Passagens sobre Grupos

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Frases sobre grupos, poemas sobre grupos e outras passagens sobre grupos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Pressuposto Indispens√°vel para se Ser um Grande-Escritor

O pressuposto indispens√°vel para se ser um grande-escritor √©, ent√£o, o de escrever livros e pe√ßas de teatro que sirvam para todos os n√≠veis, do mais alto ao mais baixo. Antes de produzir algum bom efeito, √© preciso primeiro produzir efeito: este princ√≠pio √© a base de toda a exist√™ncia como grande-escritor. √Č um princ√≠pio miraculoso, eficaz contra todas as tenta√ß√Ķes da solid√£o, por excel√™ncia o princ√≠pio goethiano do sucesso: se nos movermos apenas num mundo que nos √© prop√≠cio, tudo o resto vir√° por si. Pois quando um escritor come√ßa a ter sucesso d√°-se logo uma transforma√ß√£o significativa na sua vida. O seu editor p√°ra de se lamentar e de dizer que um comerciante que se torna editor se parece com um idealista tr√°gico, porque faria muito mais dinheiro negociando com tecidos ou papel virgem. A cr√≠tica descobre nele um objecto digno da sua actividade, porque os cr√≠ticos muitas vezes at√© nem s√£o m√°s pessoas, mas, dadas as circunst√Ęncias epocais pouco prop√≠cias, ex-poetas que precisam de um apoio do cora√ß√£o para poderem p√īr c√° fora os seus sentimentos;s√£o poetas do amor ou da guerra, consoante o capital interior que t√™m de aplicar com proveito, e por isso √© perfeitamente compreens√≠vel que escolham o livro de um grande-escritor e n√£o o de um comum escritor.

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Conselhos para o Ensino

Vou falar de quest√Ķes que, independentemente do espa√ßo e do tempo, sempre estiveram e sempre estar√£o relacionadas com a educa√ß√£o. Nesta tentativa n√£o posso dizer que sou uma autoridade, particularmente t√£o inteligente e bem-intencionado como os homens que ao longo do tempo trataram dos problemas da educa√ß√£o e que certamente exprimiram repetidas vezes os seus pontos de vista acerca destas mat√©rias. Com que base posso eu, um leigo no √Ęmbito da pedagogia, arranjar coragem para exprimir opini√Ķes sem qualquer fundamento, excepto a minha experi√™ncia pessoal e a minha convic√ß√£o pessoal? Quando se trata de uma mat√©ria cient√≠fica, √© f√°cil uma pessoa sentir-se tentada a ficar calada com base nestas considera√ß√Ķes.
Contudo, tratando-se de assuntos respeitantes ao ser humano, é diferente. Neste caso, o conhecimento apenas da verdade não é suficiente; pelo contrário, este conhecimento deve ser continuamente renovado à custa de um esforço contínuo, sob pena de se perder. Lembra uma estátua de mármore no deserto que está continuamente em perigo de ser enterrada pela areia em movimento. As mãos de serviço têm de estar continuamente a trabalhar para que o mármore continue indefinidamente a brilhar ao sol. A este grupo de mãos também pertencem as minhas.
A escola sempre foi o mais importante meio de transferência da riqueza da tradição de uma geração para a seguinte.

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O Antagonismo Racial

O elemento puramente instintivo n√£o constitui sen√£o uma pequena parte do √≥dio racial e n√£o √© dif√≠cil de vencer. O medo do que √© estrangeiro, que √© a sua principal ess√™ncia, desaparece com a familiaridade. Se nenhum outro elemento o formasse, toda a perturba√ß√£o desapareceria logo que pessoas de ra√ßas diferentes se habituassem umas √†s outras. Mas h√° sempre pretextos para se odiarem os grupos estrangeiros. Os seus h√°bitos s√£o diferentes dos nossos e portanto (em nossa opini√£o) piores. Se triunfam, √© porque nos roubam as oportunidades; se n√£o triunfam, √© porque s√£o miser√°veis vagabundos. A actual popula√ß√£o do mundo descende dos sobreviventes de longos s√©culos de guerras e por instinto est√° √† espreita de ocasi√Ķes de hostilidade colectiva.

