Passagens sobre Tema

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Frases sobre tema, poemas sobre tema e outras passagens sobre tema para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Reivindico o Meu Direito Próprio de Pensar

Queixas-te de teres a√≠ falta de livros. N√£o interessa a quantidade, mas sim a qualidade: a leitura √© proveitosa se for met√≥dica, se apenas for variada torna-se um mero divertimento. Quem deseja chegar √† meta que se prop√īs deve seguir um s√≥ caminho, e n√£o vaguear por v√°rios: de outro modo n√£o viaja, deixa-se ir ao acaso.
(…) Confio, e muito, no pensamento dos grandes homens, mas reivindico o meu direito pr√≥prio de pensar. De resto eles n√£o nos legaram verdades acabadas, mas sim sujeitas √† investiga√ß√£o; e porventura teriam descoberto o essencial se n√£o tivessem investigado tamb√©m temas sup√©rfluos. Mas gastaram tempo imenso em jogos de palavras, em discuss√Ķes capciosas que agu√ßam inutilmente o engenho. Construimos argumentos tortuosos, empregamos termos de significa√ß√£o amb√≠gua, finalmente desatamos toda a trama. Temos assim tanto tempo livre? J√° sabemos como encarar a vida e a morte? O que devemos procurar, com todas as for√ßas, √© o modo de nos n√£o deixarmos enganar pelas coisas, e n√£o pelas palavras.
Para qu√™ analisar as diferen√ßas entre palavras sin√≥nimas, que n√£o causam dificuldade a ningu√©m a n√£o ser em discuss√Ķes de escola? As coisas enganam-nos: aprendamos a observ√°-las. Tomamos por bens coisas que o n√£o s√£o,

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A Moça Caetana A Morte Sertaneja

(com tema de Deborah Brennand)

Eu vi a Morte, a moça Caetana,
com o Manto negro, rubro e amarelo.
Vi o inocente olhar, puro e perverso,
e os dentes de Coral da desumana.

Eu vi o Estrago, o bote, o ardor cruel,
os peitos fascinantes e esquisitos.
Na m√£o direita, a Cobra cascavel,
e na esquerda a Coral, rubi maldito.

Na fronte, uma coroa e o Gavi√£o.
Nas esp√°duas, as Asas deslumbrantes
que, rufiando nas pedras do Sert√£o,

pairavam sobre Urtigas causticantes,
caules de prata, espinhos estrelados
e os cachos do meu Sangue iluminado.

Desabafar o Sofrimento

Nunca compreendi como √© poss√≠vel que algu√©m que escreva consiga objectivar os seus sofrimentos enquanto vive sob o seu peso; assim eu, por exemplo, no meio da minha infelicidade, provavelmente ainda com a minha cabe√ßa a queimar de infelicidade, sento-me e escrevo a algu√©m: sou infeliz. Sim, eu at√© posso ir al√©m disto e com todos os floreados que o meu talento possa inventar, que n√£o parecem ter nada a ver com a minha infelicidade, toco uma orquestra√ß√£o simples, ou em contraponto, ou uma orquestra√ß√£o completa de varia√ß√Ķes sobre o meu tema. E n√£o √© uma mentira, e n√£o mitiga a minha dor: √© simplesmente um extra misericordioso de for√ßa num momento em que o sofrimento me consumiu at√© ao fundo do meu ser e gastou completamente todas as minhas for√ßas.

Seria suposto ter um doutoramento sobre o tema da mulher. Mas a verdade é que sou frequentemente reprovado. Sou um apreciador de mulheres, admiro-as. Mas, como todos os homens, não as entendo.

