Cita√ß√Ķes sobre Bot√Ķes

47 resultados
Frases sobre bot√Ķes, poemas sobre bot√Ķes e outras cita√ß√Ķes sobre bot√Ķes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Na extremidade da sala, um alto-falante sobressaía da parede. O Diretor foi até ele e apertou um botão.

Assim

Assim foi nosso amor… um sonho que viveu
de um sonho, e despertou na realidade um dia…
Um pouco de quimera ao l√©u da fantasia…
Um flor que brotou e num bot√£o morreu…

Embora sendo nosso, este amor foi só meu,
porque o teu, n√£o foi mais que pura hipocrisia,
– no fundo, h√° muito tempo, a minha alma sentia
este fim que o destino afinal j√° lhe deu…

Não podes, bem o sei Рsendo mulher como és,
saber quanto sofri, vendo esta flor desfeita
e as p√©talas no ch√£o, pisadas por teus p√©s…

Que importa ? H√°s de sofrer mais tarde – a vida √© assim…
Esse mesmo sorrir que agora te deleita
√© o mesmo que depois h√° de amargar teu fim!…

A Exploração do Outro como Fatalismo Político

Por muito que se inove no campo político, não há como escapar a um certo fatalismo no que se refere à condição de classe e consequente exploração (*). A sociedade permite uma certa mobilidade, sim, mas há limites nessa desmarcação. Sim, foi relativamente fácil a Calígula promover o seu cavalo Incitatus a senador. O que a História não regista é se o cavalo passou a relinchar partidariamente, ou se, pelo contrário, os seus novos pares começaram a trotar no seu compasso.

(*) Explora√ß√£o, meus caros, come√ßa sempre do lado de dentro dos seus bot√Ķes. E n√£o h√° como escapar: sempre se √© comunista de algu√©m, judeu de algu√©m, capitalista de algu√©m, negro de algu√©m, presidente dos Estados Unidos em cima de algu√©m. E eu mesmo ‚ÄĒ confesso ‚ÄĒ escrevi este livro explorando o humorista que h√° em mim pr√≥prio.

Um assunto por resolver é uma espécie de máquina do tempo de apenas um botão e que te permite unicamente regressar ao passado e multiplicá-lo infinitas vezes no teu presente.

Prosema II

Para iludir a d√ļvida, privado de equipagens, nenhum dos habituais pontos de refer√™ncia vem em meu aux√≠lio. Procuro um ancoradouro distante, fora do estreito mundo em que me movo.
In√ļtil: bichos, objectos min√ļsculos, paredes brancas pontilhadas, o bot√£o da campainha √† minha esquerda. A mem√≥ria retira-me a sua cobertura instant√Ęnea. Tento galgar esta padiola dentro da minha cabe√ßa e da√≠ lan√ßar-me √† desfilada sobre uma estepe daninha ou cair do alto da montanha onde guardo o meu ninho de √°guia. Digo-vos que s√≥ pretendo A Grande Casa Alugada da Minha Inf√Ęncia, o vapor ronceiro em que apenas um velho mission√°rio se lembrara de que uma crian√ßa existia. O velho desapareceu inesperadamente num pequeno porto do Zaire e deixou-me s√≥.

