Passagens sobre Negócio

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Frases sobre neg√≥cio, poemas sobre neg√≥cio e outras passagens sobre neg√≥cio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

H√° que P√īr Pedra sobre Pedra

Nunca pensei em ser governo, nunca o quis mesmo, mas interessei-me sempre muito pelos neg√≥cios p√ļblicos, pelos neg√≥cios do Pa√≠s. E a√≠ tem um exemplo, anterior √† minha entrada no Governo, que lhe pode dar uma ideia do ritmo da minha ac√ß√£o, da tal marcha vagarosa de que me acusam…
(…) √Č que me fui habilitando, lentamente, sem precipita√ß√Ķes, quase sem dar por isso, liberto de qualquer ambi√ß√£o de ordem pessoal. E assim, quando a minha interven√ß√£o na m√°quina do Estado p√īde ser √ļtil, ela foi aproveitada, talvez, como n√£o seria se eu tivesse improvisado uma cultura. Pois com a marcha do Pa√≠s o mesmo acontece. H√° que p√īr pedra sobre pedra, mas desinteressadamente, sem pensar na gl√≥ria pr√≥pria e sem pensar at√©, excessivamente, na ab√≥bada, na finalidade. A √Ęnsia de chegar ao fim, de fazer muitas coisas ao mesmo tempo leva, √†s vezes, ao fim, mas ao fim de tudo…

Os amigos não são para matar o tempo. Servem para preencher as necessidades do outro, não o nosso vazio. Amar é dar-se, não é um negócio de troca de benefícios e prejuízos.

Uma Vida Dedicada Ao Trabalho

√Č muito estranho que apenas poucos homens compreendam que n√£o est√£o irremedi√°velmente amarrados √† engrenagem torturante de um trabalho mon√≥tono e que a maioria continue presa ao seu rodar s√≥ por n√£o se aperceber que com esse trabalho n√£o alcan√ßa plano mais elevado. Refiro-me, √© claro, aos grandes homens de neg√≥cio, aos que t√™m j√° bons rendimentos e podiam, se quisessem, viver deles. Mas proceder assim parecer-lhes-ia vergonhoso, teriam a impress√£o de desertar do ex√©rcito na presen√ßa do inimigo; contudo, se lhes perguntarem que causa p√ļblica servem com o seu labor, n√£o sabem o que responder, mesmo depois de terem lido todas as banalidades contidas nos artigos que se escrevem sobre as virtudes duma vida dedicada ao trabalho.

Infinitude dos Amantes

Se até agora ainda não possuo todo o teu amor,
Querida, nunca o terei de todo.
N√£o posso soltar mais um suspiro, comover-me,
Nem suplicar a mais outra l√°grima que corra;
E todo o meu tesouro, que deveria comprar-te ‚ÄĒ
Suspiros, l√°grimas, juras e cartas ‚ÄĒ j√° gastei.
Porém, nada mais me poderá ser devido,
Além do proposto no negócio acordado:
Se ent√£o a tua d√°diva de amor foi parcial,
Que parte a mim, parte a outros, caberia,
Querida, nunca te possuirei totalmente.

Mas, se ent√£o me deste tudo,
Tudo seria apenas o tudo que ao tempo tinhas;
E se em teu coração, desde então, existe ou venha
A existir novo amor gerado por outros homens,
Cujos haveres estejam intactos e possam, em l√°grimas,
Em suspiros, em juras e cartas, exceder a minha oferta,
Este novo amor pode suscitar novos receios,
Dado que um tal amor n√£o foi jurado por ti.
Mas se foi, sendo as tuas d√°divas gerais,
O terreno ‚ÄĒ o teu cora√ß√£o ‚ÄĒ, √© meu, e o que quer
Que nele cresça, querida, pertence-me totalmente.

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Não tem qualquer piada ser o sujeito mais rico do cemitério. Lá não se pode fazer negócios.

Os Convencidos da Vida

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(…) No corre-que-corre, o convencido da vida n√£o √© um vaidoso √† toa. Ele √© o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca √© gratuita, todo o rendimento poss√≠vel. Nos neg√≥cios, na pol√≠tica, no jornalismo, nas letras, nas artes. √Č t√£o capaz de aceitar uma condecora√ß√£o como de rejeit√°-la.

