Cita√ß√Ķes sobre Lixo

34 resultados
Frases sobre lixo, poemas sobre lixo e outras cita√ß√Ķes sobre lixo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Porque o Povo Diz Verdades

Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande pris√£o sem grades
Onde h√° j√° milhares de anos
A raz√£o vive enjaulada.

Vem perto o fim do capricho
Dessa nobreza postiça,
Irmã gémea da preguiça,
Mais asquerosa que o lixo.

J√° o escravo se convence
A lutar por sua prol
J√° sabe que lhe pertence
No mundo um lugar ao sol.

Do céu não se quer lembrar,
J√° n√£o se deixa roubar,
Por medo ao tal satan√°s,
J√° n√£o adora bonecos
Que, se os fazem em canecos,
Nem d√£o estrume capaz.

Mostra-lhe o saber moderno
Que levou a vida inteira
Preso àquela ratoeira
Que há entre o céu e o inferno.

Depravação e Génio

Uma vez que a maior parte das pessoas encara a santidade como qualquer coisa insulsa e conforme a uma pureza legal, é provável que a depravação represente uma maneira do génio dos sentidos, quer dizer, de desvio até ao extremo de uma vertente descida em liberdade e exterior às regras. Disto resulta que o génio, tal como é aceite, ou antes, tal como é tolerado, constitua uma depravação espiritual análoga a uma depravação dos sentidos. Muitas vezes uma arrasta a outra, e é raro um génio das letras, da escultura ou da pintura não se denunciar e, mesmo que lá não meta a sua carne, fazer prova de uma liberdade de ver, sentir e admirar que ultrapassa os limites consentidos.
(…) Acontece que nos interrogamos com estupefac√ß√£o sobre as in√ļmeras deprava√ß√Ķes de bairro lim√≠trofe que a pol√≠cia e os hospitais testemunham. S√≥ poderemos ver nelas o meandro onde os med√≠ocres se perdem quando decidem deixar-se arrastar e sair das regras que lhes foram destinadas.
Traduzam-se estas deprava√ß√Ķes noutra l√≠ngua, d√™-se-lhes eleva√ß√£o, transcend√™ncia, sejam elas revestidas de intelig√™ncia, e obter-se-√† uma imagem em ponto pequeno das altas deprava√ß√Ķes que as obras-primas da arte nos valem.
Tal como Picasso apanha o que encontra no lixo e o eleva à dignidade de servir,

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Na Califórnia não se joga o lixo fora. Eles o reciclam na forma de programas de TV.

Olhar para as Coisas com alguma Dist√Ęncia

Percorrendo as ruas fui descobrindo coisas espantosas que l√° ocorriam desde sempre, disfar√ßadas sob uma m√°scara t√©nue de normalidade: um vi√ļvo que, depois de se reformar, passava as tardes sentado no carro, a porta aberta, a perna esquerda fora, a direita dentro; um sujeito t√£o magro que se podia tomar por uma figura de cart√£o, ideia refor√ßada por andar de bicicleta e, sobretudo, por nela carregar o papel√£o que recolhia nos contentores do lixo; a mulher que, com uma regularidade cronom√©trica, vinha √† janela, olhava para um lado e para o outro, como se aguardasse h√° muito a chegada de algu√©m. Eram tr√™s exemplos de situa√ß√Ķes que – creio ser esta a melhor formula√ß√£o – aconteciam desde sempre e pela primeira vez. Se olharmos para as coisas com alguma dist√Ęncia, retirando-as do contexto, deixando-nos contaminar pela estranheza, tudo, tudo mesmo, adquire uma aura macabra e repetitiva, singular, reconhec√≠vel, que se mistura com a subst√Ęncia dos sonhos, a mat√©ria das mentes perturbadas. Penso sempre, n√£o sei porque, que talvez a resposta esteja naquela revista antiga que n√£o resistiu √†s tra√ßas: nos sobreviventes de Hiroxima, no clar√£o absoluto que os cegou, no mundo irreal em que foram condenados a viver a partir desse momento,

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Pessoas Estranhas

As pessoas s√£o estranhas. Algumas pessoas s√£o. Elas ser√£o conduzidas a descobrir coisas, mesmo que as mais triviais. Eles come√ßar√£o a relacion√°-las, sabendo contudo que podem estar enganadas. Voc√™ v√™ essas pessoas com blocos de notas, a raspar a sujidade das l√°pides, a lerem microfilmes, apenas pela esperan√ßa de encontrarem o fio √† meada, fazendo liga√ß√Ķes, resgatando qualquer coisa do lixo.

