Textos sobre Recursos

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Textos de recursos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Coragem Ilusória

H√° cinco esp√©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhan√ßa: suportam as mesmas coisas, mas n√£o pelos mesmos motivos. Uma √© a coragem pol√≠tica: prov√©m da vergonha; a segunda √© pr√≥pria dos soldados: nasce da experi√™ncia e do facto de conhecer, n√£o – como dizia S√≥crates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experi√™ncia e da ignor√Ęncia, e por ela s√£o induzidas as crian√ßas e os loucos, estes quando enfrentam a f√ļria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra esp√©cie √© a de quem tem esperan√ßa: gra√ßas a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os √©brios; o vinho, de facto, excita a confian√ßa.
Outra ainda dimana da paix√£o irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se algu√©m est√° enamorado, √© mais temer√°rio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a c√≥lera e com a ira. Pois a ira √© capaz de nos p√īr fora de n√≥s. Por isso, se afiguram tamb√©m corajosos os javalis, embora n√£o sejam; quando fora de si, t√™m uma qualidade semelhante,

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A Guerra como Revolta da Técnica

Todos os esfor√ßos para estetizar a pol√≠tica convergem para um ponto. Esse ponto √© a guerra. A guerra e somente a guerra permite dar um objectivo aos grandes movimentos de massa, preservando as rela√ß√Ķes de produ√ß√£o existentes. Eis como o fen√≥meno pode ser formulado do ponto de vista pol√≠tico. Do ponto de vista t√©cnico, a sua formula√ß√£o √© a seguinte: somente a guerra permite mobilizar na sua totalidade os meios t√©cnicos do presente, preservando as actuais rela√ß√Ķes de produ√ß√£o. √Č √≥bvio que a apoteose fascista da guerra n√£o recorre a esse argumento. Mas seria instrutivo lan√ßar os olhos sobre a maneira como ela √© formulada. No seu manifesto sobre a guerra colonial da Eti√≥pia, diz Marinetti: ¬ęH√° vinte e sete anos, n√≥s futuristas contestamos a afirma√ß√£o de que a guerra √© antiest√©tica (…) Por isso, dizemos: (…) a guerra √© bela, porque gra√ßas √†s m√°scaras de g√°s, aos megafones assustadores, aos lan√ßa-chamas e aos tanques, funda a supremacia do homem sobre a m√°quina subjugada. A guerra √© bela, porque inaugura a metaliza√ß√£o on√≠rica do corpo humano. A guerra √© bela, porque enriquece um prado florido com as orqu√≠deas de fogo das metralhadoras. A guerra √© bela, porque conjuga numa sinfonia os tiros de fuzil,

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Desconfia da Ideia de Homem Feliz

Verifica que homem feliz n√£o √© aquele que o vulgo entende por tal, ou seja, um homem de grandes recursos monet√°rios; √©, sim, aquele para quem todo o bem reside na pr√≥pria alma, √© o homem sereno, magn√Ęnimo, que pisa aos p√©s os interesses vulgares, que s√≥ admira no homem aquilo que faz a sua qualidade de homem, que segue as li√ß√Ķes da natureza, se conforma com as suas leis, e vive segundo o que ela prescreve; √© o homem a quem for√ßa alguma despojar√° dos seus bens pr√≥prios, o homem capaz de fazer do pr√≥prio mal um bem, seguro do seu pensamento, inabal√°vel, intr√©pido; √© o homem a quem a for√ßa pode abalar, mas nunca desviar da sua rota; a quem a fortuna, apontando contra ele as mais duras armas com a maior viol√™ncia, pode arranhar, mas nunca ferir, e mesmo assim raramente, porquanto os dardos da sorte, que afligem em geral a humanidade, fazem ricochete contra ele √† maneira do granizo que, batendo no tecto, salta e se derrete sem causar qualquer dano ao ocupante da casa.

