Passagens sobre Espinhos

87 resultados
Frases sobre espinhos, poemas sobre espinhos e outras passagens sobre espinhos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A rosa da profunda amizade não se colhe sem ferir a mão em muitos espinhos da contradição. No abnegar é que está o vencer de muitas resistências invencíveis ao império da vontade.

Talento não é Sabedoria

Deixa-me dizer-te francamente o ju√≠zo que eu formo do homem transcendente em g√©nio, em estro, em fogo, em originalidade, finalmente em tudo isso que se inveja, que se ama, e que se detesta, muitas vezes. O homem de talento √© sempre um mau homem. Alguns conhe√ßo eu que o mundo proclama virtuosos e s√°bios. Deix√°-los proclamar. O talento n√£o √© sabedoria. Sabedoria √© o trabalho incessante do esp√≠rito sobra a ci√™ncia. O talento √© a vibra√ß√£o convulsiva de esp√≠rito, a originalidade inventiva e rebelde √† autoridade, a viagem ext√°tica pelas regi√Ķes inc√≥gnitas da ideia. Agostinho, F√©nelon, Madame de Sta√ęl e Bentham s√£o sabedorias. Lutero, Ninon de Lenclos, Voltaire e Byron s√£o talentos.
Compara as vicissitudes dessas duas mulheres e os servi√ßos prestados √† humanidade por esses homens, e ter√°s encontrado o antagonismo social em que lutam o talento com a sabedoria. Porque √© mau o homem de talento ? Essa bela flor porque tem no seio um espinho envenenado ? Essa espl√™ndida ta√ßa de brilhantes e ouro porque √© que cont√©m o fel, que abrasa os l√°bios de quem a toca ? Aqui tens um tema para trabalhos superiores √† cabe√ßa de uma mulher, ainda mesmo refor√ßada por duas d√ļzias de cabe√ßas acad√©micas !

Continue lendo…

Sou eu! Sou eu! A que nas mãos ansiosas prendeu da vida, assim como ninguém, os maus espinhos sem tocar nas rosas.

A Moça Caetana A Morte Sertaneja

(com tema de Deborah Brennand)

Eu vi a Morte, a moça Caetana,
com o Manto negro, rubro e amarelo.
Vi o inocente olhar, puro e perverso,
e os dentes de Coral da desumana.

Eu vi o Estrago, o bote, o ardor cruel,
os peitos fascinantes e esquisitos.
Na m√£o direita, a Cobra cascavel,
e na esquerda a Coral, rubi maldito.

Na fronte, uma coroa e o Gavi√£o.
Nas esp√°duas, as Asas deslumbrantes
que, rufiando nas pedras do Sert√£o,

pairavam sobre Urtigas causticantes,
caules de prata, espinhos estrelados
e os cachos do meu Sangue iluminado.

A mulher mais honesta não resiste à tentação de parecer sedutora e, sem pensar em dar uma esperança, não desgosta de deixar um espinho.

Eu tudo compreendo, tudo sei; tenho passado a vida a arrancar-me espinhos, que não há nada que não tenha passado em mim; e a ronda trágica desta vida tem dançado comigo todas as suas danças. E para tudo tenho encontrado remédio, e tenho-me arrastado sempre; embora cansada e esfarrapada, tenho-me deixado viver.

A Solidão é Necessária ao Convívio

As pessoas est√£o prontas a viver em bom entendimento, mas n√£o querem ser viciadas em agradar. A condi√ß√£o humana assenta num pressuposto equilibrado: a vida agrada a uns e desagrada a outros. H√° uma parte da solid√£o que n√£o podemos compor, e √© melhor que assim seja, porque √© na solid√£o que assenta a diferen√ßa t√£o falada. √Č isso que se receia: que nos pro√≠bam a solid√£o, esse pequeno espinho que afinal nos faz solid√°rios na multid√£o. Observem um grupo de pessoas que ri da mesma anedota: est√£o abertas a esse prazer do momento, mas n√£o se distraem da faculdade de serem s√≥s na sua fundamental forma de orgulho que √© serem √ļnicas. A moral consta duma certa dose de cortesia para parecermos bons. ¬ęS√≥ Deus √© bom.¬Ľ Se percebermos esta conclus√£o, percebemos que imitar o bem √© tudo o que humanamente nos √© permitido.

