Citação de

A Vida é uma Montanha Russa

A vida n√£o √© uma linha reta em que algu√©m conquistado ou algo adquirido √© uma seguran√ßa para todo o sempre; a vida √© uma montanha russa e, de vez em quando, sim, √© preciso ficares de pernas para o ar. Tudo passa, tu ficas. Sou t√£o assertivo relativamente a este tema porque sei que √© a depend√™ncia que gera o apego, ou seja, se as pessoas forem independentes √© imposs√≠vel serem apegadas. √Č o ego que as vincula √† ideia de que n√£o s√£o suficientemente boas para dependerem de si mesmas e √© contra esta terr√≠vel armadilha que √© preciso lutar.

Uma m√£e que dependa do bem–estar do filho e que viva para ele √© uma mulher que n√£o encontrar√° for√ßas para lhe esticar o bra√ßo quando ele cair e precisar de uma verdadeira m√£e, pois ser√£o sempre dois a sofrer da mesma epidemia, da mesma dor, da mesma frustra√ß√£o ou desilus√£o; um homem que use e abuse da estabilidade profissional e financeira que conquistou e que dependa disso para, pensa ele, ser o que √©, √© algu√©m que mais tarde ou mais cedo, e num daqueles loopings da vida em que o que era j√° n√£o √©, nem de pernas viradas para o ar vai ter um c√™ntimo que lhe caia das cal√ßas ou um plano B que lhe atenue as vertigens; uma pessoa ¬ęhabituada¬Ľ torna-se num ser profundamente d√©bil se lhe tirarem a rotina; e aquela que dependa da ostenta√ß√£o material para se fazer valer relativamente √†s outras e a si mesma √© algu√©m que vive em constante amea√ßa, agonia e solid√£o, pois tudo o que tem √©, afinal, uma parte de si, e isso acaba por significar que tudo o que possa eventualmente acontecer de mau aos seus pertences represente tamb√©m um soco no est√īmago, um aperto nos rins ou um empurr√£o pelas costas. Al√©m disso, e valha a verdade, quem troca bens por pessoas merece passar maus bocados sem elas.

(…) Todas as pessoas apegadas ao presente s√£o pessoas dependentes de uma zona de conforto muito reduzida onde n√£o lhes √© permi¬¨tido voar e onde, ao m√≠nimo solavanco, tudo acaba por ruir. Essas pessoas n√£o possuem treino nem refer√™ncias pessoais que sirvam de exemplo para momentos de agita√ß√£o, pois as suas pr√≥prias vidas sempre foram relegadas para segundo plano. E porqu√™? Pelo velho problema do costume. Porque centraram, durante uma vida inteira, a prioridade nos outros, no trabalho e nas coisas. Tudo fora, quando a solu√ß√£o est√° dentro. Tudo errado.