Cita√ß√Ķes sobre Aut√≥matos

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Frases sobre aut√≥matos, poemas sobre aut√≥matos e outras cita√ß√Ķes sobre aut√≥matos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Véspera

Amor: em teu regaço as formas sonham
o instante de existir: ainda é bem cedo
para acordar, sofrer. Nem se conhecem
os que se destruir√£o em teu bruxedo.

Nem tu sabes, amor, que te aproximas
a passo de veludo. √Čs t√£o secreto,
reticente e ardiloso, que semelhas
uma casa fugindo ao arquitecto.

Que presságios circulam pelo éter,
que signos de paix√£o, que suspir√°lia
hesita em consumar-se, como fl√ļor,
se não a roça enfim tua sandália?

Não queres morder célere nem forte.
Evitas o clar√£o aberto em susto.
Examinas cada alma. √Č fogo inerte?
O sacrifício há de ser lento e augusto.

Ent√£o, amor, escolhes o disfarce.
Como brincas (e és sério) em cabriolas,
em risadas sem modo, pés descalços,
no círculo de luz que desenrolas!

Contempla este jardim: os namorados,
dois a dois, l√°bio a l√°bio, v√£o seguindo
de teu capricho o hermético astrolábio,
e perseguem o sol no dia findo.

E se deitam na relva; e se enlaçando
num desejo menor, ou na indecisa
procura de si mesmos,

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A Finalidade do Estado é a Liberdade

Num Estado democrático, o que menos se tem a temer é o absurdo, pois é quase impossível que a maioria dos homens unidos em um todo, se esse todo for considerável, concorde com um absurdo.
(…) N√£o, repito, a finalidade do Estado n√£o √© fazer os homens passarem da condi√ß√£o de seres razo√°veis √† de animais brutos ou de aut√≥matos, mas, pelo contr√°rio, √© institu√≠do para que a sua alma e o seu corpo se desobriguem com seguran√ßa de todas as suas fun√ß√Ķes, para que eles pr√≥prios usem uma Raz√£o livre, para que n√£o lutem mais por √≥dio, c√≥lera ou artif√≠cio, para que se suportem sem animosidade uns aos outros. A finalidade do Estado √© portanto, na realidade, a liberdade.

Gato. Um aut√īmato flex√≠vel e indestrut√≠vel, fornecido pela natureza para ser chutado quando as coisas v√£o mal no c√≠rculo dom√©stico.

A organiza√ß√£o em excesso transforma em aut√īmatos homens e mulheres, reprime o esp√≠rito criador e elimina a pr√≥pria possibilidade de liberdade. Como sempre, o √ļnico caminho seguro est√° no meio-termo, entre o excesso do laissez-faire, num dos topos da escala, e o controle total, no outro extremo.

Hábito e Inércia

Ao princípio, somos carne animada pela alma; a meio caminho, meias máquinas; perto do fim, autómatos rígidos e gelados como cadáveres. Quando a morte chega, encontramo-nos em tudo semelhantes aos mortos. Esta petrificação progressiva é obra do hábito.
O hábito torna-nos cegos às maravilhas do mundo Рindiferentes e inconscientes perante os milagres quotidianos -, embota a força dos sentidos e dos sentimentos Рtorna-nos escravos dos costumes, mesmo tristes e culpados: suprime a vista, espanto, fogo e liberdade. Escravos, frígidos, insensatos, cegos: tudo propriedade dos cadáveres. A subjugação aos hábitos é uma subjugação da morte; um suicídio gradual do espírito.
O h√°bito suprime as cores, incrusta, esconde: partes da nossa vida afundam-se gradualmente na inconsci√™ncia e deixam de ser vida para se tornarem pe√ßas de um mecanismo imprevisto. O c√≠rculo do espont√Ęneo reduz-se; a liberdade e novidade decaem na monotonia do vulgar.
√Č como se o sangue se tornasse, a pouco e pouco, s√≥lido como os ossos e a alma um sistema de correias e rodas. A mat√©ria n√£o passa de esp√≠rito petrificado pelos h√°bitos. Nasce-se esp√≠rito e mat√©ria e termina-se apenas como mat√©ria. A casca converteu em madeira a pr√≥pria linfa.
A casca é necessária para proteger o albume,

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O Regulador do Prazer e da Dor: o H√°bito

O h√°bito √© o grande regulador da sensibilidade; ele determina a continuidade dos nossos atos, embota o prazer e a dor e nos familiariza com as fadigas e com os mais penosos esfor√ßos. O mineiro habitua-se t√£o bem √† sua dura exist√™ncia que dela se recorda saudoso quando a idade o obriga a abandon√°-la e o condena a viver ao sol. O h√°bito, regulador da vida habitual, √© tamb√©m o verdadeiro sustent√°culo da vida social. Pode-se compar√°-lo √† in√©rcia, que se op√Ķe, em mec√Ęnica, √†s varia√ß√Ķes de movimento. A dificuldade para um povo consiste, primeiramente, em criar h√°bitos sociais, depois em n√£o permanecer muito tempo neles. Quando o jugo dos h√°bitos pesou muito tempo num povo, ele s√≥ se liberta desse jugo por meio de revolu√ß√Ķes violentas. O repouso na adapta√ß√£o, que o h√°bito consiste, n√£o se deve prolongar. Povos envelhecidos, civiliza√ß√Ķes adiantadas, indiv√≠duos idosos tendem a sofrer demasiado o jugo do costume, isto √©, do h√°bito.

