Passagens sobre Espinhos

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Frases sobre espinhos, poemas sobre espinhos e outras passagens sobre espinhos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Encontremos a coragem de purificar o nosso coração, retirando as pedras e os espinhos que sufocam a palavra de Deus.

A mente de quem busca exclusivamente sua própria salvação está afastada do todo, do Caminho. Fora do Caminho crescem espinhos que arruínam o destino.

A boca é grande e os olhos são pequenos. Ou como se diz aqui: o burro come espinhos com a sua língua suave.

Marília

√ď Mar√≠lia! √ď Dirceu! Eram dois ninhos
Os vossos cora√ß√Ķes, ninhos de flores;
Mas, entre os quais, sentíeis os rigores
Lacerantes de incógnitos espinhos;

Tremiam, como em fl√°cidos arminhos,
Promiscuamente, neles os amores,
As saudades, os c√Ęnticos, as dores,
Como uma multid√£o de passarinhos…

O sulco profundíssimo que traça
Nos cora√ß√Ķes amantes a desgra√ßa,
Ambos nos cora√ß√Ķes tra√ßados vistes,

Quando os vossos olhares, no momento,
Cruzaram-se, do negro afastamento,
Marejados de l√°grimas e tristes…

Soneto Ao Nosso Encontro

Desenrolam-se as curvas do caminho
√† propor√ß√£o que aos poucos avan√ßamos…
Um dia, – e eu vinha ent√£o triste e sozinho,
– um dia, – vinhas s√≥… nos encontramos…

Desde esse dia, juntos, simulamos
duas asas de um mesmo passarinho,
Рnesse destino que entrançou dois ramos
que d√£o a mesma flor… e o mesmo espinho…

Depois de tantas curvas j√° vencidas
que sejamos ao fim de nossas vidas
na perfeição do amor que nos conduz,

Рcomo a folhagem que um só ninho esconde,
ou dois galhos que vêm da mesma fronde
para juntos morrer na mesma cruz!

Baladas Rom√Ęnticas – Verde…

Como era verde este caminho!
Que calmo o céu! que verde o mar!
E, entre fest√Ķes, de ninho em ninho,
A Primavera a gorjear!…
Inda me exalta, como um vinho,
Esta fatal recordação!
Secou a flor, ficou o espinho…
Como me pesa a solid√£o!

√ďrf√£o de amor e de carinho,
√ďrf√£o da luz do teu olhar,
РVerde também, verde-marinho,
Que eu nunca mais hei de olvidar!
Sob a camisa, alva de linho,
Te palpitava o cora√ß√£o…
Ai! coração! peno e definho,
Longe de ti, na solid√£o!

Oh! tu, mais branca do que o arminho,
Mais p√°lida do que o luar!
– Da sepultura me avizinho,
Sempre que volto a este lugar…
E digo a cada passarinho:
“N√£o cantes mais! que essa can√ß√£o
Vem me lembrar que estou sozinho,
No ex√≠lio desta solid√£o!”

No teu jardim, que desalinho!
Que falta faz a tua m√£o!
Como inda √© verde este caminho…
Mas como o afeia a solid√£o!

Falar de amor, e por dentro ter sentimento odioso, é como andar sob flores suaves, mas, escondido entre as pétalas ter espinhos agudos.

A Vida

“A Vida”
I
“…Mudar√°s, todos mudam, e os espinhos
com surpresa ver√°s por todo lado,
– s√£o assim nesta vida os seus caminhos
desde que o homem no mundo tem andado…

N√£o h√°s de ser o eterno namorado
com as m√£os e os l√°bios cheios de carinho,
– hoje, juntos os dois… tudo encantado!
– amanh√£, tudo triste… os dois sozinhos!…

E sentindo o teu braço então vazio,
abatido ver√°s que n√£o resistes
√† inclem√™ncia do tempo √ļmido e frio!

Rolar√°s por escarpas e barrancos:
sobre o epit√°fio dos teus olhos tristes
trazendo a campa dos cabelos brancos!”

Alma que Foste Minha

Alma que foste minha,
desprendida de meu corpo e de meu espírito,
leque de palma sem raízes, sem tormentas,
que género esta noite te distingue,
que metro te organiza, por que dogmas,
que signos te orientam ‚ÄĒ rumo a qu√™?

