Passagens sobre Ansiedade

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Frases sobre ansiedade, poemas sobre ansiedade e outras passagens sobre ansiedade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Paix√£o √önica

Quem me dera poder ver-te!
Ai! quem me dera dizer-te,
Que pude amar-te, e perder-te,
Mas olvidar-te… isso n√£o!
Que no ardor de outros amores,
Através de mil dissabores,
Senti vivas sempre as dores
Duma remota paix√£o.

Com que dorida saudade
Penso nessa mocidade,
Nessa vaga ansiedade,
Que soubeste compreender!
E tu só, só tu soubeste,
Que, num mundo, como este,
Qual florinha em penha agreste,
Pode a flor da alma morrer.

Orvalhaste-a quando ainda,
Ao nascer, singela e linda,
Respirava a esperança infinda,
Que consigo a inf√Ęncia tem.
Amparaste-a, quando o norte
Das paix√Ķes, soprando forte,
Lhe quiz dar r√°pida morte
Como √† c√Ęndida cecem!

E, depois, nuvem escura
Lá no céu desta ventura
Enlutou-me a aurora pura
Dos meus anos infantis.
Houve nesta vida um espaço,
Onde nunca dei um passo,
Em que não deixasse um traço
De paix√Ķes torpes e vis !

E não tenho outra memória
Que me inspire altiva gloria,
Nem outro nome na historia
De meus delírios fatais.

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Todos os grandes líderes têm tido um pecado característico em comum: a disposição para confrontar inequivocamente a principal ansiedade dos povos do seu tempo. Isto, e não muito mais, é a essência da liderança.

Consulta

Chamei em volta do meu frio leito
As memórias melhores de outra idade,
Formas vagas, que às noites, com piedade,
Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito…

E disse-lhes: No mundo imenso e estreito
Valia a pena, acaso, em ansiedade
Ter nascido? Dizei-mo com verdade,
Pobres memórias que eu ao seio estreito.

Mas elas perturbaram-se – coitadas!
E empalideceram, contristadas,
Ainda a mais feliz, a mais serena…

E cada uma delas, lentamente,
Com um sorriso mórbido, pungente,
Me respondeu: – N√£o, n√£o valia a pena!

Desfolhando

Essa boca, pequena, e assim vermelha,
que ao bot√£o de uma rosa se assemelha,
– quanta vez provocava os meus desejos
desabrochando em flor entre os meus beijos…

Essa boca, pequena e mentirosa,
que diz, tanta mentira cor-de-rosa,
Рera a taça de amor onde eu saciava
toda a ansiedade da minha alma escrava …

Beijando-a, compreendia que eras minha…
Meu amor transformava-te em rainha,
teu amor me fazia mais que um rei…

Agora, tu fugiste… E eu sofro, quando
vejo um outro em teus l√°bios desfolhando
a mesma rosa que eu desabrochei!…

Se voc√™ tiver uma janela paralela que contenha seguran√ßa, ousadia, determina√ß√£o e que se abra em simult√Ęneo com as janelas do medo, p√Ęnico e ansiedade, voc√™ ter√° recursos para superar a sua crise. Se n√£o possuir essa janela, ter√° grandes probabilidades de se tornar uma v√≠tima.

Atravess√°mos e Vencemos Tudo

Olho para o passado com embriagu√™s, mas n√£o √© com menos deslumbramento que encaro o nosso futuro. Eis-nos, agora, um do outro para todo o sempre, sem ansiedades, sem inquieta√ß√Ķes, sem ang√ļstias. Atravess√°mos e vencemos tudo o que era mau e que poderia ser fatal. Estamos na plena posse dos nossos dois destinos fundidos num s√≥. O nosso amor n√£o ter√° a frescura dos primeiros tempos, mas √© um amor posto √† prova, um amor que conhece a sua for√ßa, e que mesmo para al√©m do t√ļmulo, espera ser infinito. O amor, quando nasce, s√≥ v√™ a vida, o amor que dura v√™ a eternidade.

Para Quê?

Ao velho amigo Jo√£o

Para quê ser o musgo do rochedo
Ou urze atormentada da montanha?
Se a arranca a ansiedade e o medo
E este enleio e esta ang√ļstia estranha

E todo este feitiço e este enredo
Do nosso próprio peito? E é tamanha
E t√£o profunda a gente que o segredo
Da vida como um grande mar nos banha?

