Passagens sobre Sintomas

35 resultados
Frases sobre sintomas, poemas sobre sintomas e outras passagens sobre sintomas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O hábito tem-lhe amortecido as quedas. Mas sentindo menos dor, perdeu a vantagem da dor como aviso e sintoma. Hoje em dia vive incomparavelmente mais sereno, porém em grande perigo de vida: pode estar a um passo de estar morrendo, a um passo de já ter morrido, e sem o benefício de seu próprio aviso prévio.

Ambição e Poder

Examinemo-nos no momento em que a ambi√ß√£o nos trabalha, em que lhe sofremos a febre; dissequemos em seguida os nossos ¬ęacessos¬Ľ. Verificaremos que estes s√£o precedidos de sintomas cuirosos, de um calor especial, que n√£o deixa nem de nos arrastar nem de nos alarmar. Intoxicados de porvir por abuso de esperan√ßa, sentimo-nos de s√ļbito respons√°veis pelo presente e pelo futuro, no n√ļcleo da dura√ß√£o, carregada esta dos nossos fr√©mitos, com a qual, agentes de uma anarquia universal, sonhamos explodir. Atentos aos acontecimentos que se passam no nosso c√©rebro e √†s vicissitudes do nosso sangue, virados para o que nos altera, espiamos-lhe e acarinhamos-lhe os sinais. Fonte de perturba√ß√Ķes, de transtornos √≠mpares, a loucura pol√≠tica, se afoga a intelig√™ncia, favorece em contrapartida os instintos e mergulha-os num caos salutar. A ideia do bem e sobretudo do mal que imaginamos ser capazes de cumprir regozijar-nos-√° e exaltar-nos-√°; e o feito das nossas enfermidades, o seu prod√≠gio, ser√° tal que elas nos instituir√£o senhores de todos e de tudo.
À nossa volta, observaremos uma alteração análoga naqueles que a mesma paixão corrói. Enquanto sofrerem o seu império, serão irreconhecíves, presas de uma embriaguez diferente de todas as outras. Tudo mudará neles, até o timbre da voz.

Continue lendo…

O suicídio é um sintoma de perda de consciência do sentido da vida

O suicídio é um sintoma de perda de consciência do sentido da vida.

Daqui a Vinte e Cinco Anos

Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a vinte e cinco anos. Nem daqui a vinte e cinco minutos, quanto mais vinte e cinco anos. Mas a impressão-desejo é a de que num futuro não muito remoto talvez compreendamos que os movimentos caóticos atuais já eram os primeiros passos afinando-se e orquestrando-se para uma situação económica mais digna de um homem, de uma mulher, de uma criança. E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos, e é quem um dia terminará liderando os líderes. Daqui a vinte e cinco anos o povo terá falado muito mais.
Mas se n√£o sei prever, posso pelo menos desejar. Posso intensamente desejar que o problema mais urgente se resolva: o da fome. Muit√≠ssimo mais depressa, por√©m, do que em vinte e cinco anos, porque n√£o h√° mais tempo de esperar: milhares de homens, mulheres e crian√ßas s√£o verdadeiros moribundos ambulantes que tecnicamente deviam estar internados em hospitais para subnutridos. Tal √© a mis√©ria, que se justificaria ser decretado estado de prontid√£o, como diante de calamidade p√ļblica. S√≥ que √© pior: a fome √© a nossa endemia, j√° est√° fazendo parte org√Ęnica do corpo e da alma.

Continue lendo…

Indiferença em Política

Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional.
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.
Mas quando √© livre esse povo, quando a paz lhe √© ainda convalescen√ßa para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando come√ßa a ter consci√™ncia de si e da sua soberania… que ent√£o, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lan√ßar do porto; para esse povo √© como de morte este sintoma, porque √© o olvido da ideia que h√° pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue,

Continue lendo…

A Terra protesta pelo mal que lhe causamos, por causa do uso irrespons√°vel e do abuso dos bens que Deus p√īs nela. Crescemos a pensar que √©ramos seus propriet√°rios e dominadores, autorizados a saque√°-la. A viol√™ncia que existe no cora√ß√£o humano ferido pelo pecado manifesta-se nos sintomas de doen√ßa que verificamos no solo, na √°gua, no ar e nos seres vivos.

