Cita√ß√Ķes sobre Sede

235 resultados
Frases sobre sede, poemas sobre sede e outras cita√ß√Ķes sobre sede para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Tonel do Rancor

O Rancor é o tonel das Danaidas alvíssimas;
A Vingança, febril, grandes olhos absortos,
procura em vão encher-lhes as trevas profundíssimas,
Constante, a despejar pranto e sangue de mortos.

O Diabo faz-lhe abrir uns furos misteriosos
Por onde se estravasa o líquido em tropel;
Mil anos de labor, de esforços fatigosos,
Tudo seria v√£o para encher o tonel.

O Rancor é qual ébrido em sórdida taverna,
Que quanto mais bebeu inda mais sede tem,
Vendo-a multiplicar como a hidra de Lerna.

РMas se o ébrio feliz sabe com quem se avém,
O Rancor, por seu mal, n√£o logra conseguir,
Qual torvo beberr√£o, acabar por dormir.

Tradução de Delfim Guimarães

Protesto

Não é no teu corpo que se imola
para a ceia dos meus sentidos
a v√≠tima n√ļbil, a √°urea mola
que cinge o amor recente aos idos.

Mas é também no teu corpo que corre
o sangue que o meu sangue socorre.

Não é no teu corpo que se ergue
a guerra fria dos meus nervos.

nem nasceram tuas transparências
para a cegueira dos meus dedos.

Mas é também no teu corpo insano
que perscruto meu desconforto humano.

Não é no teu corpo, nos teus olhos
de fauno, que colho as minhas ditas,
nem o jasmim de tua boca flore
para a vis√£o que me solicita.

Mas √© tamb√©m no teu corpo √ļnico
que o amor √† forma do Amor re√ļno.

Não é no teu corpo que concentro
minha sede (esta sede ferina
que morre de seu farto alimento
e vive de quanto se elimina)

Mas é também teu corpo a medida
destas √°guas sobre a minha ferida.

Não é no teu corpo, mas é tanto
no teu corpo meu √ļltimo ref√ļgio,

Continue lendo…

Não há Liberdade sem Direcção

√Č f√°cil estabelecer a ordem de uma sociedade na submiss√£o de cada um dos seus componentes a regras fixas. √Č f√°cil moldar um homem cego que tolere, sem protestar, um mestre ou um Cor√£o. Mas √© muito diferente, para libertar o homem, faz√™-lo reinar sobre si pr√≥prio.
Mas o que √© libertar? Se eu libertar, no deserto, um homem que n√£o sente nada, que significa a sua liberdade? N√£o h√° liberdade a n√£o ser a de ¬ęalgu√©m¬Ľ que vai para algum s√≠tio. Libertar este homem seria mostrar-lhe que tem sede e tra√ßar o caminho para um po√ßo. S√≥ ent√£o se lhe ofereceriam possibilidades que teriam significado. Libertar uma pedra nada significa se n√£o existir gravidade. Porque a pedra, depois de liberta, n√£o iria a parte nenhuma.

A Sede de Explica√ß√Ķes

T√£o irredut√≠vel quanto a necessidade de crer, a necessidade de explica√ß√Ķes acompanha o homem desde o ber√ßo at√© ao t√ļmulo. Ela contribuiu para criar os seus deuses e diariamente determina a g√©nese de numerosas opini√Ķes. Essa necessidade intensa facilmente se satisfaz. As respostas mais rudimentares s√£o suficientes. A facilidade com que √© contentada foi a origem de grande n√ļmero de erros. Sempre √°vido de certezas definitivas, o esp√≠rito humano guarda muito tempo as opini√Ķes falsas fundadas na necessidade de explica√ß√Ķes e considera como inimigos do seu repouso aqueles que as combatem.
O principal inconveniente das opini√Ķes baseadas em explica√ß√Ķes err√≥neas √© que, admitindo-as como definitivas, o homem n√£o procura outras. Supor que se conhece a raz√£o das coisas √© um meio seguro de n√£o a descobrir. A ignor√Ęncia da nossa ignor√Ęncia tem retardado de longos s√©culos os progressos das ci√™ncias e ainda, ali√°s, os restringe. A sede de explica√ß√Ķes √© tal que sempre foi achada alguma para os fen√≥menos menos compreens√≠veis. O esp√≠rito tem mais satisfa√ß√£o em admitir que J√ļpiter lan√ßa o raio do que em se confessar ignorante em rela√ß√£o √†s causas que o fazem rebentar. Para n√£o confessar a sua ignor√Ęncia em certos assuntos, a pr√≥pria ci√™ncia muitas vezes se contenta com explica√ß√Ķes an√°logas.

