Passagens sobre Graus

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Frases sobre graus, poemas sobre graus e outras passagens sobre graus para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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Qualquer pessoa, velha ou nova. Não se iluda quanto ao grau de maldade que pode reunir-se numa criança de nove anos.

Os Comunistas

… Passaram bastantes anos desde que ingressei no Partido… Estou contente… Os comunistas constituem uma boa fam√≠lia… T√™m a pele curtida e o cora√ß√£o valoroso… Por todo o lado recebem pauladas… Pauladas exclusivamente para eles… Vivam os espiritistas, os mon√°rquicos, os aberrantes, os criminosos de v√°rios graus… Viva a filosofia com fumo mas sem esqueletos… Viva o c√£o que ladra e que morde, vivam os astr√≥logos libidinosos, viva a pornografia, viva o cinismo, viva o camar√£o, viva toda a gente menos os comunistas… Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que n√£o lavam os p√©s ideol√≥gicos h√° quinhentos anos… Vivam os piolhos das popula√ß√Ķes miser√°veis, viva a for√ßa comum gratuita, viva o anarco-capitalismo, viva Rilke, viva Andr√© Gide com o seu coribantismo, viva qualquer misticismo… Tudo est√° bem… Todos s√£o her√≥icos… Todos os jornais devem publicar-se… Todos devem publicar-se, menos os comunistas… Todos os pol√≠ticos devem entrar em S√£o Domingos sem algemas… Todos devem festejar a morte do sanguin√°rio Trujillo, menos os que mais duramente o combateram… Viva o Carnaval, os derradeiros dias do Carnaval… H√° disfarces para todos… Disfarces de idealistas crist√£os, disfarces de extrema-esquerda, disfarces de damas beneficentes e de matronas caritativas… Mas, cuidado, n√£o deixem entrar os comunistas…

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Liberdade com Limites

H√° muitas esp√©cies de liberdade. Umas tem o mundo de menos, outras tem o mundo de mais. Mas ao dizer que pode haver ¬ęde mais¬Ľ de uma certa esp√©cie de liberdade devo apressar-me a acrescentar que a √ļnica esp√©cie de liberdade que considero indesej√°vel √© aquela que permite diminuir a liberdade de outrem, por exemplo, a liberdade de fazer escravos.
O mundo n√£o pode garantir-se a maior quantidade poss√≠vel de liberdade instituindo, pura e simplesmente, a anarquia, pois nesse caso os mais fortes seriam capazes de privar da liberdade os mais fracos. Duvido de que qualquer institui√ß√£o social seja justific√°vel se contribui para diminuir o quantitativo total de liberdade existente no mundo, mas certas institui√ß√Ķes sociais s√£o justific√°veis apesar do facto de coarctarem a liberdade de um certo indiv√≠duo ou grupo de indiv√≠duos.
No seu sentido mais elementar, liberdade significa a ausência de controles externos sobre os actos de indivíduos ou grupos. Trata-se, portanto, de um conceito negativo, e a liberdade, por si só, não confere a uma comunidade qualquer alta valia.
Os Esquim√≥s, por exemplo, podem dispensar o Governo, a educa√ß√£o obrigat√≥ria, o c√≥digo das estradas, e at√© as complica√ß√Ķes incr√≠veis do c√≥digo comercial. A sua vida,

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A Fraqueza Crónica de um Sistema Democrático de Governo

