Cita√ß√Ķes sobre Telefone

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Frases sobre telefone, poemas sobre telefone e outras cita√ß√Ķes sobre telefone para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

E se o telefone tocar diga que eu morri que estou mortinho da silva, estirado no chão da sala com o coração na mão. Diga que retirei meu coração com a mão ? ele estava doendo demais.

Controlar a Timidez

Nunca consegui controlar a timidez. Quando tive que enfrentar em carne viva a incumb√™ncia que nos deixou o pai errante, aprendi que a timidez √© um fantasma invenc√≠vel. De cada vez que tinha que solicitar um cr√©dito, mesmo dos combinados de antem√£o em lojas de amigos, demorava horas em redor da casa, reprimindo a vontade de chorar e as contrac√ß√Ķes da barriga, at√© que me atrevia por fim, com as mand√≠bulas t√£o apertadas que n√£o me sa√≠a a voz. Havia sempre algum comerciante sem cora√ß√£o para me atrapalhar ainda mais: ¬ęMi√ļdo parvo, n√£o se pode falar com a boca fechada.¬Ľ Mais de uma vez regressei a casa com as m√£os vazias e uma desculpa inventada por mim. Mas nunca mais tornei a ser t√£o desgra√ßado como da primeira vez que quis falar pelo telefone na loja da esquina. O dono ajudou-me com a operadora, pois ainda n√£o existia o servi√ßo autom√°tico. Senti o sopro da morte quando me deu o auscultador. Esperava uma voz servi√ßal e o que ouvi foi o latido de algu√©m que falava no escuro ao mesmo tempo que eu. Pensei que o meu interlocutor tamb√©m n√£o me ouvia e levantei a voz tanto quanto pude. O outro,

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Amor n√£o Tem N√ļmero

Se voc√™ n√£o tomar cuidado vira n√ļmero at√© para si mesmo. Porque a partir do instante em que voc√™ nasce classificam-no com um n√ļmero. Sua identidade no F√©lix Pacheco √© um n√ļmero. O registro civil √© um n√ļmero. Seu t√≠tulo de eleitor √© um n√ļmero. Profissionalmente falando voc√™ tamb√©m √©. Para ser motorista, tem carteira com n√ļmero, e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte √© identificado com um n√ļmero. Seu pr√©dio, seu telefone, seu n√ļmero de apartamento ‚ÄĒ tudo √© n√ļmero.
Se √© dos que abrem credi√°rio, para eles voc√™ √© um n√ļmero. Se tem propriedade, tamb√©m. Se √© s√≥cio de um clube tem um n√ļmero. Se √© imortal da Academia Brasileira de Letras tem o n√ļmero da cadeira.
√Č por isso que vou tomar aulas particulares de Matem√°tica. Preciso saber das coisas. Ou aulas de F√≠sica. N√£o estou brincando: vou mesmo tomar aulas de Matem√°tica, preciso saber alguma coisa sobre c√°lculo integral.
Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.
Se √© contribuinte de qualquer obra de benefic√™ncia tamb√©m √© solicitado por um n√ļmero. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de neg√≥cio recebe um n√ļmero. Para tomar um avi√£o,

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O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento

Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que h√° a saber ‚ÄĒ e mais um bocado. Do amor, ningu√©m sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que √© um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer √© procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa √© o amor que se tem, ou de que s√≠tio vem o amor que se faz.

Do amor √© bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que n√£o √© t√£o bom amar. Todos os pa√≠ses h√£o-de ter a sua pr√≥pria cultura amorosa. A portuguesa √© excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, √© muito maior a diferen√ßa que se faz entre o amor e a paix√£o. Faz-se de conta que o amor √© uma coisa ‚ÄĒ mais tranquila e pura e duradoura ‚ÄĒ e a paix√£o √© outra ‚ÄĒ mais do√≠da e complicada e ef√©mera. Em Portugal, por√©m, n√£o gostamos de dizer que nos ¬ęenamoramos¬Ľ, e o ¬ęenamoramento¬Ľ e outras palavras que contenham a palavra ¬ęamor¬Ľ s√£o-nos sempre um pouco estranhas. Quando n√≥s nos perdemos de amores por algu√©m, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se l√° por que atavismos atl√Ęnticos,

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Envolvê-la nos Meus Braços

Tr√™s minutos depois de voc√™ ter partido. N√£o, n√£o consigo reprimi-lo. Digo-lhe o que j√° sabe: amo-a. √Č isto que destru√≠ vezes sem conta. Em Dijon, escrevi-lhe cartas longas e apaixonadas (se voc√™ tivesse permanecido na Su√≠√ßa ter-lhas-ia enviado), mas como posso eu envi√°-las para Louveciennes?

