Passagens sobre Gente

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Frases sobre gente, poemas sobre gente e outras passagens sobre gente para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

As pessoas podem fazer o que quiserem, mas ningu√©m liga ao que elas fazem. Para os portugueses s√≥ interessa a cara que t√™m. Pode ser-se arquitecto mas se calha ter ¬ęcara de quem nunca fez um desenho na vida¬Ľ est√° lixado. Pode nunca ter provado uma pinga de vinho na vida mas se algu√©m afirma que √© alco√≥lico e h√° outro que diz ¬ęTem cara disso…¬Ľ pode considerar-se b√™bado para todos os efeitos. Pode ser a pessoa mais amistosa e greg√°ria do mundo, mas se tem ¬ęcara de pouco amigos¬Ľ toda a gente foge dele.

Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil, a uma vida perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o melhor de si próprio.

Esta Prosa Travada

P√Ķe-se a gente a ler estes Gides, estes Munthes, estes Malraux. E √© sempre a mesma sensa√ß√£o de plenitude. Sempre a mesma sensa√ß√£o de que, depois daquilo, n√£o vale a pena escrever uma palavra, de mais a mais nesta l√≠ngua de que o diabo ainda se serve para falar √† av√≥… Mas depois vem a revolta. Esta impotente revolta de todo o verdadeiro escritor portugu√™s que come√ßou por nascer atr√°s duma fraga e acaba por gastar a vida em Paio Pires, amanuense de secretaria. Metessem no bra√ßo dum Gide uma manga de alpaca, e eu queria ver… Ent√£o um homem nasce em Paris ou numa terra lavada da Su√©cia, tanto faz, mestres logo √† beira do ber√ßo, todas as civiliza√ß√Ķes na biblioteca do pai, uma vida inteira pelo mundo al√©m, e aqueles neur√≥nios, e aqueles sentidos n√£o h√£o-de reagir?! O mais bronco ser humano, quando fala com um Wilde, ouviu pelo menos falar o autor do De Profundis. Evidentemente √© preciso mais alguma coisa do que ir √† China e ter certa experi√™ncia para escrever A Condi√ß√£o Humana. Mas, sem um homem andar de avi√£o, como h√°-de um homem ganhar perspectivas de p√°ssaro e falar de po√ßos de ar?!
…E a gente n√£o tem outro rem√©dio sen√£o gastar as horas a fabricar esta prosa travada,

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Neuroses e psicoses, temos todos. Quando a gente fala em esquizofrenia, temos todos. Somos todos psic√≥ticos. O Freud chamou a aten√ß√£o para isso, e actualmente est√° assente que n√£o h√° ningu√©m que n√£o seja neur√≥tico e psic√≥tico. Em todos n√≥s existem esses n√ļcleos.

A Verdadeira Leitura

As leituras que a gente faz em busca do saber n√£o s√£o, na verdade, leituras. As boas, as fecundas, as prazenteiras, s√£o as que a gente faz sem pensar em instruir-se.

√Č burro cantar coisas que eu, tu, ele, n√≥s sentimos? √Č brega ter desejos e car√™ncias e dores e suspiros assim, de gente? Sentir n√£o √© brega. Ao contr√°rio: n√£o existe nada mais chique. Emocione-se e seja o rei de sua insensatez. Seja nobre, seja divino no desconcerto das emo√ß√Ķes.

N√£o Tenho Pressa

Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
N√£o; n√£o sei ter pressa.
Se estendo o bra√ßo, chego exactamente aonde o meu bra√ßo chega –
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.

H√° uma parte subterr√Ęnea nas obras de arte imposs√≠vel de explicar. Como no amor. Esse mist√©rio √©, talvez seja, a pr√≥pria ess√™ncia do acto criador. A gente n√£o sabe…

A vida é meio estranha: conheço muita gente que tem tudo para ser feliz, e adora sofrer.

Gente é tão louca e no entanto tem sempre razão. Quando consegue um dedo, já não serve mais, quer a mão. E o problema é tão fácil de perceber, é que gente nasceu pra querer.

N√£o tenho 20 lu√≠ses de renda por ano e encontrei-me lado a lado com um homem que tem 20 lu√≠ses de renda por hora e ainda assim riam dele… Um espet√°culo como esse cura a gente da inveja.

A Indiferença ou a Paixão pelos Outros

O que √© mais proveitoso ‚ÄĒ perguntava eu ‚ÄĒ representar o mundo como pequeno ou como grande? Vejamos como eu resolvia o assunto: os homens eminentes, os capit√£es famosos, os estadistas competentes, em suma, todos os conquistadores e todos os chefes que se elevam pela viol√™ncia acima dos outros homens, devem ser feitos de tal maneira que o Mundo lhes deve parecer como um tabuleiro de damas. Se assim n√£o fosse, eles n√£o teriam a rudeza e a impassibilidade necess√°rias para subordinarem audaciosamente aos seus imprevis√≠veis planos a felicidade e os sofrimentos dos indiv√≠duos isolados, sem se importarem nada com isso. Em contrapartida, uma t√£o limitada concep√ß√£o pode levar os homens a n√£o realizarem coisa alguma, porque todo aquele que considera a humanidade como uma coisa sem import√Ęncia acabar√° por a achar insignificante e por so√ßobrar na indiferen√ßa e na passividade. Desdenhoso de tudo, preferir√° a in√©rcia √† ac√ß√£o sobre os esp√≠ritos, sem contar que a sua insensibilidade, a sua aus√™ncia de simpatia e a sua letargia chocar√£o toda a gente, ofendendo constantemente um mundo imbu√≠do do seu pr√≥prio valor. Assim se lhe fechar√£o todas as vias de um sucesso imprevisto. Ser√° mais razo√°vel ‚ÄĒ perguntava eu, ent√£o ‚ÄĒ ver na humanidade qualquer coisa de grande,

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Se eu tivesse sa√ļde e dinheiro e andasse, como elas andam, a aparecer em toda a parte e a receber em suas casas toda a gente de influ√™ncia nos jornais, j√° falavam de mim porque isto √© assim: quem n√£o aparece, esquece.

O Homem Certo

Hoje, numa √©poca em que se misturam todos os discursos, em que profetas e charlat√£es usam as mesmas f√≥rmulas com m√≠nimas diferen√ßas, cujo percurso nenhum homem ocupado tem tempo de seguir, num tempo em que as redac√ß√Ķes dos jornais s√£o constantemente incomodadas por gente que acha que √© um g√©nio, √© muito dif√≠cil ajuizar do valor de um homem ou de uma ideia. Temos de nos deixar guiar pelo ouvido para podermos perceber se os rumores, os sussurros e o raspar de p√©s diante da porta da redac√ß√£o s√£o suficientemente fortes para poderem ser admitidos como voz da polis. A partir desse momento, por√©m, o g√©nio passa a outra condi√ß√£o. Deixa de ser mat√©ria f√ļtil da cr√≠tica liter√°ria ou teatral, cujas contradi√ß√Ķes os leitores que qualquer jornal deseja ter levam t√£o pouco a s√©rio como a tagarelice de uma crian√ßa, para aceder ao estatuto de factos concretos, com todas as consequ√™ncias que isso tem.
Certos fan√°ticos insensatos ignoram a necessidade desesperada de idealismo que se esconde por detr√°s de tal situa√ß√£o. O mundo dos que escrevem porque t√™m de escrever est√° cheio de grandes palavras e conceitos que perderam a subst√Ęncia. Os atributos dos grandes homens e das grandes causas sobrevivem ao que quer que seja que lhes deu origem,

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