Cita√ß√Ķes sobre Beleza

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Frases sobre beleza, poemas sobre beleza e outras cita√ß√Ķes sobre beleza para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Dama de Elche

Seus olhos
pararam no limiar. Mas a morte
participa também do mistério da vida,
e essas amêndoas que mantém
explícitas ao nada, anunciam
outra árvore em nós.

Toda a feição já se concentra
no que os olhos n√£o dizem. Antes
fossem fechados,
como os l√°bios na dureza do mento,
e a ciência ou a razão que nos perturba
n√£o deixariam no berloque aguerrido
essa espantosa serenidade gélida de amor.

Mulher-senhora. M√£e?
Nos adornos
da espera, (nossa
a d√ļvida) fica a vida
que freme, e os abismos
que a beleza flanqueiam. Até que os pés
alados
despertem a princesa. Ent√£o,
Deus a recolhe,
e roça
nossas parcas medidas. A morte
desancora. Pela rigidez
da inacessível máscara, escorre
como as chuvas
o seu íntimo trabalho de existir.

A Meu Pai Morto

Madrugada de Treze de janeiro.
Rezo, sonhando, o ofício da agonia.
Meu Pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse à minha Mãe que me dizia:
“Acorda-o”! deixa-o, M√£e, dormir primeiro!

E saí para ver a Natureza!
Em tudo o mesmo abismo de beleza,
Nem uma n√©voa no estrelado v√©u…

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,
Como Elias, num carro azul de glórias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!

Pois se para os Amar n√£o Foram Feitos

Pois se para os amar n√£o foram feitos,
Senhor, aqueles olhos soberanos,
Porque, por tantos modos, mais que humanos,
Pintando os estivestes t√£o perfeitos?

Se tais palavras e se tais conceitos,
T√£o divinas, t√£o longe de profanos,
N√£o destes por or√°culo aos enganos,
Com que Amor vive nos mais altos peitos,

Porque, Senhor, tanta beleza junta,
Tanta graça e tal ser lhe foi deitado,
Qual ídolo nenhum gozara antigo?

Mas como respondeis a esta pergunta?
Que ou para disculpar o meu pecado,
Ou para eternizar o meu castigo?

Ignoto Deo

D. D. D.

Creio em Ti, Deus; a fé viva
De minha alma a Ti se eleva.
√Čs: – o que √©s n√£o sei. Deriva
Meu ser do Teu: luz… e treva,
Em que – indistintas! – se envolve
Este espírito agitado,
De Ti vem, a Ti devolve.
O Nada, a que foi roubado
Pelo sopro criador
Tudo o mais, o h√°-de tragar.
Só vive do eterno ardor
O que est√° sempre a aspirar
Ao infinito donde veio.
Beleza és Tu, luz és Tu,
Verdade és Tu só. Não creio
Sen√£o em Ti; o olho nu
Do homem não vê na Terra
Mais que a d√ļvida, a incerteza,
A forma que engana e erra.
Essência! a real beleza,
O puro amor – o prazer
Que n√£o fatiga e n√£o gasta…
Só por Ti os pode ver
O que, inspirado, se afasta,
Ignoto Deo, das ronceiras,
Vulgares turbas: despidos
Das coisas v√£s e grosseiras
Sua alma, raz√£o, sentidos,
A Ti se d√£o, em Ti vida,
E por Ti vida têm.

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A vida dura enquanto alguém nos espera e o resto é já sobrevivência, embora sobreviver não deixe de ter também a sua piada e a sua beleza.

A Mulher dos Vinte Poemas

Perguntam-me sempre quem √© a mulher dos ¬ęVinte Poemas¬Ľ. √Č dif√≠cil responder. As duas ou tr√™s que se entrela√ßam nesta melanc√≥lica e ardente poesia correspondem, digamos, a Marisol e Marisombra. Marisol √© o id√≠lio da prov√≠ncia encantada, com imensas estrelas nocturnas e olhos escuros como o c√©u molhado de Temuco. √Č ela que figura, com a sua alegria e a sua vivaz beleza, em quase todas as p√°ginas, rodeada pelas √°guas do porto e pela meia-lua sobre as montanhas. Marisombra √© a estudante da capital. Boina parda, olhos dulc√≠ssimos, o constante aroma a madressilva do errante amor estudantil, o sossego f√≠sico dos apaixonados encontros nos esconderijos da urbe.

O Valor da Crónica de Jornal

A cr√≥nica √© como que a conversa √≠ntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o l√™em: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um ser√£o ao braseiro, ou como no Ver√£o, no campo, quando o ar est√° triste. Ela sabe anedotas, segredos, hist√≥rias de amor, crimes terr√≠veis; espreita, porque n√£o lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a cr√≥nica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e fac√©cias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o p√© da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo esp√≠rito, pela beleza, pela mocidade; ela n√£o tem opini√Ķes, n√£o sabe do resto do jornal; est√° nas suas colunas contando, rindo, pairando; n√£o tem a voz grossa da pol√≠tica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do cr√≠tico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiu√ßando.

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F√°brica

Oh, a poesia de tudo o que é geométrico
e perfeito,
a beleza nova dos maquinismos,
a força secreta das peças
sob o contacto liso e frio dos metais,
a segura confiança

do saber-se que é assim e assim exactamente,
sem lugar a enganos,
tudo matemático e harmónico,
sem nenhum imprevisto, sem nenhuma aventura,
como na cabeça do engenheiro.
Os oper√°rios t√™m nos m√ļsculos, de cor,
os movimentos dia a dia repetidos:

é como se fossem da sua natureza,
longe de toda a vontade e de todo o pensamento;

como se os metais fossem carne do corpo
e as veias se abrissem
àquela vida estranha, dura, implacável
das m√°quinas.