Felicidade Neurótica

– N√£o te assustes, continuo a ser a mesma velha Madeline. Ouve o que encontrei hoje na biblioteca, quando estava a ler os jornais. Escuta. – Tirou um peda√ßo de papel da algibeira dos jeans. – Copiei de um jornal. Palavra por palavra. Journal of Medical Ethics. ¬ęProp√Ķe-se que a felicidade¬Ľ – levantou os olhos do papel e esclareceu: – o it√°lico na felicidade √© deles – ¬ęProp√Ķe-se que a felicidade seja classificada como perturba√ß√£o psiqui√°trica e inclu√≠da em futuras edi√ß√Ķes dos manuais de diagn√≥stico especializados sob a nova designa√ß√£o de importante perturba√ß√£o afectiva, do tipo agrad√°vel. Numa resenha da literatura relevante est√° demonstrado que a felicidade √© estatisticamente anormal, consiste num discreto aglomerado de sintomas. Est√° associada a uma ordem de anomalias cognitivas e provavelmente reflecte o funcionamento anormal do sistema nervoso central. Persiste uma poss√≠vel objec√ß√£o a esta proposta: a de que a felicidade n√£o √© avaliada negativamente. No entanto, esta objec√ß√£o √© rejeitada como sendo cientificamente irrelevante¬Ľ.

A Felicidade Provém da Plena Posse das Suas Faculdades

O √≥dio √† raz√£o, t√£o frequente nos nossos dias, √© devido em grande parte ao facto dos movimentos da raz√£o n√£o serem concebidos duma forma suficientemente fundamental. O homem dividido contra si mesmo procura est√≠mulos e distrac√ß√Ķes; ama as paix√Ķes fortes, n√£o por raz√Ķes profundas, mas porque moment√Ęneamente elas lhe permitem evadir-se de si pr√≥prio e afastam dele a dolorosa necessidade de pensar.
Toda a paix√£o √© para ele uma forma de intoxica√ß√£o, e desde que n√£o pode conceber uma felicidade fundamental, a intoxica√ß√£o parece-lhe o √ļnico al√≠vio para o seu sofrimento. Isso, no entanto, √© o sintoma duma doen√ßa de ra√≠zes profundas. Quando n√£o h√° tal doen√ßa, a felicidade prov√©m da plena posse das suas faculdades. √Č nos momentos em que o esp√≠rito est√° mais activo, em que menos coisas s√£o esquecidas que se sentem alegrias mais intensas. Esta √©, sem d√ļvida, uma das melhores pedras de toque da felicidade. A felicidade que exige intoxica√ß√£o de n√£o importa que esp√©cie, √© falsa e n√£o d√° qualquer satisfa√ß√£o. A felicidade que satisfaz verdadeiramente √© acompanhada pelo completo exerc√≠cio das nossas faculdades e pela compreens√£o plena do mundo em que vivemos.

O Estilo é um Reflexo da Vida

Qual a causa que provoca, em certas √©pocas, a decad√™ncia geral do estilo ? De que modo sucede que uma certa tend√™ncia se forma nos esp√≠ritos e os leva √† pr√°tica de determinados defeitos, umas vezes uma verborreia desmesurada, outras uma linguagem sincopada quase √† maneira de can√ß√£o? Porque √© que umas vezes est√° na moda uma literatura altamente fantasiosa para l√° de toda a verosimilhan√ßa, e outras a escrita em frases abruptas e com segundo sentido em que temos de subentender mais do que elas dizem? Porque √© que nesta ou naquela √©poca se abusa sem restri√ß√Ķes do direito √† met√°fora? Eis o rol dos problemas que me p√Ķes. A raz√£o de tudo isto √© t√£o bem conhecida que os Gregos at√© fizeram dela um prov√©rbio: o estilo √© um reflexo da vida! De facto, assim como o modo de agir de cada pessoa se reflecte no modo como fala, tamb√©m sucede que o estilo liter√°rio imita os costumes da sociedade sempre que a moral p√ļblica √© contestada e a sociedade se entrega a sofisticados prazeres. A corrup√ß√£o do estilo demonstra plenamente o estado de dissolu√ß√£o social, caso, evidentemente, tal estilo n√£o seja apenas a pr√°tica de um ou outro autor,

Continue lendo…

Já então o pároco manifestava os primeiros sintomas do delírio senil que o levou a dizer, anos mais tarde, que provavelmente o diabo tinha ganho a rebelião contra Deus e que era aquele quem estava sentado no trono celeste sem revelar a sua verdadeira identidade para enganar os incautos.

Os Sintomas do Nosso Mal-Estar Espiritual

Os sintomas do nosso mal-estar espiritual s√£o demasiados familares. Incluem: a dimens√£o da corrup√ß√£o, tanto no sector p√ļblico como no sector privado, onde cargos e posi√ß√Ķes de responsabilidade s√£o tratados como oportunidades de enriquecimento pessoal; a corrup√ß√£o que ocorre no seio do nosso sistema de justi√ßa; a viol√™ncia nas rela√ß√Ķes interpessoais e nas fam√≠lias, em particular, o vergonhoso recorde de abuso de mulheres e crian√ßas; e a dimens√£o da evas√£o fiscal e a recusa em pagar pelos servi√ßos utilizados.

Façam a Barba, Meus Senhores!

