Passagens sobre Gente

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Frases sobre gente, poemas sobre gente e outras passagens sobre gente para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nada é Verdadeiramente Satisfatório

Nada √© verdadeiramente satisfat√≥rio. Mesmo a arte a que um artista √© vocacionado, e sobre a qual e para a qual vive, est√° sempre aqu√©m do seu desejo. Nunca atinge aquele n√≠vel, aquele andar que desejaria. Est√° sempre a tentar, a aproximar-se do limite das possibilidades. No fundo, do absoluto. Um absoluto que se n√£o atinge, [que se] ignora mesmo. A √ļnica coisa que sabemos ao certo √©: ningu√©m nasce sen√£o para morrer. Morrer mais cedo ou morrer mais tarde. Tem esse privil√©gio: acabar com a vida antes do fim natural dela. Se estiver desesperado, acontece. Justamente quando perde a esperan√ßa. Quando perde a esperan√ßa, perdeu tudo, e ent√£o liquida-se.

[Pensou alguma vez? Houve algum momento na sua vida t√£o desesperan√ßado? Teve tantos reveses…]

Não. Suponho que ninguém deixa de pensar na morte. E quando se chega à minha idade, está-se mais consciente de que se aproxima o fim. Portanto, ele tem que se preparar para esse final. Há muita gente que conheci que se suicidou por isto ou por aquilo. E há o problema da eutanásia, quando o sofrimento é muito grande, a experiência é nula e as pessoas não podem sequer matar-se, têm que pedir que alguém as mate.

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Morre menos gente de cancro ou de coração do que de não saber para que vive; e a velhice, no sentido de caducidade, de que tantos se vão, tem por origem exactamente isto: o cansaço de se não saber para que se está a viver.

A Inutilidade do Viajar

Que utilidade pode ter, para quem quer que seja, o simples facto de viajar? N√£o √© isso que modera os prazeres, que refreia os desejos, que reprime a ira, que quebra os excessos das paix√Ķes er√≥ticas, que, em suma, arranca os males que povoam a alma. N√£o faculta o discernimento nem dissipa o erro, apenas det√©m a aten√ß√£o momentaneamente pelo atractivo da novidade, como a uma crian√ßa que pasma perante algo que nunca viu! Al√©m disso, o cont√≠nuo movimento de um lado para o outro acentua a instabilidade (j√° de si consider√°vel!) do esp√≠rito, tornando-o ainda mais inconstante e incapaz de se fixar. Os viajantes abandonam ainda com mais vontade os lugares que tanto desejavam visitar; atravessam-nos voando como aves, v√£o-se ainda mais depressa do que vieram. Viajar d√°-nos a conhecer novas gentes, mostra-nos forma√ß√Ķes montanhosas desconhecidas, plan√≠cies habitualmente n√£o visitadas, ou vales irrigados por nascentes inesgot√°veis; proporciona-nos a observa√ß√£o de algum rio de caracter√≠sticas invulgares, como o Nilo extravasando com as cheias de Ver√£o, o Tigre, que desaparece √† nossa vista e faz debaixo de terra parte do seu curso, retomando mais longe o seu abundante caudal, ou ainda o Meandro, tema favorito das lucubra√ß√Ķes dos poetas, contorcendo-se em incont√°veis sinuosidades,

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Como disse uma velha cantora argentina, com o tempo, a gente se despede lentamente das coisas conhecidas. Por isso o criador não envelhece: constantemente inventa novas imagens de abertura para espaços que não se conhecem.

Quando se fala em indiv√≠duos trata-se de gente; quando se fala em na√ß√Ķes, trata-se de metade de gente; quando se fala em humanidade trata-se apenas de bichos, isto √©, n√£o se trata de nada.

A Influência dos Livros

N√£o h√° d√ļvida nenhuma: se um leitor n√£o se tem firme nos p√©s diante de certos livros e de certos autores, acontece-lhe como quando a gente se debru√ßa a uma alta janela e olha com ades√£o exagerada para o fundo: atira-se dali abaixo. E coisa curiosa: tanto monta que o aceno venha dum cl√°ssico, como dum rom√Ęntico, como dum realista, como dum futurista. Desde que a m√£o feiticeira que o faz saiba da sua poda, um homem, que ainda ontem era enforcado de Villon, passa a sat√Ęnico de Baudelaire sem qualquer cerim√≥nia.

A Idealização do Amor

Eu estava a pensar na forma como se poderá entender o amor, à luz da minha formação. Da minha perspectiva, depende daquilo que o outro representa, se o outro é um prolongamento nosso, é uma parte nossa, como acontece muitas vezes, ou é uma idealização do eu de que falaria o Freud. No sentido psicanalítico poder-se-ia dizer que o amor corresponde ao eu ideal e, portanto, à procura de qualquer coisa de ideal que nós colocamos através de um mecanismo de identificação projectiva no outro.

