Cita√ß√Ķes sobre Pacientes

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Crise? Seja paciente. Prove que ama não pondo seu amor à prova, afinal de que vale no peito ter amor e na língua um punhal? Fale, entenda-se. Amor é união, é sentir o outro como se fosse a extensão de si mesmo!

O caminho se abre quando há união. Quando o paciente e o médico se unem, abre-se o caminho da cura médica. O Caminho (Verdade) rege o Universo. Toda arte, ao atingir o grau máximo, torna-se Caminho (Verdade).

Civilização de Especialistas

A verdade √© que hoje vivemos numa civiliza√ß√£o de especialistas e que √© v√£o todo o empenho de que seja de outro modo. Sob pena de n√£o ser eficiente, o homem das artes, das ci√™ncias e das t√©cnicas tem de se especializar, para que domine aqueles segredos de bibliografia ou de pr√°tica, e para que obtenha os jeitos e a forte concentra√ß√£o de pensamento que se tornam necess√°rios para que se possa n√£o s√≥ manejar o que se herdou mas acrescentar patrim√≥nio para as gera√ß√Ķes futuras. E, se √© certo que por um lado o especialismo favorece aquela pregui√ßa de ser homem que tanto encontramos no mundo, permite ele, por outro lado, aproveitar em tarefas √ļteis indiv√≠duos que pouco brilhantes seriam no tratamento de conjuntos. O pre√ßo, por√©m, se tem naturalmente de pagar; paga-o o colectivo quando se queixa, e muito justamente, da falta de bons l√≠deres, de homens com uma larga vis√£o de conjunto, que saibam do trabalho de cada um o suficiente para o poderem dirigir e se tenham eles tornado especialistas na dif√≠cil arte de n√£o ter especialidade pr√≥pria sen√£o essa mesma do plano, da previs√£o e do animar na batalha as tropas que, na maior parte das vezes,

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Este Seu Escasso Campo

Este, seu ‚Äėscasso campo ora lavrando,
Ora solene, olhando-o com a vista
De quem a um filho olha, goza incerto
A n√£o-pensada vida.
Das fingidas fronteiras a mudança
O arado lhe n√£o tolhe, nem o empece
Per que concílios se o destino rege
Dos povos pacientes.
Pouco mais no presente do futuro
Que as ervas que arrancou, seguro vive
A antiga vida que n√£o torna, e fica,
Filhos, diversa e sua.

Somos tão pacientes connosco mesmos, que nunca nos irritamos com a nossa própria estupidez.

Viver com outra pessoa √© uma arte. √Č uma arte paciente, √© uma arte linda, √© fascinante.

A formação da linguagem é um paciente, extenso, doloroso e, muitas vezes, desesperante caminho. O erro aparece como uma constante, mas existe a possibilidade de ser sempre menor. Entre um grau máximo e um grau mínimo de erro, situa-se a evolução.

O temor mata as pessoas. Em Lyn, Massachussets, EUA, uma senhora faleceu na mesa de cirurgia ao ser anestesiada com éter. Segundo o depoimento da irmã, que presenciou o fato, a paciente se recusara a inalar o éter mas, sendo forçada a fazê-lo, morreu resistindo desesperadamente à ordem do médico. O caso foi levado à justiça e a autópsia revelou que a vítima não havia inalado nem um pouco de éter. Foi o medo do éter que a matou.

A Moralidade dos Homens Exaustos

Parte do conservantismo da idade madura decorre da intelig√™ncia, que afinal percebe a complexidade das institui√ß√Ķes e as imperfei√ß√Ķes do desejo; e parte vem do enfraquecimento das energias, o que explica a imaculada moralidade dos homens exaustos. A princ√≠pio com incredulidade, depois com desepero, vamos percebendo que o nosso reservat√≥rio de energia j√° n√£o se enche com a facilidade antiga; ou, como disse Schopenhauer, come√ßamos a consumir o capital em vez da renda do capital. Essa descoberta anuvia por alguns anos o homem maduro e indu-lo a deblaterar contra a brevidade da vida e a impossibilidade de realiza√ß√£o de grandes obras. Est√° ele j√° no alto da colina, de onde v√™, l√° no fundo, o fim inevit√°vel – a morte. At√© aquele momento n√£o admitia a morte, s√≥ pensando nela como um tema acad√©mico, de desinteresse para os cofres. Subitamente tudo muda e come√ßa a v√™-la de perto, e por mais que se esforce para n√£o descer a colina, h√° que desc√™-la. Os seus olhos voltam-se para o passado, para os dias em que tudo era ascens√£o descuidosa; e compraz-se na companhia dos mo√ßos e crian√ßas porque deles haure, passageira e incompletamente embora, um pouco do divino esquecimento da morte.