Pra que ser asa quando a gente voa,
De que serve ser c√Ęntico se entoa
Toda a canção de amor do Universo?

Para quê ser altura e ansiedade,
Se se pode gritar uma Verdade
Ao mundo vão nas sílabas dum verso?

Dava a Vida para te Apertar Contra o Meu Peito

Nunca te vira tão linda e sedutora ao mesmo tempo como ontem à noite. Dava a vida para te apertar contra o meu peito. Diz-me, era o amor que eu te inspiro que te fazia assim tão bela? Seria a paixão que me abrasa que te tornava tão atraente a meus olhos? Bem viste: não podia deixar de olhar para ti, nem de beijar a candeiazinha de oiro. Quanto tu saíste tive vontade de me prosternar a teus pés e de te adorar como a uma divindade. Ah! Se tu me quisesses metade do que eu te quero! Deste volta à minha pobre cabeça; repara no mal que me fizeste querendo-me como me queres. Às oito, esperar-te-ei numa ansiedade.

Um Amor Verdadeiro

Admitamos: o amor é um assunto que já foi falado e voltado a falar, trivializado e dramatizado ao ponto de as pessoas não saberem já o que é e o que não é. A maioria de nós não consegue vê-lo porque temos as nossas ideias preconcebidas sobre o que é (é suposto ser mais forte do que nós e arrebatar-nos) e como aparece (num embrulho alto, magro, bem-humorado e charmoso). Por isso, se o amor não aparecer envolvido na nossa fantasia, não o conseguimos reconhecer.

Mas tenho a certeza do seguinte: o amor est√° em todo o lado. √Č poss√≠vel amar e ser amado independentemente do s√≠tio onde estamos. O amor existe sob todas as formas. √Äs vezes vou at√© ao jardim da minha casa e sinto o amor a vibrar em todas as minhas √°rvores. Est√° sempre dispon√≠vel.

J√° vi tantas mulheres (incluindo eu) confundidas pela ideia de um romance, acreditando que s√≥ ser√£o pessoas completas se encontrarem algu√©m que complete as suas vidas. Se pensarmos bem, n√£o √© uma ideia maluca? Voc√™, sozinho, tem de preencher com amor esses espa√ßos vazios e destru√≠dos. Como diz Ralph Waldo Emerson: ¬ęNada lhe poder√° dar paz a n√£o ser voc√™ mesmo.¬Ľ

Nunca esquecerei o momento em que estava a limpar uma gaveta e me deparei com doze p√°ginas que me obrigaram a parar.

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O Esforço pelo Conhecimento da Verdade

Devemos escolher como finalidade independente do nosso esforço o conhecimento da verdade ou, exprimindo-nos mais modestamente, a compreensão do mundo inteligível por meio do pensamento lógico? Ou devemos subordinar esse esforço pelo conhecimento racional de qualquer espécie a outros objectivos, por exemplo, a objectivos práticos? O simples pensamento não pode resolver esta questão. A decisão tem, pelo contrário, uma influência decisiva na nossa maneira de pensar e julgar, partindo-se do princípio de que tem o carácter de convicção inabalável. Permitam-me que confesse: para mim, o esforço pelo conhecimento é um daqueles objectivos independentes, sem os quais uma afirmação consciente da vida me parece impossível ao homem de pensamento.
Uma das características do esforço pelo conhecimento é que ele tende a abranger tanto a multiplicidade da experiência como a simplicidade e redução das hipóteses fundamentais. O acordo final desses objectivos é, devido ao estádio primitivo da investigação, uma questão de fé. Sem essa fé, a convicção do valor independente do conhecimento não seria para mim forte e inabalável.
Esta atitude, por assim dizer, religiosa do cientista perante a verdade não deixa de ter influência sobre a sua personalidade. Pois, além daquilo que resulta da experiência e além das leis do pensamento,

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À Virgem Santíssima

Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia

N’um sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade,
√Č que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza…

N√£o era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade…
Era outra luz, era outra suavidade,
Que at√© nem sei se as h√° na natureza…

Um m√≠stico sofrer… uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira…

√ď vis√£o, vis√£o triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa…
E deixa-me sonhar a vida inteira!