A Grandiosidade do Homem Depende da Mulher, mas S√≥ Enquanto n√£o a Possui…

O homem deve √† mulher tudo quanto fez de belo, de insigne, de espantoso, porque da mulher recebeu o entusiasmo; ela √© o ser que exalta. Quantos mo√ßos imberbes, tocadores de flauta, n√£o celebraram j√° o tema? E quantas pastoras ing√©nuas n√£o o ouviram tamb√©m? Confesso a verdade quando digo que a minha alma est√° isenta de inveja e cheia de gratid√£o para com Deus; antes quero ser homem pobre de qualidades, mas homem, do que mulher – grandeza imensur√°vel, que encontra a sua felicidade na ilus√£o. Vale mais ser uma realidade, que ao menos possui uma significa√ß√£o precisa, do que ser uma abstrac√ß√£o suscept√≠vel de todas as interpreta√ß√Ķes. √Č, pois, bem verdade: gra√ßas √† mulher √© que a idealidade aparece na vida; que seria do homem, sem ela? Muitos chegaram a ser g√©nios, her√≥is, e outros santos, gra√ßas √†s mulheres que amaram; mas nenhum homem chegou a ser g√©nio por gra√ßa da mulher com quem casou; por essa, quando muito, consegue o marido ser conselheiro de Estado; nenhum homem chegou a ser her√≥i pela mulher que conquistou, porque essa apenas conseguiu que ele chegasse a general; nenhum homem chegou a ser poeta inspirado pela companheira de seus dias, porque essa apenas conseguiu que ele fosse pai;

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Soneto 233 Sonetado

Já li Lope de Vega e li Gregório,
pois ambos sonetaram do soneto,
seara na qual minha foice meto,
tentando fazer algo meritório.

Não quero usar o mesmo palavrório,
mas pilho-me, no meio do quarteto,
montando a anatomia do esqueleto.
No oitavo verso, o alívio é provisório.

Contagem regressiva: faltam cinco.
Mais quatro, e fico livre do problema.
Agora faltam tr√™s… Deus, dai-me afinco!

Com dois acabo a porra do poema.
Caralho! Só mais um! Até já brinco!
Gozei! Matei a pau! Que puta tema!

O Que é a Inspiração?

Eu n√£o sei o que √© a inspira√ß√£o. Mas tamb√©m a verdade √© que √†s vezes n√≥s usamos conceitos que nunca paramos a examinar. Vamos l√° a ver: imaginemos que eu estou a pensar determinado tema e vou andando, no desenvolvimento do racioc√≠nio sobre esse tema, at√© chegar a uma certa conclus√£o. Isto pode ser descrito, posso descrever os diversos passos desse trajecto, mas tamb√©m pode acontecer que a raz√£o, em certos momentos, avance por saltos; ela pode, sem deixar de ser raz√£o, avan√ßar t√£o rapidamente que eu n√£o me aperceba disso, ou s√≥ me aperceba quando ela tiver chegado ao ponto a que, em circunst√Ęncias diferentes, s√≥ chegaria depois de ter passado por todas essas fases.
Talvez, no fundo, isso seja inspiração, porque há algo que aparece subitamente; talvez isso possa chamar-se também intuição, qualquer coisa que não passa pelos pontos de apoio, que saltou de uma margem do rio para a outra, sem passar pelas pedrinhas que estão no meio e que ligam uma à outra. Que uma coisa a que nós chamamos razão funcione desta maneira ou daquela, que funcione com mais velocidade ou que funcione de forma mais lenta e que eu posso acompanhar o próprio processo,

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A Inutilidade do Viajar

Que utilidade pode ter, para quem quer que seja, o simples facto de viajar? N√£o √© isso que modera os prazeres, que refreia os desejos, que reprime a ira, que quebra os excessos das paix√Ķes er√≥ticas, que, em suma, arranca os males que povoam a alma. N√£o faculta o discernimento nem dissipa o erro, apenas det√©m a aten√ß√£o momentaneamente pelo atractivo da novidade, como a uma crian√ßa que pasma perante algo que nunca viu! Al√©m disso, o cont√≠nuo movimento de um lado para o outro acentua a instabilidade (j√° de si consider√°vel!) do esp√≠rito, tornando-o ainda mais inconstante e incapaz de se fixar. Os viajantes abandonam ainda com mais vontade os lugares que tanto desejavam visitar; atravessam-nos voando como aves, v√£o-se ainda mais depressa do que vieram. Viajar d√°-nos a conhecer novas gentes, mostra-nos forma√ß√Ķes montanhosas desconhecidas, plan√≠cies habitualmente n√£o visitadas, ou vales irrigados por nascentes inesgot√°veis; proporciona-nos a observa√ß√£o de algum rio de caracter√≠sticas invulgares, como o Nilo extravasando com as cheias de Ver√£o, o Tigre, que desaparece √† nossa vista e faz debaixo de terra parte do seu curso, retomando mais longe o seu abundante caudal, ou ainda o Meandro, tema favorito das lucubra√ß√Ķes dos poetas, contorcendo-se em incont√°veis sinuosidades,

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Clamor Supremo

Vem comigo por estas cordilheiras!
P√Ķe teu manto e bord√£o e vem comigo,
Atravessa as montanhas sobranceiras
E nada temas do mortal Perigo!