Alvorada Eterna

Quando formos os dois j√° bem velhinhos,
j√° bem cansados, tr√īpegos, vencidos,
um ao outro apoiados, nos caminhos,
depois de tantos sonhos percorridos…

Quando formos os dois j√° bem velhinhos
a lembrar tempos idos e vividos,
sem mais nada colher, nem mesmo espinhos
nos gestos desfolhados e pendidos…

Quando formos só os dois, já bem velhinhos,
l√° onde findam todos os caminhos
e onde a saudade, o ch√£o, de folhas junca…

Olha amor, os meus olhos, bem no fundo,
e h√°s de ver que este amor em que me inundo
é uma alvorada que não morre nunca!

Soneto V РÀ Sra. Marieta Landa

Disseste a nota amena d’alegria,
E, arrebatado ent√£o nesse momento
De um doce, divinal contentamento,
Eu senti que minh’alma aos c√©us subia.

Disseste a nota da melancolia,
Negra nuvem toldou-me o pensamento;
Senti que agudo espinho virulento
Do coração as fibras me rompia.

√Čs anjo ou nume, tu que desta sorte
Trazes o peito humano arrebatado
Em sucessivo e r√°pido transporte?!

Anjo ou nume não és; mas, se te é dado
No canto dar a vida, ou dar a morte,
Tens nas m√£os teu Porvir, teu bem, teu fado.

Prece

Bendita sejas tu em meu caminho!
Bendita sejas tu, pela coragem
com que fizeste de um amor selvagem
esse amor que se humilha ao teu carinho!

Bendita sejas, porque a tua imagem
suaviza toda ang√ļstia e todo espinho…
J√° n√£o maldigo a insipidez da viagem,
nem me sinto s√≥, nem vou sozinho…

Bendita sejas tantas vezes quantas
são as aves no céu; e são as plantas
na terra; e são as horas de emoção

em que juntos ficamos, de m√£os dadas,
como se nossas vidas irmanadas
vivessem por um mesmo coração!

Junta os Dons do Espírito às Vantagens do Corpo

Para ser amado, s√™ am√°vel, para o que n√£o bastar√° a beleza do rosto ou do corpo. Se pretendes conservar a tua amiga e n√£o teres nunca a surpresa de ser abandonado, mesmo que sejas Nireu, amado pelo velho Homero, ou o Hilas de delicada beleza que as N√°iades raptaram por meio de um crime, junta os dons do esp√≠rito √†s vantagens do corpo. A beleza √© um bem muito fr√°gil, tudo o que se acrescenta aos anos a diminui, murcha com a pr√≥pria dura√ß√£o. As violetas e os l√≠rios com as suas corolas abertas n√£o florescem sempre; e na rosa, depois de ca√≠da, s√≥ o espinho permanece. Tamb√©m tu, belo adolescente, cedo conhecer√°s cabelos brancos, cedo conhecer√°s as rugas que sulcam o teu corpo. Forma desde j√° um esp√≠rito que dure e fortalece a beleza; s√≥ ele subsiste at√© √† fogueira f√ļnebre.

Encontremos a coragem de purificar o nosso coração, retirando as pedras e os espinhos que sufocam a palavra de Deus.

A mente de quem busca exclusivamente sua própria salvação está afastada do todo, do Caminho. Fora do Caminho crescem espinhos que arruínam o destino.

A boca é grande e os olhos são pequenos. Ou como se diz aqui: o burro come espinhos com a sua língua suave.

Marília

√ď Mar√≠lia! √ď Dirceu! Eram dois ninhos
Os vossos cora√ß√Ķes, ninhos de flores;
Mas, entre os quais, sentíeis os rigores
Lacerantes de incógnitos espinhos;

Tremiam, como em fl√°cidos arminhos,
Promiscuamente, neles os amores,
As saudades, os c√Ęnticos, as dores,
Como uma multid√£o de passarinhos…

O sulco profundíssimo que traça
Nos cora√ß√Ķes amantes a desgra√ßa,
Ambos nos cora√ß√Ķes tra√ßados vistes,

Quando os vossos olhares, no momento,
Cruzaram-se, do negro afastamento,
Marejados de l√°grimas e tristes…

Soneto Ao Nosso Encontro

Desenrolam-se as curvas do caminho
√† propor√ß√£o que aos poucos avan√ßamos…
Um dia, – e eu vinha ent√£o triste e sozinho,
– um dia, – vinhas s√≥… nos encontramos…

Desde esse dia, juntos, simulamos
duas asas de um mesmo passarinho,
Рnesse destino que entrançou dois ramos
que d√£o a mesma flor… e o mesmo espinho…

Depois de tantas curvas j√° vencidas
que sejamos ao fim de nossas vidas
na perfeição do amor que nos conduz,

Рcomo a folhagem que um só ninho esconde,
ou dois galhos que vêm da mesma fronde
para juntos morrer na mesma cruz!