Cita√ß√Ķes sobre Armadilhas

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Frases sobre armadilhas, poemas sobre armadilhas e outras cita√ß√Ķes sobre armadilhas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Segue o Teu Coração

Lembrar-me que inevitavelmente terei que morrer √© a mais importante ferramenta que eu alguma vez encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas na vida. Porque praticamente tudo – todas as nossas expectativas externas, todo o nosso orgulho, todo o nosso medo do embara√ßo ou fracasso – todas estas coisas simplesmente caem em face da morte, deixando apenas aquilo que √© realmente importante. Lembrares-te que mais cedo ou mais tarde vais morrer √© a melhor forma que eu conhe√ßo de evitar a armadilha de que temos alguma coisa a perder. N√≥s j√° estamos n√ļs. N√£o existe nenhuma raz√£o para n√£o seguirmos o nosso cora√ß√£o.

Como um fabricante de armadilhas desajeitado que acaba sempre prisioneiro das engrenagens que produz, também nós inventamos o tempo e nunca temos tempo. Os nossos relógios nunca dormem. Quantas vezes o tempo é a nossa desculpa para desinvestir da vida, para perpetuar o desencontro que mantemos com ela?

O Preço da Elevada Conduta

Conduta e carácter do homem vulgar: nunca em si próprio busca proveito ou pena, antes se atém às coisas exteriores. Conduta e carácter do filósofo: todo o proveito e pena surtem do íntimo de si próprio.
Sinais daquele que evolui: não insulta ninguém, não louva ninguém, não se queixa de ninguém, não acusa ninguém, nada diz de si próprio como coisa importante Рe nunca afirma saber o que quer que seja. Quando embaraçado e contrariado, só a si próprio se responsabiliza. Se o louvam, ri-se discretamente de quem o louva Рe se o insultam, de nada se justifica. Comporta-se como os convalescentes, e teme enfraquecer o que se consolida antes de recuperar toda a sua firmeza.
Suprimiu em si qualquer esp√©cie de vontade, e animosidades tamb√©m: s√≥ faz pairar uma e outras sobre as √ļnicas coisas que, contr√°rias √† natureza, dependem de n√≥s. Os seus arrebatamentos quase nunca o s√£o. E caso o tenham na conta de est√ļpido ou ignorante – nenhuma inquieta√ß√£o o toma. Numa palavra: desafia-se a si pr√≥prio como se fora um inimigo de quem temesse v√°rias armadilhas.

Eis a armadilha da gl√≥ria: quanto maior for a vit√≥ria, mais o her√≥i ser√° perseguido e cercado pelo passado. Esse passado devorar√° o presente. N√†o importa quantas condecora√ß√Ķes recebeu ou venha a receber: a √ļnica medalha que, no final, lhe ir√° sobrar √© a triste e fatal solid√£o.

O Que Sou e o Que Faço Neste Mundo

Involuntariamente, inconscientemente, nas leituras, nas conversas e at√© junto das pessoas que o rodeavam, procurava uma rela√ß√£o qualquer com o problema que o preocupava. Um ponto o preocupava acima de tudo: por que √© que os homens da sua idade e do seu meio, os quais exactamente como ele, pela sua maior parte, haviam substitu√≠do a f√© pela ci√™ncia, n√£o sofriam por isso mesmo moralmente? N√£o seriam sinceros? Ou compreendiam melhor do que ele as respostas que a ci√™ncia proporciona a essas quest√Ķes perturbadoras? E punha-se ent√£o a estudar, quer os homens, quer os livros, que poderiam proporcionar-lhe as solu√ß√Ķes t√£o desejadas.
(…) Atormentado constantemente por estes pensamentos, lia e meditava, mas o objectivo perseguido cada vez se afastava mais dele. Convencido de que os materialistas nenhuma resposta lhe dariam, relera, nos √ļltimos tempos da sua estada em Moscovo, e depois do seu regresso √† aldeia, Plat√£o e Espinosa, Kant e Schelling, Hegel e Schopenhauer. Estes fil√≥sofos satisfaziam-no enquanto se contentavam em refutar as doutrinas materialistas e ele pr√≥prio encontrava ent√£o argumentos novos contra elas; mas, assim que abordava – quer atrav√©s das leituras das suas obras, quer atrav√©s dos racioc√≠nios que estas lhe inspiravam – a solu√ß√£o do famoso problema,

