Cita√ß√Ķes sobre Montanhas

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A Mulher dos Vinte Poemas

Perguntam-me sempre quem √© a mulher dos ¬ęVinte Poemas¬Ľ. √Č dif√≠cil responder. As duas ou tr√™s que se entrela√ßam nesta melanc√≥lica e ardente poesia correspondem, digamos, a Marisol e Marisombra. Marisol √© o id√≠lio da prov√≠ncia encantada, com imensas estrelas nocturnas e olhos escuros como o c√©u molhado de Temuco. √Č ela que figura, com a sua alegria e a sua vivaz beleza, em quase todas as p√°ginas, rodeada pelas √°guas do porto e pela meia-lua sobre as montanhas. Marisombra √© a estudante da capital. Boina parda, olhos dulc√≠ssimos, o constante aroma a madressilva do errante amor estudantil, o sossego f√≠sico dos apaixonados encontros nos esconderijos da urbe.

Manh√£ de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detr√°s das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fant√°stica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, l√°grimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras √ļmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o ch√£o recebe o pranto da vi√ļva.

Gelo n√£o cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
V√£o subindo as que encheram todo o vale;
J√° se v√£o descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;

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A Genética Condiciona a Felicidade

Uma era de felicidade simplesmente n√£o √© poss√≠vel porque as pessoas querem apenas desej√°-la, mas n√£o possu√≠-la, e cada indiv√≠duo aprende durante os seus bons tempos a de facto rezar por inquieta√ß√Ķes e desconforto. O destino do homem est√° projetado para momentos felizes ‚ÄĒ toda a vida os t√™m ‚ÄĒ, mas n√£o para eras felizes. Estas, por√©m, permanecer√£o fixadas na imagina√ß√£o humana como “o que est√° al√©m das montanhas”, como um legado de nossos ancestrais: pois o conceito de uma era de felicidade foi sem d√ļvida adquirido nos tempos primordiais, a partir da condi√ß√£o em que, depois de um esfor√ßo violento na ca√ßa e na guerra, o homem se entrega ao repouso, estica os membros e sente as asas do sono ro√ßando a sua pele. Ser√° uma falsa conclus√£o se, na trilha dessa remota e familiar experi√™ncia, o homem imaginar que, ap√≥s eras inteiras de labor e inquieta√ß√£o, ele poder√° usufruir, de modo correspondente, daquela condi√ß√£o de felicidade intensa e prolongada.

Tomara que teus caminhos sejam curvos, tortuosos, perigosos, te levando à mais impressionante paisagem. Tomara que suas montanhas se elevem para dentro e acima das nuvens.

Prosema II

Para iludir a d√ļvida, privado de equipagens, nenhum dos habituais pontos de refer√™ncia vem em meu aux√≠lio. Procuro um ancoradouro distante, fora do estreito mundo em que me movo.
In√ļtil: bichos, objectos min√ļsculos, paredes brancas pontilhadas, o bot√£o da campainha √† minha esquerda. A mem√≥ria retira-me a sua cobertura instant√Ęnea. Tento galgar esta padiola dentro da minha cabe√ßa e da√≠ lan√ßar-me √† desfilada sobre uma estepe daninha ou cair do alto da montanha onde guardo o meu ninho de √°guia. Digo-vos que s√≥ pretendo A Grande Casa Alugada da Minha Inf√Ęncia, o vapor ronceiro em que apenas um velho mission√°rio se lembrara de que uma crian√ßa existia. O velho desapareceu inesperadamente num pequeno porto do Zaire e deixou-me s√≥.

(

Subi a montanha para alcançar as estrelas, voltei invejando os cegos e surdos que encontrava no caminho.

Ao Amor

O que desejas de mim
nunca o dar√° o lampejo de um momento,
a conquista de um dia da montanha.

Meu corpo ‚ÄĒ para ti somente ‚ÄĒ
deve emergir a cada gesto límpido
e profundo deve ser meu futuro
para reter-te e recriar-te permanente.

Sei que em mim te estender√°s, n√£o mais disperso,
em desejo e em procura de teu filho
e que todo movimento de meu ser
ser√° o rumo de teu universo.

E por isso temo. No meu sentimento
sofro por ti. Receio
ser larga a hesitação de meu caminho,
ser um mito a conquista da montanha,
ser pobre e fugaz o meu espaço
na extens√£o que reduz teu infinito.

Abismo Talvez o abismo nos engula Talvez cheguemos a Atl√Ęntida Talvez n√£o tenhamos mais a for√ßa de mover montanhas. Mas somos o que somos.

Mito

Vir√° o dia em que o jovem deus ser√° um homem,
sem sofrimento, com o morto sorriso do homem
que compreendeu. Também o sol se move longínquo
avermelhando as praias. Vir√° o dia em que o deus
j√° n√£o saber√° onde eram as praias de outrora.

