Cita√ß√Ķes sobre Bancos

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Frases sobre bancos, poemas sobre bancos e outras cita√ß√Ķes sobre bancos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Achar que a vida n√£o provem do amor, √© como achar que crian√ßas nascem da explos√£o de um banco de esperma…

Eu e ela

Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de m√°rmore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem m√°s ideias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras vezes buscando distracção,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiros,
Formando unicamente um coração.

Beatos ou pagãos, vida à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavalheiro de Flaublas…

Acendimento

Seria bom sentir no quarto qualquer m√ļsica
enquanto nos banham os perfis ateados
pelo aroma da tília, sem voz, em abandono.
A entrada por detr√°s das ruas principais
onde a morrinha parece que nem molha
e se chega perdido onde se vai.
Não, não é só um beijo que te quero dar.

Quantas vezes nesta hora de desvalimento
vejo orion e as plêiades devagar no céu de inverno.
Mas hoje
com a calma inesperada de chuvas que n√£o cessam
acordo já depois. Caí numa hibernação que não norteia
o desequilíbrio do sentimento.

Espelhos sem paz tocam-nos no rosto.
Na cega mancha de roupagem aconchego
cada intempérie com sua mentira
e depois sigo pela torrente, pelo enredo
dos outeiros, cada espelho continua
a caução pacificadora do engano.
√Č isso que te levo, isso que me d√°s
quando dizes, j√° sem o dizeres, eu amo-te.

Pela berma da humidade cerrada
um risco de merc√ļrio trespassa.
Na gravilha passos que n√£o h√°
esmagam a m√ļsica que ningu√©m escuta.
Sabiam de cor tudo o que falhava,

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Flores Velhas

Fui ontem visitar o jardinzinho agreste,
Aonde tanta vez a lua nos beijou,
E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste,
Soberba como um sol, serena como um v√īo.

Em tudo cintilava o límpido poema
Com ósculos rimado às luzes dos planetas:
A abelha inda zumbia em torno da alfazema;
E ondulava o matiz das leves borboletas.

Em tudo eu pude ver ainda a tua imagem,
A imagem que inspirava os castos madrigais;
E as vibra√ß√Ķes, o rio, os astros, a paisagem,
Traziam-me à memória idílios imortais.

E nosso bom romance escrito num desterro,
Com beijos sem ruído em noites sem luar,
Fizeram-mo reler, mais tristes que um enterro,
Os goivos, a baunilha e as rosas-de-toucar.

Mas tu agora nunca, ah! Nunca mais te sentas
Nos bancos de tijolo em musgo atapetados,
E eu não te beijarei, às horas sonolentas,
Os dedos de marfim, polidos e delgados…

Eu, por n√£o ter sabido amar os movimentos
Da estrofe mais ideal das harmonias mudas,
Eu sinto as decep√ß√Ķes e os grandes desalentos
E tenho um riso meu como o sorrir de Judas.

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As Melhores Coisas da Vida São à Borla

As melhores coisas da vida são à borla.

Vivemos em abund√Ęncia.

N√£o parece, pois h√° muito tempo que se d√° mais valor √† mat√©ria, aos bens que possu√≠mos e √†s contas que temos no banco do que √†quilo que verdadeiramente importa, mas √© um facto. A terra d√°-nos tudo. √Č t√£o generosa que mesmo ap√≥s tanta destrui√ß√£o continua a regenerar-se e a alimentar-nos a alma e o corpo. Os melhores alimentos v√™m do solo que pisamos. As praias encontram-se o ano todo no mesmo lugar. 0 mar e a areia n√£o desaparecem. Existem desde sempre e para sempre e est√£o √† tua disposi√ß√£o sempre que entenderes senti-los. As florestas, os bosques e os jardins, a mesma coisa. A ess√™ncia do verde, apesar de amarelar no outono e cair no inverno, mant√©m-se intacta, dispon√≠vel para a respirares e te entregares sempre que precisares de te curar. O vento sopra todos os dias. O sol intercala com a chuva para poderes sentir sempre algo novo quando vais √† janela ou sais √† rua. O c√©u est√° sempre estrelado ou cheio de formas para que possas agradecer ou dar asas √† tua criatividade. Mas h√° mais. Os nossos amigos s√£o de gra√ßa.