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A Armadilha da Realidade

Uma das primeiras armadilhas interiores √© aquilo que chamamos de ¬ęrealidade¬Ľ. Falo, √© claro, da ideia de realidade que actua como a grande fiscalizadora do nosso pensamento. O maior desafio √© sermos capazes de n√£o ficar aprisionados nesse recinto que uns chamam de ¬ęraz√£o¬Ľ, outros de ¬ębom-senso¬Ľ. A realidade √© uma constru√ß√£o social e √©, frequentemente, demasiado real para ser verdadeira. N√≥s n√£o temos sempre que a levar t√£o a s√©rio.
Quando Ho Chi Minh saiu da pris√£o e lhe perguntaram como conseguiu escrever versos t√£o cheios de ternura numa pris√£o t√£o desumana ele respondeu: ¬ęEu desvalorizei as paredes.¬Ľ Essa li√ß√£o se converteu num lema da minha conduta.
Ho Chi Minh ensinou a si pr√≥prio a ler para al√©m dos muros da pris√£o. Ensinar a ler √© sempre ensinar a transpor o imediato. √Č ensinar a escolher entre sentidos vis√≠veis e invis√≠veis. E ensinar a pensar no sentido original da palavra ¬ępensar¬Ľ que significava ¬ęcurar¬Ľ ou ¬ętratar¬Ľ um ferimento. Temos de repensar o mundo no sentido terap√™utico de o salvar de doen√ßas de que padece. Uma das prescri√ß√Ķes m√©dicas √© mantermos a habilidade da transcend√™ncia, recusando ficar pelo que √© imediatamente percept√≠vel. Isso implica a aplica√ß√£o de um medicamento chamado inquieta√ß√£o cr√≠tica.

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As Realidades do Sonho

O sonho √© a explos√£o dos s√ļbditos na aus√™ncia do rei. Se o homem fosse um ser √ļnico, n√£o sonharia. Mas cada um de n√≥s √© uma tribo em que somente um chefe tem os privil√©gios da vida iluminada. O chefe √© a pessoa reconhecida pelos semelhantes, o ¬ęmim¬Ľ legal da sociedade e da raz√£o, obrigado a uma concord√Ęncia fixa consigo mesmo. S√≥ ele tem rela√ß√Ķes expressas com o mundo exterior e o √ļnico a reinar nas horas de vig√≠lia. Mas abaixo dele h√° um pequeno povo de cadetes expulsos, de insurrectos punidos, de h√≥spedes indesej√°veis – exilados da zona da consci√™ncia, mas donos do subconsciente, encerrados no subterr√£neo, mas prontos para a evas√£o, vencidos mas n√£o mortos. H√° a crian√ßa que foi renegada pelo jovem, o delinquente imobilizado pela moral e a lei, o louco que todos os dias estende armadilhas √† raz√£o raciocinadora, o poeta que a pr√°tica condenou ao sil√™ncio, o bobo dominado pelas amarguras, o antepassado b√°rbaro que ainda se recorda do machado de pedra e dos festins de Tiestes.
O eu quotidiano e vulgar, o respeit√°vel, o vigilante, o vitorioso, dominou essa tribo de larvas inimigas, de irm√£os renegados e moribundos. E como a alma tem o seu subsolo,

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A Vida é uma Montanha Russa

A vida n√£o √© uma linha reta em que algu√©m conquistado ou algo adquirido √© uma seguran√ßa para todo o sempre; a vida √© uma montanha russa e, de vez em quando, sim, √© preciso ficares de pernas para o ar. Tudo passa, tu ficas. Sou t√£o assertivo relativamente a este tema porque sei que √© a depend√™ncia que gera o apego, ou seja, se as pessoas forem independentes √© imposs√≠vel serem apegadas. √Č o ego que as vincula √† ideia de que n√£o s√£o suficientemente boas para dependerem de si mesmas e √© contra esta terr√≠vel armadilha que √© preciso lutar.

