Passagens sobre Humildade

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Frases sobre humildade, poemas sobre humildade e outras passagens sobre humildade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Ironia da Escolha

O prazer – um dos mais aut√™nticos – de apreender que algu√©m est√° for√ßado a escolher, que n√£o pode ter duas coisas ao mesmo tempo. √Č um sinal do car√°cter tr√°gico da vida, que consiste no facto de um valor n√£o se conciliar com outro. Consequ√™ncia: renunciaste a muitas coisas para ter uma s√≥ – e agrada-te que os outros sintam tamb√©m o imp√©rio desta lei.
As pessoas que take for granted qualquer coisa entram em colisão contigo na medida justamente em que pretendem escapar a esse carácter trágico. As pessoas que gozam pagãmente qualquer coisa, idem, na medida também em que negam, por avidez, a incerteza e a contingência. Aspirar a qualquer coisa, pretendê-la, é em si mesmo agressivo na medida em que suprime a ironia da vida.
Odiamos os outros porque nos odiamos a nós próprios.
Tu, no entanto, take for granted o que não se deve take for granted. Aqui vem a propósito a pureza do coração, a humildade, a aceitação do mundo de Deus.

Acho que os escritores percebem muito melhor o que escrevemos que os críticos. Os escritores têm, afinal, a mesma humildade dos leitores comuns. Os críticos raramente entendem o nosso trabalho.

Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade

Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade. Pois os gentis podem ser corajosos, os frugais podem ser liberais e os humildes podem ser condutores de homens.

O que √© pena √© que neste areal da vida, onde cada um segue o seu caminho, n√£o haja nem toler√Ęncia nem humildade para respeitar o norte que o vizinho escolheu.

Fugir ao Desconhecido

Existe, frequentemente, em suma, uma esp√©cie de humildade receosa, que, quando nos aflige, nos torna para sempre impr√≥prios para as disciplinas do conhecimento. Porque, no momento em que o homem que a transporta descobre uma coisa que o choca, d√° meia volta seja como for, e diz consigo: ¬ęEnganaste-te! Onde √© que tinhas a cabe√ßa? Isso n√£o pode ser verdade!¬Ľ. De forma que em vez de examinar mais de perto e de ouvir com mais aten√ß√£o, desata a fugir completamente aterrado, evita encontrar aquilo que o choca e procura esquec√™-lo o mais depressa poss√≠vel. Porque eis o que diz a sua lei: ¬ęN√£o quero dizer nada que contradiga a opini√£o corrente. Serei eu feito para descobrir novas verdades? J√° h√° demasiadas antigas¬Ľ.

A Humildade

a humildade
o desenfreio em tipo pequeno
antídoto aos dédalos
assoma
assombra
ensombra

oh que embargo
que aspas
que estacion√°rio capricho

Como é Difícil Ser Natural

√Č curioso como √© dif√≠cil ser natural. Como a gente est√° sempre pronta a vestir a casaca das ideias, sem a humildade de se mostrar em camisa, na intimidade simples e humana da estupidez ou mesmo da indiferen√ßa. Fiz agora um grande esfor√ßo para dizer coisas brilhantes da guerra futura, da harmonia dos povos, da pr√≥xima crise. E, afinal de contas, era em camisa que eu devia continuar quando a visita chegou. No fundo, n√£o disse nada de novo, n√£o fiquei mais do que sou, n√£o mudei o curso da vida. Fui apenas rid√≠culo. Se n√£o aos olhos do interlocutor, que disse no fim que gostou muito de me ouvir, pelo menos aos meus, o que ainda √© mais penoso e mais tr√°gico.

Fruto Envelhecido

Do coração no envelhecido fruto
√Č s√≥ desola√ß√£o e √© s√≥ tortura.
O frio soluçante da amargura
Envolve o coração num fundo luto.

O fantasma da Dor pérfido e astuto
Caminha junto a toda a criatura.
A alma por mais feliz e por mais pura
Tem de sofrer o esmagamento bruto.

√Č preciso humildade, √© necess√°rio
Fazer do coração branco sacrário
E a hóstia elevar do Sentimento eterno.

Em tudo derramar o amor profundo,
Derramar o perd√£o no caos do mundo,
Sorrir ao céu e bendizer o Inferno!

A Minha Família é a Minha Casa

A solid√£o absoluta √© n√£o ter ningu√©m a quem dizer um simples: ‚Äútenho vontade de chorar‚ÄĚ. N√£o precisamos de muito para viver bem ‚Äď para ser feliz basta uma fam√≠lia e pouco mais.

A fam√≠lia √© a casa e a paz. O ref√ļgio onde uma vontade de chorar n√£o √© motivo de julgamento, apenas e s√≥ uma necessidade s√ļbita de… fam√≠lia. De um equil√≠brio para o qual o outro √© essencial… assim tamb√©m se passa com a vontade de sorrir que, em fam√≠lia, se contagia apenas pelo olhar.