Os motores de tantos mil cavalos
alinhados e seguros de si,
seguros do seu poder;

as articula√ß√Ķes subtis das bielas,
o enlace justo das engrenagens:
a f√°brica, todo um imenso corpo de movimentos
concordantes, dependentes, necess√°rios.

XLIV

Há quem confie, Amor, na segurança
De um falsíssimo bem, com que dourando
O veneno mortal, v√°s enganando
Os tristes cora√ß√Ķes numa esperan√ßa!

Há quem ponha inda cego a confiança
Em teu fingido obséquio, que tomando
Li√ß√Ķes de desengano, n√£o v√° dando
Pelo mundo certeza da mudança!

H√° quem creia, que pode haver firmeza
Em peito feminil, quem advertido
Os cultos n√£o profane da beleza!

H√° inda, e h√° de haver, eu n√£o duvido,
Enquanto n√£o mudar a Natureza
Em Nise a formosura, o amor em Fido.

Realidade

Por causa de um livro
vieste ao meu encontro.
Era Ver√£o, n√£o sabias de nada
nem isso interessava. Palavras
amavam-se fora de ti,
no atropelo das emo√ß√Ķes.
L√° chegaria a primeira vez,
o encontro apressado num lugar
p√ļblico. Desfeito o erro
ao toque da pele, n√£o sei
se havia medo, a paix√£o queria-me
no lugar exacto do teu coração.
Palavras enrolam-se na sombra
da vida a dor do sentimento.

Atingido o espírito, o tempo
da inf√Ęncia, a realidade. Em ti
a solid√£o que o prazer
n√£o mata. Quero a beleza
dos versos revelada.
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê.

√Č Preciso Aprender a Amar

Que se passa para n√≥s no dom√≠nio musical? Devemos em primeiro lugar aprender a ouvir um motivo, uma √°ria, de uma maneira geral, a perceb√™-lo, a distingui-lo, a limit√°-lo e isol√°-lo na sua vida pr√≥pria; devemos em seguida fazer um esfor√ßo de boa vontade ‚ÄĒ para o suportar, mau-grado a sua novidade ‚ÄĒ para admitir o seu aspecto, a sua express√£o fision√≥mica ‚ÄĒ e de caridade ‚ÄĒ para tolerar a sua estranheza; chega enfim o momento em que j√° estamos afeitos, em que o esperamos, em que pressentimos que nos faltaria se n√£o viesse; a partir de ent√£o continua sem cessar a exercer sobre n√≥s a sua press√£o e o seu encanto e, entretanto, tornamo-nos os seus humildes adoradores, os seus fi√©is encantados que n√£o pedem mais nada ao mundo, sen√£o ele, ainda ele, sempre ele.
N√£o sucede assim s√≥ com a m√ļsica: foi da mesma maneira que aprendemos a amar tudo o que amamos. A nossa boa vontade, a nossa paci√™ncia, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos s√£o novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para n√≥s do seu v√©u e apresentam-se a nossos olhos como indiz√≠veis belezas: √© o agradecimento da nossa hospitalidade.

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Porque a beleza de uma mulher n√£o lhe pertence apenas a ela. √Č uma parte da recompensa que ela traz ao mundo. Ela tem o dever de o compartilhar.

A Inconst√Ęncia no Amor e na Amizade

N√£o pretendo justificar aqui a inconst√Ęncia em geral, e menos ainda a que vem s√≥ da ligeireza; mas n√£o √© justo imputar-lhe todas as transforma√ß√Ķes do amor. H√° um encanto e uma vivacidade iniciais no amor que passa insensivelmente, como os frutos; n√£o √© culpa de ningu√©m, √© culpa exclusiva do tempo. No in√≠cio, a figura √© agrad√°vel, os sentimentos relacionam-se, procuramos a do√ßura e o prazer, queremos agradar porque nos agradam, e tentamos demonstrar que sabemos atribuir um valor infinito √†quilo que amamos; mas, com o passar do tempo, deixamos de sentir o que pens√°vamos sentir ainda, o fogo desaparece, o prazer da novidade apaga-se, a beleza, que desempenha um papel t√£o importante no amor, diminui ou deixa de provocar a mesma impress√£o; a designa√ß√£o de amor permanece, mas j√° n√£o se trata das mesmas pessoas nem dos mesmos sentimentos; mant√™m-se os compromissos por honra, por h√°bito e por n√£o termos a certeza da nossa pr√≥pria mudan√ßa.
Que pessoas teriam começado a amar-se, se se vissem como se vêem passados uns anos? E que pessoas se poderiam separar se voltassem a ver-se como se viram a primeira vez? O orgulho, que é quase sempre senhor dos nossos gostos,

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Ser aut√™ntico significa ser fiel a si pr√≥prio. √Č um fen√≥meno muit√≠ssimo perigoso; s√£o raras as pessoas que o fazem. Mas sempre que as pessoas o fazem, elas conseguem. Elas conseguem uma beleza tal, uma gra√ßa tal, um contentamento tal que n√£o pode ser imaginado.