Passagens sobre Ameaça

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Frases sobre amea√ßa, poemas sobre amea√ßa e outras passagens sobre amea√ßa para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Apocalipse

Minha divinatória Arte ultrapassa
os séculos efêmeros e nota
Diminui√ß√£o din√Ęmica, derrota
Na atual força, integérrima, da Massa.

√Č a subvers√£o universal que amea√ßa
A Natureza, e, em noite aziaga e ignota,
Destrói a ebulição que a água alvorota
E p√Ķe todos os astros na desgra√ßa!

São despedaçamentos, derrubadas,
Federa√ß√Ķes sid√©ricas quebradas…
E eu s√≥, o √ļltimo a ser, pelo orbe adeante,

Espião da cataclísmica surpresa
A √ļnica luz tragicamente acesa
Na universalidade agonizante!

N√£o h√° Dicas para Namorar e Casar

Nunca me ensinaram as coisas realmente √ļteis: como √© que um rapaz arranja uma noiva, que tipo de anel deve comprar, se pode continuar a sair para os copos com os amigos, se √© preciso pedir primeiro aos pais, se tem de usar anel tamb√©m. Palavra que fui um rapaz que estudou muito e nunca me souberam ensinar isto. Ensinaram-me tudo e mais alguma coisa sobre o sexo e a reprodu√ß√£o, sobre o prazer e a sedu√ß√£o, mas quanto ao namorar e casar, nada. E agora, como √© que eu fa√ßo?

Passei a pente fino as melhores livrarias de Lisboa e n√£o encontrei uma √ļnica obra que me elucidasse. Se quisesse fazer cozinha macrobi√≥tica, descobrir o ¬ęponto G¬Ľ da minha companheira para ajud√°-la a atingir um orgasmo mais recompensador, montar um aqu√°rio, criar m√≠scaros ou construir um tanque Sherman em casa, sim, existe toda uma vasta bibliografia. Para casar, nem um folheto. Nem um ¬ęd√©pliant¬Ľ. Nada. Nem um autocolante. Para apanhar SIDA sei exactamente o que devo fazer. Para apanhar a minha noiva n√£o fa√ßo a mais pequena ideia.

Porque √© que o Minist√©rio da Juventude, em vez de esbanjar fortunas com iniciativas patetas (como aquela piroseira fascist√≥ide dos Descobrimentos) e an√ļncios rid√≠culos (como aqueles ¬ęYa meu,

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Quem Aprendeu a Morrer Desaprendeu de Servir

Os homens v√£o, v√™m, andam, dan√ßam, e nenhuma not√≠cia de morte. Tudo isso √© muito bonito. Mas, tamb√©m quando ela chega, ou para eles, ou para as suas mulheres, filhos e amigos, surpreendendo-os imprevistamente e sem defesa, que tormentos, que gritos, que dor e que desespero os abatem! J√° vistes algum dia algo t√£o rebaixado, t√£o mudado, t√£o confuso? √Č preciso preparar-se mais cedo para ela; e essa despreocupa√ß√£o de animal, caso pudesse instalar-se na cabe√ßa de um homem inteligente, o que considero inteiramente imposs√≠vel, vende-nos caro demais a sua mercadoria. Se fosse um inimigo que pud√©ssemos evitar, eu aconselharia a adoptar as armas da cobardia. Mas, como isso n√£o √© poss√≠vel, como ele vos alcan√ßa fugitivo e poltr√£o tanto quanto corajoso, De facto ele persegue o cobarde que lhe foge, e n√£o poupa os jarretes e o dorso poltr√£o de uma juventude sem coragem (Hor√°cio), e que nenhuma ilus√£o de coura√ßa vos encobre, In√ļtil esconder-se prudentemente sob o ferro e o bronze: a morte saber√° fazer-se exp√īr √† cabe√ßa que se esconde (Prop√©rcio), aprendamos a enfrent√°-lo de p√© firme e a combat√™-lo. E, para come√ßar a roubar-lhe a sua maior vantagem contra n√≥s, tomemos um caminho totalmente contr√°rio ao habitual.

