Cita√ß√Ķes sobre Tentadores

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Frases sobre tentadores, poemas sobre tentadores e outras cita√ß√Ķes sobre tentadores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Deus Do Mal

Espírito do Mal, ó deus perverso
Que tantas almas d√ļbias acalentas,
Veneno tentador na luz disperso
Que a própria luz e a própria sombra tentas.

Símbolo atroz das culpas do Universo,
Espelho fiel das convuls√Ķes violentas
Do gasto coração no lodo imerso
Das tormentas vulc√Ęnicas, sangrentas.

Toda a tua sinistra trajetória
Tem um brilho de lágrima ilusória,
As melodias m√≥rbidas do Inferno…

√Čs Mal, mas sendo Mal √©s solu√ßante,
Sem a graça divina e consolante,
Réprobo estranho do Perdão eterno!

Por esta Solid√£o, que n√£o Consente

Por esta solid√£o, que n√£o consente
Nem do sol, nem da lua a claridade,
Ralado o peito pela saudade
Dou mil gemidos a Marília ausente:

De seus crimes a mancha inda recente
Lava Amor, e triunfa da verdade;
A beleza, apesar da falsidade,
Me ocupa o coração, me ocupa a mente:

Lembram-me aqueles olhos tentadores,
Aquelas m√£os, aquele riso, aquela
Boca suave, que respira amores…

Ah! Trazei-me, ilus√Ķes, a ingrata, a bela!
Pintai-me vós, oh sonhos, entre as flores
Suspirando outra vez nos braços dela!

Serpente De Cabelos

A tua trança negra e desmanchada
Por sobre o corpo nu, torso inteiriço,
Claro, radiante de esplendor e viço,
Ah! lembra a noite de astros apagada.

Lux√ļria deslumbrante e aveludada
Através desse mármore maciço
Da carne, o meu olhar nela espreguiço
Felinamente, nessa trance ondeada.

E fico absorto, num torpor de coma,
Na sensação narcótica do aroma,
Dentre a vertigem t√ļrbida dos zeros.

√Čs a origem do Mal, √©s a nervosa
Serpente tentadora e tenebrosa,
Tenebrosa serpente de cabelos!…

Boca

III

Boca viçosa, de perfume a lírio,
Da límpida frescura da nevada,
Boca de pompa grega, purpureada,
Da majestade de um damasco assírio.

Boca para deleites e delírio
Da vol√ļpia carnal e alucinada,
Boca de Arcanjo, tentadora e arqueada,
Tentando Arcanjos na amplidão do Empírio,

Boca de Ofélia morta sobre o lago,
Dentre a auréola de luz do sonho vago
E os faunos leves do luar inquietos…

Estranha boca virginal, cheirosa,
Boca de mirra e incensos, milagrosa
Nos filtros e nos t√≥xicos secretos…

Em meu entender, a religião, inclusivamente na sua forma mais sofisticada, infantiliza, sobretudo o nosso eu ético, ao estabelecer uns árbitros morais infalíveis e uns tentadores imorais irredutíveis por cima de nós.

Dilacera√ß√Ķes

√ď carnes que eu amei sangrentamente,
√ď vol√ļpias letais e dolorosas,
Essências de heliótropos e de rosas
De ess√™ncia morna, tropical, dolente…

Carnes virgens e tépidas do Oriente
Do Sonho e das Estrelas fabulosas,
Carnes acerbas e maravilhosas,
Tentadoras do sol intensamente…

Passai, dilaceradas pelos zeros,
Através dos profundos pesadelos
Que me apunhalam de mortais horrores…

Passai, passai, desfeitas em tormentos,
Em l√°grimas, em prantos, em lamentos,
Em ais, em luto, em convuls√Ķes, em cores…

O Suspiro

Voai, brandos meninos tentadores,
Filhos de Vénus, deuses da ternura,
Adoçai-me a saudade amarga e dura,
Levai-me este suspiro aos meus amores:

Dizei-lhe que nasceu dos dissabores
Que influi nos cora√ß√Ķes a formosura;
Dizei-lhe que é penhor da fé mais pura,
Porção do mais leal dos amadores:

Se o fado para mim sempre mesquinho,
A outro of’rece o bem de que me afasta,
E em ais lhe envia Ulina o seu carinho:

Quando um deles soltar na esfera vasta,
Trazei-o a mim, torcendo-lhe o caminho;
Eu sou t√£o infeliz, que isso me basta.

Num Bairro Moderno

Dez horas da manh√£; os transparentes
Matizam uma casa apalaçada;
Pelos jardins estancam-se as nascentes,
E fere a vista, com brancuras quentes,
A larga rua macadamizada.

Rez-de-chaussée repousam sossegados,
Abriram-se, nalguns, as persianas,
E dum ou doutro, em quartos estucados,
Ou entre a rama do papéis pintados,
Reluzem, num almoço, as porcelanas.