Continue lendo…

A Demora

O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.

Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.

Quando chegas
j√° n√£o sou sen√£o saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao ch√£o em que te ergues.

Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.

Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, j√° sem voz
se vai despindo em ti.

O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.

Sede como os p√°ssaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.

No Seio Da Terra

Do pélago dos pélagos sombrios,
C√° do seio da Terra, olhando as vidas,
Escuto o murmurar de almas perdidas,
Como o secreto murmurar dos rios.

Trazem-me os ventos negros calafrios
E os loluços das almas doloridas
Que têm sede das terras prometidas
E morrem como abutres erradios.

As √Ęnsias sobem, as tremendas √Ęnsias!
Velhices, mocidades e as inf√Ęncias
Humansa entre a Dor se despeda√ßam…

Mas, sobre tantos convulsivos gritos,
Passam horas, espaços, infinitos,
Esferas, gera√ß√Ķes, sonhando, passam!

N√£o h√° Nada T√£o Enjoativo Quanto a Abund√Ęncia

O amor bem nutrido e excessivamente submisso logo nos enjoa e cansa, como o excesso de uma iguaria agrad√°vel cansa o est√īmago (Ov√≠dio). Julgam que os meninos de coro t√™m grande prazer com a m√ļsica? A saciedade toma-a antes tediosa. Os festins, as dan√ßas, as mascaradas, os torneios alegram os que n√£o os v√™em ami√ļde e que desejaram v√™-los; mas para quem o faz habitualmente o seu gosto torna-se ins√≠pido e desagra¬≠d√°vel; tamb√©m as mulheres n√£o excitam aquele que delas desfruta √† saciedade. Quem n√£o se d√° tempo para sentir sede n√£o poderia ter prazer em beber. As farsas dos saltimbancos divertem-nos, mas para os actores servem de obriga√ß√£o. E a prova disso √© que para os pr√≠ncipes s√£o de¬≠l√≠cias, √© festa poderem √†s vezes travestir-se e descer √† for¬≠ma de vida baixa e popular, frequentemente aos grandes apraz mudar; e refei√ß√Ķes frugais e asseadas sob o tecto de um pobre, sem tapete nem p√ļrpura, desenrugaram-¬≠lhes a fronte inquieta (Hor√°cio).
N√£o h√° nada t√£o inc√≥modo, t√£o enjoativo quanto a abund√Ęncia. Que apetite n√£o se repugnaria ao ver tre¬≠zentas mulheres √† sua merc√™, como as que tem o grande se¬≠nhor no seu serralho? E que prazer e que esp√©cie de ca¬≠√ßada buscara aquele ancestral seu que nunca ia para os campos com menos de sete mil falcoeiros?

Continue lendo…

Amizade

Ser-se amigo é ser-se pai
( ‚ÄĒ Ou mais do que pai talvez…)
√Č p√īr-se a boca onde cai
A nódoa que nos desfez.

√Č dar sem receber nada,
Consciente da pris√£o,
Onde os nossos passos v√£o
Em linha por n√≥s tra√ßada…

√Č saber que nos consome
A sede, e sentirmos bem
O Céu, por na Terra, alguém
Rir, cantar e n√£o ter fome.

√Č aceitar a mentira
E ach√°-la formosa e humana
Só porque a gente respira
O ar de quem nos engana.

Os Cinco Sentidos

S√£o belas – bem o sei, essas estrelas,
Mil cores Рdivinais têm essas flores;
Mas eu n√£o tenho, amor, olhos para elas:
Em toda a natureza
N√£o vejo outra beleza
Sen√£o a ti – a ti!

Divina – ai! sim, ser√° a voz que afina
Saudosa – na ramagem densa, umbrosa.
ser√°; mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Sen√£o a ti – a ti!

Respira – n’aura que entre as flores gira,
Celeste – incenso de perfume agreste,
Sei… n√£o sinto: minha alma n√£o aspira,
N√£o percebe, n√£o toma
Sen√£o o doce aroma
Que vem de ti – de ti!

Formosos – s√£o os pomos saborosos,
√Č um mimo – de n√©ctar o racimo:
E eu tenho fome e sede… sequiosos,
Famintos meus desejos
Est√£o… mas √© de beijos,
√Č s√≥ de ti – de ti!

