CitaçÔes sobre Mocidade

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O Valor da CrĂłnica de Jornal

A crĂłnica Ă© como que a conversa Ă­ntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o lĂȘem: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um serĂŁo ao braseiro, ou como no VerĂŁo, no campo, quando o ar estĂĄ triste. Ela sabe anedotas, segredos, histĂłrias de amor, crimes terrĂ­veis; espreita, porque nĂŁo lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a crĂłnica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e facĂ©cias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o pĂ© da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo espĂ­rito, pela beleza, pela mocidade; ela nĂŁo tem opiniĂ”es, nĂŁo sabe do resto do jornal; estĂĄ nas suas colunas contando, rindo, pairando; nĂŁo tem a voz grossa da polĂ­tica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do crĂ­tico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiuçando.

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A melancolia compĂ”e-se de oscilaçÔes morais, das quais a primeira atinge a desesperação e a Ășltima o prazer; na mocidade Ă© o crepĂșsculo matutino, na velhice o da tarde.

MiserĂĄveis Macabros

É que nĂŁo foram tĂŁo poucas como isso as vezes que vi a piedade enganar-se. NĂłs, que governamos os homens, aprendemos a sondar-lhes os coraçÔes, para sĂł ao objecto digno de estima dispensarmos a nossa solicitude. Mais nĂŁo faço do que negar essa piedade Ă s feridas de exibição que comovem o coração das mulheres. Assim como tambĂ©m a nego aos moribundos, e alĂ©m disso aos mortos. E sei bem porquĂȘ.
Houve uma altura da minha mocidade em que senti piedade pelos mendigos e pelas suas Ășlceras. AtĂ© chegava a apalavrar curandeiros e a comprar bĂĄlsamos por causa deles. As caravanas traziam-me de uma ilha longĂ­nqua unguentos derivados do ouro, que tĂȘm a virtude de voltar a compor a pele ao cimo da carne. Procedi assim atĂ© descobrir que eles tinham como artigo de luxo aquele insuportĂĄvel fedor. Surpreendi-os a coçar e a regar com bosta aquelas pĂșstulas, como quem estruma uma terra para dela extrair a flor cor de pĂșrpura. Mostravam orgulhosamente uns aos outros a sua podridĂŁo e gabavam-se das esmolas recebidas.
Aquele que mais ganhara comparava-se a si prĂłprio ao sumo sacerdote que expĂ”e o Ă­dolo mais prendado. Se consentiam em consultar o meu mĂ©dico, era na esperança de que o cancro deles o surpreendesse pela pestilĂȘncia e pelas proporçÔes.

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Mocidade

Ah! esta mocidade! — Quem Ă© moço
Sente vibrar a febre enlouquecida
Das ilusÔes, da crença mais florida
Na muscular artĂ©ria de Colosso…

Das incertezas nunca mede o poço…
Asas abertas — na amplidĂŁo da vida,
PĂĄramo a dentro — de cabeça erguida,
VĂȘ do futuro o mais alegre esboço…

Chega a velhice, a neve das idades
E quem foi moço, volve, com saudades,
Do azul passado, o fulgido compĂȘndio…

Ai! esta mocidade palpitante,
Lembra um inseto de ouro, rutilante,
Em derredor das chamas de um incĂȘndio!

Enquanto outros Combatem

Empunhasse eu a espada dos valentes!
Impelisse-me a acção, embriagado,
Por esses campos onde a Morte e o Fado
Dão a lei aos reis trémulos e ås gentes!

Respirariam meus pulmÔes contentes
O ar de fogo do circo ensanguentado…
Ou caĂ­ra radioso, amortalhado
Na fulva luz dos glĂĄdios reluzentes!

JĂĄ nĂŁo veria dissipar-se a aurora
De meus inĂșteis anos, sem uma hora
Viver mais que de sonhos e ansiedade!

JĂĄ nĂŁo veria em minhas mĂŁos piedosas
Desfolhar-se, uma a uma, as tristes rosas
D’esta pĂĄlida e estĂ©ril mocidade!

Retrospecto

Vinte e seis anos, trinta amores: trinta
vezes a alma de sonhos fatigada.
e, ao fim de tudo, como ao fim de cada
amor, a alma de amor sempre faminta!

Ó mocidade que foges! brada
aos meus ouvidos teu futuro, e pinta
aos meus olhos mortais, com toda a tinta,
os remorsos da vida dissipada!

Derramo os olhos por mim mesmo… E, nesta
muda consulta ao coração cansado,
que Ă© que vejo? que sinto? que me resta?

Nada: ao fim do caminho percorrido,
o Ăłdio de trinta vezes ter jurado
e o horror de trinta vezes ter mentido!

No Seio Da Terra

Do pélago dos pélagos sombrios,
CĂĄ do seio da Terra, olhando as vidas,
Escuto o murmurar de almas perdidas,
Como o secreto murmurar dos rios.

Trazem-me os ventos negros calafrios
E os loluços das almas doloridas
Que tĂȘm sede das terras prometidas
E morrem como abutres erradios.

As Ăąnsias sobem, as tremendas Ăąnsias!
Velhices, mocidades e as infĂąncias
Humansa entre a Dor se despedaçam…

Mas, sobre tantos convulsivos gritos,
Passam horas, espaços, infinitos,
Esferas, geraçÔes, sonhando, passam!

VolĂșpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse ĂȘxtase pagĂŁo que vence a sorte,
Num frĂȘmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido Ă  morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A nuvem que arrastou o vento norte…
– Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volĂșpia e de maldade!

Trago dĂĄlias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
VĂŁo-te envolvendo em cĂ­rculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

A Mocidade PropÔe, a Maturidade DispÔe

É função da mocidade ser profundamente sensĂ­vel Ă s novas ideias como instrumentos rĂĄpidos para dominar o meio; e Ă© função da idade madura opor-se tenazmente a essas ideias ; isso faz com que as inovaçÔes fiquem em experiĂȘncia por algum tempo antes que a sociedade as ponha em prĂĄtica. A maturidade atenua as ideias novas, redu-las de modo a caberem dentro da possibilidade ou a que sĂł se realizem em parte. A mocidade propĂ”e, a maturidade dispĂ”e, a velhice opĂ”e-se. A mocidade domina nos perĂ­odos revolucionĂĄrios; a maturidade, nos perĂ­odos de reconstrução; a velhice, nos perĂ­odos de estagnação. «DĂĄ-se com os homens», diz Nietzsche, «o mesmo que com as carvoarias na floresta. SĂł depois que a mocidade se carboniza Ă© que se torna utilizĂĄvel. Enquanto estĂĄ a arder serĂĄ muito interessante, mas incĂłmoda e inĂștil.»

Todo o autor, nascendo uma geração mais tarde, repudiaria a sua obra; não hå um que, ao envelhecer, não acredite ter progredido sobre a sua mocidade.

As desordens da mocidade são outras tantas conspiraçÔes contra a velhice; pagam-se caras, à tarde, as loucuras da manhã.

Recordar Ă© Limitar

Não fosse a lembrança da mocidade, não se ressentiria a velhice. Toda a doença consiste em não se poder fazer mais o que se pÎde fazer outrora. Pois o velho, no seu género, é decerto uma criatura tão perfeita como o moço na sua.

Uma velhice enganada Ă© a maior sem-razĂŁo do tempo: uma mocidade desenganada, Ă© a maior vitĂłria da razĂŁo.