Portanto, √† luz de uma perspectiva cient√≠fica, como √© apesar de tudo a psicanal√≠tica, o problema come√ßa a p√īr-se de uma forma um bocado diferente. Nesse sentido e na medida em que o objecto amado √© sempre idealizado e nunca √© um objectivo real, a gente, de facto, nunca se est√° a relacionar com pessoas reais, estamos sempre a relacionarmo-nos com pessoas ideias e com fantasmas. A gente vive, de facto, num mundo de fantasmas: os amigos s√£o fantasmas que t√™m para n√≥s determinada configura√ß√£o, ou os pais, ou os filhos, etc.

(…) O amor √© uma coisa que tem que tem que ver de tal forma com todo um mundo de fantasmas,

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Onde Nasceu a Ciência e o Juízo?

MOTE

‚ÄĒ Onde nasceu a ci√™ncia?…
‚ÄĒ Onde nasceu o ju√≠zo?…
Calculo que ninguém tem
Tudo quanto lhe é preciso!

GLOSAS

Onde nasceu o autor
Com for√ßas p’ra trabalhar
E fazer a terra dar
As plantas de toda a cor?
Onde nasceu tal valor?…
Seria uma força imensa
E h√° muita gente que pensa
Que o poder nos vem de Cristo;
Mas antes de tudo isto,
Onde nasceu a ci√™ncia?…

De onde nasceu o saber?…
Do homem, naturalmente.
Mas quem gerou tal vivente
Sem no mundo nada haver?
Gostava de conhecer
Quem é que formou o piso
Que a todos nós é preciso
At√© o mundo ter fim…
N√£o h√° quem me diga a mim
Onde nasceu o ju√≠zo?…

Sei que h√° homens educados
Que tiveram muito estudo.
Mas esses n√£o sabem tudo,
Também vivem enganados;
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem.
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicion√°rio…
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem.

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O Egoísmo dos Homens

Isto de saber que √© nos enterros que melhor se manifesta o ego√≠smo dos homens, n√£o √© novo. Vem nos livros. Mas √© conveniente experimentar. √Č sempre bom ir uma, duas, tr√™s, vinte vezes atr√°s de um caix√£o, e ver como a pouco e pouco o mar de gente se reduz e fica em nada. Como, de tantos amigos, chegam ao cemit√©rio apenas tr√™s, e esses tr√™s, furiosos por n√£o terem podido escapar-se.

A prioridade é sermos honestos connosco. Nunca poderemos ter um impacto na sociedade se não nos mudarmos primeiro. Os grandes pacificadores são todos gente de grande integridade e honestidade mas, também, de humildade.

O Medo de Acabar Só

H√° muitos que n√£o fazem mais do que discutir e bulhar o dia inteiro, e depois surpreendem-se com qualquer mudan√ßa numa situa√ß√£o que consideram segura porque est√°vel. O rancor √© uma boa forma de garantir companhia, o poder de lan√ßar √† cara de algu√©m, todos os dias, o mal que nos fez: isso cria estabilidade. As pessoas pensam: que hei de fazer? Ficar sozinho? Ouve-los falar e parece ser isso o que mais temem: ficarem s√≥s. A solid√£o. O abandono. Palavras tristes ou amea√ßadoras. Terr√≠veis: logo ver√°s o que √© a velhice, se cometeres o erro de ficar solteiro. Assustam-te com isso. Dizem-te: se continuas assim, vais ficar sozinho. √Č horr√≠vel morrer sozinho, como um c√£o, dizem. E parece ser essa a pior desgra√ßa; h√° que morrer, sim, toda a gente tem de morrer, mas acompanhado, e n√£o como um c√£o. Morrer sozinho √© desolador, √© indecente, revela uma falha humana (do ser humano, como diria Francisco: a express√£o comove) que deve ser dissimulada, mantida na sombra.

Quanto mais inteligente a pessoa é, mais pessoas originais ele acha. Gente medíocre não vê diferença entre as pessoas.

Quem aos Olhos Dar-me-√° uma Vertente

Quem aos olhos dar-me-√° uma vertente
de l√°grimas, que manem noite e dia?
Ao menos a alma, enfim, respiraria,
chorando, ora o passado, ora o presente.

Quem me dar√°, longe de toda gente,
suspiros, que me valham na agonia
j√° longa, que o af√£ tanto encobria?
Sucedeu-me depois tanto acidente!

Quem me dar√° palavras com que iguale
tanto agravo que amor j√° me tem feito,
pois que t√£o pouco o sofrimento vale?

Ah! quem ao meio me abra este meu peito,
onde jaz tanto mal, por que se exale
tamanha coita minha e meu despeito?

Ode Marcial

In√ļmero rio sem √°gua ‚ÄĒ s√≥ gente e coisa,
Pavorosamente sem √°gua!

Soam tambores longínquos no meu ouvido
E eu não sei se vejo o rio se ouço os tambores,
Como se n√£o pudesse ouvir e ver ao mesmo tempo
Helahoho! Helahoho!