Nos dias de hoje vai sendo cada vez mais dif√≠cil encontrar gente capaz de ser fam√≠lia. Os ego√≠smos abundam e cultiva-se, sozinho, o individual. Como se n√£o houvesse espa√ßo para o amor. Dizem que amar √© arriscado, que √© coisa de loucos…
Todos temos sentimentos mais profundos. Cada um de n√≥s √© uma unidade, mas o que somos passa por sermos mais do que um. Parte de unidades maiores. Estamos com quem amamos e quem amamos tamb√©m est√°, de alguma forma, connosco. O amor √© o que existe entre n√≥s e nos enla√ßa os sentimentos mais profundos. Onde uma vontade de chorar √© um sinal de que h√° algo em mim que √© maior do que eu…

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O Espírito Desfaz a Ordem das Coisas

O esp√≠rito aprendeu que a beleza nos faz bons, maus, est√ļpidos ou sedutores. Disseca uma ovelha e um penitente e encontra em ambos humildade e paci√™ncia. Analisa uma subst√Ęncia e descobre que, tomada em grandes quantidades, pode ser um veneno, e em pequenas doses, um excitante. Sabe que a mucosa dos l√°bios tem afinidades com a do intestino, mas tamb√©m sabe que a humildade desses l√°bios tem afinidades com a humildade de tudo o que √© sagrado. O esp√≠rito desfaz a ordem das coisas, dissolve-as e volta a recomp√ī-las de forma diferente. O bem e o mal, o que est√° em cima e o que est√° em baixo n√£o s√£o para ele no√ß√Ķes de um relativismo c√©ptico, mas termos de uma fun√ß√£o, valores que dependem do contexto em que se encontram. Os s√©culos ensinaram-lhe que os v√≠cios se podem transformar em virtudes e as virtudes em v√≠cios, e conclui que, no essencial, s√≥ por in√©pcia se n√£o consegue fazer de um criminoso um homem √ļtil no tempo de uma vida. N√£o reconhece nada como l√≠cito ou il√≠cito, porque tudo pode ter uma qualidade gra√ßas √† qual um dia participar√° de um novo e grande sistema. Odeia secretamente como a morte tudo aquilo que se apresenta como se fosse definitivo,

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As Verdadeiras Qualidades ao Alcance de qualquer Ser Humano

Ao avaliar o nosso progresso como indiv√≠duos, tendemos a concentrar-nos nos factores externos como a nossa posi√ß√£o social, a influ√™ncia e a popularidade, a riqueza e o n√≠vel de instru√ß√£o. Como √© evidente, s√£o importantes para medir o nosso sucesso nas quest√Ķes materiais, e √© bem compreens√≠vel que muitas pessoas se esforcem principalmente por alcan√ßar todos eles. Mas os factores internos podem ser ainda mais cruciais para determinar o nosso desenvolvimento como seres humanos. A honestidade, a sinceridade, a simplicidade, a humildade, a pura generosidade, a aus√™ncia de vaidade, a prontid√£o para servir os outros – qualidades que est√£o facilmente ao alcance de qualquer criatura -, formam a base da nossa vida espiritual.

Os Portugueses S√£o Profundamente Vaidosos

Os Portugueses s√£o profundamente vaidosos. Quando me dizem que eu sou muito vaidosa, eu, nisso, sinto-me muito portuguesa. Quando, por exemplo, os Franceses me dizem, com uma linguagem muito catedr√°tica, ¬ęeu conhe√ßo muito bem os Portugueses atrav√©s de toda essa onda de emigra√ß√£o, eles s√£o muito humildes e dizem que o lugar onde gostariam de morrer seria em Fran√ßa¬Ľ, eu digo ¬ętenha cuidado, o portugu√™s mente sempre. √Č como o japon√™s, mente sempre.¬Ľ Porque tem receio de mostrar o seu complexo de superioridade. Ele acha que √© imprudente e que √© at√© disparatado, mas que faz parte da sua natureza. Portanto, apresenta uma esp√©cie de capa e de fisionomia de humildade, mod√©stia, submiss√£o. Mas n√£o √© nada disso, √© justamente o contr√°rio. Houve √©pocas da nossa Hist√≥ria em que a sua verdadeira natureza p√īde expandir-se sem cair no rid√≠culo, mas h√° outras em que n√£o. E ent√£o, para se defender desse rid√≠culo, o portugu√™s parece essa pessoa modesta, cordata, que n√£o levanta demasiados problemas, seja aos regimes seja na sua vida particular.

A prioridade é sermos honestos connosco. Nunca poderemos ter um impacto na sociedade se não nos mudarmos primeiro. Os grandes pacificadores são todos gente de grande integridade e honestidade mas, também, de humildade.

Pronto para Receber a Felicidade

Estava tudo pronto para receber a felicidade,
e tu n√£o vinhas.

Amei-te muito antes de te amar. √Čramos o que
os amantes eram e nem precis√°vamos de
corpo para isso, porque o que dizíamos nos
satisfazia, e sempre que a vida acontecia era um
ao outro que tínhamos de falar. Se há coisa que
temo no mundo é o teu fim. Passo horas a sentir-me
indestrutível, a ter a certeza de que nada me
toca, de que nada me poder√° doer o suficiente para
me fazer recuar, e depois vens tu. Tu e a tua imagem
a perder de vista, os teus olhos quando me olhas, a
tua boca quando me falas, e é então que percebo
que sou finito, pobre humano, e desato a chorar à
procura do telefone e de uma palavra tua que
me conven√ßa de que ainda existes. √Č na possibilidade
do teu fim que encontro a humildade.

Era o dia mais lindo de sempre na terra onde eu estava,
e tu n√£o vinhas.

N√£o se sabe onde acaba o mundo mas eu sei que
a vida acaba no fundo dos teus l√°bios.

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A Humildade na Escrita

N√≥s, os que escrevemos, temos na palavra humana, escrita ou falada, grande mist√©rio que n√£o quero desvendar com o meu racioc√≠nio que √© frio. Tenho que n√£o indagar do mist√©rio para n√£o trair o milagre. Quem escreve ou pinta ou ensina ou dan√ßa ou faz c√°lculos em termos de matem√°tica, faz milagre todos os dias. √Č uma grande aventura e exige muita coragem e devo√ß√£o e muita humildade. Meu forte n√£o √© a humildade em viver. Mas ao escrever sou fatalmente humilde. Embora com limites. Pois do dia em que eu perder dentro de mim a minha pr√≥pria import√Ęncia – tudo estar√° perdido.