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Julgar sem Ira

Não há paixão que tanto abale a integridade dos julgamentos quanto a cólera. Ninguém hesitaria em punir de morte o juiz que, por cólera, houvesse condenado o seu criminoso; por que será mais permitido aos pais e aos professores açoitar as crianças e castigá-las estando encolerizados? Isso já não é correcção: é vingança. O castigo faz papel de remédio para as crianças; e toleraríamos um médico que estivesse animado e encolerizado contra o seu paciente?
N√≥s mesmos, para agir bem, n√£o dever√≠amos p√īr a m√£o nos nossos servi√ßais enquanto nos perdurar a c√≥lera. Enquanto o pulso nos bater e sentirmos emo√ß√£o, adiemos o acerto; as coisas na verdade v√£o parecer-nos diferentes quando estivermos calmos e arrefecidos: agora √© a paix√£o que comanda, √© a paix√£o que fala, n√£o somos n√≥s. Atrav√©s dela as faltas parecem-nos maiores, como os corpos no meio do nevoeiro. Quem tiver fome fa√ßa uso de alimento; mas quem quiser fazer uso do castigo n√£o deve sentir fome nem sede dele. E, al√©m disso, as puni√ß√Ķes que se fazem com pondera√ß√£o e discernimento s√£o muito mais bem aceites e com melhor proveito por quem as recebe. De outra forma, ele n√£o considera que foi condenado justamente,

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A Voz que Ouço quando Leio

Quando leio, h√° uma voz que l√™ dentro de mim. Paro o olhar sobre o texto impresso, mas n√£o acredito que seja o meu olhar que l√™. O meu olhar fica embaciado. √Č essa voz que l√™. Quando √© s√©ria, ou√ßo-a falar-me de assuntos s√©rios. √Äs vezes, sussurra-me. √Äs vezes, grita-me. Essa voz n√£o √© a minha voz. N√£o √© a voz que, em filmagens de festas de anos e de natais, vejo sair da minha boca, do movimento dos meus l√°bios, a voz que estranho por, num rosto parecido com o meu, n√£o me parecer minha. A voz que ou√ßo quando leio existe dentro de mim, mas n√£o √© minha. N√£o √© a voz dos meus pensamentos. A voz que ou√ßo quando leio existe dentro de mim, mas √© exterior a mim. √Č diferente de mim. Ainda assim, n√£o acredito que algu√©m possa ter uma voz que l√™ igual √† minha, por isso √© minha mas n√£o √© minha. Mas, claro, n√£o posso ter a certeza absoluta. N√£o s√≥ porque uma voz √© indescrit√≠vel, mas tamb√©m porque nunca ningu√©m me tentou descrever a voz que ouve quando l√™ e porque eu nunca falei com ningu√©m da voz que ou√ßo quando leio.

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Os Mesmos Erros

Mesmo um exame superficial da hist√≥ria revela que n√≥s, seres humanos, temos uma triste tend√™ncia para cometer os mesmos erros repetidas vezes. Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de n√≥s. Quando ficamos assustados, come√ßamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam. Temos bot√Ķes de f√°cil acesso que, quando carregamos neles, libertam emo√ß√Ķes poderosas. Podemos ser manipulados at√© extremos de insensatez por pol√≠ticos espertos. D√™em-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestion√°vel paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer – mesmo coisas que sabemos serem erradas.

Retrato de uma princesa desconhecida

Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem t√£o frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse t√£o direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma t√£o simples claridade sobre a testa
Foram necess√°rias sucessivas gera√ß√Ķes de escravos
De corpo dobrado e grossas m√£os pacientes
Servindo sucessivas gera√ß√Ķes de pr√≠ncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
√Āvidos cru√©is e fraudulentos

Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solit√°ria exilada sem destino

O Amolecimento pela Sociedade de Consumo

Nos pa√≠ses subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder institu√≠do, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, origin√°rio por via de regra da m√©dia e da pequena burguesia ou mais raramente das classes prolet√°rias, contesta o statu quo, prop√Ķe solu√ß√Ķes revolucion√°rias ou, quando estas n√£o podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar faz√™-lo pela cr√≠tica, violenta ou ir√≥nica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os benefici√°rios do sistema de produ√ß√£o ergueram contra as aspira√ß√Ķes da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude id√™ntica de inconformismo; por√©m, os resultados da sua actividade de cria√ß√£o e reflex√£o tornam-se mat√©ria vend√°vel e, nalguns casos, mat√©ria integr√°vel.
O consumo do objecto art√≠stico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opini√£o, que os meios de comunica√ß√£o de massa, em escala largu√≠ssima , exercem, torna-se, sen√£o totalmente in√≥cuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conte√ļdo cr√≠tico. Despotencializa-se. Amolece. √Č o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve,

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‚ÄėDem√īnio‚Äô que se esconde na mente humana ‚Äď √© a tend√™ncia mental das pessoas pregui√ßosas que preferem viver comodamente, sem fazer nada. √Č comum haver esses ‚Äėdem√īnios‚Äô ocultos nas mentes dos pacientes que se acomodam ao tratamento que se baseia exclusivamente em repouso.