A velhice n√£o se enjeita
Como o lixo da calçada
País que os velhos rejeita
Não é país, não é nada.

Queixas de um Utente

Pago os meus impostos, separo
o lixo, j√° n√£o vejo televis√£o
h√° cinco meses, todos os dias
rezo pelo menos duas horas
com um livro nos joelhos,
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes
p√ļblicos, raramente me esque√ßo
de deixar √°gua fresca no prato
do gato, tento ser correcto
com os meus vizinhos e n√£o cuspo
na sombra dos outros.

Já não me lembro se o médico
me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas
ser feliz. Seja como for,
n√£o estou a ver resultado nenhum.

A f√© √© uma esp√©cie de coma. Deixamos de raciocinar, deixamos de duvidar. Deixamos de questionar. √Č natural, pois se estas s√£o as fun√ß√Ķes da nossa mente, quando elas desaparecem, a nossa mente p√°ra. Se n√£o √© usada, acumula lixo, e porque a d√ļvida n√£o √© permitida torna-se cada vez mais lenta.

Retrato de um Bêbado

Perdi-me vendo a pipa, o torno aberto;
Minha alma est√° metida em vinho tinto;
Tão bêbado estou que já não sinto
Ser bêbado coberto ou encoberto.

Tenho a cama longe, o sono perto,
No ch√£o estou e erguer-me n√£o consinto,
A barriga de inchada aperta o cinto,
Falando estou dormindo qual desperto.

Venha mais vinho e dêem-mo vezes cento,
Que alegra o coração, sustenta a vida,
E pouco vai que engrosse o entendimento.

Vingar-me quero, que é grande a bebida;
Tudo o que não é beber é lixo e vento,
Que para tão grande gosto é curta a vida.

Besta Célere

H√° quem lhe chame, por brincadeira, besta c√©lere para caracterizar a qualidade mediana (tomada por m√©dia) desse produto cultural (agora √© tudo cultural!) e, ao mesmo tempo, a rapidez com que ele se esgota em sucessivas edi√ß√Ķes. O best-seller √© um produto perfeita (ou eficazmente) projectado em termos de ¬ęmarketing¬Ľ editorial e livreiro. √Č para se vender – muito e depressa – que o best-seller √© constru√≠do com os olhos postos num leitor-tipo que vai encontrar nele aquilo que exactamente esperava. Nem mais, nem menos. Os exemplos, abundant√≠ssimos, nem vale a pena enumer√°-los. Conv√©m n√£o confundir, pelo menos em todos os casos, best-seller com ¬ętopes¬Ľ de venda. Embora seja cabe√ßa de lista, o best-seller tem, em rela√ß√£o aos livros ¬ęnormais¬Ľ, uma caracter√≠stica que logo o diferencia: foi feito propositadamente para ser um campe√£o de vendas. A sua raz√£o de ser √© essa e s√≥ essa. E aqui poderia dizer-se, recuperando o lugar-comum para um sentido s√©rio, que ¬ęo resto √© literatura¬Ľ.
Estou a pensar em bestas c√©leres como Love Story ou O Aeroporto. N√£o estou a pensar em ¬ętopes¬Ľ de venda como O Nome da Rosa ou Mem√≥rias de Adriano. estes √ļltimos s√£o boa, excelente literatura que, por raz√Ķes pontuais e,

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Finjo o tempo todo, rio, sou alegre, dispersivo, com aquele brilho superficial e ridículo. E em cada fim de noite me sinto um lixo.

Espera mil anos e verás que será precioso até o lixo deixado atrás por uma civilização extinta.

O Homem ao Serviço dos Objectos

Pro√≠bo aos comerciantes que gabem de mais as mercadorias. Eles t√™m tend√™ncia a tornar-se pedagogos e mostram-te como fim aquilo que por ess√™ncia n√£o passa de um meio. Depois de assim te enganarem sobre o caminho a seguir, pouco falta para te perverterem. Se a m√ļsica deles √© vulgar, para ta vender, n√£o hesitar√£o em te fabricar uma alma vulgar. Ora, se √© bom que se alicercem os objectos para servir os homens, seria monstruoso que se exigissem alicerces aos homens para servir de caixote do lixo aos objectos.