Macia – deve a relva luzidia
Do leito – ser por certo em que me deito.
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,

Continue lendo…

√Č Isto o Amor

Em quem pensar, agora, sen√£o em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manh√£ da minha noite. √Č verdade que te podia
dizer: ¬ęComo √© mais f√°cil deixar que as coisas
n√£o mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de n√≥s pr√≥prios?¬Ľ Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te n√£o vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele pass√°mos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de √°gua
fresca que eu bebo, com esta sede que n√£o passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim,

Continue lendo…

Aqui Mereço-te

O sabor do p√£o e da terra
e uma luva de orvalho na m√£o ligeira.
A flor fresca que respiro é branca.
E corto o ar como um p√£o enquanto caminho entre searas.
Pertenço em cada movimento a esta terra.
O meu suor tem o gosto das ervas e das pedras.
Sorvo o silêncio visivel entre as árvores.
√Č aqui e agora o dilatado abra√ßo das ra√≠zes claras do sono.
Sob as p√°lpebras transparentes deste dia
o ar é o suspiro dos próprios lábios.
Amar aqui é amar no mar,
mas com a resistência das paredes da terra.

A m√£o flui liberta t√£o livre como o olhar.
Aqui posso estar seguro e leve no silêncio
entre calmas formas, matérias densas, raízes lentas,
ao fogo esparso que alastra ao horizonte.
No meu corpo acende-se uma pequena l√Ęmpada.
Tudo o que eu disser s√£o os l√°bios da terra,
o leve martelar das línguas de água,
as feridas da seiva, o estalar das crostas,
o murm√ļrio do ar e do fogo sobre a terra,
o incessante alimento que percorre o meu corpo.

Continue lendo…

Sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar

Sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar.

XXIV

Sonha em torrentes d’√°gua, o que abrasado
Na sede ardente est√°; sonha em riqueza
Aquele, que no horror de uma pobreza
Anda sempre infeliz, sempre vexado:

Assim na agitação de meu cuidado
De um contínuo delírio esta alma presa,
Quando é tudo rigor, tudo aspereza,
Me finjo no prazer de um doce estado.

Ao despertar a louca fantasia
Do enfermo, do mendigo, se descobre
Do torpe engano seu a imagem fria:

Que importa pois, que a idéia alívios cobre,
Se apesar desta ingrata aleivosia,
Quanto mais rico estou, estou mais pobre.

O Lupanar

Ali! Por que monstruosíssimo motivo
Prenderam para sempre, nesta rede,
Dentro do √Ęngulo diedro da parede,
A alma do homem polígamo e lascivo?!

Este logar, moços do mundo, vêde:
√Č o grande bebedouro coletivo,
Onde os bandalhos, como um gado vivo,
Todas as noites, vêm matar a sede!

√Č o afrodis√≠aco leito do hetairismo,
A antec√Ęmara l√ļbrica do abismo,
Em que é mister que o gênero humano entre,

Quando a promiscuidade aterradora
Matar a √ļltima for√ßa geradora
E comer o √ļltimo √≥vulo do ventre!

Mas Eu

Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflex√£o emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antag√īnicas e absurdas se sucedem ‚ÄĒ
Eu o foco in√ļtil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensa√ß√Ķes,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.

Natal

Mais uma vez, c√° vimos
Festejar o teu novo nascimento,
Nós, que, parece, nos desiludimos
Do teu advento!

Cada vez o teu Reino é menos deste mundo!
Mas vimos, com as m√£os cheias dos nossos pomos,
Festejar-te, ‚ÄĒ do fundo
Da miséria que somos.

Os que à chegada
Te vimos esperar com palmas, frutos, hinos,
Somos ‚ÄĒ n√£o uma vez, mas cada ‚ÄĒ
Teus assassinos.

À tua mesa nos sentamos:
Teu sangue e corpo é que nos mata a sede e a fome;
Mas por trinta moedas te entregamos;
E por temor, negamos o teu nome.

Sob esc√°rnios e ultrajes,
Ao vulgo te exibimos, que te aclame;
Te rojamos nas lajes;
Te cravejamos numa cruz infane.

Depois, a mesma cruz, a erguemos,
Como um farol de salvação,
Sobre as cidades em que ferve extremos
A nossa corrupção.

Os que em leil√£o a arrematamos
Como sagrada pe√ßa √ļnica,
Somos os que jogamos,
Para com√©rcio, a tua t√ļnica.

Tais somos, os que, por costume,
Vimos, mais uma vez,

Continue lendo…