Passagens sobre Preces

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Frases sobre preces, poemas sobre preces e outras passagens sobre preces para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ai de mim, Póstumo, Póstumo, fugazes
correm os anos; e as preces
n√£o podem retardar as rugas a velhice
premente e a morte inevit√°vel.

Tudo Est√° ao Nosso Alcance

A vida traz a cada um a sua tarefa e, seja qual for a ocupa√ß√£o escolhida, √°lgebra, pintura, arquitectura, poesia, com√©rcio, pol√≠tica ‚ÄĒ todas est√£o ao nosso alcance, at√© mesmo na realiza√ß√£o de miraculosos triunfos, tudo na depend√™ncia da selec√ß√£o daquilo para que temos aptid√£o: comece pelo come√ßo, prossiga na ordem certa, passo a passo. √Č t√£o f√°cil retorcer √Ęncoras de ferro e talhar canh√Ķes como entrela√ßar palha, t√£o f√°cil ferver granito como ferver √°gua, se voc√™ fizer tudo na ordem correcta. Onde quer que haja insucesso √© porque houve titubeio, houve alguma supersti√ß√£o sobre a sorte, algum passo omitido, que a natureza jamais perdoa. Condi√ß√Ķes felizes de vida podem ser obtidas nos mesmos termos. A atrac√ß√£o que elas suscitam √© a promessa de que est√£o ao nosso alcance. As nossas preces s√£o profetas. √Č preciso fidelidade; √© preciso ades√£o firme. Qu√£o respeit√°vel √© a vida que se aferra aos seus objectivos! As aspira√ß√Ķes juvenis s√£o coisas belas, as suas teorias e planos de vida s√£o leg√≠timos e recomend√°veis: mas voc√™ ser√° fiel a eles? Nem um homem sequer, receio eu, naquele p√°tio repleto de gente, ou n√£o mais que um em mil. E, se tentar cobrar deles a trai√ß√£o cometida,

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Eu aprendi… que sempre posso fazer uma prece por algu√©m, quando n√£o tenho for√ßas para ajud√°-lo de alguma outra forma.

Magnólia Dos Trópicos

A Ara√ļjo Figueredo

Com as rosas e o luar, os sonhos e as neblinas,
√ď magn√≥lia de luz, cotovia dos mares,
Formaram-te talvez os brancos nen√ļfares
Da tua carne ideal, de corre√ß√Ķes felinas.

O teu colo pag√£o de virgens curvas finas
√Č o mais imaculado e fl√≥reo dos altares,
Donde eu vejo elevar-se eternamente aos ares
Vi√°ticos de amor e preces diamantinas.

Abre, pois, para mim os teus braços de seda
E do verso através a límpida alameda
Onde h√° frescura e sombra e sol e murmurejo;

Vem! com a asa de um beijo a boca palpitando,
No alvoroço febril de um pássaro cantando,
Vem dar-me a extrema-unção do teu amor num beijo.

Obrigada!

A Nininha Andrade

… E tu rezas por mim! Como agrade√ßo
Essa esmola gentil de teu carinho…
Como as torturas de minh’alma esque√ßo
Nessa tua oração, floco de arminho!

Eu te bendigo, ó santa que estremeço,
Alma t√£o pura como a flor do linho.
√Č tua prece √† m√°goa que pade√ßo
Asa de pomba defendendo um ninho!

Reza, criança! Junta as mãos nevadas
E cerra as níveas pálpebras amadas
Sobre os teus olhos como um lindo v√©u…

Depois, nas asas de uma prece ardente,
Deixa cantar minh’alma docemente,
Deixa subir meu coração ao céu!

XXXIII

Quando adivinha que vou vê-Ia, e à escada
Ouve-me a voz e o meu andar conhece,
Fica p√°lida, assusta-se, estremece,
E n√£o sei por que foge envergonhada.

Volta depois. À porta, alvoroçada,
Sorrindo, em fogo as faces, aparece:
E talvez entendendo a muda prece
De meus olhos, adianta-se apressada.

Corre, delira, multiplica os passos;
E o ch√£o, sob os seus passos murmurando,
Segue-a de um hino, de um rumor de festa

E ah! que desejo de a tomar nos braços,
O movimento r√°pido sustando
Das duas asas que a paix√£o lhe empresta.

IV

Vagueiam suavemente os teus olhares
Pelo amplo céu franjado em linho:
Comprazem-te as vis√Ķes crepusculares…
Tu és uma ave que perdeu o ninho.

Em que nichos doirados, em que altares
Repoisas, anjo errante, de mansinho?
E penso, ao ver-te envolta em véus de luares,
Que vês no azul o teu caixão de pinho.

√Čs a ess√™ncia de tudo quanto desce
Do solar das celestes maravilhas…
– Harpa dos crentes, c√≠tola da prece…

Lua eterna que n√£o tivesse fases,
Cintilas branca, imaculada brilhas,
E poeiras de astros nas sand√°lias trazes…

Ontologia do Amor

Tua carne é a graça tenra dos pomares
e abre-se teu ventre de uma a outra lua;
de teus próprios seios descem dois luares
e desse luar vestida é que ficas nua.

√ānsia de voo em asas de ficar
de ti mesma sou o mar e o fundo.
Praia dos seres, quem te viajar
só naufragando recupera o mundo.

Ritmo de céu, por quem és pergunta
de uma azul resposta que n√£o trazes junta
vitral de carne em catedral infinda.

Ter-te amor é já rezar-te, prece
de um imenso altar onde acontece
quem no próprio corpo é céu ainda.