Exercitar a Vontade Naquilo que Podemos Ter de Melhor

Ponho-me a pensar na quantidade dos que exercitam o f√≠sico, e na escassez dos que ginasticam a intelig√™ncia; na aflu√™ncia que t√™m os gratuitos espect√°culos desportivos, e na aus√™ncia de p√ļblico durante as manifesta√ß√Ķes culturais; enfim, na debilidade mental desses atletas de quem admiramos as esp√°duas musculadas. E penso sobreutdo nisto: se o corpo pode, √† for√ßa de treino, atingir um grau de resist√™ncia tal que permite ao atleta suportar a um tempo os murros e pontap√©s de v√°rios advers√°rios, que o torna apto a aguentar um dia inteiro sob um sol abrasador, numa arena escaldante, todo coberto de sangue – n√£o ser√° mais f√°cil ainda dar √† alma uma tal robustez que a torne capaz de resistir sem ceder aos golpes da fortuna, capaz de erguer-se de novo ainda que derrubada e espezinhada?! De facto, enquanto o corpo, para se tornar vigoroso, depende de muitos factores materiais, a alma encontra em si mesma tudo quanto necessita para se robustecer, alimentar, exercitar. Os atletas precisam de grande quantidade de comida e bebida, de muitos unguentos, sobretudo de um treino intensivo: tu, para atingires a virtude, n√£o precisar√°s de dispender um tost√£o em equipamento! Aquilo que pode fazer de ti um homem de bem existe dentro de ti.

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Ao Rimar Dor com Pensamento

Ao rimar dor com pensamento
escrevo ternura, afecto,
apenas quem me conceda
um gesto, mínimo gesto

um poeta n√£o se assassina
ia dizer mas disto n√£o entendes
é a superfície que pretendes
da coisa leve, pequenina

Isto é lama, são entranhas, é lixo,
chama, horror, precipício
que consome, enaltece, aflige

em tom maior, menor, e a verdade
capriche. Que em verdade digo:
de aqui em diante – apenas sigo

Catolicismo e Comunismo

Ao contr√°rio do catolicismo, o comunismo n√£o tem uma doutrina. Enganam-se os que sup√Ķem que ele a tem. O catolicismo √© um sistema dogm√°tico perfeitamente definido e compreens√≠vel, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo n√£o √© um sistema: √© um dogmatismo sem sistema ‚ÄĒ o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolu√ß√£o. Se o que h√° de lixo moral e mental em todos os c√©rebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o √© tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de n√≥s.
O comunismo n√£o √© uma doutrina porque √© uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, at√© hoje, de espiritualidade moral e mental ‚ÄĒ isto √© de civiliza√ß√£o e de cultura ‚ÄĒ, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que n√£o tem.

Acto de Contrição

Pela luz rara da garagem dois vultos
v√£o p√īr o lixo. S√£o velhos desconhecidos. Um
ao outro d√£o passagem (a
m√°scara de um cumprimento) esquivos na
escatológica arqueologia das misérias.
Homens de lixo na mão: exímios
a ocultar
versos da vida doméstica (quando
o gesto liso cabe ao avental abundante que os
devolve a casa). H√°
em todo esse agravo uma redenção ferida
(um juízo resolvido) como que um
indulto lento.

Resgatar o Prazer de Viver

√Č poss√≠vel resgatar o prazer de viver, √© poss√≠vel treinar a emo√ß√£o para ser jovem, desprendida, livre, feliz.

Primeiro: Contemple o belo nos pequenos eventos da vida.
Tenha sempre atividades programadas fora da sua agenda pelo menos uma vez por semana. Valorize aquilo que o dinheiro não compra e que não dá prestígio.
Treine dez minutos por dia a contemplar a anatomia das flores, a gastar tempo a ver o brilho das estrelas, a experimentar o prazer de penetrar no mundo das pessoas.
Não viva em função de grandes eventos, aprenda a extrair o prazer dos pequenos estímulos da rotina diária.

Segundo: Irrigue o palco da mente com pensamentos agrad√°veis.
Treine trazer diariamente à sua memória aquilo que lhe traz esperança, serenidade e encanto pela vida. Pense em conquistar pessoas e em superar os seus obstáculos. Pense em ser íntimo do Autor da vida e conhecer os mistérios da existência.
Os seus maiores inimigos est√£o dentro de si. N√£o se deixe derrotar ou perturbar por pensamentos que lhe roubam a tranquilidade e o prazer de viver.
Treine ver o lado positivo de todas as coisas negativas. Os negativistas veem os raios,

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