Textos sobre Frustração

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Textos de frustração escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

As Janelas da Memória

A mem√≥ria humana n√£o √© lida globalmente, como a mem√≥ria dos computadores, mas por √°reas espec√≠ficas a que chamo de janelas. Atrav√©s das janelas vemos, reagimos, interpretamos… Quantas vezes tentamos lembrar-nos de algo que n√£o nos vem √† ideia? Nesse caso, a janela permaneceu fechada ou inacess√≠vel.

A janela da mem√≥ria √©, portanto, um territ√≥rio de leitura num determinado momento existencial. Em cada janela pode haver centenas ou milhares de informa√ß√Ķes e experi√™ncias. O maior desafio de uma mulher, e do ser humano em geral, √© abrir o m√°ximo de janelas em cada situa√ß√£o. Se ela abre diversas janelas, poder√° dar respostas inteligentes. Se as fecha, poder√° dar respostas inseguras, med√≠ocres, est√ļpidas, agressivas. Somos mais instintivos e animalescos quando fechamos as janelas, e mais racionais quando as abrimos.

O mundo dos sentimentos possui as chaves para abrir as janelas. O medo, a tens√£o, a ang√ļstia, o p√Ęnico, a raiva e a inveja podem fech√°-las. A tranquilidade, a serenidade, o prazer e a afetividade podem abri-las. A emo√ß√£o pode fazer os intelectuais reagirem como crian√ßas agressivas e as pessoas simples reagirem como elegantes seres humanos. Sob um foco de tens√£o, como perdas e contrariedades, uma mulher serena pode ficar irreconhec√≠vel.

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Ter Objetivos

Qualquer dia que comece sem um objetivo, est√°, √† partida, condenado ao ¬ęera melhor n√£o ter sa√≠do da cama¬Ľ; como tal, torna–se fundamental saberes o que queres, o que tens e o que podes fazer sempre que o Sol nasce. Um simples objetivo √©, na realidade, suficiente para te motivar a viver todo o dia que tens pela frente, pois aniquila todo e qualquer sentimento de inutilidade, ansiedade e frustra√ß√£o que possas estar a viver. T√£o simples e ao mesmo tempo t√£o complicado. T√£o complicado porque sei, por experi√™ncia pr√≥pria e pelo que oi√ßo nas minhas sess√Ķes e palestras, que nem sempre √© f√°cil ter um objetivo di√°rio. Ou melhor, muitas das vezes, at√© o temos, mas como estamos desprovidos de estrat√©gia, a a√ß√£o nunca ocorre.
Mas vamos por partes, um objetivo é algo nato, pois ainda que de uma forma inconsciente o objetivo de cada bebé, por exemplo, é tornar-se autónomo, gatinhando primeiro, agarrando-se às coisas depois até, finalmente, começar a andar. Esta sensação de querermos sempre mais ou melhor é algo que nasce connosco e que apenas deixa de fazer sentido quando o estado emocional da pessoa é tão depressivo que se opta por desistir. Ter objetivos é como ter fome e comer,

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Pais Aprisionados

As crian√ßas tornaram-se uma arma de arremesso √† medida de quase tudo. Justificam as discuss√Ķes entre marido e mulher, justificam a falta de generosidade para com o pr√≥ximo, justificam a indisponibilidade e a inac√ß√£o em geral – e no fim, em muitos casos (…), ainda nos absolvem pelo fracasso a que, pulverizados os sonhos da inf√Ęncia, os objectivos da juventude e as agendas da primeira idade adulta, nos vemos a certa altura obrigados a resumir o balan√ßo das nossas vidas. E talvez haja, afinal, uma certa racionalidade no cosmos. Talvez haja uma raz√£o para nunca, at√© hoje, n√≥s n√£o termos tido filhos, eu e outros como eu. Talvez nenhum de n√≥s esteja ainda pronto para resistir √† inevit√°vel tenta√ß√£o de transformar os filhos num desmentido oficial para a nossa frustra√ß√£o. Talvez, no dia em que os tivermos, estejamos j√° preparados para conter o impulso de culp√°-los por essa frustra√ß√£o. E talvez sejamos n√≥s, enfim, os primeiros a fugir √† inclina√ß√£o para considerar que a nossa vida apenas come√ßou no dia em que come√ßou a vida dos nossos filhos. At√© porque, disto tenho eu a certeza, filhos de pais cuja mem√≥ria alcan√ßa para al√©m do dia do primeiro parto resultam sempre em adultos mais saud√°veis,