Como é saudável ter o seu conchego,
E a sua vida f√°cil! Eu descia,
Sem muita pressa, para o meu emprego,
Aonde agora quase sempre chego
Com as tonturas duma apoplexia.

E rota, pequenina, azafamada,
Notei de costas uma rapariga,
Que no xadrez marmóreo duma escada,
Como um retalho da horta aglomerada
Pousara, ajoelhando, a sua giga.

E eu, apesar do sol, examinei-a.
P√īs-se de p√©, ressoam-lhe os tamancos;
E abre-se-lhe o algod√£o azul da meia,
Se ela se curva, esguelhada, feia,
E pendurando os seus bracinhos brancos.

Do patamar responde-lhe um criado:
“Se te conv√©m, despacha; n√£o converses.
Eu n√£o dou mais.” √ą muito descansado,
Atira um cobre lívido, oxidado,
Que vem bater nas faces duns alperces.

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Evocação

Oh Lua voluptuosa e tentadora,
Ao mesmo tempo tr√°gica e funesta,
Lua em fundo revolto de floresta
E de sonho de vaga embaladora.

Langue vis√£o mortal e sedutora,
Dos Vergéis sederais pálida giesta,
Divindade sutil da morna sesta
Da lasciva paix√£o fascinadora.

Flor fria, flor algente, flor gelada
Do desconsolo e dos esquecimentos
E do anseio, da febre atormentada.

Tu que soluças pelos céus nevoentos
Longo soluço mágico de fada,
D√°-me os teus doces acalentamentos!

A Mais Bela Noite do Mundo

Hoje,
ser√° o fim!

Hoje
nem este falso silêncio
dos meus gestos malogrados
debruçando-se
sobre os meus ombros nus
e esmagados!

Nem o luar, pano baço de cenário velho,
escutando
a minha pris√£o de viver
a lição que me ditavam:
– Menino! acende uma vela na tua vida,
que o sol, a luz e o ar
s√£o perfumes de pecado.
Tem bra√ßos longos e tentadores ‚Äď o dia!

РMenino! recolhe-te na sombra do meu regaço
que teus pés
são feitos de barro e cansaço!

(Era esta a voz do pap√£o
pintado de belo
na m√°scara de papel√£o).

Eram in√ļteis e magoadas as noites da minha rua…
Noites de lua
que lembravam as grilhetas
da minha vida parada.

– Amanh√£,
ter√°s os mestres, as aulas, os amigos e os livros
e o espect√°culo da morgue
morando durante dias
nos teus sentidos gorados.

Amanh√£,
ser√° o ultrapassar outra curva
no teu caminho destinado.

(Era esta a voz do pap√£o
que acendia a vela,

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A Musa Enferma

√ď minha musa, ent√£o! que tens tu, meu amor?
Que descorada est√°s! No teu olhar sombrio
Passam fulgura√ß√Ķes de loucura e terror;
Percorre-te a epiderme em fogo um suor frio.

Esverdeado gnomo ou duende tentador,
Em teu corpo infiltrou, acaso, um amavio?
Foi algum sonho mau, vis√£o cheia de terror,
Que assim te magoou o teu olhar macio?

Eu quisera que tu, saud√°vel e contente.
Só nobres idéias abrigasses na mente,
E que o sangue crist√£o, ritmado, te pulsara

Como do silab√°lirio antigo os sons variados,
Onde reinam, o par, os deuses decantados;
Febo ‚ÄĒ pai das can√ß√Ķes, e P√£ ‚ÄĒ senhor da seara!

Tradução de Delfim Guimarães

Seios

IV

Magnólias tropicais, frutos cheirosos
Das √°rvores do Mal fascinadoras,
Das negras mancenilhas tentadoras,
Dos vagos narcotismos venenosos.

O√°sis brancos e miraculosos
Das frementes vol√ļpias pecadoras
Nas paragens fatais, aterradoras
Do T√©dio, nos desertos tenebrosos…

Seios de aroma embriagador e langue,
Da aurora de ouro do esplendor do sangue,
A alma de sensa√ß√Ķes tantalizando.

√ď seios virginais, t√°lamos vivos
Onde do amor nos êxtases lascivos
Velhos faunos febris dormem sonhando…

Lembre-se não apenas de dizer a coisa certa no lugar certo, mas muito mais difícil ainda, de deixar não dito a coisa errada no momento tentador.

Braços

Braços nervosos, brancas opulências,
Brumais brancuras, fulgidas brancuras,
Alvuras castas, virginais alvuras,
Lactescências das raras lactescências.

As fascinantes, mórbidas dormências
Dos teus abraços de letais flexuras,
Produzem sensa√ß√Ķes de agres torturas,
Dos desejos as mornas florescências.

Braços nervosos, tentadoras serpes
Que prendem, tetanizam como os herpes,
Dos del√≠rios na tr√™mula coorte…

Pompa de carnes tépidas e flóreas,
Bra√ßos de estranhas corre√ß√Ķes marm√≥reas,
Abertos para o Amor e para a Morte!