Cita√ß√Ķes sobre Atmosfera

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Frases sobre atmosfera, poemas sobre atmosfera e outras cita√ß√Ķes sobre atmosfera para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Medo do Aborrecimento

O género de aborrecimento de que sofre a população das cidades modernas está intimamente ligado à sua separação da vida da Terra. Essa separação torna o seu viver ardente, poeirento e ansioso, tal como uma peregrinação no deserto. Nos que são suficientemente ricos para escolher o seu género de vida, o estigma peculiar de insuportável aborrecimento que os distingue é devido, por muito paradoxal que isso possa parecer, ao seu medo do aborrecimento. Ao fugirem do aborrecimento que é fecundo, são vítimas de outro de natureza pior. Uma vida feliz deve ser, em grande medida, uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer.

Metamorfose

A Carlos Ferreira

O sol em fogo pelo ocaso explode
Nesse estertor, que os cr√Ęnios assoberba.
Vivo, o clar√£o, nuns frocos exacerba
Dos ideais a original nevrose.

Da natureza os anafis mouriscos
Ante o cariz da atmosfera muda,
Soam queixosos, numa nota aguda,
Da luz que esvai-se aos derradeiros discos.

O pensamento que flameja e luta
Nos ares rasga aprofundado sulco…
A sombra desce nos lisins da gruta;

E a lua nova — a peregrina Onfale,
Como em um plaustro luminoso, hiulco,
Surge através dos pinheirais do vale.

A Fraqueza do Idealismo

A arte idealista esquece que h√° no homem – nervos, fatalidades heredit√°rias, sujei√ß√Ķes √†s influ√™ncias determinantes de hora, alimento, atmosfera, etc; irresist√≠veis teimas f√≠sicas, tend√™ncias de carnalidade fatais; resultantes l√≥gicas de educa√ß√£o; ac√ß√Ķes determinantes ao meio, etc,etc; a arte convencional, enfim, mutila o homem moral – como a ci√™ncia convencional mutila o homem f√≠sico; s√£o ambas aprovadas pelos Monsenhores arcebispos de Paris e dadas em leitura nos col√©gios; mas uma ensina falso, como a outra educa falso: ambas nocivas portanto.

Ornitologia

Chegado o Outono, o conhecimento concentra-se nas asas
dos p√°ssaros que pousam lentos sobre as cores dos frutos.
Sem sentimentos, as aves entregam-se ao sabor do vento
e deixam que no cérebro cresça a febre negra das urzes.
Aquieta-os a experiência que conservam do espaço
e que todas as tardes os inibe de partir para continentes
mais prósperos e seguros. Sustém-os um atavismo
apenas explic√°vel pelo saber dos signos e o seu desejo
colectivo de suicídio. Porque não escolhem antes
perder-se na tempestade? Talvez visto do ar,
aos seus olhos o mundo se torne mais pesado
e o pensamento se confunda, na memória,
com uma paisagem festiva de piras f√ļnebres.
E contudo, apesar do car√°cter cerrado da atmosfera,
o seu peso parece ter-se j√° deixado de sentir
sobre o discurso. Virados para dentro,
as imagens em que se reflectem s√£o
as de um mundo banhado pela pen√ļmbra.
Afogado na sua raz√£o de ser. Medi√ļnico.
Imagine-se agora o caçador a entrar
paisagem dentro para abater as peças
de que se comp√Ķe o cen√°rio uma a uma:
vista de dentro,

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O Amor é Inevitável

(O Amor) √Č inevit√°vel, faz parte da combust√£o da natureza, √© for√ßa, mar, elemento, √°gua, fogo, destrui√ß√£o, √© atmosfera, respira-se, quando se morre abandona-se, o amor deixa, fica isolado, √© um elemento, come-se, bebe-se, sustenta p√£o, p√£o di√°rio para rico e pobre, p√£o que ilumina o forno do amassador, aparece nas condi√ß√Ķes mais estranhas, bicho que nasce, copula dentro de si mesmo, paira, espermatoz√≥ide e √≥vulo, as duas coisas ao mesmo tempo, amor √© assim outro elemento fundamental da natureza, as pessoas vivem tanto com o amor, ou t√£o alheias do amor, que nem notam, raro percebem que o amor existe, raro percebem que respiram, que a √°gua est√°, √© indispens√°vel, ningu√©m pode viver alheio aos elementos, ao amor.

