Passagens sobre Costumes

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Frases sobre costumes, poemas sobre costumes e outras passagens sobre costumes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Má Consciência

РLevanta-se sempre muito cedo, sr. Spinell Рdisse a mulher do sr. Kloterjahn. Por acaso, já o vi sair duas ou três vezes de casa às sete e meia da manhã.
РMuito cedo? Oh, é preciso distinguir! Se me levanto cedo é porque, no fundo, gosto de dormir até tarde.
РExplique-nos como é isso, sr. Spinell
A senhora conselheira Spatz também desejava ser elucidada.
– Ora… se algu√©m tem o costume de se levantar cedo, parece-me, em todo o caso, que n√£o precisa de ser t√£o matinal. A consic√™ncia, minha senhora, que coisa p√©ssima que √© a consci√™ncia! Eu e os meus semelhantes andamos toda a vida √†s turras com ela, e temos um trabalh√£o para a enganarmos de vez em quando e procurar-lhe umas satisfa√ß√Ķezinhas estultas. Somos criaturas in√ļteis, eu e os meus semelhantes; fora algumas breves horas satisfat√≥rias, arrastamo-nos na certeza da nossa inutilidade, at√© ficarmos a sangrar e doentes. Odiamos o que √© √ļtil, sabendo-o vulgar e feio, e defendemos esta verdade como se defendem as verdades absolutamente necess√°rias. E, contudo, estamos t√£o corro√≠dos pela nossa m√° consci√™ncia que n√£o achamos em n√≥s um ponto s√£o.
Além disso, a maneira como vivemos interiormente,

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A Cegueira da Governação

Pr√≠ncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ru√≠na dos vossos Reinos, vedes as afli√ß√Ķes e mis√©rias dos vossos vassalos, vedes as viol√™ncias, vedes as opress√Ķes, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assola√ß√£o de tudo? Ou o vedes ou o n√£o vedes. Se o vedes como o n√£o remediais? E se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Pr√≠ncipes, Eclesi√°sticos, grandes, maiores, supremos, e v√≥s, √≥ Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destro√ßos da F√©, vedes o descaimento da Religi√£o, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados p√ļblicos, vedes os esc√Ęndalos, vedes as simonias, vedes os sacril√©gios, vedes a falta da doutrina s√£, vedes a condena√ß√£o e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou n√£o o vedes. Se o vedes, como n√£o o remediais, e se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da Rep√ļblica, da Justi√ßa, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obriga√ß√Ķes que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consci√™ncias,

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A Ilus√£o Pol√≠tica das Grandes Manifesta√ß√Ķes Populares

Nisto de manifesta√ß√Ķes populares, o mais dif√≠cil √© interpret√°-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos como se deram. Nada √© como se d√°. Temos que alterar os factos, tais como se deram, para poder perceber o que realmente se deu. √Č costume dizer-se que contra factos n√£o h√° argumentos. Ora s√≥ contra factos √© que h√° argumentos. Os argumentos s√£o, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A l√≥gica √© o nosso crit√©rio de verdade, e √© nos argumentos, e n√£o nos factos, que pode haver l√≥gica.
Nisto de manifesta√ß√Ķes ‚ÄĒ ia eu dizendo ‚ÄĒ o dif√≠cil √© interpret√°-las. Porque, por exemplo, uma manifesta√ß√£o conservadora √© sempre feita por mais gente do que toma parte nela. Com as manifesta√ß√Ķes liberais sucede o contr√°rio. A raz√£o √© simples. O temperamento conservador √© naturalmente avesso a manifestar-se, a associar-se com grande facilidade; por isso, a uma manifesta√ß√£o conservadora vai s√≥ um reduzido n√ļmero da gente que poderia, ou mesmo quereria, ir. O feitio ps√≠quico dos liberais √©, ao contr√°rio, expansivo e associador; as manifesta√ß√Ķes dos “avan√ßados” englobam, por isso, os pr√≥prios indiferentes de sa√ļde,

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A arte é tudo porque só ela tem a duração Рe tudo o resto é nada! As sociedades, os impérios são varridos da Terra, com os seus costumes, as suas glórias, as suas riquezas.