Anais, n√£o posso dizer muito agora – encontro-me demasiado alterado. Quase n√£o consegui conversar consigo, porque estava continuamente prestes a levantar-me e a envolv√™-la nos meus bra√ßos. Tinha esperan√ßas de que voc√™ n√£o tivesse de ir jantar a casa… De que pud√©ssemos ir a algum lado jantar e dan√ßar. Voc√™ dan√ßa… J√° sonhei com isso vezes sem conta… Eu a dan√ßar consigo, ou voc√™ a dan√ßar sozinha com a cabe√ßa inclinada para tr√°s e os olhos semicerrados. Algum dia tem de dan√ßar para mim dessa maneira. Esse √© o seu Eu espanhol, o tal sangue andaluz destilado.

Estou sentado no seu lugar e j√° levei aos l√°bios o copo onde voc√™ bebeu. Mas n√£o sei o que dizer. O que voc√™ me leu p√īs-me a cabe√ßa √†s voltas. A sua linguagem √© ainda mais avassaladora do que a minha. Comparado consigo, n√£o passo de um petiz… porque, quando o √ļtero que h√° em si fala,

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Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde est√° eu? Preciso fazer um retiro espiritual e encontrar-me enfim ‚Äď enfim, mas que medo ‚Äď de mim mesma.

O m√©dium √© compar√°vel a um telefone de brinquedo, constitu√≠do de um fio e duas latinhas, uma em cada extremidade. Se pegarmos a latinha de uma extremidade e dissermos ‚ÄėAl√ī, al√ī, quem fala?‚Äô, uma das crian√ßas travessas que estar√£o agrupadas junto √† outra extremidade pegar√° o fone e responder√°: ‚ÄėEu sou Fulano de Tal‚Äô, fazendo-se passar por algum personagem conhecido. Neste exemplo, ‚Äėcrian√ßas travessas‚Äô correspondem a esp√≠ritos errantes. Mesmo que se veja a figura de tal Fulano atrav√©s da vid√™ncia, n√£o se deve dar-lhe cr√©dito, pois √© uma imagem ‚Äėtelevisionada‚Äô por esp√≠ritos errantes.

Coisas

h√° coisas que v√£o ficando
fotografias   louças   contas antigas
n√£o sei

debruçámo-nos tanto
sobre a min√ļcia do quotidiano
que o dia a dia excedeu as nossas vidas

n√£o sei como resiste o que perdura

olho o telefone de coração na boca
e aponto coisas para n√£o me esquecer

Feche a porta do seu quarto Porque se toca o telefone pode ser alguém Com quem você quer falar Por horas e horas e horas.

Funeral Blues

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Evitem o latido do c√£o com um osso suculento,
Silenciem os pianos e com tambores lentos
Tragam o caix√£o, deixem que o luto chore.

Deixem que os avi√Ķes voem em c√≠rculos altos
Riscando no céu a mensagem: Ele Está Morto,
Ponham gravatas beges no pescoço dos pombos brancos do chão,
Deixem que os pol√≠cias de tr√Ęnsito usem luvas pretas de algod√£o.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Leste e Oeste,
A minha semana √ļtil e o meu domingo inerte,
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha canção, a minha fala,
Achei que o amor fosse para sempre: Eu estava errado.

As estrelas n√£o s√£o necess√°rias: retirem cada uma delas;
Empacotem a lua e façam o sol desmanchar;
Esvaziem o oceano e varram as florestas;
Pois nada no momento pode algum bem causar.