O desejo de ter um inimigo fixa-se no cora√ß√£o desse instinto racista e constr√≥i √† sua volta um edif√≠cio monstruoso de crueldade e de loucura. Tais conflitos representam hoje uma cat√°strofe universal e n√£o j√° somente, como outrora, um desastre para os vencidos: da√≠ as inquieta√ß√Ķes do nosso tempo. √Č por isso que √© mais importante do que nunca conseguir um certo grau de dom√≠nio racional sobre os nossos sentimentos destruidores.

Em geral o ódio racial tem duas origens,

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H√° uma tend√™ncia autorit√°ria em muitos pa√≠ses. Nada restou dos ideais. A esquerda sofre uma esp√©cie de tenta√ß√£o maligna que √© a fragmenta√ß√£o. N√£o vejo nada mais est√ļpido do que a esquerda. Uns enfrentam os outros, por grupos, por partidos, por op√ß√Ķes.

Um homem pode ser um her√≥i se ele √© um cientista, ou um soldado, ou um viciado em drogas, ou um locutor, ou um med√≠ocre pol√≠tico mesquinho. Um homem pode ser um her√≥i porque ele sofre e se desespera; ou porque ele pensa logicamente e analiticamente; ou porque ele √© ‚Äúsens√≠vel‚ÄĚ; ou porque ele √© cruel. Riqueza estabelece um homem como um her√≥i, assim como a pobreza. Virtualmente qualquer circunst√Ęncia na vida de um homem o tornar√° um her√≥i para algum grupo de pessoas e tem uma vers√£o m√≠tica na cultura ‚ÄĒ na literatura, arte, teatro, ou nos jornais di√°rios.

Nas tardes de chuva, bordando com um grupo de amigas na varanda das beg√īnias, perdia o fio da conversa e uma l√°grima de saudade lhe salgava o c√©u da boca quando via as faixas de terra √ļmida e os mont√≠culos de barro constru√≠dos pelas minhocas no jardim.

Os homens podem dividir-se em dois grupos: os que seguem em frente e fazem alguma coisa e os que v√£o atr√°s a criticar.

O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de ang√ļstia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, √© a desconfian√ßa. O povo, simples e bom, n√£o confia nos homens que hoje t√£o espectaculosamente est√£o meneando a p√ļrpura de ministros; os ministros n√£o confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores n√£o confiam nos seus mandat√°rios, porque lhes bradam em v√£o: ¬ęSede honrados¬Ľ, e v√™em-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposi√ß√£o n√£o confiam uns nos outros e v√£o para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de amea√ßa. Esta desconfian√ßa perp√©tua leva √† confus√£o e √† indiferen√ßa. O estado de expectativa e de demora cansa os esp√≠ritos. N√£o se pressentem solu√ß√Ķes nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discuss√Ķes aparatosas e sonoras; o pa√≠s, vendo os mesmos homens pisarem o solo pol√≠tico, os mesmos amea√ßos de fisco, a mesma gradativa decad√™ncia. A pol√≠tica, sem actos, sem factos, sem resultados, √© est√©ril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discuss√Ķes, as an√°lises reflectidas, as lentas cogita√ß√Ķes, o povo n√£o tem garantias de melhoramento nem o pa√≠s esperan√ßas de salva√ß√£o.

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Insanidade em indiv√≠duos √© algo raro – mas em grupos, festas, na√ß√Ķes e √©pocas, ela √© uma regra.

A Solidão é Necessária ao Convívio

As pessoas est√£o prontas a viver em bom entendimento, mas n√£o querem ser viciadas em agradar. A condi√ß√£o humana assenta num pressuposto equilibrado: a vida agrada a uns e desagrada a outros. H√° uma parte da solid√£o que n√£o podemos compor, e √© melhor que assim seja, porque √© na solid√£o que assenta a diferen√ßa t√£o falada. √Č isso que se receia: que nos pro√≠bam a solid√£o, esse pequeno espinho que afinal nos faz solid√°rios na multid√£o. Observem um grupo de pessoas que ri da mesma anedota: est√£o abertas a esse prazer do momento, mas n√£o se distraem da faculdade de serem s√≥s na sua fundamental forma de orgulho que √© serem √ļnicas. A moral consta duma certa dose de cortesia para parecermos bons. ¬ęS√≥ Deus √© bom.¬Ľ Se percebermos esta conclus√£o, percebemos que imitar o bem √© tudo o que humanamente nos √© permitido.