Os Limites da Amizade

Determinemos, agora, quais s√£o os limites e, por assim dizer, os termos da amizade. Encontro aqui tr√™s opini√Ķes diferentes, das quais n√£o aprovo nenhuma: a primeira deseja que sejamos para os nossos amigos, assim como somos para n√≥s mesmos; a segunda, que a nossa afei√ß√£o por eles seja tal e qual √† que eles t√™m por n√≥s; a terceira, que estimemos os nossos amigos, assim como eles se estimam a si mesmos. N√£o posso concordar com nenhuma destas tr√™s m√°ximas. Porque a primeira, que cada um tenha para com o seu amigo a mesma afei√ß√£o e vontade que tem para si, √© falsa. De facto, quantas coisas fazemos pelos nossos amigos, que jamais far√≠amos para n√≥s! Rogar, suplicar a um homem que se despreza, tratar a outro com aspereza, persegui-lo com viol√™ncia; coisas que em causa pr√≥pria n√£o seriam muito decentes, nos neg√≥cios dos amigos tornam-se muito honrosas. Quantas vezes um homem de bem abandona a defesa dos seus interesses e os sacrifica, em seu pr√≥prio detrimento, para servir os de seu amigo!
A segunda opini√£o √© a que define a amizade por uma correspond√™ncia igual em amor e bons servi√ßos. √Č fazer da amizade uma ideia bem limitada e mesquinha,

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A liberdade da imprensa n√£o faz sentir o seu poder apenas sobre as opini√Ķes pol√≠ticas, mas tamb√©m sobre todas as opini√Ķes dos homens. N√£o modifica somente as leis, mas os costumes (…) Amo-a pela considera√ß√£o dos males que impede, mais ainda do que pelos bens que produz.

O Amor e o Tempo

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

‚ÄĒ ¬ęAmor! Amor! mais devagar!
N√£o corras tanto assim, que t√£o ligeira
N√£o pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!¬Ľ

S√ļbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas tr√©mulas ao vento…
‚ÄĒ ¬ęPorque voais assim t√£o apressados?
Onde vos dirigis?¬Ľ ‚ÄĒ Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:
‚ÄĒ ¬ęTende paci√™ncia, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo… Adeus! Adeus!

O Grau da Nossa Emancipação

A esfera da consciência reduz-se na acção; por isso ninguém que aja pode aspirar ao universal, porque agir é agarrar-se às propriedades do ser em detrimento do ser, a uma forma de realidade em prejuízo da realidade. O grau da nossa emancipação mede-se pela quantidade das iniciativas de que nos libertámos, bem como pela nossa capacidade de converter em não-objecto todo o objecto. Mas nada significa falar de emancipação a propósito de uma humanidade apressada que se esqueceu de que não é possível reconquistar a vida nem gozá-la sem primeiro a ter abolido.
Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar as coisas em si pr√≥prias ou de denunciar a sua fragilidade. O nosso ofegar postula-as e deforma-as, cria-as e desfigura-as, e amarra-nos a elas. Agito-me e portanto emito um mundo t√£o suspeito como a minha especula√ß√£o, que o justifica, adopto o movimento que me transforma em gerador de ser, em artes√£o de fic√ß√Ķes, ao mesmo tempo que a minha veia cosmog√≥nica me faz esquecer que, arrastado pelo turbilh√£o dos actos, n√£o passo de um ac√≥lito do tempo, de um agente de universos caducos.
Empanturrados de sensa√ß√Ķes e do seu corol√°rio, o devir, somos seres n√£o libertos, por inclina√ß√£o e por princ√≠pio,

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O costume português é deixar-se tudo em palavras mas palavras que são bolas de sabão deitadas ao ar para distrair pequeninos de seis anos.

Igualdade não é Identidade

Combaterei pelo primado do Homem sobre o indiv√≠duo – como do universal sobre o particular. Creio que o culto do universal exalta e liga as riquezas particulares – e funda a √ļnica ordem verdadeira, que √© a da vida. Uma √°rvore est√° em ordem, apesar das ra√≠zes que diferem dos ramos.

Creio que o culto do particular só leva à morte Рporque funda a ordem na semelhança. Confunde a unidade do Ser com a identidade das suas partes. E devasta a catedral para alinhar pedras. Combaterei, pois, todo aquele que pretenda impor um costume particular aos outros costumes, um povo aos outros povos, uma raça às outras raças, um pensamento aos outros pensamentos.

