Cita√ß√Ķes sobre Lobos

60 resultados
Frases sobre lobos, poemas sobre lobos e outras cita√ß√Ķes sobre lobos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Malefícios da Rivalidade na Escola

Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.
A mesquinhez de uma vida em que os outros n√£o aparecem como colaboradores, mas como inimigos, n√£o pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma vis√£o mais ampla do mundo; esfor√ßo de vencer, temor de ser vencido; √© j√° todo o temperamento de ¬ęstruggle¬Ľ que se afina na escola e lan√ßar√° amanh√£ sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.
Quem n√£o sabe combater ou n√£o tem interesse pela luta ficar√° para tr√°s, entre os piores; e √© certamente esta predomin√Ęncia dada ao esp√≠rito de batalha um dos grandes malef√≠cios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos;

Continue lendo…

Irmão lobo, você prejudica a muitos nestas paragens e faz um grande mal. Todas estas pessoas o acusam e o amaldiçoam. Mas, irmão lobo, eu gostaria de fazer a paz entre você e essas pessoas.

O Lugar Certo

O tempo mudava de um momento para o outro, juntando, no curto espa√ßo de vinte e quatro horas, a Primavera e o Outono, o Ver√£o e at√© Inverno. Mas Jos√© Artur sentia-se vivo como um lobo das estepes libertado. Tinha a tens√£o alta dos her√≥is rom√Ęnticos e, em muitas circunst√Ęncias, dava por si a citar Thoreau:

‚ÄúFui para os bosques viver de livre vontade. Vara sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que n√£o era vida e para, quando morrer, n√£o descobrir que n√£o vivi.‚ÄĚ

Lamentava que Darwin ou Twain n√£o tivessem encontrado naquelas ilhas o mesmo que ele encontrava agora, mas percebeu que, no s√©culo dezanove, ainda restavam outros para√≠sos no planeta. E, de qualquer modo, havia Chateaubriand, Raul Brand√£o, at√© Melville, impressionado com a valentia dos marinheiros das ilhas a leste de Nantucket. N√£o, ele n√£o estava louco. Havia uma sabedoria naquilo ‚ÄĒ havia ecos e refrac√ß√Ķes, como se algo de mais profundo se insinuasse. Tinha a certeza de que, se a terra tremesse agora, conseguiria senti-la.

Aquele era o seu lugar. Não havia por que sentir falta dos privilégios da cidade. Um homem que soubesse povoar-se tinha alimento para uma vida na fotografia de um labandeira,

Continue lendo…

A Parte Invisível do Visível

A parte invisível do visível.
De resto conhecer mais o quê?
O Manifesto do Invisível.
Os lobos são a cabeça do anjo que não se vê.
Sangue no Focinho e Cobardia.

O Homem n√£o Deseja a Paz

Que estranho bicho o homem. O que ele mais deseja no conv√≠vio inter-humano n√£o √© afinal a paz, a conc√≥rdia, o sossego colectivo. O que ele deseja realmente √© a guerra, o risco ao menos disso, e no fundo o desastre, o infort√ļnio. Ele n√£o foi feito para a conquista de seja o que for, mas s√≥ para o conquistar seja o que for. Poucos homens afirmaram que a guerra √© um bem (Hegel, por exemplo), mas √© isso que no fundo desejam. A guerra √© o perigo, o desafio ao destino, a possibilidade de triunfo, mas sobretudo a inquieta√ß√£o em ac√ß√£o. Da paz se diz que √© ¬ępodre¬Ľ, porque √© o estarmos reca√≠dos sobre n√≥s, a inactividade, a derrota que sobrev√©m n√£o apenas ao que ficou derrotado, mas ainda ou sobretudo ao que venceu. O que ficou derrotado √© o mais feliz pela necessidade inilud√≠vel de tentar de novo a sorte. Mas o que venceu n√£o tem paz sen√£o por algum tempo no seu cora√ß√£o alvoro√ßado. A guerra √© o estado natural do bicho humano, ele n√£o pode suportar a felicidade a que aspirou. Como o grupo de futebol, qualquer vit√≥ria alcan√ßada √© o est√≠mulo insuport√°vel para vencer outra vez.

Continue lendo…

A compaixão nem sempre é uma virtude. Quem poupa a vida do lobo, condena a morte as ovelhas.