A Disposição da Razão

N√£o s√£o apenas as febres, as beberagens e os grandes infort√ļnios que abatem o nosso julgamento; as menores coisas do mundo o transtornam. E n√£o se deve duvidar, ainda que n√£o o sent√≠ssemos, que, se a febre cont√≠nua pode arrasar a nossa alma, a ter√ß√£ tamb√©m lhe cause alguma altera√ß√£o de acordo com o seu ritmo e propor√ß√£o. Se a apoplexia entorpece e extingue totalmente a vis√£o da nossa intelig√™ncia, n√£o se deve duvidar que a coriza a ofusque; e consequentemente mal podemos encontrar uma √ļnica hora da vida em que o nosso julgamento esteja na sua devida disposi√ß√£o, estando o nosso corpo sujeito a tantas muta√ß√Ķes cont√≠nuas e guarnecido de tantos tipos de recursos que (acredito nos m√©dicos) √© muito dif√≠cil que n√£o haja sempre algum deles andando torto.
De resto, essa doença não se revela tão facilmente se não for totalmente extrema e irremediável, pois a razão segue sempre em frente, mesmo torta, mesmo manca, mesmo desancada, tanto com a mentira como com a verdade. Assim, é difícil descobrir-lhe o erro e o desarranjo. Chamo sempre de razão essa aparência de raciocínio que cada qual forja em si Рessa razão por cuja condição pode haver cem raciocínios contrários em torno de um mesmo assunto,

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A Actualidade em Poesia

Uma coisa é poesia actual, outra coisa é actualidade em poesia. A actualidade em poesia compreende um tempo específico, que não só não é o tempo subordinado ao espaço no qual o poeta se move, como até entra em conflito com este.
Fazer poesia actual n√£o √© escrever versos destinados a terem √™xito na actualidade representada pelo p√ļblico e pela critica, porque esta √© o atraso de um tempo de que o poeta √© o avan√ßo. Suspeito √© o poeta sempre que agradavelmente afei√ßoa os seus versos a uma comum sensibilidade liter√°ria. N√£o estou fazendo o elogio da poesia obscura ou ambiciosamente original. O gosto liter√°rio de uma √©poca pode ser precisamente a obscuridade e a originalidade. √Č o que acontece com a nossa. E neste caso originalidade como recurso √© poeticamente est√©ril, porque n√£o fascina mas apenas satisfaz. Nada menos original do que a acomodat√≠cia originalidade da poesia dos nossos dias e tamb√©m nada menos actual por isso mesmo. Quer um exemplo? A √ļltima poesia feita com excresc√™ncias do Surrealismo execrado pelos seus parasitas. Nalguns casos √© uma sufocada montagem de imagens achadas no cesto dos pap√©is do Surrealismo. Proclama-se uma renova√ß√£o morfol√≥gica investindo de maior poder a palavra,

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Sempre que Tiveres D√ļvidas

Sempre que tiveres d√ļvidas, ou quando o teu eu te pesar em excesso, experimenta o seguinte recurso: lembra-te do rosto do homem mais pobre e mais desamparado que alguma vez tenhas visto e pergunta-te se o passo que pretendes dar lhe vai ser de alguma utilidade. Poder√° ganhar alguma coisa com isso? Far√° com que recupere o controlo da sua vida e do seu destino? Por outras palavras, conduzir√° √† autonomia espiritual e f√≠sica dos milh√Ķes de pessoas que morrem de fome? Ver√°s, ent√£o, como as tuas d√ļvidas e o teu eu se desvanecem.

O Progresso Aumenta a Vida e a Morte

N√£o desconhe√ßo que a velhice constitui, em grande parte, um preconceito aritm√©tico, e que o nosso maior erro consiste em contar os anos que vivemos. Com efeito, tudo nos leva a supor que a Natureza dotou o homem (n√£o falo j√° nas longevidades da B√≠blia) de vida m√©dia mais longa do que aquela que as estat√≠sticas demogr√°ficas acusam, e que, se morremos antes do termo normal da exist√™ncia, √© porque sucumbimos, n√£o a ¬ęmorte natural¬Ľ (a ¬ęmorte fisiol√≥gica¬Ľ, de Metchnickoff), mas a ¬ęmorte violenta¬Ľ, que √© a morte por ac√ß√£o destrutiva dos germes patog√©nicos. Como quer que seja, por√©m, parece-me incontest√°vel que o homem envelhece antes do tempo e morre, em geral, quando ainda n√£o chegou a meio do caminho da vida.

Ser√° o engenho humano capaz de op√īr uma barreira √† marcha inexor√°vel da decrepitude? Talvez. O nosso organismo √© uma m√°quina; gasta-se, como todas as m√°quinas; e, por milagre da Natureza, ainda √© aquela que, funcionando permanentemente, consegue durar mais tempo. Contentemo-nos com a ideia de que o homem de hoje vive mais do que vivia na Antiguidade cl√°ssica e na √©poca medieval, merc√™ do progresso das t√©cnicas, do conforto moderno da exist√™ncia, da observa√ß√£o dos preceitos que a higiene,