Creio que o primado do Homem fundamenta a √ļnica Igualdade e a √ļnica Liberdade que t√™m significado. Creio na Igualdade dos direitos do Homem atrav√©s de cada indiv√≠duo. E creio que a √ļnica liberdade √© a da ascens√£o do homem. Igualdade n√£o √© Identidade. A Liberdade n√£o √© a exalta√ß√£o do indiv√≠duo contra o Homem. Combaterei todo aquele que pretenda submeter a um indiv√≠duo – ou a uma massa de indiv√≠duos – a liberdade do Homem.
Creio que a minha civiliza√ß√£o denomina ¬ęCaridade¬Ľ o sacrif√≠cio consentido ao Homem para que este estabele√ßa o seu reino.

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Captar a Oportunidade no Momento Justo

J√° percebeste que deves subtrair-te a essas tuas ocupa√ß√Ķes ilus√≥rias e nocivas, mas ignoras ainda o modo de o conseguir. Ora h√° coisas que s√≥ estando presente te posso indicar! O m√©dico tamb√©m n√£o pode determinar por carta a hora adequada para a alimenta√ß√£o ou para o banho: tem de tomar o pulso ao doente. Diz um antigo prov√©rbio que o gladiador s√≥ forma o seu plano na arena a partir da observa√ß√£o do rosto do advers√°rio, do modo como move os bra√ßos, da pr√≥pria postura do corpo. Observa√ß√Ķes sobre os costumes, sobre os deveres, √© poss√≠vel faz√™-las de um modo geral e por escrito; s√£o conselhos que se podem dar n√£o s√≥ a ausentes, como at√© √† posteridade. Mas a maneira e a ocasi√£o de tomar uma decis√£o concreta, isso ningu√©m pode aconselh√°-lo √† dist√Ęncia, √© for√ßoso deliberar em face das pr√≥prias circunst√Ęncias.
Para captar a oportunidade no momento justo √© preciso n√£o s√≥ estar presente, como estar atento. P√Ķe-te, por conseguinte na expectativa, e assim que surpreenderes a oportunidade agarra-a com toda a rapidez, com toda a energia, e liberta-te definitivamente desses teus falacciosos deveres! Repara bem no conselho que te dou: em meu entender tens de libertar-te desse tipo de vida,

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A felicidade consiste numa certa maneira de viver, no meio que circunda o homem,nos costumes e nas institui√ß√Ķes adotadas pela comunidade √† qual pertence…

√Č um costume existente somente nos mundos imperfeitos. Onde busca-se, para quase tudo, atacar os efeitos e, quase nunca, √†s causas.

Tudo quanto nas nossas institui√ß√Ķes, leis e costumes √© moralmente valioso, teve origem nas manifesta√ß√Ķes do sentimento de justi√ßa de in√ļmeros indiv√≠duos ao longo dos tempos. As institui√ß√Ķes s√£o impotentes no sentido moral, se n√£o forem apoiadas e alimentadas pelo sentido de responsabilidade de indiv√≠duos vivos.

Povos Sem Sorte

As pessoas podem sentir pena de um homem que est√° a passar por tempos dif√≠ceis, mas quando um pa√≠s inteiro √© pobre, o resto do mundo assume que todos os seus cidad√£os s√£o desmiolados, pregui√ßosos, sujos, tolos e desajeitados. Em vez de pena, provocam o riso. √Č tudo uma anedota: a sua cultura, os seus costumes, as suas pr√°ticas. Com o tempo o resto do mundo pode, parte dele, come√ßar a ficar envergonhado por ter pensado dessa maneira, e quando olham em volta e v√™em os imigrantes desse pobre pa√≠s a esfregar o ch√£o e a fazerem os trabalhos pior pagos, eles naturalmente preocupam-se sobre o que poderia acontecer se um dia estes trabalhadores se insurgissem contra eles. Assim, para manter as apar√™ncias agrad√°veis, come√ßam a interessar-se pela cultura dos imigrantes e √†s vezes at√© fingem que pensam neles como se fossem seus iguais.

Acabei por aceitar que não tenho qualquer direito a julgar os outros segundo os meus próprios costumes; que desprezar os outros por eles não terem observado determinados costumes é uma perigosa forma de chauvinismo.