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Balada do Amor através das Idades

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas n√£o Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irm√£o.
Matei, brig√°mos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de crist√£os.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o le√£o que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolit√Ęnia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da f√ļria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal…
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortes√£o de Versailles,
espirituoso e devasso.
Voc√™ cismou de ser freira…
Pulei muro de convento
mas complica√ß√Ķes pol√≠ticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.

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Somos Cidadãos Sem Laços de Cidadania

√Č escusado. Em nenhuma √°rea do comportamento social conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a conviv√™ncia harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva como figadais advers√°rios. Guerreamo-nos na pol√≠tica, na literatura, no com√©rcio e na ind√ļstria. Onde est√£o dois portugueses est√£o dois concorrentes hostis √† Presid√™ncia da Rep√ļblica, √† chefia dum partido, √† ger√™ncia dum banco, ao comando de uma corpora√ß√£o de bombeiros. N√£o somos capazes de reconhecer no vizinho o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante de cada sucesso alheio ficamos transtornados. E vingamo-nos na s√°tira, na mordacidade, na maledic√™ncia. Nas cidades ou nas aldeias, por f√°s e por nefas, n√£o h√° ningu√©m sem alcunha, a todos √© colado um rabo-leva pejorativo. Quem quiser conhecer a natureza do nosso relacionamento, leia as pol√©micas que trav√°mos ao longo dos tempos. S√£o reveladoras. A celebrada carta de E√ßa a Camilo ou a tamb√©m conhecida deste ao conselheiro Forjaz de Sampaio d√£o a medida exacta da verrina em que nos comprazemos no trato di√°rio. Gregariamente, somos um somat√≥rio de cidad√£os sem la√ßos de cidadania.

Os Homens e as Coisas

Quem conhece o solo e o subsolo da vida, sabe muito bem que um trecho de muro, um banco, um tapete, um guarda-chuva, s√£o ricos de ideias ou de sentimentos, quando n√≥s tamb√©m o somos, e que as reflex√Ķes de parceria entre os homens e as coisas comp√Ķem um dos mais interessantes fen√≥menos da terra.

Um Sentimento de Inquietação

Deu-se ent√£o em mim uma esp√©cie de estalido. O panorama que se avistava daquele quarto provocava-me um sentimento de inquieta√ß√£o, uma apreens√£o que eu j√° conhecera. Aquelas fachadas, aquela rua deserta, aquelas silhuetas de sentinela no crep√ļsculo perturbavam-me √† maneira insidiosa de um perfume ou de uma can√ß√£o outrora familiares. E tive a certeza de que muitas vezes, √†quela mesma hora, ficava ali, im√≥vel, √† espreita, sem fazer o m√≠nimo gesto, sem ousar sequer acender a luz. Quando tornei a entrar na sala, julguei que j√° n√£o havia l√° ningu√©m, mas afinal estava a dona da casa estendida no banco de veludo. Dormia. Aproximei-me silenciosamente e sentei-me na outra ponta do banco. Uma bandeja com um bule e duas ch√°venas, no meio do tapete de l√£ branca. Tossi um pouco. Ela n√£o acordou. Ent√£o, deitei ch√° nas duas ch√°venas. Estava frio.

Banco é o lugar onde você pode obter dinheiro emprestado, se provar que não precisa dele.

As Tuas M√£os Terminam Em Segredo

As tuas m√£os terminam em segredo.
Os teus olhos s√£o negros e macios
Cristo na cruz os teus seios (?) esguios
E o teu perfil princesas no degredo…

Entre buxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vendo p√Ķe o seu arrastado medo
Saudoso o longes velas de navios.

Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,

Ser√° o haver cais num mar distante…
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante !

Os Professores

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que √© trabalhado pelos professores n√£o pode ser quantificado. N√£o h√° n√ļmeros ou casas decimais com suficiente precis√£o para medi-lo. A falta de quantifica√ß√£o n√£o √© culpa dos assuntos inquantific√°veis, √© culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores n√£o vendem o material que trabalham, oferecem-no. N√≥s, com o tempo, com os anos, com a dist√Ęncia entre n√≥s e n√≥s, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material √© nosso, achamos que n√≥s pr√≥prios somos esse material. Por ironia ou capricho, √© nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva.