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O Empolar dos Conflitos

A maior parte dos conflitos s√£o forjados, baseados em falsas suspei√ß√Ķes ou exageram coisas sem import√Ęncia. Umas vezes, a ira vem at√© n√≥s, outras somos n√≥s que vamos ao seu encontro. Nunca devemos invocar a ira e, mesmo quando ela surge, devemos afast√°-la. Ningu√©m diz para si mesmo: ¬ęJ√° fiz ou poderei vir a fazer o que me est√° agora a causar ira¬Ľ; ningu√©m tem em conta a inten√ß√£o do autor, mas apenas o acto em si. Ora, √© o autor que se deve ter em conta: teve ele inten√ß√£o de fazer o que fez ou f√™-lo sem querer, foi coagido ou estava enganado, seguiu o √≥dio ou procurou lucrar com o seu acto, f√™-lo por sua conta ou prestou um servi√ßo a algu√©m? A idade de quem errou e a sua situa√ß√£o devem ser ponderadas, para que saibamos se devemos suportar e perdoar a sua ofensa com benevol√™ncia ou com humildade.
Coloquemo-nos no lugar daquele que nos suscita ira: então, percebemos que o que nos torna iracundos é uma má avaliação de nós mesmos e não queremos sofrer algo que nós próprios queremos fazer. Ninguém faz uma pausa: ora, a pausa é o maior remédio para a ira,

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Regras Gerais da Arte da Guerra

Estou consciente de vos ter falado de muitas coisas que por vós mesmos haveis podido aprender e ponderar. Não obstante, fi-lo, como ainda hoje vos disse, para melhor vos poder mostrar, através delas, os aspectos formais desta matéria,e, ainda, para satisfazer aqueles Рse fosse esse o caso Рque não tivessem tido, como vós, a oportunidade de sobre elas tomar conhecimento. Parece-me que, agora, já só me resta falar-vos de algumas regras gerais, com as quais deveis estar perfeitamente identificados. São as seguintes:
– Tudo o que √© √ļtil ao inimigo √© prejudicial para ti, e, tudo o que te √© √ļtil prejudica o inimigo.
– Aquele que, na guerra, for mais vigilante a observar as inten√ß√Ķes do inimigo e mais empenho puser na prepara√ß√£o do seu ex√©rcito, menos perigos correr√° e mais poder√° aspirar √† vit√≥ria.
– Nunca leves os teus soldados para o campo de batalha sem, previamente, estares seguro do seu √Ęnimo e sem teres a certeza de que n√£o t√™m medo e est√£o disciplinados e convictos de que v√£o vencer.
– √Č prefer√≠vel vencer o inimigo pela fome do que pelas armas. A vit√≥ria pelas armas depende muito mais da fortuna do que da virtude.

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Controlar a Vida a 360 Graus

Vivemos numa sociedade dominada cada vez mais pelo mito do controlo. E o seu postulado dogm√°tico √© este: a receita para uma vida realizada √© a capacidade de control√°-la a 360 graus. N√£o percebemos at√© que ponto uma mentalidade assim representa a nega√ß√£o do princ√≠pio de realidade. Isto para dizer como somos pouco ajudados a lidar com a irrup√ß√£o do inesperado que hoje o sofrimento representa. Sentimos a dor como uma tempestade estranha que se abate sobre n√≥s, tir√Ęnica e inexplic√°vel. Quando ela chega, s√≥ conseguimos sentir-nos capturados por ela, e os nossos sentidos tornam-se como persianas que, mesmo inconscientemente, baixamos. A luz j√° n√£o nos √© t√£o grata, as cores deixam de levar-nos consigo na sua ligeireza, os odores atormentam-nos, ignoramos o prazer, evitamos a melodia das coisas. Damos por n√≥s ausentes nessa combust√£o silenciosa e fechada onde parece que o interesse sensorial pela vida arde. ¬ęA dor √© t√£o grande, a dor sufoca, j√° n√£o tem ar. A dor precisa de espa√ßo¬Ľ, escreve Marguerite Duras nas p√°ginas autobiogr√°ficas do volume a que chamou ¬ęA Dor¬Ľ. E descobrimo-nos mais s√≥s do que pens√°vamos no meio desse inc√™ndio √≠ntimo que cresce. Nas etapas de sofrimento a impot√™ncia parece aprisionar enigmaticamente todas as nossas possibilidades.

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Onde Começa o Bem

Há um limite a partir do qual a força visual do olho humano deixa de ser capaz de identificar o mau instinto tornado demasiado subtil para os seus fracos recursos; é aí que o homem faz começar o reino do bem; e a sensação de ter penetrado nesse reino desperta sincronicamente nele todos os instintos, os sentimentos de segurança, de bem-estar, e de benevolência, que o mal limitava e ameaçava. Por consequência: quanto mais o olhar é fraco, maior é o domínio do bem! Daí a eterna alegria do povo e das crianças! Daí o abatimento dos grandes pensadores, e o humor negro que é o seu, humor parente da má consciência.