A fraqueza cr√≥nica de um sistema democr√°tico de governo, em oposi√ß√£o √† ocasional, parece ser proporcional ao grau da sua democratiza√ß√£o. Os mais poderosos e est√°veis estados democr√°ticos s√£o aqueles onde os princ√≠pios da democracia foram menos l√≥gica e consistentemente aplicados. Assim, um parlamento eleito segundo um sistema de representa√ß√£o proporcional √© um parlamento verdadeiramente democr√°tico. Mas √© tamb√©m, na mairoria dos casos, um instrumento n√£o de governo mas de anarquia. A representa√ß√£o proporcional garante que todos os sectores da opini√£o estar√£o representados na assembleia. √Č o ideal da democracia cumprido. Infelizmente, a multiplica√ß√£o de pequenos grupos dentro do parlamento torna imposs√≠vel a forma√ß√£o de um governo est√°vel e forte.
Nas assembleias proporcionalmente eleitas os governos têm geralmente de confiar numa maioria compósita. Têm de comprar o apoio de pequenos grupos com uma distribuição de favores mais ou menos corrupta, e como nunca conseguem dar o suficiente ficam sujeitos a ser derrotados em qualquer altura. A representação proporcional em itália conduziu ao fascismo através da anarquia. Causou grandes dificuldades práticas na Bélgica, e agora ameaça fazer o mesmo na Irlanda. Encontram-se governos democráticos estáveis em países onde as minorias, por muito grandes que sejam, não estão representadas, e onde nenhum candidato que não pertença a um dos grandes partidos terá a mais leve possibilidade de ser eleito.

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A totalidade da sabedoria humana não está contida em nenhuma língua, e nenhuma língua é capaz de expressar todos as formas e todos os graus da compreensão humana.

Renunciar à Sede de Poder

Quem n√£o conheceu a tenta√ß√£o de ser o primeiro na cidade nada compreender√° do jogo pol√≠tico, da vontade de submeter os outros para deles fazer objectos, nem adivinhar√° os elementos de que √© composta a arte do desprezo. A sede de poder, raros s√£o os que n√£o a tenham num grau ou noutro experimentado: √©-nos natural, e contudo, se a considerarmos melhor, assume todos os car√°cteres de um estado m√≥rbido do qual apenas nos curamos por acidente ou ent√£o por meio de um amadurecimento interior, aparentado com o que se operou em Carlos V quando, ao abdicar em Bruxelas, no topo da sua gl√≥ria, ensinou ao mundo que o excesso de cansa√ßo podia suscitar cenas t√£o admir√°veis como o excesso de coragem. Mas, anomalia ou maravilha, a ren√ļncia, desafio √†s nossas contantes, √† nossa identidade, sobrev√©m somente em momentos excepcionais, caso limite que satisfaz o fil√≥sofo e perturba profundamente o historiador.

A Grande Ren√ļncia

Cedo ou tarde, a todo o homem chega a grande ren√ļncia. Para o jovem n√£o existe nada inalcan√ß√°vel. Que algo bom e desejado com toda a for√ßa de uma vontade apaixonada seja imposs√≠vel, n√£o lhe parece cr√≠vel. Mas, ou por meio da morte ou da doen√ßa, da pobreza ou da voz do dever, cada um de n√≥s √© for√ßado a aprender que o mundo n√£o foi feito para n√≥s e que, n√£o importa qu√£o belas as coisas que almejamos, o destino pode, n√£o obstante, proibi-las. √Č parte da coragem, quando a adversidade vem, suport√°-la sem lamentar a derrocada das nossas esperan√ßas, afastando os nossos pensamentos de v√£os arrependimentos. Esse grau de submiss√£o (…) n√£o √© somente justo e correcto: ele √© o portal da sabedoria.

