a da minha natureza. Bom ou mau s√£o apenas nomes, prontamente transfer√≠veis disto para aquilo; a √ļnica coisa certa √© aquela que est√° de acordo com a minha consci√™ncia; a √ļnica coisa errada, a que est√° contra ela. Na presen√ßa de qualquer oposi√ß√£o, o homem deve comportar-se como se tudo fosse nominal e ef√©mero, excepto ele. Envergonho-me de pensar qu√£o facilmente capitulamos diante de bandeiras e nomes, de grandes sociedades e institui√ß√Ķes mortas. Todo o homem decente e bem falante afecta-me e cativa-me mais do que o devido. Eu deveria manter-me √≠ntegro e honesto, e dizer a rude verdade de todas as maneiras.

O Ciclo da Vida

O homem domina a natureza e √© por ela dominado. S√≥ ele lhe resiste e ao mesmo tempo ultrapassa as suas leis, amplia o seu poderio gra√ßas √† sua vontade e actividade. Afirmar no entanto que o mundo foi criado para o homem √© algo que est√° longe de ser evidente. Tudo o que o homem constr√≥i √©, como ele, ef√©mero: o tempo derruba os edif√≠cios, atulha os canais, apaga o saber – e at√© o nome das na√ß√Ķes. (…) Dir-me-√£o que as novas gera√ß√Ķes recebem a heran√ßa das gera√ß√Ķes que as precederam e que, por consequ√™ncia, a perfei√ß√£o ou o aperfei√ßoamento n√£o t√™m limites. Mas o homem est√° longe de receber intacta a s√ļmula dos conhecimentos acumulados pelos s√©culos que o precederam e se aperfei√ßoa algumas dessas inven√ß√Ķes no que diz respeito a outras fica bastante atr√°s dos seus pr√≥prios inventores; um grande n√ļmero dessas inven√ß√Ķes chega mesmo a perder-se.
Não preciso sequer de sublinhar como certos pretensos melhoramentos foram nocivos à moral e ao bem-estar. Determinada invenção, suprimindo ou diminuindo o trabalho e o esforço, enfraqueceu a dose de paciência necessária para suportar as contrariedades Рou a energia que temos de dar provas para as vencer.

Continue lendo…

Divino Instante

Ser uma pobre morta inerte e fria,
Hier√°tica, deitada sob a terra,
Sem saber se no mundo h√° paz ou guerra,
Sem ver nascer, sem ver morrer o dia;

Luz apagada ao alto e que alumia,
Boca fechada à fala que não erra,
Urna de bronze que a Verdade encerra,
Ah! ser Eu essa morta inerte e fria!

Ah! fixar o efémero! Esse instante
Em que o teu beijo s√īfrego de amante
Queima o meu corpo fr√°gil de √Ęmbar loiro;

Ah! fixar o momento em que, dolente,
Tuas p√°lpebras descem, lentamente,
Sobre a vertigem dos teus olhos de oiro!

Cigarros são a forma perfeita de prazer: são efémeros e deixam-nos insaciados.

S√≥ amando nos renovamos. O √™xtase √© a √ļnica linguagem comum a todo o infinito. √Č o alimento do ef√©mero e do eterno.
Através do amor o humano se diviniza e o divino se humaniza.

Massas sem Direcção

O Poder p√ļblico tem sido sempre assim, quando exercido directamene pelas massas: omnipotente e ef√©mero. O homem-massa √© o homem cuja vida carece de plano e vai √† deriva. Por isso n√£o constr√≥i nada, embora as suas possibilidades, os seus poderes, sejam enormes.

Vive o Dia de Hoje!

N√£o penses para amanh√£. N√£o lembres o que foi de ontem. A mem√≥ria teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje √© t√£o ef√©mero. Mesmo o que se pensa para amanh√£ √© para j√° ter sido, que √© o que desejamos que seja logo que for. √Č o tempo de Deus que n√£o tem futuro nem passado. Foi o que dele n√≥s escolhemos no sonho do nosso absoluto. N√£o penses para amanh√£ na urg√™ncia de seres agora. Mesmo logo √† tarde √© muito tarde. Tudo o que √©s em ti para seres, v√™ se o √©s neste instante. Porque antes e depois tudo √© morte e insensatez. N√£o esperes, s√™ agora. L√™ os jornais. O futuro √© o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando n√£o houver outro.

Ninguém é Feliz quando Treme pela sua Felicidade

Ningu√©m √© feliz quando treme pela sua felicidade. N√£o se apoia em bases s√≥lidas quem tira a sua satisfa√ß√£o de bens exteriores, pois acabar√° por perder o bem-estar que obteve. Pelo contr√°rio, um bem que nasce dentro de n√≥s √© permanente e constante, e vai sempre crescendo at√© ao nosso √ļltimo momento; todos os demais bens ante os quais se extasia o vulgo s√£o bens ef√©meros. “E ent√£o? Quer isso dizer que s√£o in√ļteis e n√£o podem dar satisfa√ß√£o?” √Č evidente que n√£o, mas apenas se tais bens estiverem na nossa depend√™ncia, e n√£o n√≥s na depend√™ncia deles. Tudo quanto cai sob a al√ßada da fortuna pode ser proveitoso e agrad√°vel na condi√ß√£o de o seu benefici√°rio ser senhor de si pr√≥prio em vez de ser servo das suas propriedades. √Č um erro pensar-se, Luc√≠lio, que a fortuna nos concede o que quer que seja de bom ou de mau; ela apenas d√° a mat√©ria com que se faz o bom e o mau, d√°-nos o material de coisas que, nas nossas m√£os, se transformam em boas ou m√°s.
O nosso espírito é mais poderoso do que toda a espécie de fortuna, ele é quem conduz a nossa vida no bom ou no mau sentido,

Continue lendo…