O Sono como Condi√ß√£o de Sa√ļde

Eu presto homenagem √† sa√ļde como a primeira musa, e ao sono como condi√ß√£o de sa√ļde. O sono beneficia-nos principalmente pela sa√ļde que propicia; e tamb√©m ocasionalmente pelos sonhos, em cuja confusa trama uma li√ß√£o divina por vezes se infiltra. A vida d√°-se em breves ciclos ou per√≠odos; depressa nos cansamos, mas rapidamente nos relan√ßamos. Um homem encontra-se exaurido pelo trabalho, faminto, prostrado; ele mal √© capaz de erguer a m√£o para salvar a sua vida; j√° nem pensa. Ele afunda-se no sono profundo e desperta com renovada juventude, cheio de esperan√ßa, coragem, pr√≥digo em recursos e pronto para ousadas aventuras. ¬ęO sono √© como a morte, e depois dele o mundo parece recome√ßar de novo. Pensamentos claros surgem firmes e luminosos, como est√°tuas sob o sol. Refrescada por fontes supra-sens√≠veis, a alma escala a mais clara vis√£o¬Ľ [William Allingham].

Política de Verdade

(…) Represento uma pol√≠tica de verdade e de sinceridade, contraposta a uma pol√≠tica de mentira e de segredo. Advoguei sempre que se fizesse a pol√≠tica da verdade, dizendo-se claramente ao povo a situa√ß√£o do Pa√≠s, para o habituar √† ideia dos sacri¬≠f√≠cios que haviam um dia de ser feitos, e tanto mais pesados quanto mais tardios.
Advoguei sempre a política do simples bom senso contra a dos gran­diosos planos, tão grandiosos e tão vastos que toda a energia se gastava em admirá-los, faltando-nos as forças para a sua execução.
Advoguei sempre uma pol√≠tica de administra√ß√£o, t√£o clara e t√£o sim¬≠ples como a pode fazer qualquer boa dona de casa ‚ÄĒ pol√≠tica comezinha e modesta que consiste em se gastar bem o que se possui e n√£o se despen¬≠der mais do que os pr√≥prios recursos.

Mudar o Governo

N√£o se pode governar um pa√≠s como se a pol√≠tica fosse um quintal e a economia fosse um bazar. Ao avaliar um regime de governa√ß√£o precisamos, no entanto, de ir mais fundo e saber se as quest√Ķes n√£o prov√™m do regime mas do sistema e a cultura que esse sistema vai gerando. Pode-se mudar o governo e tudo continuar√° igual se mantivermos intacto o sistema de fazer economia, o sistema que administra os recursos da nossa sociedade. N√≥s temos hoje gente com dinheiro. Isso em si mesmo n√£o √© mau. Mas esses endinheirados n√£o s√£o ricos. Ser rico √© outra coisa. Ser rico √© produzir emprego. Ser rico √© produzir riqueza. Os nossos novos-ricos s√£o quase sempre predadores, vivem da venda e revenda de recursos nacionais.

Afinal, culpar o governo ou o sistema e ficar apenas por a√≠ √© f√°cil. Algu√©m dizia que ¬ęgovernar √© t√£o f√°cil que todos o sabem fazer at√© ao dia em que s√£o governo¬Ľ. A verdade √© que muitos dos problemas que n√≥s vivemos resultam da falta de resposta nossa como cidad√£os activos. Resulta de apenas reagirmos no limite quando n√£o h√° outra resposta sen√£o a viol√™ncia cega. Grande parte dos problemas resulta de ficarmos calados quando podemos pensar e falar.

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A tensão na procura é o recurso mais seguro enquanto não alcançamos aquilo para o qual

A tensão na procura é o recurso mais seguro enquanto não alcançamos aquilo para o qual tendemos e que nos leva além de nós mesmos.