A barba, por ser quase uma máscara, deveria ser proibida pela polícia. Além disso, enquanto distintivo do sexo no meio do rosto, ela é obscena: por isso é apreciada pelas mulheres.
Dizem que a barba √© natural ao homem: n√£o h√° d√ļvida, e por isso ela √© perfeitamente adequada ao homem no estado natural; do mesmo modo, por√©m, no estado civilizado √© natural ao homem fazer a barba, uma vez que assim ele demonstra que a brutal viol√™ncia animalesca – cujo emblema, percebido imediatamente por todos, √© aquela excresc√™ncia de p√™los, caracter√≠stica do sexo masculino – teve de ceder √† lei, √† ordem e √† civiliza√ß√£o.
A barba aumenta a parte animalesca do rosto e ressalta-a. Por essa raz√£o, confere-lhe um aspecto brutal t√£o evidente. Basta observar um homem barbudo de perfil enquanto ele come! Este pretende que a barba seja um ornamento. No entanto, h√° duzentos anos era comum ver esse ornamento apenas em judeus, cossacos, capuchinhos, prisioneiros e ladr√Ķes. A ferocidade e a atrocidade que a barba confere √† fisionomia dependem do facto de que uma massa respectivamente sem vida ocupa metade do rosto, e justamente aquela que expressa a moral. Al√©m disso, todo o tipo de p√™lo √© animalesco.

Continue lendo…

Raz√£o afectada pelo Desejo

O homem que deseja agir de certa forma se persuadirá que, assim procedendo, alcançará algum propósito que considera bom, mesmo que não vise motivo algum para pensar dessa forma, se não tivesse tal desejo. E julgará os factos e probabilidades de maneira muito diferente daquela adoptada por um homem com desejos opostos. Como todos sabem, os jogadores estão cheios de crenças irracionais relativas a sistemas que devem, no fim, fazê-los ganhar. Os que se interessam pela política persuadem-se de que os líderes do seu partido jamais praticariam as patifarias cometidas pelos adversários. Os homens que gostam de administrar acham que é bom para o povo ser tratado como um rebanho de ovelhas, os que gostam do fumo dizem que acalma os nervos, e os que apreciam o álcool afirmam que aguça o tino. A parcialidade assim criada falsifica o julgamento dos homens em relação aos factos, de modo muito difícil de evitar.
At√© mesmo um erudito artigo cient√≠fico sobre os efeitos do √°lcool no sistema nervoso em geral trai, por sintomas internos, o facto de o autor ser ou n√£o abst√©mio; em ambos os casos tende a ver os factos de maneira que justifique a sua atitude. Em pol√≠tica e religi√£o tais considera√ß√Ķes tornam-se muito importantes.

Continue lendo…

Ela podia ser aliviada de seus sintomas se fosse induzida a expressar em palavras a fantasia emotiva pela qual se achava no momento dominada.

Fragmento Terceiro

I

Campos de ira, t√£o vasto sentimento
vos afasta. íris morta! Os actos radicais
constroem, em projeto, um fr√°gil
universo ‚Äď a tinta, o espa√ßo √≥ptico.
Descansam os sentidos sobre pródigas
defesas: os filtros turvos, as precau√ß√Ķes
na sua cura. Os nervos tersos
da análise da vida e da matéria.

II

Desviam-se dos livros. Hoje escreve
contra a morte dos olhos, a existência
passível de leitura. Ineptos, os sons
perdem-se na encosta. o vento fere
ainda? Inscrito
na área da cabeça, é esse rastro
ainda vivo. Domino a sua queda, os seus poderes
punitivos, a sua força hereditária.

III

Persistir no imóvel. Preencher
os anos que nos moldam
no vigor da fibra, no duro movimento
interior ‚ÄĒ a que destino, a que imaturo
ritmo, sem preço? Pois é o caro
prémio deste dorso
de o cumprir, pensar, até ao fim.
Ou de saber adestrá-lo até que,
exausto, só impulso
vigore ‚ÄĒ a morte lida
num próximo sentido, ainda vivo.

IV

Como contacto √ļnico,

Continue lendo…

Aprender a Ver

Aprender a ver – habituar os olhos √† calma, √† paci√™ncia, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-n√≥s; aprender a adiar o ju√≠zo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este √© o primeiro ensino preliminar para o esp√≠rito: n√£o reagir imediatamente a um est√≠mulo, mas sim controlar os instintos que p√Ķem obst√°culos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, √© j√° quase o que o modo afilos√≥fico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto √©, precisamente, o poder n√£o ¬ęquerer¬Ľ, o poder diferir a decis√£o. Toda a n√£o-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resist√™ncia a um est√≠mulo ‚ÄĒ tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que √© j√° doen√ßa, decad√™ncia, sintoma de esgotamento, ‚ÄĒ quase tudo o que a rudeza afilos√≥fica designa com o nome de ¬ęv√≠cio¬Ľ √© apenas essa incapacidade fisiol√≥gica de n√£o reagir. ‚ÄĒ Uma aplica√ß√£o pr√°tica do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-√° a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer esp√©cie deixar-se-o-√° aproximar-se com uma tranquilidade hostil, ‚ÄĒ afasta-se dele a m√£o. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno,