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Sonhar é Preciso

Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas s√£o insuper√°veis, as perdas s√£o insuport√°veis, as decep√ß√Ķes transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.
Voltaire disse que os sonhos e a esperan√ßa nos foram dados como compensa√ß√£o √†s dificuldades da vida. Mas precisamos de compreender que os sonhos n√£o s√£o desejos superficiais. Os sonhos s√£o b√ļssolas do cora√ß√£o, s√£o projectos de vida. Os desejos n√£o suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem √†s mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperan√ßa quando o mundo desaba sobre n√≥s.

John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida.
Quem n√£o vive um romance com a sua vida ser√° um miser√°vel no territ√≥rio da emo√ß√£o, ainda que habite em mans√Ķes, tenha carros luxuosos, viaje em primeira classe nos avi√Ķes e seja aplaudido pelo mundo.

Precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas.

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A Vida Oblíqua

S√≥ agora pressenti o obl√≠quo da vida. Antes s√≥ via atrav√©s de cortes retos e paralelos. N√£o percebia o sonso tra√ßo enviesado. Agora adivinho que a vida √© outra. Que viver n√£o √© s√≥ desenrolar sentimentos grossos ‚ÄĒ √© algo mais sortil√©gico e mais gr√°cil, sem por isso perder o seu fino vigor animal. Sobre essa vida insolitamente enviesada tenho posto minha pata que pesa, fazendo assim com que a exist√™ncia fene√ßa no que tem de obl√≠quo e fortuito e no entanto ao mesmo tempo sutilmente fatal. Compreendi a fatalidade do acaso e n√£o existe nisso contradi√ß√£o.

A vida oblíqua é muito íntima. Não digo mais sobre essa intimidade para não ferir o pensar-sentir com palavras secas. Para deixar esse oblíquo na sua independência desenvolta.
E conheço também um modo de vida que é suave orgulho, graça de movimentos, frustração leve e contínua, de uma habilidade de esquivança que vem de longo caminho antigo. Como sinal de revolta apenas uma ironia sem peso e excêntrica. Tem um lado da vida que é como no inverno tomar café num terraço dentro da friagem e aconchegada na lã.
Conheço um modo de vida que é sombra leve desfraldada ao vento e balançando leve no chão: vida que é sombra flutuante,

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A Vida é uma Montanha Russa

A vida n√£o √© uma linha reta em que algu√©m conquistado ou algo adquirido √© uma seguran√ßa para todo o sempre; a vida √© uma montanha russa e, de vez em quando, sim, √© preciso ficares de pernas para o ar. Tudo passa, tu ficas. Sou t√£o assertivo relativamente a este tema porque sei que √© a depend√™ncia que gera o apego, ou seja, se as pessoas forem independentes √© imposs√≠vel serem apegadas. √Č o ego que as vincula √† ideia de que n√£o s√£o suficientemente boas para dependerem de si mesmas e √© contra esta terr√≠vel armadilha que √© preciso lutar.

Uma m√£e que dependa do bem–estar do filho e que viva para ele √© uma mulher que n√£o encontrar√° for√ßas para lhe esticar o bra√ßo quando ele cair e precisar de uma verdadeira m√£e, pois ser√£o sempre dois a sofrer da mesma epidemia, da mesma dor, da mesma frustra√ß√£o ou desilus√£o; um homem que use e abuse da estabilidade profissional e financeira que conquistou e que dependa disso para, pensa ele, ser o que √©, √© algu√©m que mais tarde ou mais cedo, e num daqueles loopings da vida em que o que era j√° n√£o √©,

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Maturidade Emocional

Dez fun√ß√Ķes da intelig√™ncia multifocal resultantes do treino da emo√ß√£o e da arte de pensar:

1. A arte de amar a vida e tudo o que a promove.

2. A arte de contemplar o belo.

3. A arte da serenidade: pensar antes de reagir.

4. A arte de expor e n√£o impor as ideias.

5. A arte da solidariedade.

6. A arte de gerir os pensamentos dentro e fora dos focos de tens√£o.

7. Colocar-se no lugar dos outros.

8. Ter espírito empreendedor.

9. Trabalhar perdas e frustra√ß√Ķes.

10. Trabalhar em equipa.

Se você tem cinco dessas características bem trabalhadas na sua personalidade, a sua maturidade emocional está bem acima da média. Se, das seis artes da inteligência multifocal, você viver intensamente pelo menos três delas, saiba que é um poeta da vida. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não tem constituída na colcha de retalhos da personalidade nem sequer duas dessas dez características.

As Vantagens do Exercício Físico

Sempre acreditei que o exerc√≠cio f√≠sico √© a chave n√£o apenas da sa√ļde f√≠sica mas tamb√©m da paz de esp√≠rito. Muitas vezes, nos velhos tempos, eu descarregava a minha raiva e frustra√ß√£o no saco de boxe, em vez de o fazer num camarada ou at√© num pol√≠cia. O exerc√≠cio dissipa a tens√£o e a tens√£o √© a inimiga da serenidade. Descobri que trabalhava melhor e pensava com mais clareza quando estava em boa condi√ß√£o f√≠sica, e, por isso, o treino tornou-se uma das disciplinas r√≠gidas da minha vida. Na pris√£o, era absolutamente indispens√°vel ter um escape para as minhas frustra√ß√Ķes.

A Crítica é Menos Eficaz do que o Exemplo

A cr√≠tica √© menos eficaz do que o exemplo. √Č de considerar se a grande sugest√£o para usar da cr√≠tica nos nossos tempos e que p√Ķe em causa todos os valores consagrados, n√£o √© o resultado duma anemia profunda do acto de vontade de toda uma sociedade. Todos temos consci√™ncia de como o exemplo se tornou interdito, como o indiv√≠duo, na sua excep√ß√£o perturbadora, √© causa de mal-estar. Dir-se-ia que a fraqueza, a breve virtude, a mediocridade, de interesses e de condi√ß√Ķes, t√™m prioridade sobre o modelo e a utopia. A par desta dimens√£o rasa do despotismo do dem√©rito, levanta-se uma rajada de viol√™ncia. √Č de crer que a viol√™ncia √© hoje a linguagem bastarda da desilus√£o e o reverso do exemplo; representa a frustra√ß√£o do exemplo.

Analisar as Nossas Rela√ß√Ķes

Nenhuma mudança psíquica sustentável ocorre rapidamente. São necessários o autoconhecimento, a educação, o treino, a utilização de ferramentas e, em especial, a compreensão básica do mais complexo dos universos, a mente humana.
Qualquer mulher gostaria de remover a impaciência, a ansiedade, as fobias, o humor depressivo e a timidez da sua mente. Mas a vontade consciente de mudança ou superação de um conflito, por mais forte e poderosa que seja, não é eficiente. Não basta o Eu querer reorganizar a sua personalidade, é preciso utilizar estratégias adequadas. Até um psicopata gostaria de ser gentil e afetivo em toda a sua agenda psíquica, mas, no calor das crises, os monstros alojados no seu inconsciente devoram-no e magoam os outros.

O Eu deve ser equipado, em especial, para ser o Autor da sua hist√≥ria. Porque brilhamos no mundo exterior, mas somos t√£o opacos no mundo interior? Porque √© que as guerras, os homic√≠dios, as discrimina√ß√Ķes, os dist√ļrbios ps√≠quicos, os conflitos sociais fazem a pauta da nossa hist√≥ria? Por que raz√£o sonham os pais em proporcionar a melhor educa√ß√£o aos seus filhos, mas nem sempre t√™m √™xito? Porque √© que casais apaixonados que fazem juras de amor podem acabar inimigos?