O Poder das Palavras

A humanidade entrar√° no terceiro mil√©nio sob o imp√©rio das palavras. N√£o √© verdade que a imagem esteja a suplant√°-las nem que possa extingui-las. Pelo contr√°rio, est√° a potenci√°-las: nunca houve no mundo tantas palavras com tanto alcance, autoridade e arb√≠trio como na imensa Babel da vida atual. Palavras inventadas, maltratadas ou sacralizadas pela imprensa, pelos livros descart√°veis, pelos cartazes de publicidade; faladas e cantadas pela r√°dio, pela televis√£o, pelo cinema, pelo telefone, pelos altifalantes p√ļblicos: gritadas √† brocha nas paredes da rua ou sussurradas ao ouvido nas penumbras do amor. N√£o: o grande derrotado √© o sil√™ncio. As coisas t√™m agora tantos nomes em tantas l√≠nguas que j√° n√£o √© f√°cil saber como se chamam em nenhuma. Os idiomas dispersam-se √† r√©dea solta, misturam-se e confundem-se, desembestados rumo ao destino inelut√°vel de uma l√≠ngua global.

N√£o h√° Vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
n√£o cabe no poema.
N√£o cabem no poema o g√°s
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do a√ß√ļcar
do p√£o

O funcion√°rio p√ļblico
n√£o cabe no poema
com seu sal√°rio de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como n√£o cabe no poema
o oper√°rio
que esmerila seu dia de aço
e carv√£o
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
est√° fechado:
“n√£o h√° vagas”

Só cabe no poema
o homem sem est√īmago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
n√£o fede
nem cheira

Os Distraídos e os Organizados

O ¬ędistra√≠do¬Ľ √© a figura mais privilegiada de uma fam√≠lia, de um grupo de amigos, de uma empresa. O ¬ędistra√≠do¬Ľ chega sempre atrasado – paci√™ncia, √© distra√≠do. O ¬ędistra√≠do¬Ľ chumba na escola prim√°ria – coitado, √© distra√≠do. O ¬ędistra√≠do¬Ľ n√£o d√° presentes no Natal – deixa l√°, √© distra√≠do. O ¬ędistra√≠do¬Ľ n√£o pergunta pelas an√°lises com que nos and√°vamos a consumir – n√£o foi por mal, j√° sabes que √© distra√≠do. O ¬ędistra√≠do¬Ľ √© engra√ßado e √© fofinho. O seu defeito, na verdade, √© uma virtude. O ¬ędistra√≠do¬Ľ mete nojo e faz inveja ‚Äď e, se h√° uma presen√ßa de que n√£o gostamos nunca de dispensar-nos, √© a do ¬ędistra√≠do¬Ľ. D√° patine, andar com o ¬ędistra√≠do¬Ľ. O ¬ędistra√≠do¬Ľ √© um charme. O ¬ędistra√≠do¬Ľ √© aquilo que n√≥s ser√≠amos se n√£o f√īssemos esta desgra√ßa que somos.

Porque depois, ao longo da vida, o ¬ędistra√≠do¬Ľ fica com os melhores empregos. O ¬ędistra√≠do¬Ľ, bem vistas as coisas, n√£o √© aluado: √© criativo – √© um artista. E o ¬ędistra√≠do¬Ľ fica sempre com as raparigas mais giras tamb√©m. Naturalmente: s√≥ √© distra√≠do quem pode – e o ¬ędistra√≠do¬Ľ √© o mais bonito de n√≥s todos. Tamb√©m por isso, ali√°s, nos d√° jeito emparceirar com o ¬ędistra√≠do¬Ľ: sempre pode ser que a gorda sobre para n√≥s.

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Que seja doce a espera pelas mensagens, liga√ß√Ķes e recadinhos bonitinhos. que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone.

Quantas Vezes a Insónia é um Dom

Mas quantas vezes a ins√≥nia √© um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solid√£o. Quase nenhum ru√≠do. S√≥ o das ondas do mar batendo na praia. E tomo caf√© com gosto, toda sozinha no mundo. Ningu√©m me interrompe o nada. √Č um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque s√ļbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol √†s vezes p√°lido como uma lua, √†s vezes de fogo puro. Vou ao terra√ßo e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar √© meu, o sol √© meu, a terra √© minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. At√© que, como o sol subindo, a casa vai acordando e h√° o reencontro com meus filhos sonolentos.

