Passagens sobre Trabalho

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Frases sobre trabalho, poemas sobre trabalho e outras passagens sobre trabalho para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Todos os políticos responsáveis sabem que não se pode prometer aos Portugueses senão tempos duros. E que se lhes não pode oferecer nada a curto prazo, excepto sacrifícios e trabalho paciente.

Felicidade Aparente

Ao reflectir sobre a frescura das recorda√ß√Ķes, sobre a cor encantada de que elas se revestem num passado long√≠nquo, n√£o pude deixar de admirar esse trabalho involunt√°rio da alma que separa e suprime na recorda√ß√£o desses momentos agrad√°veis tudo o que poderia diminuir o encanto do momento ent√£o vivido.
(…) Poder√° uma pessoa afirmar ter sido feliz num determinado momento da sua vida, que lhe parece encantador retrospectivamente? O pr√≥prio facto de o recordar ao dar-se conta da felicidade que ent√£o deve ter sentido deve satisfaz√™-lo. Mas ter-se-ia sentido efectivamente feliz nesse instante de pretensa felicidade?
Pode-se compara essa pessoa com um indiv√≠duo que possu√≠sse uma parcela de terra em que estivesse escondido um tesouro, do qual ele, contudo, n√£o teria conhecimento. Poder-se-√† considerar ¬ęrico¬Ľ esse homem? Do mesmo modo n√£o considero feliz aquele que o √© sem se aperceber disso, ou sem saber a que ponto monta a sua felicidade.

Dignidade Perdida

A medita√ß√£o perdeu toda a sua dignidade exterior; ridicularizou-se o cerimonial e a atitude solene daquele que reflecte; j√° n√£o se poderia continuar a suportar um sages da velha escola. Pensamos demasiado depressa, e pelo caminho, em plena marcha, no meio de neg√≥cios de toda a esp√©cie, mesmo quando se trate das coisas mais graves; temos apenas necessidade de pouca prepara√ß√£o, e at√© de pouco sil√™ncio: tudo se passa como se tiv√©ssemos na cabe√ßa uma m√°quina que girasse incessantemente e que prosseguisse o seu trabalho, mesmo nas piores circunst√Ęncias. Outrora, quando algu√©m se queria p√īr a pensar – era uma coisa excepcional! – era coisa que se notava imediatamente ; notava-se que queria tornar-se mais s√°bio e que se preparava para uma ideia: o seu rosto ganhava uma express√£o como em ora√ß√£o; o homem detinha-se na sua marcha; ficava at√© im√≥vel durante horas na rua, apoiado numa perna ou nas duas, quando a ideia lhe ¬ęsurgia¬Ľ. A coisa ¬ęvalia¬Ľ ent√£o ¬ęesse trabalho¬Ľ.

Estive Pensando Hoje de Manh√£

Estive pensando hoje de manh√£
que fino trabalho fez o céu?
para amanhecer com cara de rom√£?
Estive pensando hoje de manh√£
onde ser√° que nascem os ventos?
para viverem assim de déu em déu?
que nuvem é como pensamento
sai andando sem poder parar.
Estive pensando hoje de manh√£
enganoso pensar que o mar
vive sozinho parado sonhando.
Estive pensando hoje de manh√£
que tudo na terra vive amando:
mar, nuvem, vento, idéia, romã.

Meu trabalho n√£o tem import√Ęncia, nem a arquitetura tem import√Ęncia pra mim. Para mim o importante √© a vida, a gente se abra√ßar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar num mundo melhor, o resto √© conversa fiada.