O Meu Car√°cter

Cumpre-me agora dizer que esp√©cie de homem sou. N√£o importa o meu nome, nem quaisquer outros pormenores externos que me digam respeito. √Č acerca do meu car√°cter que se imp√Ķe dizer algo.
Toda a constitui√ß√£o do meu esp√≠rito √© de hesita√ß√£o e d√ļvida. Para mim, nada √© nem pode ser positivo; todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, incerto para mim pr√≥prio. Tudo para mim √© incoer√™ncia e muta√ß√£o. Tudo √© mist√©rio, e tudo √© prenhe de significado. Todas as coisas s√£o ¬ędesconhecidas¬Ľ, s√≠mbolos do Desconhecido. O resultado √© horror, mist√©rio, um medo por de mais inteligente.
Pelas minhas tend√™ncias naturais, pelas circunst√Ęncias que rodearam o alvor da minha vida, pela influ√™ncia dos estudos feitos sob o seu impulso (estas mesmas tend√™ncias) – por tudo isto o meu car√°cter √© do g√©nero interior, autoc√™ntrico, mudo, n√£o auto-suficiente mas perdido em si pr√≥prio. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu car√°cter consiste no √≥dio, no horror e na incapacidade que impregna tudo aquilo que sou, f√≠sica e mentalmente, para actos decisivos, para pensamentos definidos. Jamais tive uma decis√£o nascida do autodom√≠nio, jamais tra√≠ externamente uma vontade consciente. Os meus escritos,

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A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada n√£o apenas como dor, mas tamb√©m como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuport√°vel; mas tamb√©m aceit√°-la desportivamente, como um obst√°culo que n√£o nos intimidar√° nem nos arrastar√° para uma ira cega, e ent√£o n√£o √© raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, por√©m, o que aconteceu foi apenas que integr√°mos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em fun√ß√£o disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fen√≥meno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conte√ļdo, mediante a sua inser√ß√£o numa cadeia de ac√ß√Ķes consequentes, produz-se em todos os indiv√≠duos que n√£o o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio √† sua capacidade intelectual.
Tamb√©m ele ser√° mais superficialmente afectado nas suas emo√ß√Ķes pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se v√™ como sinal de intelig√™ncia superior num pugilista √© visto como frieza e insensibilidade em pessoas que n√£o sabem de boxe e nas quais isso se deve √† sua inclina√ß√£o para uma determinada forma de vida intelectual.

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Quando o Dr. Heinrich von Stein se queixou honestamente de n√£o entender nenhuma palavra de meu ‘Zaratustra’, eu lhe disse que isso me parecia natural: ter entendido seis frases desse livro, isto √©, t√™-las ‘vivido’, eleva os mortais a um grau superior ao que homens ‘modernos’ poderiam alcan√ßar.

Reformar é não Ter Emenda Possível

Todo o dia, em toda a sua desola√ß√£o de nuvens leves e mornas, foi ocupado pelas informa√ß√Ķes de que havia revolu√ß√£o. Estas not√≠cias, falsas ou certas, enchem-me sempre de um desconforto especial, misto de desd√©m e de n√°usea f√≠sica. D√≥i-me na intelig√™ncia que algu√©m julgue que altera alguma coisa agitando-se. A viol√™ncia, seja qual for, foi sempre para mim uma forma esbugalhada de estupidez humana. Depois, todos os revolucion√°rios s√£o est√ļpidos, como, em grau menor, porque menos inc√≥modo, o s√£o todos os reformadores.
Revolucionário ou reformador Рo erro é o mesmo. Impotente para dominar e reformar a sua própria atitude para com a vida, que é tudo, ou o seu próprio ser, que é quase tudo, o homem foge para querer modificar os outros e o mundo externo. Todo o revolucionário, todo o reformador, é um evadido. Combater é não ser capaz de combater-se. Reformar é não ter emenda possível.
O homem de sensibilidade justa e recta razão, se se acha preocupado com o mal e a injustiça do mundo, busca naturalmente emendá-la, primeiro, naquilo em que ela mais perto se manifesta; e encontrará isso em seu próprio ser. Levar-lhe-á essa obra toda a vida.
Tudo para nós está em nosso conceito do mundo;

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A um Mosquito

Invencível mosquito,
√Čmulo do mais livre pensamento,
Sem corpo, e de todo espírito,
Que deste fim a um t√£o alto intento,
Quando precipitado
O céu de Délia acometeste ousado.

As portas de diamante
Cerradas ao clamor de tanta gente
Abriste triunfante,
Zombando da esperança impertinente,
Que entre temor, e espanto
Nunca acabou comigo esperar tanto.