GRITO

De ti que inventaste
a paz
a ternura
e a paix√£o
o beijo
o beijo fundo intenso e louco
e deixaste l√° para tr√°s
a c√īncava do medo
à hora entre cão e lobo
à hora entre lobo e cão.

De ti que em cada ano
cada dia cada mês
n√£o paraste de acender
uma e outra vez
a flor eléctrica
do mais desvairado
coração.

De ti que fugiste à estepe
e obrigaste
à ordem dos caminhos
o pastor
a cabra e o boi
e do fundo do tempo
me chamaste teu irm√£o.

De ti que ergueste a casa
sobre estacas
e pariste
deuses e linguagens
guerras
e paisagens sem alento.

De ti que domaste
o cavalo e os neutr√Ķes
e conquistaste
o lírico tropel
das √°guas e do vento.

De ti que traçaste
a régua e esquadro
uma abóboda inquieta
semeada de nuvens e trit√Ķes
santidades e tormentos.

De ti que levaste
a volupta da ambição
a trepar erecta
contra as leis do firmamento.

Continue lendo…

Viver em Estado de Amor

Respirar, viver n√£o √© apenas agarrar e libertar o ar, mecanicamente: √© existir com, √© viver em estado de amor. E, do mesmo modo, aderir ao mist√©rio √© entrar no singular, no afetivo. Deus √© c√ļmplice da afetividade: omnipotente e fr√°gil; impass√≠vel e pass√≠vel; transcendente e amoroso; sobrenatural e sens√≠vel. A mais louca pretens√£o crist√£ n√£o est√° do lado das afirma√ß√Ķes metaf√≠sicas: ela √© simplesmente a f√© na ressurrei√ß√£o do corpo.

O amor √© o verdadeiro despertador dos sentidos. As diversas patologias dos sentidos que anteriormente revisit√°mos mostram como, quando o amor est√° ausente, a nossa vitalidade hiberna. Uma das crises mais graves da nossa √©poca √© a separa√ß√£o entre conhecimento e amor. A m√≠stica dos sentidos, por√©m, busca aquela ci√™ncia que s√≥ se obt√©m amando. Amar significa abrir-se, romper o c√≠rculo do isolamento, habitar esse milagre que √© conseguirmos estar plenamente connosco e com o outro. O amor √© o degelo. Constr√≥i-se como forma de hospitalidade (o poeta brasileiro M√°rio Quintana escreve que ¬ęo amor √© quando a gente mora um no outro¬Ľ), mas pede aos que o seguem uma desarmada exposi√ß√£o. Os que amam s√£o, de certa maneira, mais vulner√°veis. N√£o podem fazer de conta. Se apetece cantar na rua,

Continue lendo…

XX

Ai de mim! como estou t√£o descuidado!
Como do meu rebanho assim me esqueço,
Que vendo o trasmalhar no mato espesso,
Em lugar de o tornar, fico pasmado!

Ouço o rumor que faz desaforado
O lobo nos redis; ouço o sucesso
Da ovelha, do pastor; e desconheço
N√£o menos, do que ao dono, o mesmo gado:

Da fonte dos meus olhos nunca enxuta
A corrente fatal, fico indeciso,
Ao ver, quanto em meu dano se executa.

Um pouco apenas meu pesar suavizo,
Quando nas serras o meu mal se escuta;
Que triste alívio! ah infeliz Daliso!

Anoitece na Aldeia

Anoitece na aldeia
e numa animação de fábula
as pessoas recolhem às casas.

Das chaminés, pelos telhados
o fumo j√° faz parte da noite.

O amarelo das janelas
pontilha o preto.

O vento perdeu-se no bosque
e as crianças, nos cobertores
usufruem do medo.

Pelas imedia√ß√Ķes da aldeia
os lobos aproximam-se da realidade.

Prólogo

Cavo a cova como um cavalo os cascos cava
se no cav√°-lo invoca a f√ļria de ferir
E tanto mais se cava que a alma n√£o se lava
e as águas já me levam léguas a fingir

Cava costura cavo à cava enviesada
e o talhe tinge a sombra em descaída pena
Nessa escritura a sina foge desgarrada
e o corte torce a m√£o e a garra do poema

E dono não sou mais senão o torto artífice
dessas linhas traçadas a dois e por um
E assim me assino esse uno e esse outro Majnun
que por louca paixão da noite é seu partícipe

mesmo sem Laila veste a dor e se vislumbra
nos lobos do deserto donos da penumbra