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A paz. Procura-a. Mas uma paz que te trespasse todo e não a que te descanse apenas a superfície como a um pedinte que dorme num banco de jardim.

Maio de Minha M√£e

O primeiro de Maio de minha M√£e
N√£o era social, mas de favas e giestas.
Uma cadeira de pau, flor dos dedos do Av√ī
‚ÄĒ Polimento, esquadria, engrade, olh√°-la ao longe ‚ÄĒ
Dava assento a Flor√°lia, o meu primeiro amor.

J√° n√£o se usa poesia descritiva,
Mas como hei-de falar da Maromba de Maio
Ou, se era macho, do litro de vinho na sua m√£o?
O primeiro de Maio nas Ilhas, morno como uma rosa,
Algodoado de c√ļmulos, lento no mar e rapioqueiro
Como Baco em Cam√Ķes,
Límpido de azeviche
E, afinal de contas, do ponto de vista prolet√°rio,
Mais de m√£os na algibeira do que Lenine em Zurich.
(Porque foi por esta época: eu é que não sabia!)

A minha Maromba tinha barriga de palha como as massas
E a foice roçadoira da erva das cabras do Ribeiro
Que se pegou, esquecida, no banco do martelo de meu Av√ī
Cujas quedas iguais, gravíficas, profundas

Muito prego em cunhal deixaram,
Muita madeira emalhetaram,
Muita estrela atraíram ao bico da foice do Ribeiro
Nas noites de luar em que roçava erva às cabras.

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As Institui√ß√Ķes S√£o Degenerativas

Quem faz uma religi√£o n√£o sabe o que faz. Por pouco diria a mesma coisa a respeito daqueles que fundam as grandes institui√ß√Ķes humanas, ordens mon√°sticas, companhias de seguros, guarda nacional, bancos, sindicatos, academias e conservat√≥rios, sociedades de gin√°stica de benefic√™ncia e de de confer√™ncias. Estes estabelecimentos, comumente, n√£o correspondem durante muito tempo √†s inten√ß√Ķes dos seus fundadores e acontece √†s vezes que se tornam coisas completamente opostas.

Banco é o lugar onde nos emprestam um guarda-chuva quando faz bom tempo e o tomam de volta quando começa a chover.

Eu era muito jovem para ter um carro, então transava com as moças no banco de trás de minha bicicleta.

Poema da Auto-estrada

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva cal√ß√Ķes de pirata,
Vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina
de impaciente nervura.
Como guache lustroso,
amarelo de indantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na vol√ļpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa, e bem segura.

Como um rasg√£o na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta
lembra um demónio com asas.

Na confus√£o dos sentidos
j√° nem percebe, Leonor,
se o que lhe chega aos ouvidos
s√£o ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

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Alegria é Felicidade Imediata

Quem é alegre tem sempre razão de sê-lo, ou seja, justamente esta, a de ser alegre. Nada pode substituir tão perfeitamente qualquer outro bem quanto esta qualidade, enquanto ela mesma não é substituível por nada. Se alguém é jovem, belo, rico e estimado, então perguntemos, caso queiramos julgar a sua felicidade, se é também jovial. Se, pelo contrário, ele for jovial, então é indiferente se é jovem ou velho, erecto ou corcunda, pobre ou rico; é feliz.
Na primeira juventude, abri certa vez um livro velho e l√° estava escrito: ¬ęQuem muito ri √© feliz, e quem muito chora √© infeliz¬Ľ – uma observa√ß√£o bastante ing√©nua, mas que n√£o pude esquecer devido √† sua verdade singela, por mais que fosse o superlativo de uma verdade evidente. Por esse motivo, devemos abrir portas e janelas √† jovialidade, sempre que ela aparecer, pois ela nunca chega em m√° hora, em vez de hesitar, como muitas vezes o fazemos, em permitir a sua entrada, s√≥ porque queremos saber primeiro, em todos os sentidos, se temos raz√£o para estar contentes. Ou ainda, porque tememos que ela nos perturbe nas nossas pondera√ß√Ķes s√©rias e preocupa√ß√Ķes importantes. Todavia, √© muito incerto que elas melhorem a nossa condi√ß√£o;

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