CitaçÔes sobre AstĂșcia

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Frases sobre astĂșcia, poemas sobre astĂșcia e outras citaçÔes sobre astĂșcia para ler e compartilhar. Leia as melhores citaçÔes em Poetris.

Boa e MĂĄ Literatura

O que acontece na literatura não é diferente do que acontece na vida: para onde quer que se volte, depara-se imediatamente com a incorrigível plebe da humanidade, que se encontra por toda a parte em legiÔes, preenchendo todos os espaços e sujando tudo, como as moscas no verão.
Eis a razĂŁo do nĂșmero incalculĂĄvel de livros maus, essa erva daninha da literatura que tudo invade, que tira o alimento do trigo e o sufoca. De facto, eles arrancam tempo, dinheiro e atenção do pĂșblico – coisas que, por direito, pertencem aos bons livros e aos seus nobres fins – e sĂŁo escritos com a Ășnica intenção de proporcionar algum lucro ou emprego. Portanto, nĂŁo sĂŁo apenas inĂșteis, mas tambĂ©m positivamente prejudiciais. Nove dĂ©cimos de toda a nossa literatura actual nĂŁo possui outro objectivo senĂŁo o de extrair alguns tĂĄleres do bolso do pĂșblico: para isso, autores, editores e recenseadores conjuraram firmemente.
Um golpe astuto e maldoso, porĂ©m notĂĄvel, Ă© o que teve ĂȘxito junto aos literatos, aos escrevinhadores que buscam o pĂŁo de cada dia e aos polĂ­grafos de pouca conta, contra o bom gosto e a verdadeira educação da Ă©poca, uma vez que eles conseguiram dominar todo o mundo elegante,

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Regras Gerais da Arte da Guerra

Estou consciente de vos ter falado de muitas coisas que por vĂłs mesmos haveis podido aprender e ponderar. NĂŁo obstante, fi-lo, como ainda hoje vos disse, para melhor vos poder mostrar, atravĂ©s delas, os aspectos formais desta matĂ©ria,e, ainda, para satisfazer aqueles – se fosse esse o caso – que nĂŁo tivessem tido, como vĂłs, a oportunidade de sobre elas tomar conhecimento. Parece-me que, agora, jĂĄ sĂł me resta falar-vos de algumas regras gerais, com as quais deveis estar perfeitamente identificados. SĂŁo as seguintes:
– Tudo o que Ă© Ăștil ao inimigo Ă© prejudicial para ti, e, tudo o que te Ă© Ăștil prejudica o inimigo.
– Aquele que, na guerra, for mais vigilante a observar as intençÔes do inimigo e mais empenho puser na preparação do seu exĂ©rcito, menos perigos correrĂĄ e mais poderĂĄ aspirar Ă  vitĂłria.
– Nunca leves os teus soldados para o campo de batalha sem, previamente, estares seguro do seu Ăąnimo e sem teres a certeza de que nĂŁo tĂȘm medo e estĂŁo disciplinados e convictos de que vĂŁo vencer.
– É preferĂ­vel vencer o inimigo pela fome do que pelas armas. A vitĂłria pelas armas depende muito mais da fortuna do que da virtude.

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Amo os Teus Defeitos

Amo os teus defeitos, e tantos
eram, as tuas faltas para comigo
e as minhas; essa ĂȘnfase
de rechaçar por timidez; solidão
de fazer trepadeiras, agasalhos
para velhos, depois para netos;
indulgĂȘncia de plantar e ver
o crescimento da oliveira do paraĂ­so,
carregada de flores persistentemente
caducas; essa autoridade, irremediĂĄvel
desafio; e a astĂșcia
de termos ambos quase a mesma cara.

A mulher Ă© astuta e mentirosa, por ser fraca e oprimida; e a astĂșcia Ă© a força de quem nĂŁo Ă© forte.

Fuga Proveitosa

Não hås também agora de vencer-me,
Que eu hei-de resistir-te, Amor tirano.
Que Ă© isto? Sempre entende o teu engano
Que hĂĄ com novas astĂșcias de render-me?

