Passagens sobre Trabalho

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Frases sobre trabalho, poemas sobre trabalho e outras passagens sobre trabalho para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Má Consciência

РLevanta-se sempre muito cedo, sr. Spinell Рdisse a mulher do sr. Kloterjahn. Por acaso, já o vi sair duas ou três vezes de casa às sete e meia da manhã.
РMuito cedo? Oh, é preciso distinguir! Se me levanto cedo é porque, no fundo, gosto de dormir até tarde.
РExplique-nos como é isso, sr. Spinell
A senhora conselheira Spatz também desejava ser elucidada.
– Ora… se algu√©m tem o costume de se levantar cedo, parece-me, em todo o caso, que n√£o precisa de ser t√£o matinal. A consic√™ncia, minha senhora, que coisa p√©ssima que √© a consci√™ncia! Eu e os meus semelhantes andamos toda a vida √†s turras com ela, e temos um trabalh√£o para a enganarmos de vez em quando e procurar-lhe umas satisfa√ß√Ķezinhas estultas. Somos criaturas in√ļteis, eu e os meus semelhantes; fora algumas breves horas satisfat√≥rias, arrastamo-nos na certeza da nossa inutilidade, at√© ficarmos a sangrar e doentes. Odiamos o que √© √ļtil, sabendo-o vulgar e feio, e defendemos esta verdade como se defendem as verdades absolutamente necess√°rias. E, contudo, estamos t√£o corro√≠dos pela nossa m√° consci√™ncia que n√£o achamos em n√≥s um ponto s√£o.
Além disso, a maneira como vivemos interiormente,

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A escola n√£o deve ter a melancolia da cadeia. Pestallozi, Froebel, os grandes educadores, ensinavam em p√°tios, ao ar livre, entre √°rvores. Froebel fazia alterar o estudo do ABC e o trabalho manual; a crian√ßa soletrava e cavava. A educa√ß√£o deve ser dada com higiene. A escola entre n√≥s √© uma grilheta do abeced√°rio, escura e suja: as crian√ßas, enfastiadas, repetem a li√ß√£o, sem vontade, sem intelig√™ncia, sem est√≠mulo: o professor domina pela palmat√≥ria, e p√Ķe todo o t√©dio da sua vida na rotina do seu ensino.

Fa√ßa reuni√Ķes com os membros da sua equipa e ou√ßa deles opini√Ķes de como melhorar os trabalhos. Trabalhador motivado √© sin√≥nimo de menor desperd√≠cio e maior produ√ß√£o.

A exploração do escritor é uma coisa vergonhosa. O livreiro, que tem só o trabalho de vender, ganha 30 por cento. O editor, entretanto, tem uma razoável margem de risco. Fica com 40 por cento dos quais tem que pagar ao escritor.

Separar a liberdade da justiça significa separar a cultura e o trabalho, o que constitui o pecado social por excelência.

Qualquer pessoa que tenha experiência com o trabalho científico sabe que aqueles que se recusam a ir além dos factos raramente chegam aos factos em si.

O trabalho é a melhor e a pior das coisas: a melhor, se for livre; a pior, se for escravo.

Poupar a Vontade

Em compara√ß√£o com o comum dos homens, poucas coisas me atingem, ou, dizendo melhor, me prendem; pois √© razo√°vel que elas atinjam, contanto que n√£o nos possuam. Tenho grande zelo em aumentar pelo estudo e pela reflex√£o esse privil√©gio de insensibilidade, que em mim √© naturalmente muito saliente. Desposo – e consequentemente me apaixono por – poucas coisas. A minha vis√£o √© clara, mas detenho-a em poucos objectos; a sensibilidade, delicada e male√°vel. Mas a apreens√£o e aplica√ß√£o, tenho-a dura e surda: dificilmente me envolvo. Tanto quanto posso, emprego-me todo em mim; por√©m mesmo nesse objecto eu refrearia e suspenderia de bom grado a minha afei√ß√£o para que ela n√£o se entregasse por inteiro, pois √© um objecto que possuo por merc√™ de outr√©m e sobre o qual a fortuna tem mais direito do que eu. De maneira que at√© a sa√ļde, que tanto estimo, ser-me-ia preciso n√£o a desejar e n√£o me dedicar a ela t√£o desenfreadamente a ponto de achar insuport√°veis as doen√ßas. Devemos moderar-nos entre o √≥dio e o amor √† voluptuosidade; e Plat√£o receita um caminho mediano de vida entre ambos.
Mas √†s paix√Ķes que me distraem de mim e me prendem alhures, a essas certamente me oponho com todas as minhas for√ßas.