O Belo Retrato do S√°bio

Voltemos √† feliz esp√©cie dos loucos. Passada a vida alegremente, sem medo ou pressentimento da morte, emigram directamente para os Campo El√≠sios e v√£o deleitar com as suas fac√©cias as almas ociosas e pias. Comparai agora ao destino do louco o de um s√°bio √† vossa escolha. Citai-me um modelo de sabedoria que tenha gasto a sua inf√Ęncia e a juventude no estudo das ci√™ncias e que tenha perdido o mais belo tempo da sua vida em vig√≠lias, cuidados e trabalhos sem fim e que se tenha privado, para o resto da sua vida, de todos os prazeres. Vereis que foi sempre pobre, miser√°vel, triste, t√©trico, severo e duro para consigo mesmo, insuport√°vel e desagrad√°vel para com os outros, p√°lido, magro, servil, envelhecido antes do tempo, calvo antes da velhice, votado a uma morte prematura. Que importa, ali√°s, que morra, se nunca chegou a viver! Tal √© o belo retrato deste s√°bio.

Não penses em faltar ao trabalho para descansar. Se assim pensares, atrairás uma situação em que serás obrigado a faltar ao trabalho.

Tenha em mente que tudo que voc√™ aprende na escola √© trabalho de muitas gera√ß√Ķes. Tudo isso √© posto em sua m√£o como sua heran√ßa para que voc√™ receba-a, honre-a, acrescente a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas m√£os de seus filhos.

Eu escolho uma pessoa preguiçosa para fazer um trabalho duro. Porque uma pessoa preguiçosa irá encontrar uma forma fácil de o fazer.

Um Estado Desacostumado

N√£o √© imposs√≠vel assistir a um desvio anormal no funcionamento latente ou vis√≠vel das leis da natureza. Efectivamente, se qualquer um se der ao engenhoso trabalho de interrogar as diversas fases da sua exist√™ncia (sem esquecer qualquer delas, porque talvez fosse essa a que estava destinada a fornecer a prova do que afirmo), n√£o ser√° sem um certo espanto, que noutras circunst√Ęncias seria c√≥mico, que se recordar√° de que em determinado dia, para come√ßar a falar de coisas objectivas, foi testemunha de qualquer fen√≥meno que parecia ultrapassar, e positivamente ultrapassava, as no√ß√Ķes conhecidas fornecidas pela observa√ß√£o e pela experi√™ncia, como, por exemplo, as chuvas de sapos, cujo m√°gico espect√°culo n√£o foi a princ√≠pio compreendido pelos s√°bios. E de que, noutro dia, para falar em segundo e √ļltimo lugar de coisas subjectivas, a sua alma apresentou ao olhar investigador da psicologia, n√£o vou ao ponto de dizer uma aberra√ß√£o da raz√£o (que, no entanto, n√£o deixaria de ser curiosa; pelo contr√°rio, ainda o seria mais), mas, pelo menos, para n√£o me fazer rogado perante certas pessoas frias, que nunca perdoariam as locubra√ß√Ķes flagrantes do meu exagero, um estado desacostumado, muitas vezes grav√≠ssimo, que significa que o limite concedido pelo bom-senso √† imagina√ß√£o √©,

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A Variedade √© a √önica Desculpa da Abund√Ęncia

A variedade √© a √ļnica desculpa da abund√Ęncia. Ningu√©m deveria deixar vinte livros diferentes, a menos que seja capaz de escrever como vinte homens diferentes. As obras de Victor Hugo enchem cinquenta grossos volumes, mas cada volume, cada p√°gina quase, cont√©m todo o Victor Hugo. As outras p√°ginas somam-se como p√°ginas, n√£o como g√©nio. Nele n√£o existia produtividade, mas prolixidade. Desperdi√ßou o seu tempo como g√©nio, por pouco que o tivesse desperdi√ßado como escritor. A opini√£o de Goethe a seu respeito continua a ser suprema, apesar de ter sido precocmente emitida, e uma grande li√ß√£o para todos os artistas: ¬ęDeveria escrever menos e trabalhar mais¬Ľ, disse ele. Este parecer, na sua distin√ß√£o entre o trabalho a s√©rio, que n√£o se espraia, e o trabalho fict√≠cio, que ocupa espa√ßo (pois as p√°ginas nada mais s√£o do que espa√ßo), √© uma das grandes opini√Ķes cr√≠ticas do mundo.
Se conseguir escrever como vinte homens diferentes, é vinte homens diferentes, seja lá como for, e os seus vinte livros têm justificação.