Sigamos para as guerras condoreiras!
Vem, resoluto, que eu irei contigo
Dentre as √Āguias e as chamas feiticeiras,
Só tendo a Natureza por abrigo.

Rasga florestas, bebe o sangue todo
Da Terra e transfigura em astros lodo,
O próprio lodo torna mais fecundo.

Basta trazer um coração perfeito,
Alma de eleito, Sentimento eleito
Para abalar de lado a lado o mundo!

A Morte РO Sol Do Terrível

(com tema de Renato Carneiro Campos)

Mas eu enfrentarei o Sol divino,
o Olhar sagrado em que a Pantera arde.
Saberei porque a teia do Destino
n√£o houve quem cortasse ou desatasse.

N√£o serei orgulhoso nem covarde,
que o sangue se rebela ao toque e ao Sino.
Verei feita em top√°zio a luz da Tarde,
pedra do Sono e cetro do Assassino.

Ela vir√°, Mulher, afiando as asas,
com os dentes de cristal, feitos de brasas,
e h√° de sagrar-me a vista o Gavi√£o.

Mas sei, também, que só assim verei
a coroa da Chama e Deus, meu Rei,
assentado em seu trono do Sert√£o.

Na sua forma mais elevada, o amor transforma a nossa natureza. Gera ternura e afeto. Substitui a raiva pela compaix√£o. Quando as pessoas procuram o meu conselho, o amor e os relacionamentos s√£o o principal tema das quest√Ķes que me colocam.

Não temas a santidade. Não te tirará a força, vida e alegria. Pelo contrário, porque chegarás a ser aquilo que o Pai pensou quando te criou e serás fiel ao teu próprio ser.

O Amor Busca para que o Entendimento Encontre

N√£o basta a agudeza intelectual para descobrir uma coisa nova. Faz falta entusiasmo, amor pr√©vio por essa coisa. O entendimento √© uma lanterna que necessita de ir dirigida por uma m√£o, e a m√£o necessita de ir mobilizada por um anseio pr√©-existente para este ou outro tipo de poss√≠veis coisas. Em definitivo, somente se encontra o que se busca e o entendimento encontra porque o amor busca. Por isso todas as ci√™ncias come√ßaram por ser entusiasmos de amadores. A pedanteria contempor√Ęnea desprestigiou esta palavra; mas amador √© o mais que se pode ser com respeito a alguma coisa, pelo menos √© o germe todo. E o mesmo dir√≠amos do dilettante – que significa o amante. O amor busca para que o entendimento encontre. Grande tema para uma longa e f√©rtil conversa, este que consistiria em demonstrar como o ser que busca √© a pr√≥pria ess√™ncia do amor! Pensaram voc√™s na surpreendente contextura do buscar? O que busca n√£o tem, n√£o conhece ainda aquilo que busca e, por outra parte, buscar √© j√° ter de antem√£o e conjecturar o que se busca.
Buscar é antecipar uma realidade ainda inexistente, preparar o seu aparecimento, a sua apresentação. Não compreende o que é o amor quem,

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Eu deveria ter um Ph.D sobre o tema ‘mulheres’. Mas a verdade √© que eu sou frequentemente reprovado. Eu sou um apreciador de mulheres, eu as admiro. Mas, como todos os homens, eu n√£o as entendo.

H√° livros que s√≥ falam de sexo. Outros, como os meus, falam de conspira√ß√Ķes. Quando um autor escreve muito sobre um tema √© porque sente falta disso na vida, ou seja, os que escrevem muito sobre sexo, n√£o o praticam. Os que escrevem sobre conspira√ß√Ķes, n√£o conspiram nem s√£o paranoicos.

Todos sabemos que o mundo se divide entre o eu e o resto. A grande fratura existencial. Toda a hist√≥ria da filosofia gira em torno desse tema, e √© algo que damos por garantido assim que come√ßamos a recolher as nossas primeiras perce√ß√Ķes. Faz parte da imprescind√≠vel bagagem para a vida.