Nunca pense que um pequeno grupo de indiv√≠duos altamente dedicados n√£o pode mudar o mundo. Na verdade, foram eles os √ļnicos que j√° o fizeram.

Há que fazer compromissos com respeito a todos os problemas, contanto que esse compromisso seja no interesse, não apenas de um grupo populacional mas do país no seu todo. Esta é a natureza dos compromissos.

Símios Aperfeiçoados II

A trag√©dia √© a cristaliza√ß√£o da massa humana, t√£o perigosa como a estagna√ß√£o do esp√≠rito do homem que se torna acad√©mico ou fenece por falta de entusiasmo. Gostava de saber quantas pessoas pensam em macacos durante o correr de um dia? Quantas? O homem-massa, num futuro pr√≥ximo – em rela√ß√Ķes antropol√≥gicas o pr√≥ximo leva geralmente centenas de anos – transformar-se-√° num novo espect√°culo de jardim zool√≥gico. Em vez de jaula e aldeias de s√≠mios, ele ter√° balne√°rios p√ļblicos e campos para habilidades desportivas, com ocasionais jogos nocturnos. Dar√° palmas em del√≠rio ouvindo ainda o som distante da sineta tocada pelo elefante num acto m√°ximo de intelig√™ncia paquid√©rmica. Ter√° circuitos fechados, com pistas perfeitamente cimentadas, para passear o t√©dio da fam√≠lia aos domingos, circular√° repetidamente em metropolitanos convencido de que cada nova paragem √© diferente da anterior.
E estou absolutamente crente que do naufrágio calamitoso apenas se hão-de salvar os que pela porta do cavalo fugirem ao triturar das grandes colectividades humanas, ou os que por força invencível e instintiva se libertarem para uma nova categoria de homem, ou, melhor dizendo, para a sua verdadeira categoria de homem, de homem-pensamento, na linha directa de um Platão, de um Homero, de um Aristófanes,

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O Bem e o Mal

Quando os acontecimentos nos colocam em oposi√ß√£o ao meio envolvente, todos desenvolvemos as for√ßas de que dispomos, ao passo que nas situa√ß√Ķes em que apenas fazemos o nosso dever nos comportamos, compreensivelmente, como quem paga os seus impostos. Daqui se conclui que tudo o que √© mau se pratica com mais ou menos imagina√ß√£o e paix√£o, enquanto o bem se caracteriza por uma inconfund√≠vel pobreza de afecto e mesquinhez.
(…) Se abstrairmos daquela grande fatia central do mundo e da vida ocupada por pessoas em cujo pensamento as palavras bem e mal deixaram de ter lugar desde que largaram as saias da m√£e, ent√£o as margens, onde ainda h√° prop√≥sitos morais deliberados, ficam hoje reservadas √†quelas pessoas boas-m√°s ou m√°s-boas, das quais algumas nunca viram o bem voar nem o ouviram cantar e por isso exigem de todas as outras que se extasiem com elas diante de uma natureza da moral com p√°ssaros empalhados pousados em √°rvores mortas; o segundo grupo, por seu lado, os mortais maus-bons, espica√ßados pelos seus rivais, manifestam, pelo menos em pensamento, uma tend√™ncia para o mal, como se estivessem convencidos de que √© apenas nas m√°s ac√ß√Ķes, menos desgastadas do que as boas, que ainda pulsa alguma vida moral.