Continue lendo…

Assumir a Dor

Quanto mais uma pessoa que foi traída tenta anular a pessoa que a traiu, mais raiva sentirá e, consequentemente, mais a dor da traição será arquivada no centro da sua memória. Quanto mais uma pessoa tentar esquecer a crise financeira que atravessa, mais penetrará nas janelas que financiam a sua hiperpreocupação, mais se perturbará, perderá o sono e descarregará a ansiedade no seu corpo, gerando sintomas psicossomáticos. Essas defesas do Eu não são apenas ineficientes como também aumentam os níveis de stresse.

Nunca tente apagar os seus arquivos. N√£o conseguir√°. N√£o gaste energia tentando esquecer as pessoas que o magoaram. O seu desgaste torn√°-las-√° inesquec√≠veis. A melhor t√©cnica, como veremos, √© assumir sempre a dor, recicl√°-la com maturidade, nunca se colocar no lugar de v√≠tima, conversar sem medo com os seus fantasmas, rev√™-los por outros √Ęngulos e reescrever as janelas onde est√£o inscritas.

A Superficialidade dos Grandes Espíritos

N√£o h√° nada de mais perigoso para o esp√≠rito do que a sua rela√ß√£o com as grandes coisas. Algu√©m deambula por uma floresta, sobe a um monte e v√™ o mundo estendido a seus p√©s, olha para um filho que lhe colocam pela primeira vez nos bra√ßos, ou desfruta da felicidade de assumir uma posi√ß√£o invejada por todos. Perguntamos: o que se passa nele em tais momentos? Ele pr√≥prio certamente pensa que s√£o muitas coisas, profundas e importantes; mas n√£o tem presen√ßa de esp√≠rito suficiente para, por assim dizer, as tomar √† letra. O que h√° de admir√°vel, diante dele e fora dele, que o encerra numa esp√©cie de gaiola magn√©tica, arranca os pensamentos do seu interior. O seu olhar perde-se em mil pormenores, mas ele tem a secreta sensa√ß√£o de ter esgotado todas as muni√ß√Ķes. L√° fora, esse momento inspirado, solar, profundo, essa grande hora, recobre o mundo com uma camada de prata galvanizada que penetra todas as folhinhas e veias; mas na outra extremidade em breve se come√ßa a notar uma certa falta de subst√Ęncia interior, e nasce a√≠ uma esp√©cie de grande ¬ęO¬Ľ, redondo e vazio. Este estado √© o sintoma cl√°ssico do contacto com tudo o que √© eterno e grande,

Continue lendo…

S√≥ os fatos da inf√Ęncia explicam a sensibilidade aos traumatismos futuros e s√≥ com o descobrimento desses restos de lembran√ßas, quase regularmente olvidados, e com a volta deles √† consci√™ncia, √© que adquirimos o poder de afastar os sintomas.

Glória é Vaidade

A gl√≥ria repousa propriamente sobre aquilo que algu√©m √© em compara√ß√£o com os outros. Portanto, ela √© essencialmente relativa; por isso, s√≥ pode ter valor relativo. Desapareceria inteiramente se os outros se tornassem o que o glorioso √©. Uma coisa s√≥ pode ter valor absoluto se o mantiver sob todas as circunst√Ęncias; aqui, contudo, trata-se daquilo que algu√©m √© imediatamente e por si mesmo. Consequentemente, √© nisso que tem de residir o valor e a felicidade do grande cora√ß√£o e do grande esp√≠rito. Logo, valiosa n√£o √© a gl√≥ria, mas aquilo que faz com que algu√©m a mere√ßa, pois isso, por assim dizer, √© a subst√Ęncia, e a gl√≥ria √© apenas o acidente. Ela age sobre quem √© c√©lebre, sobretudo como um sintoma exterior pelo qual ele adquire a confirma√ß√£o da opini√£o elevada de si mesmo. Desse modo, poder-se-ia dizer que, assim como a luz n√£o √© vis√≠vel se n√£o for reflectida por um corpo, toda a excel√™ncia s√≥ adquire total consci√™ncia de si pr√≥pria pela gl√≥ria. Mas o sintoma n√£o √© sempre infal√≠vel, visto que tamb√©m h√° gl√≥ria sem m√©rito e m√©rito sem gl√≥ria. Eis a justificativa para a frase t√£o distinta de Lessing: Algumas pessoas s√£o famosas, outras merecem s√™-lo.

Continue lendo…