Cita√ß√Ķes sobre Tontos

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Metade da Vida é uma Perdulária Expectativa

Vou fazendo horas – metade da vida √© uma perdul√°ria expectativa. E tonta. E ansiosa. E in√ļtil. Como quem se sentou numa gare de caminho-de-ferro, √† espera de um comboio que n√£o se sabe quando passar√° e qual o seu destino. Certeza, e relativa, est√° apenas no local de espera. E √†s vezes na pr√≥pria espera. Se chegamos a concretizar a viagem, o lugar aonde o comboio nos levou, desilude-nos. Isso, por√©m, n√£o impede que tudo venha a repetir-se. Desperdi√ßa-se o instante real e concreto, mas que, como areia, se nos escapa das m√£os, em favor de uma ilus√≥ria vez seguinte.

A Imaginação é a Base do Homem

De tal modo a imagina√ß√£o √© a base do homem ‚ÄĒ Joana de novo ‚ÄĒ que todo o mundo que ele tem constru√≠do encontra sua justificativa na beleza da cria√ß√£o e n√£o na sua utilidade, n√£o em ser o resultado de um plano de fins adequados √†s necessidades. Por isso √© que vemos multiplicarem-se os rem√©dios destinados a unir o homem √†s ideias e institui√ß√Ķes existentes ‚ÄĒ a educa√ß√£o, por exemplo, t√£o dif√≠cil ‚ÄĒ e vemo-lo continuar sempre fora do mundo que ele construiu. O homem levanta casas para olhar e n√£o para nelas morar. Porque tudo segue o caminho da inspira√ß√£o. O determinismo n√£o √© um determinismo de fins, mas um estreito determinismo de causas. Brincar, inventar, seguir a formiga at√© seu formigueiro, misturar √°gua com cal para ver o resultado, eis o que se faz quando se √© pequeno e quando se √© grande. √Č erro considerar que chegamos a um alto grau de pragmatismo e materialismo. Na verdade o pragmatismo ‚ÄĒ o plano orientado para um dado fim real ‚ÄĒ seria a compreens√£o, a estabilidade, a felicidade, a maior vit√≥ria de adapta√ß√£o que o homem conseguisse. No entanto fazer as coisas ¬ępara qu√™¬Ľ parece-me, perante a realidade,

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Elegia por antecipação à minha morte tranquila

Vem, morte, quando vieres.
Onde as leis s√£o vis, ou tontas,
não és tu que me amedrontas.
Troquei por penas prazeres.
Troquei por confiança afrontas.
Tenho sempre as contas prontas.
Vem, morte, quando quiseres.

A diferen√ßa entre um homem inteligente e um tonto est√° em que aquele se rep√Ķe facilmente de seus fracassos, enquanto este nunca consegue recuperar-se de seus √™xitos.

Vagueio Além de Seu Sono

Vagueio além de seu sono
com alma de marinheiro
feliz de chegar a um ponto
sem previs√£o de roteiro,
mais tonto de o descobrir
que de lhe ser estrangeiro.
Teu continente a dormir
‚ÄĒ pouso de barco ligeiro ‚ÄĒ
pára os relógios num tempo
avesso a qualquer ponteiro:
nem sei se o fico vivendo
ou se te acordo primeiro.

Estou Tonto

Estou tonto,
Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
Ou de ambas as coisas.
O que sei é que estou tonto
E n√£o sei bem se me devo levantar da cadeira
Ou como me levantar dela.
Fiquemos nisto: estou tonto.

Afinal
Que vida fiz eu da vida?
Nada.
Tudo interstícios,
Tudo aproxima√ß√Ķes,
Tudo função do irregular e do absurdo,
Tudo nada.
√Č por isso que estou tonto …

Agora
Todas as manh√£s me levanto
Tonto …

Sim, verdadeiramente tonto…
Sem saber em mim e meu nome,
Sem saber onde estou,
Sem saber o que fui,
Sem saber nada.

Mas se isto é assim, é assim.
Deixo-me estar na cadeira,
Estou tonto.
Bem, estou tonto.
Fico sentado
E tonto,
Sim, tonto,
Tonto…
Tonto.

N√ļpcias Pag√£s

Bra√ßos dados, n√≥s dois, vamos sozinhos…
O teu olhar de encantamento espraias
pelas curvas e sombras dos caminhos
debruados de jasmins e samambaias

H√° queixumes de amor na alma dos ninhos
e as nuvens lembram dan√ßas de cambraias…
– na minha m√£o ansiosa de carinhos
tonta de amor, a tua m√£o, desmaias…

Andamos sobre painas… entre alfombras…
E à luz frouxa da tarde em desalento
misturam-se no ch√£o as nossas sombras

– Aqui… H√° rosas soltas, desfolhadas…
Nada receies, meu amor Рé o vento
em marcha nupcial pelas ramadas!