Os V√°rios Tipos de Coragem

A verdadeira coragem √© uma das qualidades que su¬≠p√Ķem a maior grandeza de alma. Observo v√°rias esp√©cies dela: uma coragem contra a fortuna, que √© filosofia; uma coragem contra as mis√©rias, que √© paci√™ncia; uma cora¬≠gem na guerra, que √© bravura; uma coragem nos em¬≠preendimentos, que √© arrojo; uma coragem altiva e teme¬≠r√°ria, que √© aud√°cia; uma coragem contra a injusti√ßa, que √© firmeza; uma coragem contra o v√≠cio, que √© severidade; uma coragem de reflex√£o, de temperamento, etc. N√£o √© comum que um mesmo homem re√ļna tantas qualidades.
Oct√°vio, no pleno da sua fortuna, elevado so¬≠bre precip√≠cios, enfrentava perigos eminentes; mas a morte, presente na guerra, abalava sua alma. Um n√ļme¬≠ro incalcul√°vel de romanos que nunca tinham temido a morte nas batalhas n√£o possu√≠a essa outra coragem que submeteu a terra a Augusto.
N√£o apenas se encontram muitas esp√©cies de cora¬≠gem, mas na mesma coragem muitas desigualdades. Bru¬≠to, que teve a ousadia de atacar a fortuna de C√©sar, n√£o teve a for√ßa de seguir a sua pr√≥pria: havia alcan√ßado o projec¬≠to de destruir a tirania apenas com os recursos da sua co¬≠ragem, e teve a fraqueza de o abandonar com todas as for√ßas do povo romano, por falta desse equil√≠brio de for¬≠√ßa e de sentimento que sobrep√Ķe os obst√°culos e a len¬≠tid√£o dos sucessos.

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O Único Movimento Poético Moderno

O √ļnico movimento po√©tico que me parece moderno √© o Experimentalismo. E estou a referir-me tanto ao nosso pa√≠s como √† poesia em geral. Os meus interesses est√£o de tal modo virados para ela que me √© quase imposs√≠vel dar aten√ß√£o √† poesia convencional, por mais not√°vel que seja, dentro dos seus recursos e prop√≥sitos. Quanto √°s express√Ķes ¬ęformal¬Ľ, ¬ęconceptual¬Ľ, ¬ęest√©tico¬Ľ e ¬ęhumano¬Ľ, (…) nada tenho a dizer. Representam conceitos n√£o integr√°veis, desse modo, no meu processo de pensamento. Em poesia, formal, conceptual, est√©tico e humano significam, conjuntamente, ¬ęlinguagem¬Ľ. E poesia, como diria certo cr√≠tico norte-americano, √© linguagem. Isolar o impl√≠cito, explicitando-o, servir√° apenas para estabelecer um sistema insol√ļvel de situa√ß√Ķes.

Moral e Guerra

As leis da moral s√£o uma inven√ß√£o da humanidade para privar dos seus direitos os mais poderosos em favor dos fracos. As leis da hist√≥ria subvertem as leis da moral a cada passo. A validade de uma perspectiva moral nunca pode ser confirmada ou infirmada por um qualquer exame definitivo. Quando um homem cai morto num duelo, isso n√£o demonstra que as suas ideias eram erradas. O facto de ele se ter envolvido numa tal prova apenas atesta uma nova e mais vasta perspectiva. A vontade dos duelistas de renunciar a quaisquer novas discuss√Ķes, reconhecendo o car√°cter trivial de todo e qualquer debate, e de apelar directamente √†s inst√£ncias do absoluto hist√≥rico indica claramente a pouca import√Ęncia de que se revestem as opini√Ķes e a grande import√Ęncia das diverg√™ncias em torno dessas mesmas opini√Ķes. Pois a discuss√£o √© efectivamente trivial, mas o mesmo n√£o se pode dizer das vontades opostas que a discuss√£o p√īs em relevo.
A vaidade humana √© bem capaz de tocar as raias do infinito, mas o seu saber permanece imperfeito, e, por mais que ele acabe por valorizar os seus pr√≥prios ju√≠zos, em √ļltima an√°lise v√™-se obrigado a submet√™-los a um tribunal superior. Na guerra,

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Portugal Necessita de um Projecto Mobilizador

Portugal necessita de um projecto mobilizador. √Č tempo de que este pa√≠s encontre um rumo definido de recupera√ß√£o e de desenvolvimento. Somos um pa√≠s pobre em recursos materiais, mas mesmo os poucos que temos estamos a desperdi√ß√°-los. Somos ricos em recursos humanos que se encontram abandonados.

S√≥ com uma pol√≠tica que em mat√©ria de recursos nacionais privilegie a agricultura e as pessoas, que aproveite todas as potencialidades dos servi√ßos e da ind√ļstria, conjugada com uma pol√≠tica de investiga√ß√£o cient√≠fica e tecnol√≥gica, com uma pol√≠tica cultural, com uma pol√≠tica de educa√ß√£o, poderemos sair da situa√ß√£o dram√°tica em que nos encontramos.