Uma m√£e que dependa do bem–estar do filho e que viva para ele √© uma mulher que n√£o encontrar√° for√ßas para lhe esticar o bra√ßo quando ele cair e precisar de uma verdadeira m√£e, pois ser√£o sempre dois a sofrer da mesma epidemia, da mesma dor, da mesma frustra√ß√£o ou desilus√£o; um homem que use e abuse da estabilidade profissional e financeira que conquistou e que dependa disso para, pensa ele, ser o que √©, √© algu√©m que mais tarde ou mais cedo, e num daqueles loopings da vida em que o que era j√° n√£o √©,

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Quem n√£o Dava a Vida por um Amor?

O essencial √© amar os outros. Pelo amor a uma s√≥ pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem caf√©s. √Č horr√≠vel, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. √Č f√°cil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a √ļnica coisa que ia sobreviver a n√≥s era o amor. O amor. Vive-se sem paix√£o, sem correspond√™ncia, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. √Č verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mai tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado.

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Para um Grande Espírito Nada há que Seja Grande

Evitai tudo quanto agrade ao vulgo, tudo quanto o acaso proporciona; diante de qualquer bem fortuito parai com desconfian√ßa e receio: tamb√©m a ca√ßa ou o peixe se deixa enganar por esperan√ßas falacciosas. Julgais que se trata de benesses da sorte? S√£o armadilhas! Quem quer que deseje passar a vida em seguran√ßa evite quanto possa estes benef√≠cios escorregadios nos quais, pobres de n√≥s, at√© nisto nos enganamos: ao julgar possu√≠-los, deixamo-nos apanhar! Esta corrida leva-nos para o abismo; a √ļnica sa√≠da para uma vida ¬ęelevada¬Ľ, √© a queda!
E mais: nem sequer poderemos parar quando a fortuna começa a desviar-nos da rota certa, nem ao menos ir a pique, cair instantaneamente: não, a fortuna não nos faz tropeçar, derruba-nos, esmaga-nos.
Prossegui, pois, um estilo de vida correcto e saud√°vel, comprazendo o corpo apenas na medida do indispens√°vel √† boa sa√ļde. Mas h√° que trat√°-lo com dureza, para ele obedecer sem custo ao esp√≠rito: limite-se a comida a matar a fome, a bebida a extinguir a sede, a roupa a afastar o frio, a casa a servir de abrigo contra as intemp√©ries. Que a habita√ß√£o seja feita de ramos ou de pedras coloridas importadas de longe, √© pormenor sem interesse: ficai sabendo que para abrigar um homem t√£o bom √© o colmo como o ouro!

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O objectivo de uma história é ensinar e agradar ao mesmo tempo, e o que ensina é como reconhecer as armadilhas do mundo.

O amor √© cheio de armadilhas. Quando quer se manifestar, mostra apenas a sua luz ‚Äď e n√£o nos permite ver as sombras que essa luz provoca.

O Prestígio de um Poeta

O prestígio que possa ter alcançado (prestígio equivoco no qual se integra a malquerença de alguma gente, que aceito com satisfação) não poderia constituir uma poltrona. O prestígio é uma armadilha dos nossos semelhantes. Um artista consciente saberá que o êxito é prejuízo. Deve-se estar disponível para decepcionar os que confiaram em nós. Decepcionar é garantir o movimento. A confiança dos outros diz-lhes respeito. A nós mesmos diz respeito outra espécie de confiança. A de que somos insubstituíveis na nossa aventura e de que ninguém a fará por nós. De que ela se fará à margem da confiança alheia.