A m√°quina de costura da pobre vi√ļva morta √† baioneta…
Ela cosia √† tarde indeterminadamente…
A mesa onde jogavam os velhos,

Tudo misturado, tudo misturtado com os corpos, com sangues,
Tudo um só rio, uma só onda, um só arrastado horror

Helahoho! Helahoho!

Desenterrei o comboio de lata da criança calcado no meio da estrada,
E chorei como todas as m√£es do mundo sobre o horror da vida.
Os meus p√©s pante√≠stas trope√ßaram na m√°quina de costura da vi√ļva que mataram √† baioneta
E esse pobre instrumento de paz meteu uma lança no meu coração

Sim, fui eu o culpado de tudo, fui eu o soldado todos eles
Que matou, violou, queimou e quebrou,
Fui eu e a minha vergonha e o meu remorso com uma sombra disforme
Passeiam por todo o mundo como Ashavero,

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O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo. Outras, acho que estou entre elas, aprendem a conviver com ele e o encaram não de forma negativa, mas como um sentimento de auto preservação.

A felicidade √© algo que se conquista durante a vida… E quando conquist√°-la, aproveite ao m√°ximo pois a gente s√≥ vive uma vez na vida e n√£o √© todo o momento que estamos felizes!

√Äs vezes as coisas est√£o t√£o ruins que a √ļnica vontade que a gente tem √© de SUMIR. Mas sempre existe um lugar onde a gente pode recome√ßar. E essa m√ļsica √© sobre isso.

Memória vs Recordação РAs Armas da Juventude e da Velhice

Recordar-se n√£o √© o mesmo que lembrar-se; n√£o s√£o de maneira nenhuma id√™nticos. A gente pode muito bem lembrar-se de um evento, rememor√°-lo com todos os pormenores, sem por isso dele ter a recorda√ß√£o. A mem√≥ria n√£o √© mais do que uma condi√ß√£o transit√≥ria da recorda√ß√£o: ela permite ao vivido que se apresente para consagrar a recorda√ß√£o. Esta distin√ß√£o torna-se manifesta ao exame das diversas idades da vida. O velho perde a mem√≥ria, que geralmente √© de todas as faculdades a primeira a desaparecer. No entanto, o velho tem algo de poeta; a imagina√ß√£o popular v√™ no velho um profeta, animado pelo esp√≠rito divino. Mas a recorda√ß√£o √© a sua melhor for√ßa, a consola√ß√£o que os sustenta, porque lhe d√° a vis√£o distante, a vis√£o de poeta. Ao inv√©s, o mo√ßo possui a mem√≥ria em alto grau, usa dela com facilidade, mas falta-lhe o m√≠nimo dom de se recordar. Em vez de dizer: ¬ęaprendido na mocidade, conservado na velhice¬Ľ, poder√≠amos propor: ¬ęmem√≥ria na mocidade, recorda√ß√£o na velhice¬Ľ. Os √≥culos dos velhos s√£o graduados para ver ao perto; mas o mo√ßo que tem de usar √≥culos, usa-os para ver ao longe; porque lhe falta o poder da recorda√ß√£o, que tem por efeito afastar,

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Meu trabalho n√£o tem import√Ęncia, nem a arquitetura tem import√Ęncia pra mim. Para mim o importante √© a vida, a gente se abra√ßar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar num mundo melhor, o resto √© conversa fiada.

O Espírito Negativo dos Filósofos

Ficam reduzidos a uma √ļnica frase bem sucedida os nossos grandes fil√≥sofos, os nossos maiores poetas, dizia ele, √© essa a verdade, lembramo-nos muitas vezes apenas daquilo a que se chama uma tonalidade filos√≥fica e mais nada, dizia ele, pensei. Estudamos uma obra grandiosa, a obra de Kant por exemplo, e essa obra fica, com o correr do tempo, reduzida √† pequena cabe√ßa de prussiano oriental, que √© a de Kant, e a um universo inteiramente vago, feito de noite e de n√©voa, que vai dar √† mesma incapacidade de todos os outros, dizia ele, pensei, Pretendia ser um universo de grandiosidade, e dele n√£o restou mais do que um pormenor ris√≠vel, assim dizia ele, pensei, e assim acontece com tudo. Aquilo a que chamamos grandeza n√£o passa, afinal, de algo que apenas nos comove por provocar o riso e a compaix√£o. O pr√≥prio Shakespeare confrange-nos com o seu rid√≠culo se tivermos um momento de lucidez, dizia ele, pensei. J√° h√° muito que os deuses figuram nas nossas canecas de cerveja adornados apenas duma barba, dizia ele, pensei. S√≥ o imbecil √© que venera, dizia ele, pensei. O chamado homem de esp√≠rito consome-se a produzir uma obra que ele considera digna de marcar uma √©poca,

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