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Espero Curar-me em Tua Intenção

O que me eleva, o que em mim perdurar√°, √© a felicidade de ser amado por ti. Veneza, o Grande Canal, a Piazzetta, a Pra√ßa de S. Marcos – um mundo desvanecido. Tudo se torna objectivo como uma obra de arte. Instalei-me num imenso pal√°cio debru√ßado para o Grande Canal, de que neste momento sou o √ļnico habitante. Salas enormes, espa√ßosas, onde vagueio √† minha vontade. Tendo a minha instala√ß√£o uma import√Ęncia grande no aspecto t√©cnico e material do meu trabalho, nela ponho todo o meu cuidado. Escrevi logo para que me mandem o ¬ęErard¬Ľ. Soar√° admiravelmente nos sal√Ķes do meu pal√°cio. O singular sil√™ncio do Canal conv√©m-me √†s mil maravilhas. S√≥ deixo a casa pelas cinco horas, para ir comer. Depois passeio pelo jardim p√ļblico; breve paragem na Pra√ßa de S. Marcos, de um t√£o teatral efeito, por entre uma multid√£o que me √© completamente estranha e apenas me distrai a imagina√ß√£o. Pelas nove horas regresso de g√īndola, encontro o candeeiro aceso, e leio um pouco antes de adormecer…

Esta solid√£o, √ļnico alvo que procuro e que aqui se torna agrad√°vel, anima-me. Sim, espero curar-me em tua inten√ß√£o. Conservar-me para ti significa consagrar-me √† minha arte. Tornar-me tua consola√ß√£o,

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√Äs vezes me perguntam por que trabalho tanto. √Č porque, quando ficar velho, quero p√īr meus pais num asilo.

O Espírito da Conversação

Há pessoas que falam um momento antes de pensar; há outras que prestam fraca atenção ao que dizem, e com as quais sofremos, na conversação, todo o trabalho que a sua inteligência tem; estão como amassados de frases e jeitos de expressão, concertados nos gestos e em toda a sua atitude.
O espírito da conversação consiste muito menos em mostrar muito espírito que em fazer com que os outros o achem: quem sai de uma palestra contente consigo mesmo e com o seu espírito, sai perfeitamente contente com o orador. Os homens não gostam de admirar; querem agradar: procuram menos ser instruídos, e mesmo satisfeitos, que serem apreciados e aplaudidos; e o prazer mais delicado que há é o de causar o dos outros.

Aqueles que têm um grande autocontrole, ou que estão totalmente absortos no trabalho, falam pouco. Palavra e acção juntas não andam bem. Repare na natureza: trabalha continuamente, mas em silêncio.

M√£e

Conheço a tua força, mãe, e a tua fragilidade.
Uma e outra têm a tua coragem, o teu alento vital.
Estou contigo mãe, no teu sonho permanente na tua esperança incerta
Estou contigo na tua simplicidade e nos teus gestos generosos.
Vejo-te menina e noiva, vejo-te m√£e mulher de trabalho
Sempre fr√°gil e forte. Quantos problemas enfrentaste,
Quantas afli√ß√Ķes! Sempre uma for√ßa te erguia vertical,
sempre o alento da tua fé, o prodigioso alento
a que se chama Deus. Que existe porque tu o amas,
tu o desejas. Deus alimenta-te e inunda a tua fragilidade.
E assim est√°s no meio do amor como o centro da rosa.
Essa √Ęnsia de amor de toda a tua vida √© uma onda incandescente.
Com o teu amor humano e divino
quero fundir o diamante do fogo universal.

A preguiça pode parecer atractiva, mas é o trabalho que traz a satisfação.

O trabalho, afinal, ainda é a melhor maneira de tapear a vida. E ainda rende uns trocos