Acorda-se uma manh√£ em que o Ver√£o morreu,
e nos olhos tumultuam ainda esplendores
como ontem e no ouvido os fragores do sol
feito sangue. A cor do mundo mudou.
A montanha já não toca o céu; as nuvens
j√° n√£o se amontoam como frutos; na √°gua
j√° n√£o transparece um seixo. O corpo dum homem
curva-se pensativo onde um deus respirava.

O grande sol acabou, e o cheiro da terra
e a rua livre, colorida de gente
que ignorava a morte. N√£o se morre de Ver√£o.
Se alguém desaparecia, havia o jovem deus
que vivia por todos e ignorava a morte.
Nele a tristeza era uma sombra de nuvens.
O seu passo pasmava a terra.

Agora pesa
o cansaço sobre todos os membros do homem,
sem sofrimento: o calmo cansaço da madrugada
que abre um dia de chuva.

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√öltima Folha

Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A √ļltima harmonia.

Dos teus cabelos de ouro, que beijavam
Na amena tarde as vira√ß√Ķes perdidas,
Deixa cair ao ch√£o as alvas rosas
E as alvas margaridas.

Vês? Não é noite, não, este ar sombrio
Que nos esconde o céu. Inda no poente
N√£o quebra os raios p√°lidos e frios
O sol resplandecente.

Vês? Lá ao fundo o vale árido e seco
Abre-se, como um leito mortu√°rio;
Espera-te o silêncio da planície,
Como um frio sud√°rio.

Desce. Vir√° um dia em que mais bela,
Mais alegre, mais cheia de harmonias,
Voltes a procurar a voz cadente
Dos teus primeiros dias.

Então coroarás a ingênua fronte
Das flores da manh√£, ‚ÄĒ e ao monte agreste,
Como a noiva fant√°stica dos ermos,
Ir√°s, musa celeste!

Ent√£o, nas horas solenes
Em que o místico himeneu
Une em abraço divino
Verde a terra, azul o céu;

Quando, j√° finda a tormenta
Que a natureza enlutou,

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A perda das forças não esgota a vontade. Crer é apenas a segunda potência; a primeira é querer, as montanhas proverbiais que a fé transporta nada valem ao lado do que a vontade produz.

Perdi os Meus Fant√°sticos Castelos

Perdi meus fant√°sticos castelos
Como n√©voa distante que se esfuma…
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma…
– Tantos escolhos! Quem podia v√™-los? ‚Äď
Deitei-me ao mar e n√£o salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias…

Sobem-me aos l√°bios s√ļplicas estranhas…
Sobre o meu cora√ß√£o pesam montanhas…
Olho assombrada as minhas m√£os vazias…

Escuta, Amor

Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.

Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.

Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti,

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Fim de estação. Eu continuei a viagem Para além do fim da estação. Quantos eram? Quatro, Cinco, poucos mais. Casas, caminhos, nuvens, Enseadas azuis, montanhas Abrem as suas portas

Sonhar é Preciso

Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas s√£o insuper√°veis, as perdas s√£o insuport√°veis, as decep√ß√Ķes transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.
Voltaire disse que os sonhos e a esperan√ßa nos foram dados como compensa√ß√£o √†s dificuldades da vida. Mas precisamos de compreender que os sonhos n√£o s√£o desejos superficiais. Os sonhos s√£o b√ļssolas do cora√ß√£o, s√£o projectos de vida. Os desejos n√£o suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem √†s mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperan√ßa quando o mundo desaba sobre n√≥s.

John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida.
Quem n√£o vive um romance com a sua vida ser√° um miser√°vel no territ√≥rio da emo√ß√£o, ainda que habite em mans√Ķes, tenha carros luxuosos, viaje em primeira classe nos avi√Ķes e seja aplaudido pelo mundo.

Precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas.

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O Criminoso e o que lhe é afim

O tipo do criminoso √© o tipo do homem forte colocado em condi√ß√Ķes desfavor√°veis, um homem forte posto enfermo. O que lhe falta √© a selva virgem, uma natureza e uma forma de existir mais livres e perigosas, nas quais seja leg√≠timo tudo o que no instinto do homem forte √© arma de ataque e de defesa. As suas virtudes foram proscritas pela sociedade: os seus instintos mais en√©rgicos, que lhe s√£o inatos, misturam-se imediatamente com os efeitos depressivos, com a suspeita, o medo, a desonra. Mas esta √© quase a f√≥rmula da degenera√ß√£o fisiol√≥gica. Quem tem de fazer √†s escondidas, com uma tens√£o, uma previs√£o, uma ang√ļstia prolongadas, aquilo que melhor pode fazer, o que mais gosta de fazer, torna-se for√ßosamente an√©mico; e como a √ļnica colheita que obt√©m dos seus instintos √© sempre perigo, persegui√ß√£o, calamidades, tamb√©m o seu sentimento se vira contra esses instintos ‚ÄĒ sente-os como uma fatalidade. √Č assim na nossa sociedade, na nossa domesticada, med√≠ocre, castrada sociedade onde um homem vindo da natureza, chegado das montanhas ou das aventuras do mar degenera necessariamente em criminoso.