Cita√ß√Ķes sobre M√°rtir

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Frases sobre m√°rtir, poemas sobre m√°rtir e outras cita√ß√Ķes sobre m√°rtir para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Hoje

Fiz anos hoje… Quero ver agora
Se este sofrer que me atormenta tanto
Me n√£o deixa lembrar a paz, o encanto,
A doce luz de meu viver de outr’ora.

Tão moça e mártir! Não conheço aurora,
Foge-me a vida no correr do pranto,
Bem como a nota de choroso canto
Que a noite leva pelo espaço em fora.

Minh’alma voa aos sonhos do passado,
Em busca sempre d’esse ninho amado
Onde pousava cheia de alegria.

Mas, de repente, num pavor de morte,
Sente cortar-lhe o v√īo a m√£o da sorte…
Minha ventura só durou um dia.

Soneto 253 A Renato Russo

Embora original, gênio, perito,
do nosso rock um raro uirapuru,
vivia ensimesmado e jururu,
talvez por n√£o ser grego nem bonito.

Entendo a sua ang√ļstia e o seu conflito,
meu ídolo, meu mártir, meu guru!
Causou você, primeiro, um sururu;
depois, tristeza, e ent√£o calou seu grito.

Respeito quem é triste, ou aparenta.
Os outros grandes brincam: Raul, Rita,
ou cospem mera raiva barulhenta.

Cazuza também brinca, mas medita.
Arnaldo Antunes testa, experimenta.
Renato faz da dor a dor: maldita!

Amor E Religi√£o

Conheci-o: era um padre, um desses santos
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos

Ouviram dele frases de candura
Que d’infelizes enxugavam prantos!
E como alegres n√£o ficaram tantos
Cora√ß√Ķes sem prazer e sem ventura!

No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su’alma livre para o C√©u se alara.

E Deus lhe disse: “√Čs duas vezes santo,
Pois se da Religi√£o fizeste culto,
Foste do amor o m√°rtir sacrossanto.”

O Sentimento de Poder

Ao fazer o bem e mal, exercemos o nosso poder sobre aqueles a quem se é forçado a fazê-lo sentir; porque o sofrimento é um meio muito mais sensível, para esse fim, do que o prazer: o sofrimento procura sempre a sua causa enquanto o prazer mostra inclinação para se bastar a si próprio e a não olhar para trás. Ao fazer bem ou ao desejarmos o bem exercemos o nosso poder sobre aqueles que, de uma maneira ou de outra, estão já na nossa dependência (quer dizer que se habituaram a pensar em nós como nas suas causas); queremos aumentar o seu poder porque assim aumentamos o nosso, ou queremos mostrar-lhes a vantagem que há em estar em nosso poder; ficarão mais satisfeitos com a sua situação e mais hostis aos inimigos do nosso poder, mais prontos a combatê-los. O facto de fazermos sacrifícios para fazer o bem ou o mal não altera em nada o valor definitivo dos nossos actos; mesmo se arriscarmos a nossa vida, como o mártir pela sua igreja, é um sacrifício que fazemos à nossa necessidade de poder, ou a fim de conservar o nosso sentimento de poder.

Adolf Hitler era uma Joana d’Arc, um santo. Ele foi um m√°rtir. Como muitos m√°rtires, ele tinha vis√Ķes extremas.

Retrato do Herói

Herói é quem num muro branco inscreve
O fogo da palavra que o liberta:
Sangue do homem novo que diz povo
e morre devagar    de morte certa.

Homem é quem anónimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome    fechado o corpo ao breve
instante em que a den√ļncia fica alerta.

Herói é quem morrendo perfilado
Não é santo    nem mártir    nem soldado
Mas apenas¬†¬†¬† por √ļltimo¬†¬†¬† indefeso.

Homem é quem tombando apavorado
d√° o sangue ao futuro e fica ileso
pois lutando apagado morre aceso.

Sol do Meu Dia

Se eu fosse nuvem tinha imensa m√°goa
N√£o te servindo de asas maternais
Que te pudessem abrigar da √°gua
Que chovesse das mais!

E sendo eu onda, tinha m√°goa suma
N√£o te podendo a ti, mulher, levar
De praia em praia sobre a alva espuma,
Sem nunca te molhar!

E sendo aragem eu, que pela face
Te roçasse de rijo alguma vez
Que o Senhor com mais for√ßa respirasse…
Que m√°goa imensa… V√™s?