O √ďpio

…Havia ruas inteiras dedicadas ao √≥pio… Os fumadores deitavam-se sobre baixas tarimbas… Eram os verdadeiros lugares religiosos da √ćndia… N√£o tinham nenhum luxo, nem tape√ßarias, nem coxins de seda… Era tudo madeira por pintar, cachimbos de bambu e almofadas de lou√ßa chinesa… Pairava ali uma atmosfera de dec√™ncia e austeridade que n√£o existia nos templos… Os homens adormecidos n√£o faziam movimento ou ru√≠do… Fumei um cachimbo… N√£o era nada… Era um fumo caliginoso, morno e leitoso… Fumei quatro cachimbos e estive cinco dias doente, com n√°useas que vinham da espinha dorsal, que me desciam do c√©rebro… E um √≥dio ao sol, √† exist√™ncia… O castigo do √≥pio… Mas aquilo n√£o podia ser tudo… Tanto se dissera, tanto se escrevera, tanto se vasculhara nas maletas e nas malas, tentando apanhar nas alf√Ęndegas o veneno, o famoso veneno sagrado… Era preciso vencer a repugn√Ęncia… Devia conhecer o √≥pio, provar o √≥pio, afim de dar o meu testemunho… Fumei muitos cachimbos, at√© que conheci… N√£o h√° sonhos, n√£o h√° imagens, n√£o h√° paroxismos… H√° um enfraquecimento met√≥dico, como se uma nota infinitamente suave se prolongasse na atmosfera… Um desvanecimento, um v√°cuo dentro de n√≥s… Qualquer movimento do cotovelo, da nuca, qualquer som distante de carruagem,

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Uma vida feliz deve ser em grande parte uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer.

Uma atmosfera perigosa de nacionalismo está a chegar à nossa sociedade. Por isso eu quero criticar essa tendência, quero fazer tudo para impedir o desenvolvimento do fascismo na sociedade japonesa.

A arte idealista esquece que h√° no homem – nervos, fatalidades heredit√°rias, sujei√ß√Ķes √†s influ√™ncias determinantes de hora, alimento, atmosfera, etc.; irresist√≠veis ¬ęteimas¬Ľ f√≠sicas, tend√™ncias de carnalidade fatais; resultantes l√≥gicas de educa√ß√£o; ac√ß√Ķes determinantes ao meio, etc., etc.

As id√©ias √†s vezes v√™m do Alto, outras vezes surgem no n√≠vel terreno, quando menos esperamos. Umas s√£o transmitidas do mundo espiritual, outras brotam da natureza divina que nos √© inerente. Tanto as id√©ias que v√™m do Alto como as mensagens espirituais que brotam da atmosfera terrestre, transcendem o tempo. Mesmo que n√£o sejam aplic√°veis no momento, n√£o devemos descart√°-las. H√° id√©ias que, se forem esquecidas, nunca mais voltar√£o √† nossa mem√≥ria; e entre elas h√° muitas que s√£o valiosas. Se as deixarmos semeadas no solo mental por algum tempo, muitas delas brotar√£o, florescer√£o e dar√£o frutos de grande utilidade. As id√©ias precedem os fatos: semeando id√©ias, germinar√£o fatos. √Č bom andar sempre com uma caderneta para anotar as id√©ias t√£o logo surjam.

16

Esta inconstancia de mim próprio em vibração
√Č que me ha de transp√īr √†s zonas interm√©dias,
E seguirei entre cristais de inquietação,
A retinir, a ondular… Soltas as r√©deas,
Meus sonhos, le√Ķes de fogo e pasmo domados a tirar
A t√īrre d’ouro que era o carro da minh’Alma,
Transviar√£o pelo deserto, muribundos de Luar –
E eu s√≥ me lembrarei num baloi√ßar de palma…
Nos o√°sis, depois, h√£o de se abismar gumes,
A atmosfera ha de ser outra, noutros planos:
As r√£s h√£o de coaxar-me em roucos tons humanos
Vomitando a minha carne que comeram entre estrumes…

*       *       *

H√° sempre um grande Arco ao fundo dos meus olhos…
A cada passo a minha alma é outra cruz,
E o meu cora√ß√£o gira: √© uma roda de c√īres…
N√£o sei aonde vou, nem vejo o que persigo…
J√° n√£o √© o meu rastro o rastro d’oiro que ainda sigo…
Resvalo em pontes de gelatina e de bol√īres…
Hoje, a luz para mim √© sempre meia-luz…

. . . . . . . . . . .

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Quem Diz que Amor é um Crime

Quem diz que amor é um crime
Calunia a natureza,
Faz da causa organizante
Criminosa a singeleza.

Que vejo, céus! Que não seja
De uma atracção resultado?
Atracção e amor é o mesmo;
Logo amor não é pecado.

Se respiro, a atmosfera,
Com um fluido combinado,
√Č quem me sustenta a vida
Dentro do peito agitado.

