Cita√ß√Ķes sobre Eleg√Ęncia

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Frases sobre eleg√Ęncia, poemas sobre eleg√Ęncia e outras cita√ß√Ķes sobre eleg√Ęncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Invisibilidade √© a Condi√ß√£o para a Eleg√Ęncia

Parece-me que a invisibilidade √© a condi√ß√£o para a eleg√Ęncia. A eleg√Ęncia acaba se for notada. Sendo a poesia a eleg√Ęncia por excel√™ncia, n√£o sabe ser vis√≠vel. Ent√£o, para que serve?, dir-me-eis. Para nada. Quem a v√™? Ningu√©m. O que a n√£o impede de ser um atentado contra o pudor, e apesar de o seu exibicionismo se exercer entre os cegos. Contenta-se em exprimir uma moral particular. Depois, esta moral particular solta-se sob a forma de obra. Exige que a deixem viver a sua vida. Faz-se pretexto para imensos mal-entendidos que se chamam a gl√≥ria. A gl√≥ria √© absurda por resultar de um ajuntamento. A multid√£o cerca um acidente, conta-o a si mesma, inventa-o, perturba-o at√© se transformar noutro. O belo resulta sempre de um acidente. De uma quebra brutal entre h√°bitos adquiridos e h√°bitos a adquirir. Derrota, nauseia. Chega a causar horror. Quando o novo h√°bito for adquirido, o acidente deixar√° de ser acidente. Far-se-√° cl√°ssico e perder√° a virtude de choque. Por isso uma obra nunca √© compreendida. √Č admitida. Se n√£o me engano, a observa√ß√£o pertence a Eug√®ne Delacroix: ¬ęNunca se √© compreendido, √©-se admitido¬Ľ. Matisse repete com frequ√™ncia esta frase.

O essencial √© que n√£o procure o pensador ser elegante; se o for, que venha a eleg√Ęncia da pr√≥pria estrutura do pensar e da pr√≥pria clareza meridiana das ideias a que lhe coube chegar.

O Homem Amesquinhado

Apesar do quadro negro de uma c√ļpula pol√≠tica e intelectual desvairada e grossa e de um povo abandonado a seu pr√≥prio destino, ainda havia ali, no pa√≠s, naquele espantoso ver√£o de 1955, uma consider√°vel energia vital, uma exaltada alegria de viver, acentuada, em alguns lugares e num ou noutro indiv√≠duo, ainda mais possu√≠do do gozo pleno de um extraodin√°rio senso l√ļdico tropical. Est√°vamos, poder√≠amos nos considerar como estando, num dos √ļltimos redutos do ser humano. Depois disso viria o fim, n√£o, como todos pensavam, com um estrondo, mas com um solu√ßo. A densa nuvem desceria, n√£o, como todos pensavam, feita de mol√©culas radioativas, mas da grosseria de todos os dias, acumulada, aumentada, transmitida, potenciada. O homem se amesquinharia, v√≠tima da mesquinharia do seu semelhante, cada dia menos atento a um gesto de gentileza, a um ato de beleza, a um olhar de amor desinteressado, a uma palavra dita com uma precisa propriedade. E tudo come√ßou a ficar densamente escuro, porque tudo era terrivelmente patrocinado por enlatadores de banha, fabricantes de chouri√ßo e vendedores de desodorante, de modo que toda a pretensa gra√ßa da vida se dirigia apenas √† barriga dos gordos, √† tripa dos porcos, ou, no m√°ximo de finura e eleg√Ęncia,

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N√£o havia eleg√Ęncia como a da mulher em cujos sil√™ncios se podia desvendar o mundo, dos pequenos mist√©rios ao pr√≥prio segredo da Cria√ß√£o.

A gra√ßa √© o esplendor da beleza, √© a beleza em movimento e mo√ßa, √© o sorriso da inf√Ęncia, √© a bondade da for√ßa, √© o perfume do fruto saboroso, √© a eleg√Ęncia da palmeira que se curva, ondeando, √†s car√≠cias do vento; a gra√ßa √© a poesia da beleza.

Do Contraditório como Terapêutica de Libertação

Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas pol√≠ticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro h√°bito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opini√Ķes continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez n√£o seja tarde para estabelecer, sobre t√£o delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude cient√≠fica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coer√™ncia, a convic√ß√£o, a certeza s√£o al√©m disso, demonstra√ß√Ķes evidentes ‚ÄĒ quantas vezes escusadas ‚ÄĒ de falta de educa√ß√£o.

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Bela D’Amor

Pois essa luz cintilante
Que brilha no teu semblante
Donde lhe vem o ‚Äėsplendor?
N√£o sentes no peito a chama
Que aos meus suspiros se inflama
E toda reluz de amor?

Pois a celeste fragr√Ęncia
Que te sentes exalar,
Pois, dize, a ing√©nua eleg√Ęncia
Com que te vês ondular
Como se baloiça a flor
Na Primavera em verdor,
Dize, dize: a natureza
Pode dar tal gentileza?
Quem ta deu sen√£o amor?