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O Amor √© um Acidente, uma Ren√ļncia, um H√°bito, uma Maldi√ß√£o

O amor é um acidente.
Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava. Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal. As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes. Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me.
O amor √© uma ren√ļncia. Amar algu√©m √© desistir de amar outros, √© desistir por esse amor do amor de outros. Eu desisti de tudo. A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convic√ß√Ķes mais profundas. N√£o me queixo!
N√£o sou ing√©nua nem est√ļpida. Quando digo que o amor √© uma ren√ļncia, quero dizer que foi assim para mim. Para Bill foi sempre uma outra coisa. Eu sabia que ele reparava noutras mulheres, e que outras mulheres reparavam nele. Um homem feio, com poder, √© quase bonito. Um homem bonito,

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A Fraqueza Crónica de um Sistema Democrático de Governo

A fraqueza cr√≥nica de um sistema democr√°tico de governo, em oposi√ß√£o √† ocasional, parece ser proporcional ao grau da sua democratiza√ß√£o. Os mais poderosos e est√°veis estados democr√°ticos s√£o aqueles onde os princ√≠pios da democracia foram menos l√≥gica e consistentemente aplicados. Assim, um parlamento eleito segundo um sistema de representa√ß√£o proporcional √© um parlamento verdadeiramente democr√°tico. Mas √© tamb√©m, na mairoria dos casos, um instrumento n√£o de governo mas de anarquia. A representa√ß√£o proporcional garante que todos os sectores da opini√£o estar√£o representados na assembleia. √Č o ideal da democracia cumprido. Infelizmente, a multiplica√ß√£o de pequenos grupos dentro do parlamento torna imposs√≠vel a forma√ß√£o de um governo est√°vel e forte.
Nas assembleias proporcionalmente eleitas os governos têm geralmente de confiar numa maioria compósita. Têm de comprar o apoio de pequenos grupos com uma distribuição de favores mais ou menos corrupta, e como nunca conseguem dar o suficiente ficam sujeitos a ser derrotados em qualquer altura. A representação proporcional em itália conduziu ao fascismo através da anarquia. Causou grandes dificuldades práticas na Bélgica, e agora ameaça fazer o mesmo na Irlanda. Encontram-se governos democráticos estáveis em países onde as minorias, por muito grandes que sejam, não estão representadas, e onde nenhum candidato que não pertença a um dos grandes partidos terá a mais leve possibilidade de ser eleito.

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Vírgula

Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que n√£o te fale
feito de resist√™ncias e amea√ßas ‚ÄĒ Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.

A experiência o contrário da raiz originária aliás
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.

Tanta metafísica eu e tu
que j√° n√£o acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
‚ÄĒ constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos O√°sis Perdidos.

E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensid√£o da desordem
a que ter√£o de ser constantemente arrancadas
‚ÄĒ s√£o da m√°xima import√Ęncia as Velhas Concep√ß√Ķes pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.

Resulta isto dum olhar r√°pido sobre a cidade desconhecida.
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como o frágil véu que nos separa vedados e proibidos.

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Crescimento Cultural

Como indivíduos, verificamos que o nosso desenvolvimento depende das pessoas que conhecemos no curso da nossa vida (essas pessoas incluem os autores cujas obras lemos e as personagens, tanto da ficção como da história). O benefício desses encontros é devido tanto às diferenças como às semelhanças, tanto ao conflito como à simpatia entre pessoas. Feliz é o homem que, no momento oportuno, encontra o amigo adequado; feliz também o homem que, no momento adequado, encontra o inimigo adequado.
Não aprovo o extermínio do inimigo; a política de exterminar ou, como se diz barbaramente, liquidar o inimigo constitui um dos mais alarmantes desenvolvimentos da guerra moderna e, também, da paz moderna, do ponto de vista de quem deseja a sobrevivência da cultura. Precisamos do inimigo. Assim, dentro de certos limites, o atrito, não só entre indivíduos mas também entre grupos, parece-me necessário à civilização.
A universidade da irrita√ß√£o √© a melhor garantia de paz. Um pa√≠s dentro do qual as divis√Ķes tenham ido demasiado longe √© um perigo para si pr√≥prio; um pa√≠s demasiado unido – seja por natureza ou por inten√ß√£o, por fins honestos ou por fraude e opress√£o – √© uma amea√ßa para os outros.