Cupido, que inquieta
Délia sentiu ferida,
Espera, que o sinta,
A lança, que tiraste em sangue tinta,
Que o peito endurecido
√Č prova das setas de Cupido.

Porém de nada disto
Te mostres t√£o soberbo, e presumido,
Que podes sem ser visto
Passar a mais ferir, sem ser sentido,
E para castigar-te,
N√£o ocupas lugar nalguma parte.

Foras de amor ferido,
Se tivera o teu erro algum desconto,
Ou se achara Cupido
Aonde a ponta da seta p√īr o ponto.
Condolação bastante;
Pois não picaste a Délia como amante.

Buscaste a noite escura
Por cometer a Délia mais oculto;
Quem medo te afigura,
Se n√£o faz o teu corpo nenhum vulto,

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S√°tira

Besta e mais besta! O positivo √© nada…
(Perdoa, se em gram√°tica te falo,
Arte que ignoras, como ignoras tudo.)
Besta e mais besta! Na palavra embirro;
Que a besta anexa ao mais teu ser define.

D√°s-me louvor servil na voz do prelo,
Grande me crês, proclamas-me famoso,
Excelso, transcendente, incompar√°vel,
Confessas que d’Elmano a f√ļria temes…
E, débil estorninho, águias provocas,
Aves de Jove, que o corisco empunham!

√Čs de r√°bula vil corrupta imagem;
Tu vendes o louvor, como ele as partes,
Mas ele na enxovia inf√Ęmias paga,
E tu, com t√ļstios, que aos caloiros pilhas,
Compras gravatas, em que a tromba enorme
Sumas ao dia, que de a ver se embrusca,
Qual em tenra m√£ozinha esconde a face
Mimoso infante de pap√Ķes vexado.
√ötil descuido aos c√°rceres te furta,
À digna habitação de ti saudosa
(Digo, o Castelo), est√Ęncia equivalente
Aos méritos morais, que em ti reluzem.

De saloios vinténs larápio sujo,
A glória do teu ódio restitui
A quem no teu louvor desacreditas.
Se honrada pelos s√°bios d’Ulisseia
(D’Ulisseia n√£o s√≥,

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Somos Todos Corruptíveis

A faculdade de se deixar corromper no sentido mais amplo do termo √© uma particularidade da esp√©cie humana em geral; mais ainda, as rela√ß√Ķes entre os homens s√≥ s√£o poss√≠veis porque somos todos corrupt√≠veis em maior ou menor grau. Cada vez que dependemos do amor, da benevol√™ncia, da simpatia ou simplesmente da delicadeza, estamos j√° no fundo corrompidos, e o nosso ju√≠zo nunca √©, por isso, verdadeiramente objectivo; e ele √©-o tanto menos quanto nos esfor√ßamos por permanecer incorrupt√≠veis.
A corruptibilidade est√° longe de se limitar √† estrita rela√ß√£o de pessoa a pessoa; uma obra, uma ac√ß√£o, um gesto pode lisonjear-nos confirmando o nosso amor pr√≥prio, as nossas opini√Ķes ou a nossa impress√£o sobre o mundo.
√Č apenas quando utilizamos conscientemente a corruptibilidade dos outros para nossa vantagem pessoal ou em detrimento de um terceiro, que ela √© um mal, mas a falta √© ent√£o mais nossa do que daquele cuja corruptibilidade nos beneficia.