Seria in√ļtil dissertar longamente sobre o seu papel, que mereceu a aten√ß√£o de todos os fil√≥sofos e se tornou um dogma da sabedoria popular.

‚ÄúQue s√£o os nossos princ√≠pios naturais‚ÄĚ, diz Pascal, ‚Äúsen√£o os nossos princ√≠pios acostumados. E nas crian√ßas,

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A Verdadeira Coragem Humana

Se est√°s disposto a nunca usar da viol√™ncia, e sempre resistindo, torna-te forte de corpo e de alma; √© a mais dif√≠cil de todas as atitudes; exige a constante vigil√Ęncia de todos os movimentos do esp√≠rito, o dom√≠nio completo de todos os impulsos dos nervos e dos m√ļsculos rebeldes; a agress√£o √© f√°cil contra o medo e tamb√©m a primeira solu√ß√£o; para que, em todos os instantes, a possas p√īr de lado e substitu√≠-la pela tranquila recusa, n√£o te deves fiar nos improvisos; a armadura de que te revestes nos momentos de crise √© forjada dia a dia e antes deles; faz-se de medita√ß√£o e de gin√°stica, de pensamento definido e preciso e de perfeitos comandos; quando menos se prev√™ surge o instante da decis√£o; r√°pida e firme, sem emo√ß√Ķes ou sufocando-as, tem que trabalhar a m√°quina formada.
Que trabalhar, sobretudo, humanamente; a visão do autómato é a pior de todas para os amigos do espírito; não serão teus elementos nem a secura, nem a estóica dureza, nem o ar superior, nem as cortantes palavras; requere-se no inabalável a humanidade, o sorriso afectuoso, a íntima bondade, a desportiva calma, amiga do adversário, de quem joga um bom jogo; sozinho guardarás as lutas interiores que tens de suportar,

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O perigo do passado era que os homens se tornassem escravos. O perigo do futuro é que os homens se tornem autómatos.

O Futuro

Aos domingos, iremos ao jardim.
Entediados, em grupos familiares,
Aos pares,
Dando-nos ares
De pessoas invulgares,
Aos domingos iremos ao jardim.
Diremos, nos encontros casuais
Com outros cl√£s iguais,
Banalidades rituais,
Fundamentais.
Autómatos afins,
Misto de serafins
Sociais
E de standardizados mandarins,
Teremos preconceitos e pruridos,
Produtos recebidos
Na herança
De certos caracteres adquiridos.
Falaremos do tempo,
Do que foi, do que j√° houve…
E sendo j√° ent√£o
Por tradição
E formação Antiburgueses
– Solidamente antiburgueses -,
Inquietos falaremos
Da tormenta que passa
E seus desvarios.

Seremos aos domingos, no jardim,
Reaccion√°rios.

√Č o H√°bito Que Nos Persuade

√Č preciso n√£o nos conhecermos mal: somos aut√≥mato, tanto quanto esp√≠rito, donde resulta que o instrumento pelo qual se faz a persuas√£o n√£o √© unicamente a demonstra√ß√£o. Qu√£o poucas s√£o as coisas demonstradas! As provas n√£o convencem sen√£o o esp√≠rito. O h√°bito d√°-nos provas mais fortes e mais cr√≠veis; inclina o aut√≥mato, que arrasta o esp√≠rito, sem que ele o saiba. Quem demonstrou que amanh√£ ser√° dia, e que morremos? E que existir√° de mais cr√≠vel? √Č, portanto, o h√°bito que nos persuade; √© ele que faz tantos crist√£os, que faz os maometanos, os pag√£os, os artes√£os, os soldados, etc.
Enfim, √© preciso recorrer a ele depois de o esp√≠rito ter visto onde est√° a verdade, para nos dessedentar e nos impregnar dessa cren√ßa que nos escapa a todo o momento; pois ter as provas sempre presentes √© por demais penoso. √Č mister adquirir uma cren√ßa mais f√°cil – a do h√°bito -, que, sem viol√™ncia, sem artif√≠cio, sem argumento, nos faz crer nas coisas e predisp√Ķe todas as nossas faculdades para essa cren√ßa, de sorte que a nossa alma nela mergulhe naturalmente.N√£o basta crer pela for√ßa da convic√ß√£o, quando o aut√≥mato est√° predisposto a crer o contr√°rio. √Č preciso fazer com que as nossas duas partes creiam: o esp√≠rito,

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