Quer-te Muito a Tua Mulherzinha

Recebi ontem à noite o telegrama que mandaste da Foz. Desejo que tivesses encontrado tudo bem na nossa casinha. Espero com ansiedade a primeira cartinha tua que já cá devia estar. Estou a escrever-te sentada a uma janela com o papel em cima dum livro e o tinteiro no chão; é 1 hora e meia, a hora de ir até às galinhas a ver se já havia algum ovo.

Há quanto tempo isso foi! Escreve para cá só até ao dia 23 ou 24 porque dia 26 pela manhã partimos para Vila Viçosa. O carnaval é dia 8 e já vejo que para minha desgraça o vou passar no covil enjaulada como as feras perigosas. Pouca sorte a da pobre Bela! Não posso ainda hoje falar com o advogado nem amanhã que é domingo, de forma que só segunda-feira te poderei dizer qualquer coisa a esse respeito. Há só um comboio dia sim dia não para Lisboa de forma que não estranhes nem te inquietes por alguma pequena demora na correspondência.
A√≠ vai um belo soneto que as saudades tuas me trouxeram ontem; s√≥ quando estou triste sei fazer versos com jeito como esses. Provavelmente n√£o gostas…

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Esfinge

Sou filha da charneca erma e selvagem.
Os giestais, por entre os rosmaninhos,
Abrindo os olhos d’oiro, p’los caminhos,
Desta minh’alma ardente s√£o a imagem.

Embalo em mim um sonho v√£o, miragem:
Que tu e eu, em beijos e carinhos,
Eu a Charneca e tu o Sol, sozinhos,
F√īssemos um peda√ßo de paisagem!

E à noite, à hora doce da ansiedade
Ouviria da boca do luar
O De Profundis triste da saudade…

E à tua espera, enquanto o mundo dorme,
Ficaria, olhos quietos, a cismar…
Esfinge olhando a plan√≠cie enorme…

O Preço do Amor

N√£o √© f√°cil estar apaixonado por uma mulher e fazer alguma coisa de jeito. √Čs devorado pela ansiedade. N√£o conv√©m deixares-te embei√ßar por uma mulher que se mostre dif√≠cil de conquistar, isso e como passar o resto da vida a tentar escalar o Everest. Escolhe uma mulher que possas conservar sem muito esfor√ßo. Quanto a mulheres boas, podemos compr√°-las. Por meia d√ļzia de euros, arranjas uma russa de dezoito anos, dessas que nem nos filmes se veem. Fodes, pagas e regressas a casa para jantar com a fam√≠lia, com a tua mulher, que cozinha bem e fode mal, mas que n√£o lhe passa pela cabe√ßa separar-se de ti, entre outras coisas porque ningu√©m a olha com particular interesse. Ela vai √†s reuni√Ķes de pais na escola, controla as AMPAS, as APLAS, todas essas associa√ß√Ķes que nem sei como se chamam, esses servi√ßos, esse jarg√£o, esse lixo social-democrata que os do PP copiam com entusiasmo porque soa a fam√≠lia moderna e feliz, e tamb√©m um pouco a Opus Dei, e mete os mi√ļdos na ordem e sabe escolher o detergente mais eficaz no Mercadona e o melhor queijo e o melhor foie gras de fabrico pr√≥prio da charcutaria. Passa-te as camisas a ferro e cose-te os bot√Ķes.

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Os Amigos Nunca S√£o para as Ocasi√Ķes

Os amigos nunca s√£o para as ocasi√Ķes. S√£o para sempre. A ideia utilit√°ria da amizade, como entreajuda, pronto-socorro m√ļtuo, troca de favores, dep√≥sito de confian√ßa, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade √© puro prazer. N√£o se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se d√≠vidas. Pede-se, d√°-se, recebe-se, esquece-se e n√£o se fala mais nisso.

A decad√™ncia da amizade entre n√≥s deve-se √† instrumentaliza√ß√£o que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa esp√©cie de ma√ßonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. √Č por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem la√ßos pol√≠ticos ou comerciais. Se algu√©m ¬ęfalta¬Ľ ou ¬ęn√£o corresponde¬Ľ, se n√£o cumpre as obriga√ß√Ķes contratuais, √© logo condenado como ¬ęmau¬Ľ amigo e sumariamente proscrito. Est√° tudo doido. S√≥ uma mis√©ria destas obriga a dizer o √≥bvio: os amigos s√£o as pessoas de que n√≥s gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de n√≥s. N√£o interessa. A amizade √© um gosto ego√≠sta, ou inevitabilidade, o caminho de um cora√ß√£o em roda-livre.