E a luz do teu olhar que me n√£o luza
Um r√°pido momento a mim sequer,
Como a √°guia no ar, que passa e cruza
A terra sem na ver!

Mas que me importa a mim! Se me esmagasses
Um dia aos pés o coração a mim,
As vozes que lhe ouviras, se escutasses,
Era o teu nome… sim;

O teu nome gemido docemente,
Com toda a fé de um mártir em Jesus.
Se acaso j√° em Cristo p√īs um crente
A fé que eu em ti pus!

A fé, mais o amor! Porque ele expira
Sem que a ninguém lhe estale o coração;

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Uma Nação Sem Ideal Desaparece Rapidamente da História

Qualquer que seja a ra√ßa ou o tempo considerado, o objectivo constante da atividade humana foi sempre a pesquisa da felicidade, a qual consiste, em √ļltima an√°lise, ainda o repito, em procurar o prazer e evitar a dor. Sobre essa concep√ß√£o fundamental os homens estiveram constantemente de acordo; as suas diverg√™ncias aplicam-se somente √† id√©ia que se concebe da felicidade e aos meios de a conquistar.
As suas formas s√£o diversas, mas o termo que se tem em mira √© id√™ntico. Sonhos de amor, de riqueza, de ambi√ß√£o ou de f√© s√£o os possantes factores de ilus√Ķes que a natureza emprega para conduzir-nos aos seus fins. Realiza√ß√£o de um desejo presente ou simples esperan√ßa, a felicidade √© sempre um fen√≥meno subjectivo. Desde que os contornos do sonho se implantam um pouco no esp√≠rito, com ardor n√≥s tentamos obt√™-lo.
Mudar a concepção da felicidade de um indivíduo ou de um povo, isto é, o seu ideal, é mudar, ao mesmo tempo, a sua concepção da vida e, por conseguinte, o seu destino. A história não é mais do que a narração dos esforços empregues pelo homem para edificar um ideal e destruí-lo em seguida, quando, tendo-o atingido, descobre a sua fragilidade.

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A Doutrina Perfeita

Muitas vezes as pessoas dirigem-se a mim, dizendo: ¬ęvoc√™, que √© independente¬Ľ. N√£o sou assim; continuamente devo ceder a pequenas f√≥rmulas sofisticadas que corrompem, que d√£o um sentido inverso √† nossa orienta√ß√£o, que fazem com que a transpar√™ncia do cora√ß√£o se turve. Continuamente a nossa inseguran√ßa, o ego√≠smo, o esp√≠rito legalista, a mesquinhez, a vaidade, toda a esp√©cie de circunst√Ęncias que tomam o partido da vida como desfrute √† sensa√ß√£o se sobrep√Ķem √† luz interior. S√≥ a f√© √© independente. S√≥ ela est√° para al√©m do bem e do mal.

Estar para al√©m do bem e do mal aplica-se a Cristo. ¬ęPerdoa ao teu inimigo, oferece a outra face¬Ľ – disse Ele. N√£o √© um conselho para humilhados, n√£o √© um preceito para m√°rtires. Nisso aparece Cristo mal interpretado, a ponto de o cristianismo ter sido considerado uma religi√£o de escravos. Mas esquecemos que Cristo, como Homem, teve a experi√™ncia-limite, uma vis√£o do inconsciente absoluto, o que quer dizer que a sua consci√™ncia foi saturada, para al√©m do bem e do mal. Esse homem que perdoa ao seu inimigo n√£o o faz por contrariedade do seu instinto, por repara√ß√£o dos seus pecados; mas porque n√£o pode proceder de outra maneira.

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Na Capela

Na capela, perdida entre a folhagem,
O Cristo, l√° no fundo, agonisava…
Oh! como intimamente se casava
Com minha dor a dor d’aquela imagem!

Filhos ambos do amor, igual miragem
Nos ro√ßou pela fronte, que escaldava…
Igual traição, que o afecto mascarava,
Nos deu supl√≠cio √°s m√£os da vilanagem…

E agora, ali, em quanto da floresta
A sombra se infiltrava lenta e mesta,
Vencidos ambos, m√°rtires do Fado,

Fitavamo-nos mudos ‚ÄĒ dor igual! ‚ÄĒ
Nem, dos dois, saberei dizer-vos qual
Mais palido, mais triste e mais cansado…

Cristo morreu como um homem, um mártir da salvação. Deixando prá mim seu amigo, o sinal da traição.