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Use o Seu Cérebro

N√£o existe manual de instru√ß√Ķes para o c√©rebro, mas ele precisa de alimento, repara√ß√£o e da devida manuten√ß√£o ainda assim. Certos nutrientes s√£o f√≠sicos; a atual mania dos alimentos para o c√©rebro faz as pessoas correrem para vitaminas e enzimas. Mas o devido alimento para o c√©rebro √© tanto mental como f√≠sico. O √°lcool e o tabaco s√£o t√≥xicos, e sujeitar o c√©rebro √† sua exposi√ß√£o √© fazer mau uso dele. A raiva e o medo, o stress e a depress√£o s√£o igualmente uma forma de m√° utiliza√ß√£o. No momento em que escrevemos este livro, um novo estudo revela que uma rotina de stress di√°rio fecha o c√≥rtex pr√©-frontal, a parte do c√©rebro respons√°vel pela tomada de decis√Ķes, corre√ß√£o de erros e avalia√ß√£o de situa√ß√Ķes. √Č por isso que as pessoas d√£o em doidas em engarrafamentos. √Č um stress rotineiro, e contudo a f√ļria, frustra√ß√£o e impot√™ncia que alguns condutores sentem indicam que o c√≥rtex pr√©-frontal deixou de dominar os impulsos prim√°rios por cujo controlo √© respons√°vel.

Damos constantemente connosco a voltar √† mesma quest√£o: use o seu c√©rebro, n√£o deixe que o seu c√©rebro o use a si. As f√ļrias com o tr√Ęnsito s√£o um exemplo do seu c√©rebro a us√°-lo,

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Um Mundo Melhor

Tal como existem muitas formas de vida, tamb√©m existem in√ļmeras formas de viver. A minha predileta e aquela onde, por incr√≠vel que pare√ßa, assento a minha paz, cont√©m o ingrediente que mais potencia as emo√ß√Ķes, o risco. O risco √© a gra√ßa da vida, √© aventura, √© o desconhecido, √© a busca e a mais valiosa oportunidade para cresceres e te desenvolveres como ser consciente.

Quando foi a √ļltima vez que arriscaste?
O que é que sentiste?
Percebeste que, correndo bem ou mal, o risco é a viagem e nunca o resultado?
Continuaste a arriscar nessa ou noutras √°reas da tua vida?
O risco est√° associado √† a√ß√£o, √† coragem, ao prazer, √† paix√£o pela vida, √† entrega no ¬ęAgora¬Ľ e implica o abandono do sof√°, da rotina doentia em que escolheste movimentar-te e dos padr√Ķes em que cresceste.

Chamam-me louco, eu respondo-lhes que vivem pouco. Sou um homem feliz, ainda que, como qualquer ser humano, viva com alguns preconceitos espont√Ęneos, medos s√ļbitos e frustra√ß√Ķes pontuais. Sou, tamb√©m, algu√©m com experi√™ncia em ajudar pessoas… humm, ajudar, n√£o! Dirigir soa melhor e √©, igualmente, mais real. Promovo-lhes, atrav√©s da minha experi√™ncia em coaching,

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Resgatar o Prazer de Viver

√Č poss√≠vel resgatar o prazer de viver, √© poss√≠vel treinar a emo√ß√£o para ser jovem, desprendida, livre, feliz.

Primeiro: Contemple o belo nos pequenos eventos da vida.
Tenha sempre atividades programadas fora da sua agenda pelo menos uma vez por semana. Valorize aquilo que o dinheiro não compra e que não dá prestígio.
Treine dez minutos por dia a contemplar a anatomia das flores, a gastar tempo a ver o brilho das estrelas, a experimentar o prazer de penetrar no mundo das pessoas.
Não viva em função de grandes eventos, aprenda a extrair o prazer dos pequenos estímulos da rotina diária.