A complicada abund√Ęncia da nossa civiliza√ß√£o material, as nossas m√°quinas, os nossos telefones, a nossa luz el√©ctrica, tem-nos tornado intoleravelmente pedantes: estamos prontos a declarar desprez√≠vel uma ra√ßa, desde que ela n√£o sabe fabricar pianos de Erard; e se h√° algures um povo que n√£o possua como n√≥s o talento de compor √≥peras c√≥micas consideramo-lo ipso facto votado para sempre √† escravid√£o…

Falta Pouco

Falta pouco para acabar
o uso desta mesa pela manh√£
o hábito de chegar à janela da esquerda
aberta sobre enxugadores de roupa.
Falta pouco para acabar
a própria obrigação de roupa
a obrigação de fazer barba
a consulta a dicion√°rios
a conversa com amigos pelo telefone.

Falta pouco
para acabar o recebimento de cartas
as sempre adiadas respostas
o pagamento de impostos ao país, à cidade
as novidades sangrentas do mundo
a m√ļsica dos intervalos.

Falta pouco para o mundo acabar
sem explos√£o
sem outro ruído
além do que escapa da garganta com falta de ar.

Agora que ele estava principiando
a confessar
na bruma seu semblante e melodia.

O Peso Bruto da Irritação

Se f√īssemos contabilizar as paix√Ķes desta vida, os √≥dios e os amores, os grandes sobressaltos, as como√ß√Ķes, os transtornos, os arrebatamentos e os arroubos, os momentos de terror e de esperan√ßa, os ataques de ansiedade e de ternura, a viol√™ncia dos desejos, os acessos de saudade e as eleva√ß√Ķes religiosas e se as som√°ssemos todas numa s√≥ sensa√ß√£o, n√£o seria nada comparada com o peso bruto da irrita√ß√£o. Passamos mais tempo e gastamos mais cora√ß√£o a sermos irritados do que em qualquer outro estado de esp√≠rito.
Apaixonamo-nos uma vez na vida, odiamos duas, sofremos tr√™s, mas somos irritados pelo menos vinte vezes por dia. Mais que o div√≥rcio, mais que o despedimento, mais que ser tra√≠do por um amigo, a irrita√ß√£o √© a principal causa de ¬ęstress¬Ľ ‚ÄĒ e logo de mortalidade ‚ÄĒ da nossa exist√™ncia.
√Č a torneira que pinga e o colega que funga, a crian√ßa que bate com o garfinho no rebordo do prato, a empregada que se esquece sempre de comprar maionnaise, a namorada que n√£o enche o tabuleiro de gelo, o namorado que se esquece de tapar a pasta dentr√≠fica, a nossa pr√≥pria incompet√™ncia ao tentar programar o v√≠deo, o homem que mete um conto de gasolina e pede para verificar a press√£o dos pneus,

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Amo-te Sempre

Amo-te sempre
com um pouco de barco e de vento
com uma humildade de mar à tua volta
dentro do meu corpo; com o desespero
de ser tempo;

com um pouco de sol e uma fonte
adormecida na ternura.

Merecer este minuto de palavras habitando
o que h√° sem fim no teu retrato;
Este mesmo minuto em que chegam e partem navios
– nesta mesma cidade deste
minuto, desta língua, deste
romance di√°rio dos teus olhos –

(e chegar√£o com armas? refugiados? trigo?
partir√£o com noivas? mission√°rios? guerras? discursos?)

Merecer a densa beleza do teu corpo
que tem água e ternura, células, penumbra,
que dormiu no berço, dormiu na memória,
que teve soluços, febre, e absurdos desejos
maiores que os braços,

merecer os dias subindo das florestas Рe vêm
banhar-se, lentos, nos teus olhos…

Merecer a Igreja, o ajoelhar das palavras,
entre estes cinemas visitando, em duas horas, a alma,
estes eléctricos parando atrás do infinito
para subirem os namorados, a vi√ļva, o cobrador da luz, a
costureira
entre estes homens que ganham dinheiro,

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