N√£o pede nada nas tuas preces, porque tu n√£o sabes o que √© √ļtil e s√≥ Deus conhece as tuas necessidades.

A Crença só se Mantém pela Ritualização

Uma verdade racional √© impessoal e os factos que a sustentam ficam estabelecidos para sempre. Sendo, ao contr√°rio, pessoais e baseadas em concep√ß√Ķes sentimentais ou m√≠sticas, as cren√ßas s√£o submetidas a todos os factores suscept√≠veis de impressionar a sensibilidade. Deveriam, portanto, ao que parece, modificar-se incessantemente.
As suas partes essenciais mantêm-se, contudo, mas cumpre que sejam constantemente alentadas. Qualquer que seja a sua força no momento do seu triunfo, uma crença que não é continuamente defendida logo se desagrega. A história está repleta de destroços de crenças que, por essa razão, tiveram apenas uma existência efémera. A codificação das crenças em dogmas constitui um elemento de duração que não poderia bastar. A escrita unicamente modera a acção destruidora do tempo.
Uma cren√ßa qualquer, religiosa, pol√≠tica, moral ou social mant√©m-se sobretudo pelo cont√°gio mental e por sugest√Ķes repetidas. Imagens, est√°tuas, rel√≠quias, peregrina√ß√Ķes, cerim√īnias, cantos, m√ļsica, pr√©dicas, etc., s√£o os elementos necess√°rios desse cont√°gio e dessas sugest√Ķes.
Confinado num deserto, privado de qualquer símbolo, o crente mais convicto veria rapidamente a sua fé declinar. Se, entretanto, anacoretas e missionários a conservam, é porque incessantemente relêem os seus livros religiosos e, sobretudo, se sujeitam a uma multidão de ritos e de preces.

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T√£o Grande Dor

“T√£o grande dor para t√£o pequeno povo” palavras de um timorense √† RTP
Timor fragilíssimo e distante
Do povo e da guerrilha
Evanescente nas brumas da montanha

“S√Ęndalo flor b√ļfalo montanha
Cantos danças ritos
E a pureza dos gestos ancestrais”

Em frente ao pasmo atento das crianças
Assim contava o poeta Rui Cinatti
Sentado no ch√£o
Naquela noite em que voltara da viagem

Timor
Dever que não foi cumprido e que por isso dói

Depois vieram notícias desgarradas
Raras e confusas
Violências mortes crueldade
E anos após ano
Ia crescendo sempre a atrocidade
E dia a dia – espanto prod√≠gio assombro –
Cresceu a valentia
Do povo e da guerrilha
Evanescente nas brumas da montanha

Timor cercado por um bruto silêncio
Mais pesado e mais espesso do que o muro
De Berlim que foi sempre falado
Porque n√£o era um muro mas um cerco
Que por segundo cerco era cercado

O cerco da surdez dos consumistas
Tão cheios de jornais e de notícias

Mas como se fosse o milagre pedido
Pelo rio da prece ao som das balas
As imagens do massacre foram salvas
As imagens romperam os cercos do silêncio
Irromperam nos écrans e os surdos viram
A evidência nua das imagens

Velha P√°gina

Chove. Que m√°goa l√° fora!
Que m√°goa! Embruscam-se os ares
Sobre este rio que chora
Velhos e eternos pesares.

E sinto o que a terra sente
E a tristeza que diviso,
Eu, de teus olhos ausente,
Ausente de teu sorriso…

As asas loucas abrindo,
Meus versos, num longo anseio,
Morrer√£o, sem que, sorrindo,
Possa acolhê-los teu seio!

Ah! quem mandou que fizesses
Minh’alma da tua escrava,
E ouvisses as minhas preces,
Chorando como eu chorava?

Por que é que um dia me ouviste,
Tão pálida e alvoroçada,
E, como quem ama, triste,
Como quem ama, calada?

Tu tens um nome celeste…
Quem é do céu é sensível!
Por que é que me não disseste
Toda a verdade terrível?

Por que, fugindo impiedosa,
Desertas o nosso ninho?
– Era t√£o bela esta rosa!…
J√° me tardava este espinho!

Fora melhor, porventura,
Ficar no antigo degredo
Que conhecer a ventura
Para perdê-la tão cedo!

Por que me ouviste, enxugando
O pranto das minhas faces?

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Soneto à Rendeira

O linho é uma oração remota, nesse
fluir fabril de fio para a flor.
Move-se o coração da moça, e esquece
o tempo prisioneiro, em derredor

da sombra esguia que à almofada tece.
Move-se, em seu af√£ modelador
de paz, o mito imemorial da prece
que do limbo da morte inventa o amor.

Movem-se dentro dela o sol e o vento.
Move-se o mar, e os pórticos se movem
das √°guas em perp√©tuo movimento…

Move-se a gênese em seu corpo jovem.
E, enquanto o olhar medita, os dedos tecem
gestos de amor que os l√°bios n√£o conhecem.

IX

De outras sei que se mostram menos frias,
Amando menos do que amar pareces.
Usam todas de l√°grimas e preces:
Tu de acerbas risadas e ironias.

De modo tal minha atenção desvias,
Com tal perícia meu engano teces,
Que, se gelado o coração tivesses,
Certo, querida, mais ardor terias.

Olho-te: cega ao meu olhar te fazes …
Falo-te – e com que fogo a voz levanto! –
Em v√£o… Finges-te surda √†s minhas frases…

Surda: e nem ouves meu amargo pranto!
Cega: e nem vês a nova dor que trazes
À dor antiga que doía tanto!