A Luta de Classes Acabou

A luta de classes esfumou-se, dissolveu-se, a democracia tem funcionado como um diluente social: toda a gente vive, compra e acorre ao hipermercado, ao balc√£o do bar e aos concertos pagos pelo munic√≠pio na pra√ßa central, e todos falam ao mesmo tempo, vozes que se misturam como nas tumultuosas reuni√Ķes no cine Tivoli evocadas pelo meu pai, j√° n√£o se distingue o que est√° em cima do que est√° em baixo, est√° tudo enredado, confuso, e, por√©m, reina uma misteriosa ordem, eis a democracia. Mas, de s√ļbito, desde h√° um par de anos, parece desenhar-se uma ordem mais expl√≠cita, menos insidiosa. A nova ordem √© bem vis√≠vel, com os n√≠veis superior e inferior bem definidos: alguns transportam com orgulho sacos repletos de compras e cumprimentam sorridentes os vizinhos √† porta do centro comercial, outros remexem nos contentores onde os empregados do hipermercado lan√ßaram as embalagens de carne fora de prazo, a fruta e as verduras pisadas, os past√©is industriais caducados. Lutam entre si por esses alimentos.

(…) Trivial, a luta de classes? Ent√£o n√£o era isso que determinava, que impregnava e condicionava tudo? O grande motor da hist√≥ria universal? N√£o era nisso que acreditavam o meu pai e os seus camaradas,

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A Torpe Sociedade onde Nasci

I

Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado,
Pensando que j√° fui daquela idade.

II

Que feliz eu era ent√£o e que alegria…
Que loucura a brincar, santo del√≠rio!…
Embora fosse m√°rtir, n√£o sabia
Que o mundo me criava p’ra o mart√≠rio!

III

Já quando um homenzinho, é que senti
O dilema terr√≠vel que me imp√īs
A torpe sociedade onde nasci:
‚ÄĒ De ser v√≠tima humilde ou ser algoz…

IV

E agora é o acaso quem me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas n√£o sou o que seria
Se o mundo fosse bom ‚ÄĒ como n√£o √©!

V

Tuberculoso!… Mas que triste sorte!
Podia suicidar-me, mas n√£o quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo √† morte…

Soneto I – Leandro E Hero

O facho do Helesponto apaga o dia,
Sem que aos olhos de Hero o sono traga,
Que dentro de sua alma n√£o se apaga
O fogo com que o facho se acendia.

Aflita o seu Leandro ao mar pedia,
Que abrandado por ela, a prece afaga,
E traz-lhe o morto amante numa vaga,
(Talvez vaga de amor, inda que fria).

Ao v√™-lo pasma, e clama num transporte ‚ÄĒ
“Leandro!… √©s morto?!… Que destino infando
Te conduz aos meus braços desta sorte?!!

Morreste!… mas… (e √†s ondas se arrojando
Assim termina j√° sorvendo a morte)
Hei de, m√°rtir de amor, morrer te amando.”

O Significado dos Sonhos

Os meu sonhos eram de muitas esp√©cies mas representavam manifesta√ß√Ķes de um √ļnico estado de alma. Ora sonhava ser um Cristo, a sacrificar-me para redimir a humanidade, ora um Lutero, a quebrar com todas as conven√ß√Ķes estabelecidas, ora um Nero, mergulhado em sangue e na lux√ļria da carne. Ora me via numa alucina√ß√£o o amado das multid√Ķes, aplaudido, desfilando ao longo (…), ora o amado das mulheres, atraindo-as arrebatadoramente para fora das suas casas, dos seus lares, ora o desprezado por todos embora o eleito do bem, por todos a sacrificar-me. Tudo o que lia, tudo o que ouvia, tudo o que via ‚ÄĒ cada ideia vinda de fora, cada (…), cada acontecimento era o ponto de partida de um sonho. Vinha de um circo e ficava em casa ousando imaginar-me um palha√ßo, com luzes em arco √† minha volta. Via soldados passarem na minha mente a falarem com uma vis√£o de mim pr√≥prio, tratando-me por capit√£o, chefiando, ordenando, vitorioso. Quando lia algo acerca de aventureiros imediatamente me convertia neles, por completo. Quando lia algo acerca de criminosos, morria por cometer crimes at√© me apavorar com o meu desarranjo mental. Conforme as coisas que via, ou ouvia, ou lia, vivia em todas as classes sociais,

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