Segundo: Irrigue o palco da mente com pensamentos agrad√°veis.
Treine trazer diariamente à sua memória aquilo que lhe traz esperança, serenidade e encanto pela vida. Pense em conquistar pessoas e em superar os seus obstáculos. Pense em ser íntimo do Autor da vida e conhecer os mistérios da existência.
Os seus maiores inimigos est√£o dentro de si. N√£o se deixe derrotar ou perturbar por pensamentos que lhe roubam a tranquilidade e o prazer de viver.
Treine ver o lado positivo de todas as coisas negativas. Os negativistas veem os raios,

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Um Bom Pai

Um bom pai não é aquele que nunca perde a paciência, mas é aquele que dialoga muito com os seus filhos, que tem prazer em entrar no mundo deles, que não os deixa do lado de fora da sua história. Ninguém tem filhos sabendo o que é ser pai. Ser pai exige um constante treino, em que os erros corrigem as rotas e as lágrimas acertam os caminhos. Educar filhos é uma tarefa complexa. Costumo brincar e dizer que os melhores filhos para serem educados são os dos outros e não os nossos. E fácil educar os filhos dos outros, pois não temos vínculos nem dificuldades com eles. Sem vínculo, o amor não cresce, mas onde há vínculos há sempre problemas e atritos. Não acredite em manuais mágicos de educação. Acredite na sua sensibilidade.

A melhor educa√ß√£o que os pais podem dar aos seus filhos √© dividir a sua hist√≥ria com eles. O melhor treino da emo√ß√£o √© falar das suas frustra√ß√Ķes, dos seus momentos de hesita√ß√£o, das suas conquistas, dos seus sonhos, dos seus erros. Nunca houve tantos div√≥rcios, mas o ser humano n√£o deixa de se unir. Porqu√™? Porque viver em fam√≠lia √© uma das experi√™ncias mais prazerosas da exist√™ncia.

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Tudo é Divino

H√° uma elasticidade c√≥smica, se assim lhe posso chamar, que √© extremamente enganadora. D√° ao homem a ilus√£o tempor√°ria de que √© capaz de mudar as coisas. Mas o homem acaba sempre por tornar a cair em si. √Č a√≠, na sua pr√≥pria natureza, que pode e deve praticar-se a transmuta√ß√£o, e em nenhum outro lugar. E quando um homem percebe a que ponto √© isto verdade, reconciliando-se com todas as apar√™ncias do mal, da fealdade, da mentira e da frustra√ß√£o; a partir de ent√£o, deixa de aplicar ao mundo a sua imagem pessoal de tristeza e dor, de pecado e corrup√ß√£o.
Eu poderia, √© certo, formular tudo isto de modo muito mais simples, dizendo que, aos olhos de Deus, tudo √© divino. E quando digo tudo, √© mesmo tudo o que quero dizer. Quando olhamos as coisas a tal luz, a palavra ¬ętransmuta√ß√£o¬Ľ adquire um sentido ainda maior: pressup√Ķe que o nosso bem-estar depende do nosso entendimento espiritual, do modo como nos servimos da vis√£o divina que possu√≠mos.

Abrir as Portas da Felicidade

A For√ßa √© a chave que abre as portas da felicidade, pois sem ela nenhuma das outras nove portas √© aberta. Se desejamos ser felizes, temos de apelar √† nossa for√ßa interior e mental para mudar o que est√° mal em n√≥s. A For√ßa distingue-nos da norma, pois obriga-nos a lutar pela diferen√ßa de tentarmos ser felizes, d√°-nos a capacidade de optar consecutivamente por um ¬ęsim¬Ľ ou um ¬ęn√£o¬Ľ.

A For√ßa abre-nos fronteiras, cria passagens por mundos desconhecidos e torna-nos corajosos. A For√ßa destr√≥i os medos e combate a indiferen√ßa e a frustra√ß√£o. A For√ßa √© um desvio de dire√ß√£o quando nos aproximamos do abismo, √© um acordar repentino quando apenas temos um precip√≠cio pela frente. A For√ßa √© compreender um aviso, um sinal. √Č derrotar definitivamente os dias tristes.
Sou feliz porque tenho Força para mudar o que não está bem.