Vê-te a esse espelho, querida,
Ai!, vê-te por tua vida,
E diz se há no céu estrela,
Diz-me se h√° no prado flor
Que Deus fizesse t√£o bela
Como te faz meu amor.

O amor civiliza o homem mais embrutecido,
faz falar com eleg√Ęncia quem antes era mudo,
faz do cobarde um atrevido,
transforma o preguiçoso em lesto e activo.

A Solid√£o n√£o Constitui Alimento, apenas Jejum

Se n√£o temos aptid√£o para fazer amigos, remodelemo-nos at√© consegui-la. A solid√£o s√≥ vale como rem√©dio, como jejum – n√£o constitui alimento; o car√°cter, como Goethe o viu com tanta clareza, s√≥ se forma no tumulto da vida. Se nos tornamos excessivamente introspectivos, estamos na senda da perdi√ß√£o, ainda que o nosso neg√≥cio seja a psicologia; olhar com persist√™ncia excessiva para dentro de n√≥s mesmos √© provocar o desastre do jogador de t√©nis que conscientemente mede a dist√Ęncia, os √Ęngulos e a for√ßa dos golpes, ou como o pianista que pensa nos dedos. Os amigos s√£o necess√°rios, n√£o s√≥ porque nos ouvem, como porque se riem para n√≥s; atrav√©s dos amigos conseguimos um pouco de objectividade, um pouco de mod√©stia, um pouco de cortesia; com eles tamb√©m aprendemos as regras da vida, tornando-nos melhores jogadores dos jogos que a comp√Ķem.
Se queres ser amado, sê modesto; se queres ser admirado, sê orgulhoso; se queres as duas coisas, usa externamente a modéstia e internamente o orgulho. Mas o próprio orgulho pode ser modesto, raramente se deixando ver, e nunca se deixando ouvir.
N√£o revelar muita agudeza: os epigramas tornam-se odiosos quando farpeiam fundo a carne; e adoptar como lema o De vivis nil nisi bonum.

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O Soneto

Nas formas voluptuosas o soneto
Tem fascinante, c√°lida fragr√Ęncia
E as leves, langues curvas de eleg√Ęncia
De extravagante e mórbido esqueleto.

A graça nobre e grave do quarteto
Recebe a original intoler√Ęncia,
Toda a sutil, secreta extravag√Ęncia
Que transborda terceto por terceto.

E como um singular polichinelo
Ondula, ondeia, curioso e belo,
O Soneto , nas formas caprichosas.

As rimas d√£o-lhe a p√ļrpura vetusta
E nas mais rara prociss√£o augusta
Surge o Sonho das almas dolorosas…

Os mo√ßos s√£o t√£o sol√≠citos sobre o seu vestu√°rio, quanto os velhos s√£o negligentes: aqueles atendem mais √† moda e √† eleg√Ęncia, estes √† sua comodidade.

Uma Beleza Dificílima

O silêncio
abre
o coração das sombras.
Por tal sossego, as √°rvores
caminham. Mas s√£o as mulheres quem lhes assegura
a eleg√Ęncia do porte.

A harmonia vem do peso da luz
sob a cabeça. Das mãos em arco: os ramos seguram.
Altas s√£o as folhas. Simples.
Lisa a copa.

N√£o h√° rumor na terra.
As feras n√£o nasceram ainda. Apenas os peixes.
Fora de √°gua
respiram.

Sim.
O mundo pode ser belo,
apesar de só.

Basta-lhe o fulgor no mais escalvado da noite
e meninos esbeltos e
gelados no sol.
E uma beleza dificílima. E um cauteloso
azul nas garças abatidas pelo céu.
E um primeiro espanto,
uma primeira alegria nas fendas
em direcção
ao pó.

O Excesso de Vingança

O duelo nasceu da convic√ß√£o muito natural de que um homem n√£o aguentaria inj√ļrias de outro homem a n√£o ser por fraqueza; mas porque a for√ßa do corpo podia dar √†s almas t√≠midas uma vantagem consider√°vel sobre as almas fortes, para introduzir igualdade nos combates e dar-lhes por outro lado mais dec√™ncia, os nossos pais imaginaram bater-se com armas mais mort√≠feras e mais iguais do que aquelas que tinham recebido da natureza; e pareceu-lhes que um combate em que se poderia tirar a vida de um s√≥ golpe teria certamente mais nobreza do que uma briga vil em que no m√°ximo se poderia arranhar a cara do advers√°rio e arrancar-lhe os cabelos com as m√£os. Assim, vangloriaram-se de ter colocado nos seus usos mais eleva√ß√£o e mais eleg√Ęncia do que os romanos e os gregos que se batiam como os seus escravos. Achavam que aquele que n√£o se vinga de uma afronta n√£o tem coragem nem brio; n√£o atinavam que a natureza, que nos inspira a vingan√ßa, podia, elevando-se ainda mais alto, inspirar-nos o perd√£o.
Esqueciam-se de que os homens s√£o obrigados muitas vezes a sacrificar as suas paix√Ķes √† raz√£o. A natureza dizia mesmo, na verdade, √†s almas corajosas que era preciso vingar-se;

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A Débil

Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, h√° pouco, fraca e loura,
Nesta Babel t√£o velha e corruptora,
Tive ten√ß√Ķes de oferecer-te o bra√ßo.