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O Terror como Base da Religi√£o

√Č verdade que tanto o medo como a esperan√ßa entram na religi√£o, porque estas duas paix√Ķes, em alturas diferentes, agitam a mente humana e cada uma delas forma uma esp√©cie de divindade que lhe √© adequada. Mas, quando um homem se sente bem, ele est√° inclinado para os neg√≥cios, para o conv√≠vio ou para qualquer esp√©cie de divertimento, e dedica-se naturalmente a essas actividades e n√£o pensa em religi√£o. Quando est√° melanc√≥lico e abatido, tudo o que para fazer √© meditar sobre os terrores do mundo invis√≠vel, e mergulhar mais profundamente ainda na afli√ß√£o. Pode realmente acontecer que, ap√≥s ter assim gravado profundamente as opini√Ķes religiosas no seu pensamento e imagina√ß√£o, ocorra uma altera√ß√£o da sa√ļde ou das circunst√Ęncias que restaure o seu bom humor e, ocasionando boas perspectivas de futuro, o fa√ßa cair no extremo oposto da alegria e triunfo. Mas, ainda assim deve reconhecer-se que, como o terror √© o princ√≠pio primordial da religi√£o, √© essa a paix√£o que predomina nela e que s√≥ admite pequenos intervalos de prazer.

Respondiam-lhe que durante muitos anos tinham ficado sem padre, arranjando os negócios da alma diretamente com Deus, e haviam perdido a malícia do pecado mortal.

Onde Começa a Felicidade

¬ęAurea mediocritas¬Ľ – dizia Hor√°cio, um dos poetas latinos que faz a base da nossa civiliza√ß√£o. As palavras com o tempo corrompem-se, alteram-se, adulteram-se. ¬ęMediocritas¬Ľ em portugu√™s deu mediocridade, tal como ¬ęparvus¬Ľ deu parvo, ao contr√°rio do castelhano em que apenas significa pequeno, ou ¬ęsinistra¬Ľ em italiano quer apenas dizer esquerda.

A ¬ęAurea mediocritas¬Ľ que cantava Hor√°cio era a doce e suave mediania entre as emo√ß√Ķes, um equil√≠brio quase buc√≥lico na vida a ter e nos neg√≥cios a ter na vida. N√£o, Hor√°cio, romano educado, n√£o era adepto dos desportos radicais.
Equil√≠brio entre o qu√™? Distorcendo Hor√°cio, a dois mil anos de dist√Ęncia, podemos dizer, talvez, equil√≠brio entre o sonho e a realidade. A felicidade n√£o pode ser s√≥ o que h√°, sen√£o apodrecemos, mas tamb√©m n√£o pode ser s√≥ o que desejamos, sen√£o ficamos com uma neurose de tanto ansiar pelo que h√°-de vir.

O resto √© com cada qual. Alguns gostam da felicidade bovina de n√£o pensar muito, outros gostam de estar sozinhos no deserto, outros ficam felizes com a desgra√ßa alheia. Estes tr√™s exemplos s√£o, c√° para mim, desgra√ßados, mas o que sei eu dos outros? √Č por n√£o saber nada dos outros que escrevo hist√≥rias sobre os outros.

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A Verdadeira Divis√£o Humana

Sois v√≥s um daqueles a quem se chama feliz? Pois bem, v√≥s estais tristes todos os dias. Cada dia tem uma grande amargura e um pequeno cuidado. Ontem trem√≠eis pela sa√ļde de algu√©m que vos √© caro, hoje receais pela vossa; amanh√£ ser√° uma inquitea√ß√£o de dinheiro, depois a diatribe de um caluniador ou a infelicidade de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz, qualquer coisa que se quebrou ou se perdeu, uma vez um prazer que a vossa consci√™ncia e a coluna vertebral reprovam, outra vez a marcha dos neg√≥cios p√ļblicos. Isto sem contar as penas de cora√ß√£o. E assim sucessivamente. Uma nuvem que se dissipa e outra que se forma logo. Apenas um dia em cem de plena felicidade e cheio de sol. E sois desse pequeno n√ļmero que √© feliz! Quanto aos outros homens, envolve-os a noite estagnante.
Os espíritos reflectidos usam pouco desta locução: os felizes e os infelizes. Neste mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não há felizes.
A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e os tenebrosos.
Diminuir o n√ļmero dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados, eis o fim. √Č por isso que n√≥s gritamos: ensino, ci√™ncia! Aprender a ler,

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Os Limites da Amizade

Determinemos, agora, quais s√£o os limites e, por assim dizer, os termos da amizade. Encontro aqui tr√™s opini√Ķes diferentes, das quais n√£o aprovo nenhuma: a primeira deseja que sejamos para os nossos amigos, assim como somos para n√≥s mesmos; a segunda, que a nossa afei√ß√£o por eles seja tal e qual √† que eles t√™m por n√≥s; a terceira, que estimemos os nossos amigos, assim como eles se estimam a si mesmos. N√£o posso concordar com nenhuma destas tr√™s m√°ximas. Porque a primeira, que cada um tenha para com o seu amigo a mesma afei√ß√£o e vontade que tem para si, √© falsa. De facto, quantas coisas fazemos pelos nossos amigos, que jamais far√≠amos para n√≥s! Rogar, suplicar a um homem que se despreza, tratar a outro com aspereza, persegui-lo com viol√™ncia; coisas que em causa pr√≥pria n√£o seriam muito decentes, nos neg√≥cios dos amigos tornam-se muito honrosas. Quantas vezes um homem de bem abandona a defesa dos seus interesses e os sacrifica, em seu pr√≥prio detrimento, para servir os de seu amigo!
A segunda opini√£o √© a que define a amizade por uma correspond√™ncia igual em amor e bons servi√ßos. √Č fazer da amizade uma ideia bem limitada e mesquinha,