Imaginas que para esmorecer-me
Basta oferecer-me um rosto soberano?
Pois nĂŁo, Amor, que o velho Desengano
NĂŁo faz mais que avisar-me e reprender-me.

Se alguma cousa dele necessitas,
Eu sou bom portador, podes dizĂȘ-lo
Que eu farei quanto tu me encomendares.

Mas que queres, que tanto assim me gritas?
Que espere? NĂŁo, Amor, que o meu desvelo
SĂł se salva em fugir dos teus altares.

O VĂ­cio de Ler

O vĂ­cio de ler tudo o que me caĂ­sse nas mĂŁos ocupava o meu tempo livre e quase todo o das aulas. Podia recitar poemas completos do repertĂłrio popular que nessa altura eram de uso corrente na ColĂŽmbia, e os mais belos do SĂ©culo de Ouro e do romantismo espanhĂłis, muitos deles aprendidos nos prĂłprios textos do colĂ©gio. Estes conhecimentos extemporĂąneos na minha idade exasperavam os professores, pois cada vez que me faziam na aula qualquer pergunta difĂ­cil, respondia-lhes com uma citação literĂĄria ou com alguma ideia livresca que eles nĂŁo estavam em condiçÔes de avaliar. O padre Mejia disse: «É um garoto afectado», para nĂŁo dizer insuportĂĄvel. Nunca tive que forçar a memĂłria, pois os poemas e alguns trechos de boa prosa clĂĄssica ficavam-me gravados em trĂȘs ou quatro releituras. Ganhei do padre prefeito a primeira caneta de tinta permanente que tive porque lhe recitei sem erros as cinquenta e sete dĂ©cimas de «A vertigem», de Gaspar NĂșnez de Arce.

Lia nas aulas, com o livro aberto em cima dos joelhos e com tal descaramento que a minha impunidade sĂł parecia possĂ­vel devido Ă  cumplicidade dos professores. A Ășnica coisa que nĂŁo consegui com as minhas astĂșcias bem rimadas foi que me perdoassem a missa diĂĄria Ă s sete da manhĂŁ.

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A Força do Poder Criativo

As biografias dos grandes artistas tornam abundantemente claro que o desejo criativo Ă© frequentemente tĂŁo imperioso que demole a sua humanidade e subjuga tudo ao serviço do trabalho, atĂ© mesmo Ă  custa da saĂșde e bem-estar de um vulgar ser humano. O trabalho por nascer na psique do artista Ă© uma força da natureza que alcança o seu fim, tanto por poder tirĂąnico como por astĂșcia vil da prĂłpria natureza, independentemente do destino pessoal do homem que Ă© o seu veĂ­culo.

A inveja avista apenas o que estĂĄ prĂłximo de si, e admiramos com menos astĂșcia o que estĂĄ distante.

Desigualdade Natural e Desigualdade Institucional

É fĂĄcil de ver que, entre as diferenças que distinguem os homens, muitas passam por naturais, quando sĂŁo unicamente a obra do hĂĄbito e dos diversos gĂ©neros de vida adoptados pelos homens na sociedade. Assim, num temperamento robusto ou delicado, a força ou a fraqueza que disso dependem, vĂȘm muitas vezes mais da maneira dura ou efeminada pela qual foi educado do que da constituição primitiva dos corpos. Acontece o mesmo com as forças do espĂ­rito, e a educação nĂŁo sĂł estabelece a diferença entre os espĂ­ritos cultivados e os que nĂŁo o sĂŁo, como aumenta a que se acha entre os primeiros Ă  proporção da cultura; com efeito, quando um gigante e um anĂŁo marcham na mesma estrada, cada passo representa uma nova vantagem para o gigante. Ora, se se comparar a diversidade prodigiosa do estado civil com a simplicidade e a uniformidade da vida animal e selvagem, em que todos se nutrem dos mesmos alimentos, vivem da mesma maneira e fazem exactamente as mesmas coisas, compreender-se-ĂĄ quanto a diferença de homem para homem deve ser menor no estado de natureza do que no de sociedade; e quanto a desigualdade natural deve aumentar na espĂ©cie humana pela desigualdade de instituição.

