Cita√ß√Ķes sobre Russos

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Existem hoje na terra dois grandes povos que, a partir de pontos diferentes, parecem avan√ßar para o mesmo objetivo: s√£o os russos e os anglo-americanos. Ambos cresceram no escuro, e quando a aten√ß√£o da humanidade foi dirigido em outros lugares, eles s√£o subitamente colocado na linha da frente das na√ß√Ķes e o mundo aprendeu sobre o tempo, a sua exist√™ncia e sua grandeza. Todas as outras na√ß√Ķes parecem ter atingido quase os limites chamou a natureza, e s√≥ tinha de manter, mas eles est√£o crescendo: todos os outros s√£o presos ou avan√ßar com extrema dificuldade; caminham sozinhos com facilidade e rapidez ao longo de um caminho cujo limite ainda n√£o √© conhecido.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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A Vida é uma Montanha Russa

A vida n√£o √© uma linha reta em que algu√©m conquistado ou algo adquirido √© uma seguran√ßa para todo o sempre; a vida √© uma montanha russa e, de vez em quando, sim, √© preciso ficares de pernas para o ar. Tudo passa, tu ficas. Sou t√£o assertivo relativamente a este tema porque sei que √© a depend√™ncia que gera o apego, ou seja, se as pessoas forem independentes √© imposs√≠vel serem apegadas. √Č o ego que as vincula √† ideia de que n√£o s√£o suficientemente boas para dependerem de si mesmas e √© contra esta terr√≠vel armadilha que √© preciso lutar.

Uma m√£e que dependa do bem–estar do filho e que viva para ele √© uma mulher que n√£o encontrar√° for√ßas para lhe esticar o bra√ßo quando ele cair e precisar de uma verdadeira m√£e, pois ser√£o sempre dois a sofrer da mesma epidemia, da mesma dor, da mesma frustra√ß√£o ou desilus√£o; um homem que use e abuse da estabilidade profissional e financeira que conquistou e que dependa disso para, pensa ele, ser o que √©, √© algu√©m que mais tarde ou mais cedo, e num daqueles loopings da vida em que o que era j√° n√£o √©,

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O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento

Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que h√° a saber ‚ÄĒ e mais um bocado. Do amor, ningu√©m sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que √© um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer √© procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa √© o amor que se tem, ou de que s√≠tio vem o amor que se faz.

Do amor √© bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que n√£o √© t√£o bom amar. Todos os pa√≠ses h√£o-de ter a sua pr√≥pria cultura amorosa. A portuguesa √© excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, √© muito maior a diferen√ßa que se faz entre o amor e a paix√£o. Faz-se de conta que o amor √© uma coisa ‚ÄĒ mais tranquila e pura e duradoura ‚ÄĒ e a paix√£o √© outra ‚ÄĒ mais do√≠da e complicada e ef√©mera. Em Portugal, por√©m, n√£o gostamos de dizer que nos ¬ęenamoramos¬Ľ, e o ¬ęenamoramento¬Ľ e outras palavras que contenham a palavra ¬ęamor¬Ľ s√£o-nos sempre um pouco estranhas. Quando n√≥s nos perdemos de amores por algu√©m, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se l√° por que atavismos atl√Ęnticos,

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A comodidade de vida, o conforto, têm nos Estados Unidos um papel predominante. A eles se sacrifica o sossego, a despreocupação e a segurança. O Americano vive mais para um objectivo, para o futuro, que o Europeu. A vida é um evoluir constante e nunca um estado. Nesse sentido é menos parecido ainda com o Russo e o Asiático do que o Europeu.

Sou crente e tenho fé. Mas, ao mesmo tempo, sou abordado por um certo pessimismo e frequentemente me lembro de um provérbio russo que diz: o pessimismo é a conclusão do optimista.

A Import√Ęncia de Dostoievski na Literatura

Os dois grandes monumentos do romance que o século passado (XIX) nos legou, ou seja aqueles em que poderemos reconhecer-nos, foram os erguidos por Tolstoi e por Dostoievski. Mas se a lição do primeiro foi facilmente assimilada, a do segundo levou tempo Рe tanto, que só hoje acabámos de entendê-la bem. Significa isto que Tolstoi, com incidências menores de moralização, continua um Balzac, é bem do século XIX. E foi por se pretender à força ligar a esse século também um Dostoievski que ele só tarde se nos revelou, para dominar ainda hoje, diga-se o que se disser, todo o romance europeu. Para usar uma expressão que já usei, não com inteira originalidade, e a que a crítica me ligou, direi que Tolstoi continua o romance-espectáculo e que Dostoievski inaugura o romance-problema.

Dir-se-ia, e com razão, que todo o romance é problema e espectáculo, já que o espectáculo resiste num romance de Kafka ou Dostoievski, e o problema implicita-se numa qualquer narrativa, nem que seja o Amadis de Gaula. Mas é tão visível a deslocação do acento na obra de Dostoievski, que ela foi defendida, para existir, pelo que lhe é inessencial (como por um Brunetière e recentemente um Ernst Fischer,

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Sou L√ļcido

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
N√£o sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar…).

Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando n√£o merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
√Č estar ao lado da escala social,
√Č n√£o ser adapt√°vel √†s normas da vida,
‘As normas reais ou sentimentais da vida –
N√£o ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
N√£o ser pobre a valer, oper√°rio explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
N√£o ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem raz√£o para chorar lagrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem raz√£o para isso supor.