O Autofagismo do Meio Urbano

O momento presente √© o momento do autofagismo do meio urbano. O rebentar das cidades sobre campos recobertos de ¬ęmassas informes de res√≠duos urbanos¬Ľ (Lewis Mumford) √©, de um modo imediato, presidido pelos imperativos do consumo. A ditadura do autom√≥vel, produto-piloto da primeira fase da abund√Ęncia mercantil, estabeleceu-se na terra com a prevalesc√™ncia da auto-estrada, que desloca os antigos centos e exige uma dispers√£o cada vez maior. Ao passo que os momentos de reorganiza√ß√£o incompleta do tecido urbano polarizam-se passageiramente em torno das ¬ęf√°bricas de distribui√ß√£o¬Ľ que s√£o os gigantescos supermercados, geralmente edificados em terreno aberto e cercados por um estacionamento; e estes templos de consumo precipitado est√£o, eles pr√≥prios, em fuga num movimento centr√≠fugo, que os repele √† medida que eles se tornam, por sua vez, centros secund√°rios sobrecarregados, porque trouxeram consigo uma recimposi√ß√£o parcial da aglomera√ß√£o. Mas a organiza√ß√£o t√©cnica do consumo n√£o √© outra coisa sen√£o o arqu√©tipo da dissolu√ß√£o geral que conduziu a cidade a consumir-se a si pr√≥pria.
A história económica, que se desenvolveu intensamente em torno da oposição cidade-campo, chegou a um tal grau de sucesso que anula ao mesmo tempo os dois termos. A paralisia actual do desenvolvimento histórico total, em proveito da exclusiva continuação do movimento independente da economia,

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O Supremo Instinto do Asseio

O que separa mais profundamente duas pessoas √© um sentido e grau diferentes de asseio. Para que serve toda a honestidade e utilidade m√ļtua, para que serve toda a boa vontade de uns para os outros: por fim √© sempre o mesmo ‚Äď ‚Äúeles n√£o se podem cheirar!‚ÄĚ O supremo instinto do asseio coloca quem o tiver na solid√£o mais estranha e perigosa, como um santo: pois isso precisamente √© santidade ‚Äď a suprema espiritualiza√ß√£o desse instinto. Qualquer saber comum de uma indescrit√≠vel felicidade do banho, qualquer ardor e sede que impelem a alma constantemente da noite para a manh√£ e do turvo, da ¬ętribula√ß√£o¬Ľ para o claro, resplandecente, profundo, subtil: – do mesmo modo que tal tend√™ncia distingue ‚Äď pois √© uma tend√™ncia aristocr√°tica -, tamb√©m separa. A compaix√£o do santo √© a compaix√£o com a sujidade do humano, demasiadamente humano. E h√° graus e alturas em que a pr√≥pria compaix√£o √© sentida, por ele, como contamina√ß√£o, como sujidade…

O Carácter dos Homens é Pouco Flexível

√Č apenas a experi√™ncia que nos ensina quanto o car√°cter dos homens √© pouco flex√≠vel, e durante muito tempo, como as crian√ßas pensamos poder, atrav√©s de sensatas representa√ß√Ķes, atrav√©s da prece e da amea√ßa, atrav√©s do exemplo, atrav√©s dum apelo √† generosidade, levar os homens a deixarem a sua maneira de ser, a mudarem a sua conduta e a desistirem da sua opini√£o, a aumentar a sua capacidade; o mesmo se passa quanto √† nossa pr√≥pria pessoa. √Č preciso que as experi√™ncias venham ensinar-nos o que queremos, o que podemos: at√© essa altura ignor√°mo-lo, n√£o temos car√°cter; e √© preciso mais do que uma vez que rudes fracassos venham relan√ßar-nos na nossa verdadeira via. – Enfim, aprendemo-lo, e chegamos a ter aquilo que o mundo chama car√°cter, isto √© o car√°cter adquirido. A√≠ existe, portanto, apenas um conhecimento, o mais perfeito poss√≠vel da nossa pr√≥pria individualidade: √© uma no√ß√£o abstracta, e por consequ√™ncia clara das qualidades imut√°veis do nosso car√°cter emp√≠rico, do grau e da direc√ß√£o das nossas for√ßas, tanto espirituais como corporais, em suma, do forte e do fraco em toda a nossa individualidade.