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Mediocridade de Espírito

O nosso m√°ximo esfor√ßo de independ√™ncia consiste em opor, por vezes, um pouco de resist√™ncia √†s sugest√Ķes quotidianas. A grande massa humana nenhuma resist√™ncia op√Ķe e segue as cren√ßas, as opini√Ķes e os preconceitos do seu grupo. Ela obedece-lhe sem ter mais consci√™ncia do que a folha seca arrastada pelo vento.
S√≥ numa elite muito restrita se observa a faculdade de possuir, algumas vezes, opini√Ķes pessoais. Todos os progressos da civiliza√ß√£o procedem, evidentemente, desses esp√≠ritos superiores, mas n√£o se pode desejar a sua multiplica√ß√£o sucessiva. Inapta a adaptar-se imediatamente a progressos r√°pidos e profundos em demasia, uma sociedade tornar-se-ia logo an√°rquica. A estabilidade necess√°ria √† sua exist√™ncia √© precisamente estabelecida gra√ßas ao grupo compacto dos esp√≠ritos lentos e med√≠ocres, governados por influ√™ncias de tradi√ß√Ķes e de meio.
√Č, portanto, √ļtil para uma sociedade que ela se componha de uma maioria de homens m√©dios, desejosos de agir como toda a gente, que t√™m por guias as opini√Ķes e as cren√ßas gerais. √Č muito √ļtil tamb√©m que as opini√Ķes gerais sejam pouco tolerantes, pois o medo do ju√≠zo alheio constitui uma das bases mais seguras da nossa moral.
A mediocridade de espírito pode, pois, ser benéfica para um povo,

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Reflex√Ķes sobre a Guerra

As vantagens do aumento da amplitude das unidades sociais s√£o principalmente evidentes em caso de guerra. De resto, a guerra foi em todos os tempos a causa principal desse crescimento, da transforma√ß√£o das fam√≠lias em tribos, das tribos em na√ß√Ķes e das na√ß√Ķes em coliga√ß√Ķes. Nas muito embora seja grande o interesse das na√ß√Ķes poderosas em triunfar, algumas come√ßam a compreender que h√° qualquer coisa prefer√≠vel √† pr√≥pria vit√≥ria, que √© evitar a guerra. No passado, a guerra era √†s vezes uma empresa proveitosa. A Guerra dos Sete Anos, por exemplo, proporcionou aos ingleses excelente rendimento em rela√ß√£o ao capital nela empregado, e os lucros conseguidos pelos vencedores nas guerras primitivas foram ainda mais evidentes. Mas o mesmo n√£o sucede nos conflitos modernos, por duas raz√Ķes principais: primeiro, porque os armamentos se tornaram extremamente caros; segundo, porque os grupos sociais envolvidos numa guerra moderna s√£o muito importantes.
√Č um erro pensar que a guerra moderna √© mais destruidora de vidas do que o foram os conflitos menos importantes de outrora. Antigamente, a percentagem das perdas em rela√ß√£o aos efectivos envolvidos na luta era por vezes t√£o elevada como hoje; e al√©m das perdas em combate, as mortes causadas pelas epidemias eram em geral numerosas.

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Ao Longo da Escrita deste Livro

No ano passado, em outubro, talvez a 27, sei que foi a uma ter√ßa-feira, a minha m√£e incentivou-me a dar um passeio. H√° muito que desistiu de me dissuadir dos livros, tanto l√™s que tresl√™s, mas mant√©m o h√°bito de, cuidadosa, depois de bater √† porta com pouca for√ßa, entrar no meu quarto e perguntar: n√£o te apetece dar um passeio? Na maioria das vezes, n√£o tenho disposi√ß√£o para lhe responder mas, nessa tarde, estava a meio de um cap√≠tulo altru√≠sta e decidi fazer-lhe a vontade. O volante do carro, as minhas m√£os a sentirem todas as pedras quase como se estivesse a desliz√°-las na estrada. Estacionei no campo, a pouca dist√Ęncia de um grupo de homens e mulheres, botas de borracha, que estavam a apanhar azeitona. Espalhavam uma gritaria animada que n√£o se alterou quando sa√≠ do carro e me aproximei, boa tarde. Uma vantagem do meu nome √© que dispenso alcunha. Olha o Livro, boa tarde. O sol estava a p√īr-se. Troquei gra√ßas, enquanto dois homens recolheram os pan√Ķes carregados debaixo da √ļltima oliveira e os levaram √†s costas.
N√£o esque√ßo o que vi a seguir. As mulheres dobraram os pan√Ķes vazios e dispuseram-nos na terra, em forma de corredor.

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