Vida Obscura

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
√ď ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste num silêncio escuro
A vida presa a tr√°gicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

NinguémTe viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!

E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado

Soneto Da Hora Final

Ser√° assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olhar√°s silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de trevas, aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do segredo
Eu, calmo, te direi: – N√£o tenhas medo
E tu, tranq√ľila, me dir√°s: – S√™ forte.

E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.

O Lago Do Cisne

Foram meus olhos, duas asas tontas
que ao teu redor, como ao redor da luz
queimaram suas √Ęnsias e ficaram
mortos no ch√£o, como cigarras mortas…

No bailado em que estavas, sobre o palco,
meu desejo – esse fauno de alma triste,
tomaria teu corpo e bailaria
at√© que o mundo se fundisse ao sonho…

Olhos de luar e vinho que me seguem
na √°ria da solid√£o em que me envolvo
sem volta, sem partida, sem transcurso…

Foram meus olhos que te descobriram
e ficaram vogando esse abandono
de cisne branco sobre o lago imenso…

Nós aprendemos, Palavras duras, Como dizer perdi, perdi, Palavras tontas, Essas palavras, Quem falou não está mais aqui.

Sou Eu!

À minha ilustre camarada Laura haves

Pelos campos em fora, pelos combros,
Pelos montes que embalam a manh√£,
Largo os meus rubros sonhos de pag√£,
Enquanto as aves poisam nos meus ombros…

Em v√£o me sepultaram entre escombros
De catedrais duma escultura v√£!
Olha-me o loiro sol tonto de assombros,
as nuvens, a chorar, chamam-me irm√£!

Ecos long√≠nquos de ondas… de universos..
Ecos dum Mundo… dum distante Al√©m,
Donde eu trouxe a magia dos meus versos!

Sou eu! Sou eu! A que nas m√£os ansiosas
Prendeu da vida, assim como ninguém,
Os maus espinhos sem tocar nas rosas!

Energia atrai energia. Se és tonto atrais pessoas tontas; se és afetuoso atrais pessoas afetuosas; e se tens medo atrais mais motivos para continuares a tê-lo.

Soneto 434 A Néstor Perlongher

Na frente esteve e est√°, depois ou antes.
Poeta j√° portento de portenho,
em Néstor o barroco ganha engenho
e os verbos reverberam mais brilhantes.

Da Frente mítico entre os militantes,
aqui tem maior campo seu empenho.
Da causa negra um dado a depor tenho:
tratou mais que os tratados dos tratantes.

Aos putos imputou novo valor.
Da língua tinha humor sempre na ponta.
Das classes, luta e amor, é professor.

Mediu o que a estatística não conta.
Territorializou do corpo a cor.
Deu tom de santa a tanta tinta tonta!

Eu Sou Nost√°lgica Demais

De s√ļbito a estranheza. Estranho-me como se uma c√Ęmera de cinema estivesse filmando meus passos e parasse de s√ļbito, deixando-me im√≥vel no meio de um gesto: presa em flagrante. Eu? Eu sou aquela que sou eu? Mas isto √© um doido faltar de sentido! Parte de mim √© mec√Ęnica e autom√°tica ‚ÄĒ √© neurovegetativa, √© o equil√≠brio entre n√£o querer e o querer, do n√£o poder e de poder, tudo isso deslizando em plena rotina do mecanicismo. A c√Ęmera fotogr√°fica singularizou o instante. E eis que automaticamente sa√≠ de mim para me captar tonta de meu enigma, diante de mim, que √© ins√≥lito e estarrecedor por ser extremamente verdadeiro, profundamente vida nua amalgamada na minha identidade. E esse encontro da vida com a minha identidade forma um min√ļsculo diamante inquebr√°vel e radioso indivis√≠vel, um √ļnico √°tomo e eu toda sinto o corpo dormente como quando se fica muito tempo na mesma posi√ß√£o e a perna de repente fica ¬ęesquecida¬Ľ.
Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido uma coisa não se sabe onde e quando.

Tempestade Amaz√īnica

O calor asfixia e o ar escurece. O rio,
Quieto, n√£o tem uma onda. Os insetos na mata
Zumbem tontos de medo. E o p√°ssaro, o sombrio
Da floresta procura, onde a chuva n√£o bata.

S√ļbito, o raio estala. O vento zune. Um frio
De terror tudo invade… E o temporal desata
As peias pelo espaço e, bufando, bravio,
O arvoredo retorce e as folhas arrebata.

O anoso buriti curva a copa, e farfalha.
Aves rodam no céu, num estéril esforço,
Entre nuvens de folha e fragmentos de palha.

No alto o trov√£o repousa e em baixo a mata brama.
Ruge em meio a amplid√£o. Das nuvens pelo dorso
Correm serpes de fogo. E a chuva se derrama…