E, quando socorreste um miser√°vel,
Eu, que bebia c√°lices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saud√°vel.

“Ela a√≠ vem!” disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, ‚ÄĒ talvez que n√£o o suspeites! –
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Ador√°vel! Tu, muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma est√°tua de rei num pedestal.

Sorriam, nos seus trens,

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As Verdadeiras Necessidades não Têm Gostos

Nenhum conselho me parece mais √ļtil para te dar do que este (e que nunca √© demais repetir!): limita sempre tudo aos desejos naturais que tu podes satisfazer com pouca ou nenhuma despesa, evitando, contudo, confundir v√≠cios com desejos. Porventura te interessa saber em que tipo de mesa, em que baixela de prata te √© servida a refei√ß√£o, ou se os escravos te servem com bom ritmo e solicitude? A natureza s√≥ necessita de uma coisa: a comida. (…) A fome dispensa pretens√Ķes, apenas reclama ser saciada, sem cuidar grandemente com qu√™. O triste prazer da gula vive atormentado na √Ęnsia de continuar com vontade de comer mesmo quando saciado, de buscar o modo como atulhar, e n√£o apenas encher o est√īmago, de achar maneira de excitar a sede extinta logo √† primeira golada! Tem, por isso toda a raz√£o Hor√°cio quando diz que a sede n√£o se interessa pela esp√©cie de copo ou pela eleg√Ęncia da m√£o que o serve.
Se achas que t√™m para ti muita import√Ęncia os cabelos encaracolados do escravo, ou a transpar√™ncia do copo que te p√Ķe √† frente, √© porque n√£o est√°s com sede. Entre outros benef√≠cios que devemos √† natureza conta-se este,

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Deixar Sempre as Coisas a Meio

A grandeza, o verdadeiro luxo, est√° nessa displic√™ncia algo aristocr√°tica, n√£o na pior ace√ß√£o da palavra, de deixar sempre as coisas a meio: esse copo de conhaque que se abandona na varanda do bar, as moedas que nunca mais se acabam de recolher da bandejinha em que o criado nos trazia o troco, os pratos por limpar, as tardes inteiras de torpor e moleza, desperdi√ßadas sem culpa porque sobra vida, porque haver√° tempo. Essa √© a atitude que se op√Ķe √† do miser√°vel a quem a necessidade mais visceral e mesquinha faz ver poesia nesse sorver at√© √† √ļltima gota o que a vida lhe oferece. E n√£o deita nada fora, ent√£o, e guarda para amanh√£, e mesquinhamente esconde as sobras para as aproveitar depois como um c√£o saciado que enterra os ossos junto de uma √°rvore para n√£o desperdi√ßar nem um grama de alimento; e molha no chocolate todos os churros que fazem parte da dose, mesmo a rebentar de cheio, caibam ou n√£o dentro do seu est√īmago. E mil vezes prefer√≠vel deixar sempre qualquer coisa no prato, desdenhar com eleg√Ęncia de parte do festim; jantar, por exemplo, com uma senhora admir√°vel e permitir graciosamente que escape viva. E,

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Para o Jornalista, Tudo o que é Provável é Verdade

¬ęPara o jornalista, tudo o que √© prov√°vel √© verdade¬Ľ. Trata-se dum axioma estupendo, como tudo o que Balzac inventa. Reflectindo nele, n√≥s percebemos quantas falsidades se explicam e quantas arranhadelas na sensibilidade se resumem a fanfarronices e n√£o a conhecimento dos factos. Em geral, o pequeno jornalista √© um profeta da Imprensa no que toca a banalidades, e um imprudente no que se refere a coisas s√©rias. Quando Balzac refere que a cr√≠tica s√≥ serve para fazer viver o cr√≠tico, isto estende-se a muitas outras tend√™ncias do jornalista: o folhetinista, que √© o que Camilo fazia nas gazetas do Porto (…). Eu pr√≥pria n√£o estou isenta duma soma de articulismos, de recursos √† blague, de gra√ßas adapt√°veis, de frequenta√ß√£o do lado mau da imagina√ß√£o, de rid√≠culos, de fastidiosos conselhos, de discursos convencionais, de condena√ß√Ķes f√°ceis, de birras imbecis, de poesia de barbeiro, de eleg√Ęncias chatas, de canibalismo vulgar, de panfletismo ¬ębom cidad√£o¬Ľ. Quando n√£o sou nada disso, sou assunto para jornais, mas n√£o sou jornalista.