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A Felicidade e a Virtude NĂŁo SĂŁo Argumentos

NinguĂ©m tomarĂĄ facilmente por verdadeira uma doutrina somente porque ela torna felizes ou virtuosos os homens: exceptuando, talvez, os amĂĄveis «idealistas» que se entusiasmam pelo Bom, o Verdadeiro, o Belo e fazem nadar, no seu charco, toda a espĂ©cie de variegadas, pesadonas e bonacheironas idealidades. A felicidade e a virtude nĂŁo sĂŁo argumentos. Mas de bom grado se esquece, mesmo os espĂ­ritos ponderados, que tornar infeliz e tornar mau nĂŁo sĂŁo tĂŁo-pouco contra-argumentos. Uma coisa deveria ser certa, embora fosse muitĂ­ssimo prejudicial e perigosa; seria atĂ© possĂ­vel fazer parte da estrutura bĂĄsica da existĂȘncia o perecermos por causa do nosso conhecimento total, – de forma que a força de um espĂ­rito se mediria justamente pela quantidade de «verdade» que era capaz de suportar ou, mais claramente, pelo grau em que necessitasse de a diluir, velar, adocicar, embotar, falsificar. Mas estĂĄ fora de dĂșvida o facto de os maus e infelizes serem mais favorecidos e terem maior possibilidade de ĂȘxito na descoberta certas partes da verdade; para nĂŁo falar dos maus que sĂŁo felizes, – espĂ©cie que os moralistas passam em silĂȘncio.

É possĂ­vel que a dureza e a astĂșcia forneçam, para o desenvolvimento do espĂ­rito e do filĂłsofo firmes e independentes,

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Defender a ideia de que os nossos sucessos nos sĂŁo concedidos pela ProvidĂȘncia, e nĂŁo pela astĂșcia, Ă© uma astĂșcia a mais para aumentar aos nossos olhos a importĂąncia desses sucessos.

A Nossa Arte

A arte de desenvolver os pequenos motivos para nos decidirmos a realizar as grandes acçÔes que nos são necessårias. A arte de nunca nos deixarmos desencorajar pelas reacçÔes dos outros, recordando que o valor de um sentimento é juízo nosso, pois seremos nós a senti-lo e não os que assistem. A arte de mentir a nós próprios, sabendo que estamos a mentir. A arte de encarar as pessoas de frente, incluindo nós próprios, como se fossem personagens de uma novela nossa. A arte de recordar sempre que, não tendo nós qualquer importùncia e não tendo também os outros qualquer espécie de importùncia, nós temos mais importùncia que qualquer outro, simplesmente porque somos nós.
A arte de considerar a mulher como um pedaço de pĂŁo: problema de astĂșcia. A arte de mergulhar fulminante e profundamente na dor, para vir novamente Ă  tona graças a um golpe de rins. A arte de nos substituirmos a qualquer um, e de saber, portanto, que cada pessoa se interessa apenas por si prĂłpria. A arte de atribuir qualquer dos nossos gestos a outrem, para verificarmos imediatamente se Ă© sensato.
A arte de viver sem a arte.
A arte de estar sĂł.

A amizade, entre um homem e uma mulher, Ă© (o leitor que escolha): um bico de obra; uma coisa muito linda; ainda mais complicado que o amor; absolutamente impossĂ­vel; amizade da parte da mulher e astĂșcia da parte do homem; astĂșcia da parte da mulher e amizade da parte do homem; sĂł Ă© possĂ­vel se a mulher for forte e feia; impossĂ­vel se o homem for minimamente atraente; receita certa para a desgraça; prelĂșdio certo para o romance; indescritĂ­vel; inenarrĂĄvel; sempre desejĂĄvel; o que Deus quiser; o diabo.