‚ÄĒ Mestre, qual √© o sexo das almas?

Desmarcada e sem cordas
alma que foste minha
sem cravos e sem espinhos
que trigo milenar te mata a fome
divina
que pir√Ęmide encerra tua ess√™ncia
nudíssima
que corpo te defende de ti mesma
do espaço
que idade, quantas eras, contra o tempo
alma an√°rquica
desmarcada e sem cravos
sem precis√£o de estar
ou de ficar
‚ÄĒ Que te vale Biz√Ęncio?
ou de mudar
ou de fazer, ou de ostentar
‚ÄĒ Que te vale este verso?
apoética, absurda
como chamar-te alma, de quê, quando,
para quê, alma de morto, para onde?

Musa Consolatrix

Que a m√£o do tempo e o h√°lito dos homens
Murchem a flor das ilus√Ķes da vida,
Musa consoladora,
√Č no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.

N√£o h√°, n√£o h√° contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
De íntima paz, de vida e de conforto.

Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilus√£o dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
√Ä enchente das ang√ļstias;
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.

Musa consoladora,
Quando da minha fronte de mancebo
A √ļltima ilus√£o cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,
Ah! no teu seio amigo
Acolhe-me, ‚ÄĒ e ter√° minha alma aflita,
Em vez de algumas ilus√Ķes que teve,
A paz, o √ļltimo bem, √ļltimo e puro!

Neblina

Um dedo a bordo aponta
a neblina sentada, sustentada
sobre o topo do monte.

O céu está todo azul, com excepção
daqueles trapos brancos, como roupa
de alguém que passou por uma planta
com espinhos e n√£o se acautelou.

√Č uma esp√©cie de √°gua altaneira,
evadida do rio,
que ora entremostra ora esconde
fragadas, pinhal, terra
arroteada.

Sim, concedo,
é muito sugestivo.

Mas, cansado de pairar
nestes transes de lirismo
que me escaldam sem me purificar,
prefiro a √°gua propriamente dita:
√°gua com peso,
esta boa água, sólida, palpável,
que, poupando-me a pele,
me humedece as entranhas
(para n√£o falar dos olhos,
mas isso é outra história)

Рe à flor da qual se repete
a neblina do monte.

Ou n√£o fosse o rio um espelho
antes de rio.

A Verdadeira Virtude

N√£o se pode pensar em virtude sem se pensar num estado e num impulso contr√°rios aos de virtude e num persistente esfor√ßo da vontade. Para me desenhar um homem virtuoso tenho que dar relevo principal ao que nele √© volunt√°rio; tenho de, talvez em esquema exagerado, lhe p√īr acima de tudo o que √© modelar e conter. Pela origem e pelo significado n√£o posso deixar de a ligar √†s fortes resolu√ß√Ķes e √† coragem civil. E um cont√≠nuo querer e uma cont√≠nua vigil√Ęncia, uma batalha perp√©tua dada aos elementos que, entendendo, classifiquei como maus; requer as n√≠tidas vis√Ķes e as almas destemidas.
Por isso não me prende o menino virtuoso; a bondade só é nele o estado natural; antes o quero bravio e combativo e com sua ponta de maldade; assim me dá a certeza de que o terei mais tarde, quando a vontade se afirmar e a reflexão distinguir os caminhos, com material a destruir na luta heróica e a energia suficiente para nela se empenhar. O que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas; muitas vezes me há-de parecer que a sua virtude consiste numa falta de habilidade para urdir o mal,

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Sou Eu!

À minha ilustre camarada Laura haves

Pelos campos em fora, pelos combros,
Pelos montes que embalam a manh√£,
Largo os meus rubros sonhos de pag√£,
Enquanto as aves poisam nos meus ombros…

Em v√£o me sepultaram entre escombros
De catedrais duma escultura v√£!
Olha-me o loiro sol tonto de assombros,
as nuvens, a chorar, chamam-me irm√£!

Ecos long√≠nquos de ondas… de universos..
Ecos dum Mundo… dum distante Al√©m,
Donde eu trouxe a magia dos meus versos!

Sou eu! Sou eu! A que nas m√£os ansiosas
Prendeu da vida, assim como ninguém,
Os maus espinhos sem tocar nas rosas!