Atingir a Felicidade

Embora seja poss√≠vel atingir a felicidade, a felicidade n√£o √© uma coisa simples. Existem muitos n√≠veis. O Budismo, por exemplo, refere-se a quatro factores de contentamento ou felicidade: os bens materiais, a satisfa√ß√£o mundana, a espiritualidade e a ilumina√ß√£o. O conjunto destes factores abarca a totalidade da busca pessoal de felicidade. Deixemos de lado, por ora, as aspira√ß√Ķes √ļltimas a n√≠vel religioso ou espiritual, como a perfei√ß√£o e a ilumina√ß√£o, e concentremo-nos unicamente sobre a alegria e a felicidade, tal como as concebemos a n√≠vel mundano. A este n√≠vel, existem certos elementos-chave que n√≥s reconhecemos convencionalmente como contribuindo para o bem-estar e a felicidade. A sa√ļde, por exemplo, √© considerada como um factor necess√°rio para o bem-estar. Um outro factor s√£o as condi√ß√Ķes materiais ou os bens que possu√≠mos. Ter amigos e companheiros, √© outro. Todos n√≥s concordamos que para termos uma vida feliz precisamos de um c√≠rculo de amigos com quem nos possamos relacionar emocionalmente e em quem possamos confiar.

Portanto, todos estes factores s√£o causas de felicidade. Mas para que um indiv√≠duo possa utiliz√°-los plenamente e gozar de uma vida feliz e preenchida, a chave √© o estado de esp√≠rito. √Č crucial. Se utilizarmos as condi√ß√Ķes favor√°veis que possu√≠mos,

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A Natureza do Homem

A natureza est√° muitas vezes escondida, algumas vezes vencida, raramente extinta. A for√ßa torna a natureza mais violenta na reac√ß√£o; a doutrina e o discurso fazem a natureza menos exigente; mas s√≥ o h√°bito altera e subjuga a natureza. Aquele que deseja vencer a sua natureza, n√£o tente dar a si pr√≥prio tarefas muito grandes ou muito pequenas; porque as primeiras podem desanim√°-lo com frequentes frustra√ß√Ķes, e as segundas dar-lhe-√£o insignificantes progressos, apesar de serem bem sucedidas. No princ√≠pio, ir√° praticando com auxiliares, como os nadadores se socorrem de b√≥ias e coletes; mas, ao fim de algum tempo, dever√° realizar o treino entre dificuldades, como os dan√ßarinos fazem com os socos. Isto porque resulta sempre maior perfei√ß√£o quando o exerc√≠cio √© mais √°rduo do que a pr√°tica.
(…) N√£o √© m√° a antiga regra que mandava curvar a natureza at√© ao extremo oposto, para que ela se rectificasse; subentendendo-se, por√©m, que o extremo oposto n√£o seja o v√≠cio. O homem n√£o se deve for√ßar a um h√°bito com cont√≠nua persist√™ncia, mas com alguma interrup√ß√£o; porque a pausa refor√ßa a nova investida; e se o homem que n√£o √© perfeito estiver sempre a exercitar-se, ser√° t√£o perito nos seus erros como nas suas virtudes,

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A Sociedade é um Sistema de Egoísmos Maleáveis

A sociedade √© um sistema de ego√≠smos male√°veis, de concorr√™ncias intermitentes. Como homem √©, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social. Como indiv√≠duo, distingue-se de todos os outros homens; e, porque se distingue, op√Ķe-se-lhes. Como soci√°vel, parece-se com todos os outros homens; e, porque se parece, agrega-se-lhes. A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que √© concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que √© semelhante dos outros, e tem t√£o-somente que ser-lhes √ļtil e agrad√°vel. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente s√£o e o que realmente fazem, e n√£o o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser √ļtil ou agrad√°vel, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens.
A exacerba√ß√£o, em qualquer homem, de um ou o outro destes elementos leva √† ru√≠na integral desse homem, e, portanto, √† pr√≥pria frustra√ß√£o do intuito do elemento predominante, que, como √© parte do homem, cai com a queda dele. Um indiv√≠duo que conduza a sua vida em linhas de uma moral alt√≠ssima e pura acabar√° por ser ultrajado por toda a gente –

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