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A Import√Ęncia da Segunda Leitura

H√° escritores, dissera eu a Gambetti, que entusiasmam o leitor, quando este os l√™ pela segunda vez, em muito mais alto grau do que na primeira vez, com Kafka sempre me acontece assim. Conservo Kafka na mem√≥ria como um grande escritor, tinha eu dito a Gambetti, mas, ao rel√™-lo, fiquei absolutamente com a impress√£o de ter lido um ainda muito maior. N√£o h√° muitos escritores que, √† segunda leitura, se tornem mais importantes, mais admir√°veis, na sua maior parte lemo-los pela segunda vez e envergonhamo-nos de alguma vez os ter lido, com centenas de escritores assim nos acontece, mas n√£o com Kafka nem com os grandes russos, Dostoievski, Tolstoi, Turgueniev, Lermontov, nem com Proust, com Flaubert, com Sartre, que para mim se contam entre os maiores de todos. N√£o me parece que seja mau o m√©todo de ler uma segunda vez os escritores que t√≠nhamos lido uma vez e nos tinham impressionado, pois eles s√£o nesse caso ou ainda muito maiores, muito mais importantes, ou a sua import√Ęncia desvanece-se por completo.

Vocês não sabem como é divertido o absoluto ceticismo. Pode-se brincar com a hipocrisia alheia como quem brinca com a roleta russa com a certeza de que a arma está descarregada.

Grandes Homens Forjam-se a si Próprios

Para conhecer a realidade do mundo, √ļnico fim s√©rio da ci√™ncia, √© preciso entrar no combate da vida como entravam na li√ßa os paladinos bastardos – sem pai e sem padrinho. Os pr√≠ncipes n√£o constituem excep√ß√£o a esta lei geral da forma√ß√£o dos homens. Da educa√ß√£o de gabinete, do bafo enervante dos mestres, dos camareiros e das aias, nunca sairam sen√£o doentes e pedantes.
Na sagração dos czares há uma cerimónia de alta significação simbólica: o imperador não se confirma enquanto por três vezes não haja descido do trono e penetrado sozinho na multidão; e isto quer dizer que na convivência do povo a autoridade e o valor dos monarcas recebe uma tão sagrada unção como a da santa crisma. Todos os reis fortes se fizeram e se educaram a si mesmos nos mais rudes e mais hostis contactos da natureza e da sociedade humana.
Veja vossa alteza Carlos Magno, que s√≥ aos quarenta anos √© que mandou chamar um mestre para aprender a ler. Veja Pedro o Grande, do qual a educa√ß√£o de c√Ęmara come√ßou por fazer um poltr√£o. Aos quinze anos n√£o se atrevia a atravessar um ribeiro. Reagiu enfim sobre si mesmo pela sua √ļnica for√ßa pessoal.

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O Preço do Amor

N√£o √© f√°cil estar apaixonado por uma mulher e fazer alguma coisa de jeito. √Čs devorado pela ansiedade. N√£o conv√©m deixares-te embei√ßar por uma mulher que se mostre dif√≠cil de conquistar, isso e como passar o resto da vida a tentar escalar o Everest. Escolhe uma mulher que possas conservar sem muito esfor√ßo. Quanto a mulheres boas, podemos compr√°-las. Por meia d√ļzia de euros, arranjas uma russa de dezoito anos, dessas que nem nos filmes se veem. Fodes, pagas e regressas a casa para jantar com a fam√≠lia, com a tua mulher, que cozinha bem e fode mal, mas que n√£o lhe passa pela cabe√ßa separar-se de ti, entre outras coisas porque ningu√©m a olha com particular interesse. Ela vai √†s reuni√Ķes de pais na escola, controla as AMPAS, as APLAS, todas essas associa√ß√Ķes que nem sei como se chamam, esses servi√ßos, esse jarg√£o, esse lixo social-democrata que os do PP copiam com entusiasmo porque soa a fam√≠lia moderna e feliz, e tamb√©m um pouco a Opus Dei, e mete os mi√ļdos na ordem e sabe escolher o detergente mais eficaz no Mercadona e o melhor queijo e o melhor foie gras de fabrico pr√≥prio da charcutaria. Passa-te as camisas a ferro e cose-te os bot√Ķes.

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A Realidade é Mais Poderosa que Qualquer Literatura

Eu costumava pensar que podia compreender tudo e exprimir tudo. Ou quase tudo. Eu lembro-me que quando estava a escrever o meu livro sobre a guerra no Afeganist√£o, Zinky Boys, que fui ao Afeganist√£o e eles mostraram-me algumas das armas estrangeiras que tinham sido capturadas aos combatentes afeg√£os. Fiquei espantada com a perfei√ß√£o das suas formas, e quanto perfeitamente um pensamento humano poderia ser expresso. Havia um oficial ao meu lado que disse: “Se algu√©m pisar esta mina italiana que voc√™ diz que √© t√£o bonita que parece uma decora√ß√£o de Natal, n√£o restaria mais nada deles al√©m de um balde de carne. Voc√™ teria que rasp√°-los do ch√£o com uma colher. ” Quando me sentei para escrever isto, foi a primeira vez que eu pensei, “Isto √© algo que devo dizer?” Eu tinha sido educada na grande literatura russa, pensei que poderia ir muito muito longe, e ent√£o escrevi sobre aquela carne. Mas a Zona – √© um mundo √† parte, um mundo dentro do resto do mundo – e √© mais poderoso do que qualquer coisa que a literatura tenha a dizer.