A esperança promete bens, o temor ameaça males, e entre promessas e ameaças tanto vem a se padecer o que se espera, como o que se teme.

Data

{à maneira de Eustache Deschamps)

Tempo de solid√£o e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo que mata quem o denuncia
Tempo de escravid√£o

Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue n√£o tem rastro
Tempo de ameaça

A nossa crescente suavidade, a nossa cada vez maior falta de exercício físico, é uma ameaça à nossa segurança.

O Carácter dos Homens é Pouco Flexível

√Č apenas a experi√™ncia que nos ensina quanto o car√°cter dos homens √© pouco flex√≠vel, e durante muito tempo, como as crian√ßas pensamos poder, atrav√©s de sensatas representa√ß√Ķes, atrav√©s da prece e da amea√ßa, atrav√©s do exemplo, atrav√©s dum apelo √† generosidade, levar os homens a deixarem a sua maneira de ser, a mudarem a sua conduta e a desistirem da sua opini√£o, a aumentar a sua capacidade; o mesmo se passa quanto √† nossa pr√≥pria pessoa. √Č preciso que as experi√™ncias venham ensinar-nos o que queremos, o que podemos: at√© essa altura ignor√°mo-lo, n√£o temos car√°cter; e √© preciso mais do que uma vez que rudes fracassos venham relan√ßar-nos na nossa verdadeira via. – Enfim, aprendemo-lo, e chegamos a ter aquilo que o mundo chama car√°cter, isto √© o car√°cter adquirido. A√≠ existe, portanto, apenas um conhecimento, o mais perfeito poss√≠vel da nossa pr√≥pria individualidade: √© uma no√ß√£o abstracta, e por consequ√™ncia clara das qualidades imut√°veis do nosso car√°cter emp√≠rico, do grau e da direc√ß√£o das nossas for√ßas, tanto espirituais como corporais, em suma, do forte e do fraco em toda a nossa individualidade.

Criminosos s√£o uma pequena minoria em qualquer √©poca ou pa√≠s. E o dano que eles causaram √† humanidade √© infinitesimal quando comparado com os horrores ‚Äď o derramamento de sangue, as guerras, as perseguis√Ķes, a fome, as escraviza√ß√Ķes, as destrui√ß√Ķes em grande escala ‚Äď perpetradas pelos governos da humanidade. Potencialmente, o governo √© a mais perigosa amea√ßa aos direitos do homem: ele mantem o monop√≥lio do uso de for√ßa f√≠sica contra v√≠timas legalmente desarmadas. Quando irrestrito e ilimitado pelos direitos individuais, um governo √© o mais mortal inimigo do homem.

O Saber Esmaga a Fé

A fé e o saber não se dão bem dentro da mesma cabeça: são como o lobo e o cordeiro dentro de uma jaula; e o saber é justamente o lobo, que ameaça devorar o seu vizinho.
O saber √© feito de uma mat√©ria mais dura do que a f√©, de modo que, quando colidem, a √ļltima se quebra.

Existem dois tipos de idiotas: os que deixam de fazer alguma coisa por que perceberam uma ameaça e os que acham que vão fazer alguma coisa por que estão ameaçando.

Exer√ßa seu comando com serenidade. N√£o o fa√ßa sob ¬ępress√£o¬Ľ ou constantes amea√ßas. N√£o menospreze ou ofenda um funcion√°rio. Valorize-o e ele ser√° leal; enalte√ßa-o e ele ser√° seu aliado.

√Č ilus√≥ria toda a reforma do colectivo que se n√£o apoie numa renova√ß√£o individual; amea√ßa a ru√≠na a todo o movimento que tornarem poss√≠vel a ignor√Ęncia e a ilus√£o.

Uma doutrina que seja doce para com os que têm fé nela não contém inferno nem ameaças. Os que não têm fé, esses apenas sentirão em si uma vida fugidia.