Os amigos t√™m de ser in√ļteis. Isto √©, bastarem s√≥ por existir e,

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Luto por uma Novidade de Espírito

Procuro me manter isolada contra a agonia de viver dos outros, e essa agonia que lhes parece um jogo de vida e morte mascara uma outra realidade, t√£o extraordin√°ria essa verdade que os outros cairiam de espanto diante dela, como num esc√Ęndalo. Enquanto isso, ora estudam, ora trabalham, ora amam, ora crescem, ora se afanam, ora se alegram, ora se entristecem. A vida com letra mai√ļscula nada pode me dar porque vou confessar que tamb√©m eu devo ter entrado por um beco sem sa√≠da como os outros. Porque noto em mim, n√£o um bocado de fatos, e sim procuro quase tragicamente ser. √Č uma quest√£o de sobreviv√™ncia assim como a de comer carne humana quando n√£o h√° alimento. Luto n√£o contra os que compram e vendem apartamentos e carros e procuram se casar e ter filhos mas luto com extrema ansiedade por uma novidade de esp√≠rito. Cada vez que me sinto quase um pouco iluminada vejo que estou tendo uma novidade de esp√≠rito.
Minha vida é um reflexo deformado assim como se deforma num lago ondulante e instável o reflexo de um rosto. Imprecisão trémula. Como o que acontece com a água quando se mergulha a mão na água.

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Amaritudo

Só por ti, astro ainda e sempre oculto,
Sombra do Amor e sonho da Verdade,
Divago eu pelo mundo e em ansiedade
Meu próprio coração em mim sepulto.

De templo em templo, em v√£o, levo o meu culto,
Levo as flores d’uma √≠ntima piedade.
Vejo os votos da minha mocidade
Receberem somente esc√°rnio e insulto.

√Ä beira do caminho me assentei…
Escutarei passar o agreste vento,
Exclamando: assim passe quando amei! ‚ÄĒ

Oh minh’alma, que creste na virtude!
O que ser√° velhice e desalento,
Se isto se chama aurora e juventude?

A Luz do Teu Amor

Oh! Sim que és linda! a inocência
Em tua fronte serena
Com tal do√ßura reluz!…
Tanta e tanta… que a a√ßucena
Tão esplêndida a existência
Não lha doura assim à luz!
Oh! que √©s linda, e mais… e mais
Quando um traço melancólico
Te diviso no semblante
Nos teus olhos virginais!
Que doçura não existe
Ai! ó virgem, nesse instante
Na poética beleza
Desse traço de tristeza
Que te vem tornar mais bela
Mal em teu rosto pousou!
E eu te quero assim, ó estrela,
Que se inspira em mim a crença
Triste… triste, que √©s mais linda,
Mas dessa beleza infinda
Das fic√ß√Ķes da renascen√ßa
Que a poesia perfumou!

Fita agora os olhos l√Ęnguidos
Na estrela que te ilumina,
Eu n√£o sei que luz divina
De amor nos fala em teu rosto!
Eu n√£o sei, nem tu… ningu√©m!…
Que a vaga luz do sol posto,
Que a palidez da cecém,
Que a meiguice dos amores,
E que o perfume das flores
N√£o respiram a harmonia
Desse toque leve…

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Tortura Eterna

Impotência cruel, ó vã tortura!
√ď For√ßa in√ļtil, ansiedade humana!
√ď c√≠rculos dantescos da loucura!
√ď luta, √ď luta secular, insana!

Que tu n√£o possas, Alma soberana,
Perpetuamente refulgir na Altura,
Na Aleluia da Luz, na clara Hosana
Do Sol, cantar, imortalmente pura.

Que tu n√£o posses, Sentimento ardente,
Viver, vibrar nos brilhos do ar fremente,
Por entre as chamas, os clar√Ķes supernos.

√ď Sons intraduz√≠veis, Formas, Cores!…
Ah! que eu n√£o possa eternizar as cores
Nos bronzes e nos m√°rmores eternos!