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Saber Subtrair-se

Pois se √© grande li√ß√£o de vida o saber negar, maior ser√° saber negar-se a si mesmo, aos neg√≥cios, √†s pessoas. H√° ocupa√ß√Ķes estranhas, carunchos do precioso tempo, e pior que nada fazer √© ocupar-se com impertin√™ncias. Para ser avisado n√£o basta n√£o ser intrometido, √© mister conseguir que n√£o o intrometam. N√£o se h√°-de ser tanto de todos que n√£o se seja de si mesmo. Tampouco dos amigos se h√°-de abusar, nem querer deles mais do que concederiam. Todo o demasiado √© vicioso, muito mais no trato. Com essa prudente temperan√ßa conserva-se melhor o agrado e a estima de todos, porque n√£o se fere a precios√≠ssima dec√™ncia. Tenha, pois, liberdade de g√©nio apaixonado do selecto, e nunca peque contra a f√© do seu bom gosto.

O Governo do Estado moderno é apenas um comitê para gerir os negócios comuns de toda a burguesia (veja: Manifesto do partido comunista)

O Lucro de Um é Prejuízo de Outro

O ateniense Dêmades condenou um homem da sua cidade que tinha por ofício vender as coisas necessárias para os enterros, sob a alegação de que exigia um lucro excessivo e esse lucro não lhe podia vir sem a morte de muitas pessoas. Tal julgamento parece estar mal pronunciado, na medida em que não se obtém benefício algum a não ser com prejuízo de outrem, e que dessa maneira seria preciso condenar toda a espécie de ganho.
O mercador s√≥ faz bem os seus neg√≥cios por causa da devassid√£o dos jovens; o lavrador, pela carestia dos cereais; o arquitecto, pela ru√≠na das casas; os oficiais de justi√ßa, pelos processos e contendas dos homens; mesmo as honras e a actividade dos ministros da religi√£o prov√™m da nossa morte e dos nossos v√≠cios. Nenhum m√©dico se alegra com a sa√ļde mesmo dos seus amigos, diz o antigo c√≥mico grego, nem o soldado com a paz da sua cidade; e assim sucessivamente. E o que √© pior: cada um sonde dentro de si mesmo, e descobrir√° que a maioria dos nossos desejos √≠ntimos nascem e alimentam-se √†s expensas de outrem.
Considerando isso, veio-me à mente que nisso a natureza não contradiz a sua organização geral,

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O homem de sucesso é aquele que descobre qual é a essência do seu negócio antes dos seus concorrentes.

A Desvantagem da Sabedoria

A sua inteligência estorvava-o. Que podia esperar da sabedoria e das suas cinco propriedades?
Primeiro, ele saberia como tratar os problemas dif√≠ceis ligados √† conduta humana e ao sentido da vida. Mas isso n√£o era priorit√°rio para ningu√©m, iam ach√°-lo desalmado e p√īr-lhe toda a esp√©cie de obst√°culos pela frente.
Segundo, a sabedoria exprime uma qualidade superior do conhecimento. Antecipa a avalia√ß√£o das situa√ß√Ķes, por tudo e nada reanima a aten√ß√£o dos outros com os seus conselhos. Depressa √© tratada como importuna e ter√° que recuar ao abrigo da frivolidade.
Terceiro, a sabedoria √© moderada e v√™ as coisas em profundidade. √Č, portanto, inimiga do ju√≠zo f√°cil e das paix√Ķes que s√£o requestadas para dar emo√ß√£o √†s exist√™ncias f√ļteis e cinzentas.
Quarto, a sabedoria é exercida tendo em vista o bem-estar da humanidade. Tem, por isso, mau nome em qualquer publicidade que faz vender produtos de grande lucro, como a guerra, o amor e as máquinas.
Quinto, finalmente: a sabedoria é reconhecida como valor estável pela maioria da população, o que é nocivo para o envolvimento dessa mesma população em qualquer campanha, seja de poder ou de ganho de negócios.
Enfim, ele teria que formar-se e esquecer os seus sonhos de grandeza,

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