Se vejo mares, se fontes,
Rio, cristalino lago,
Dois gases se unem, formando
Aguas com que a sede apago.

Uma lei de afinidade
Se acha nos corpos terrenos;
√Ācidos, metais, alcalis,
Tudo se une mais ou menos.

De que sou feita? ‚Äď De terra;
Nela me hei de converter:
Se amor arder em meu peito
√Č da essencia do meu ser.

Sem que te ofenda raz√£o,
Quero defender o amor;
Se contigo n√£o concorda
Não é virtude, é furor.

Abrindo os olhos da mente vemos que boa sorte est√° em toda parte, esperando-nos de bra√ßos abertos. Para Newton, que descobriu a gravita√ß√£o da Terra, a sorte estava na queda de uma ma√ß√£. Para Franklin, que descobriu a exist√™ncia da eletricidade na atmosfera, a sorte estava na ocorr√™ncia de rel√Ęmpagos. Os que t√™m os olhos da mente abertos ‚Äėenxergam‚Äô a sorte em coisas e fatos, para os quais a maioria n√£o d√° import√Ęncia.

O Corrupi√£o

Escaveirado corrupi√£o idiota,
Olha a atmosfera livre, o amplo éter belo,
E a alga cript√≥gama e a √ļsnea e o cogumelo,
Que do fundo do ch√£o todo o ano brota!

Mas a √Ęnsia de alto voar, de √† antiga rota
Voar, n√£o tens mais! E pois, preto e amarelo,
P√Ķes-te a assobiar, bruto, sem cerebelo
A gargalhada da √ļltima derrota!

A gaiola aboliu tua vontade.
Tu nunca mais ver√°s a liberdade! …
Ah! Tu somente ainda és igual a mim.

Continua a comer teu milho alpiste.
Foi este mundo que me fez t√£o triste,
Foi a gaiola que te p√īs assim!

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Poema de Amor

O céu, as linhas de luz na água,
caminhos diferentes para o coração.
A queda de sons diversos na atenta coincidência
dos ouvidos. A relação de uma límpida tarde
com um movimento de ombros junto do teu corpo,
na luminosa sequência da tua voz.
Um andar divino de transparente espectro
sobre o fundo de √°rvores;
o acentuar da impress√£o dos teus olhos
na quente atmosfera estagnada.
Mas o s√ļbito levantar do vento dissipou
a primitiva aparência. Um canto lívido
de mortas recorda√ß√Ķes apenas subsistiu,
o indefinido desgosto dos teus braços,
o remorso de gestos incompletos
que a memória suspende.
Nem me espanto j√° com a tua proximidade.
Bem vindos, decompostos l√°bios!
O ranger da cama sobrep√Ķe-se
ao ruído das cigarras.

Infeliz povo se, confundindo promessas vãs com realidades, vier a convencer-se um dia de que o trabalho é sinal de servidão e a desordem atmosfera saudável de vida.

A Nossa Crise Mental

Que pensa da nossa crise? Dos seus aspectos Рpolítico, moral e intelectual?
A nossa crise prov√©m, essencialmente, do excesso de civiliza√ß√£o dos inciviliz√°veis. Esta frase, como todas que envolvem uma contradi√ß√£o, n√£o envolve contradi√ß√£o nenhuma. Eu explico. Todo o povo se comp√Ķe de uma aristocracia e de ele mesmo. Como o povo √© um, esta aristocracia e este ele mesmo t√™m uma subst√Ęncia id√™ntica; manifestam-se, por√©m, diferentemente. A aristocracia manifesta-se como indiv√≠duos, incluindo alguns indiv√≠duos amadores; o povo revela-se como todo ele um indiv√≠duo s√≥. S√≥ colectivamente √© que o povo n√£o √© colectivo.
O povo portugu√™s √©, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro portugu√™s foi portugu√™s: foi sempre tudo. Ora ser tudo em um indiv√≠duo √© ser tudo; ser tudo em uma colectividade √© cada um dos indiv√≠duos n√£o ser nada. Quando a atmosfera da civiliza√ß√£o √© cosmopolita, como na Renascen√ßa, o portugu√™s pode ser portugu√™s, pode portanto ser indiv√≠duo, pode portanto ter aristocracia. Quando a atmosfera da civiliza√ß√£o n√£o √© cosmopolita ‚ÄĒ como no tempo entre o fim da Renascen√ßa e o princ√≠pio, em que estamos, de uma Renascen√ßa nova ‚ÄĒ o portugu√™s deixa de poder respirar individualmente. Passa a ser s√≥ portugueses. Passa a n√£o poder ter aristocracia.

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