O Homem Congrega Todas as Espécies de Animais

H√° t√£o diversas esp√©cies de homens como h√° diversas esp√©cies de animais, e os homens s√£o, em rela√ß√£o aos outros homens, o que as diferentes esp√©cies de animais s√£o entre si e em rela√ß√£o umas √†s outras. Quantos homens n√£o vivem do sangue e da vida dos inocentes, uns como tigres, sempre ferozes e sempre cru√©is, outros como le√Ķes, mantendo alguma apar√™ncia de generosidade, outros como ursos grosseiros e √°vidos, outros como lobos arrebatadores e impiedosos, outros ainda como raposas, que vivem de habilidades e cujo of√≠cio √© enganar!
Quantos homens n√£o se parecem com os c√£es! Destroem a sua esp√©cie; ca√ßam para o prazer de quem os alimenta; uns andam sempre atr√°s do dono; outros guardam-lhes a casa. H√° lebr√©us de trela que vivem do seu m√©rito, que se destinam √† guerra e possuem uma coragem cheia de nobreza, mas h√° tamb√©m dogues irasc√≠veis, cuja √ļnica qualidade √© a f√ļria; h√° c√£es mais ou menos in√ļteis, que ladram frequentemente e por vezes mordem, e h√° at√© c√£es de jardineiro. H√° macacos e macacas que agradam pelas suas maneiras, que t√™m esp√≠rito e que fazem sempre mal. H√° pav√Ķes que s√≥ t√™m beleza, que desagradam pelo seu canto e que destroem os lugares que habitam.

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Declaração de Amor

(e o poeta cai na armadilha)

√ď maravilha! Voar√° ainda?
Sobe e as suas asas n√£o se mexem?
Quem é então que o leva e faz subir?
Que fim tem ele, caminho ou rédea, agora?

Como a estrela e a eternidade
Vive nas alturas de que se afasta a vida,
Compassivo, mesmo para com a inveja…
E quem o vê subir sobe também alto.

√ď albatroz! √ď minha ave!
Um desejo eterno me empurra para os cimos
Pensei em ti e chorei.
Chorei mais e mais… Sim, eu amo-te!

Emboscadas

Foste como quem me armasse uma emboscada
ao sentir-me desatento
dando aquilo em que me dei
foste como quem me urdisse uma cilada
vi-me com t√£o pouca coisa
depois do que tanto amei

Rasguei o teu sorriso
quatro vezes foi preciso
por n√£o precisares de mim
e depois, quando dormias
fiuz de conta que fugias
e que eu n√£o ficava assim
nesta dor em que me vejo
do nos ver quase no fim

Foste como quem lançasse as armadilhas
que se lançam aos amantes
quando amar foi coisa em v√£o
foste como quem vestisse as mascarilhas
dos embustes que se tramam
ao cair da escurid√£o

Resgatei o teu carinho
quatro vezes fiz o ninho
num beiral do teu jardim
e depois, j√° em cuidado
vi no teu espelho do passado
a tua imagem de mim
e esta dor em que me vejo
de nos ver quase no fim

Foste como quem cumprisse uma vingança
que guardavas às escuras
esperando a sua vez
foste como quem me desse uma bonança
fraquejando à tempestade
de t√£o fr√°gil que se fez

Resgatei o teu ci√ļme
quatro vezes deitei lume
ao teu corpo de marfim
e depois,

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Beijo a Beijo

E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.

As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.

Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.

E tudo o que me d√°s eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Precisando, portanto, um príncipe, de saber utilizar bem o animal, deve tomar como exemplo a raposa e o leão: pois o leão não é capaz de se defender das armadilhas, assim como a raposa não sabe defender-se dos lobos.