(

A Essência do Fanatismo

A ess√™ncia do fanatismo consiste em considerar determinado problema como t√£o importante que ultrapasse qualquer outro. Os bizantinos, nos dias que precederam a conquista turca, entendiam ser mais importante evitar o uso do p√£o √°zimo na comunh√£o do que salvar Constantinopla para a cristandade. Muitos habitantes da pen√≠nsula indiana est√£o dispostos a precipitar o seu pa√≠s na ru√≠na por divergirem numa quest√£o importante: saber se o pecado mais detest√°vel consiste em comer carne de porco ou de vaca. Os reaccion√°rios amercianos prefiririam perder a pr√≥xima guerra do que empregar nas investiga√ß√Ķes at√≥micas qualquer indiv√≠duo cujo primo em segundo grau tivesse encontrado um comunista nalguma regi√£o. Durante a Primeira Guerra Mundial, os escoceses sabat√°rios, a despeito da escassez de v√≠veres provocada pela actividade dos submarinos alem√£es, protestavam contra a planta√ß√£o de batatas ao domingo e diziam que a c√≥lera divina, devido a esse pecado, explicava os nossos malogros militares. Os que op√Ķem objec√ß√Ķes teol√≥gicas √† limita√ß√£o dos nascimentos, consentem que a fome, a mis√©ria e a guerra persistam at√© ao fim dos tempos porque n√£o podem esquecer um texto, mal interpretado, do G√©nese. Os partid√°rios entusiastas do comunismo, tal como os seus maiores inimigos, preferem ver a ra√ßa humana exterminada pela radioactividade do que chegar a um compromisso com o mal –

Continue lendo…

O Vício do Exagero

Hoje, no caf√©, aqui-del-rei que eu exagero, aqui-del-rei que conto uma anedota e a anedota sai da minha boca transfigurada. Aqui-del-rei que descrevo um indiv√≠duo e ponho bigodes de pol√≠cia onde havia somente uma discreta penugem. √Č certo, exagero. Come√ßo a pintar um bot√£o, e √© capaz de me sair o cosmos.

A emoção não pode crescer, nem ser imitada; ela representa a semente, a obra de arte representa o botão.

A Délia

Cuidas tu que a rosa chora,
Que é tamanha a sua dor,
Quando, j√° passada a aurora,
O Sol, ardente de amor,
Com seus beijos a devora?
РFeche virgíneo pudor
O que inda é botão agora
E amanh√£ h√°-de ser flor;
Mas ela é rosa nesta hora,
Rosa no aroma e na cor.

– Para amanh√£ o prazer
Deixe o que amanh√£ viver.
Hoje, Délia, é nossa a vida;
Amanh√£… o que h√°-de ser?
A hora de amor perdida
Quem sabe se h√°-de volver?
N√£o desperdices, querida,
A duvidar e a sofrer
O que é mal gasto da vida
Quando o n√£o gasta o prazer.

A Alvorada do Amor

Um horror grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Ad√£o, vendo fechar-se a porta do √Čden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:

“Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Aben√ß√īo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as l√°grimas do rosto!

Vê! tudo nos repele! a toda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indigna√ß√£o…
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tuf√£o de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulc√Ķes, encrespa a √°gua dos rios;
As estrelas est√£o cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o c√©u…

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o ch√£o; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;

Continue lendo…

Deus sussurra a n√≥s na sa√ļde e prosperidade, mas, sendo maus ouvintes, deixamos de ouvir a voz de Deus. Ent√£o Ele gira o bot√£o do amplificador por meio do sofrimento. A√≠ ent√£o ouvimos o ribombar da Sua voz.

A Gentil Camponesa

MOTE

Tu és pura e imaculada,
Cheia de graça e beleza;
Tu és a flor minha amada,
√Čs a gentil camponesa.

GLOSAS

√Čs tu que n√£o tens maldade,
√Čs tu que tudo mereces,
√Čs, sim, porque desconheces
As podrid√Ķes da cidade.
Vives aí nessa herdade,
Onde tu foste criada,
Aí vives desviada
Deste viver de ilus√£o:
√Čs como a rosa em bot√£o,
Tu és pura e imaculada.

√Čs tu que ao romper da aurora
Ouves o cantor alado…
Vestes-te, tratas do gado
Que há-de ir tirar água à nora;
Depois, pelos campos fora,
√Č grande a tua pureza,
Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça,
Exposta ao sol e descalça,
Cheia de graça e beleza.

Teus l√°bios nunca pintaste,
√Čs linda sem tal veneno;
Toda tu cheiras a feno
Do campo onde trabalhaste;
√Čs verdadeiro contraste
Com a tal flor delicada
Que só por muito pintada
Nos poder√° parecer bela;
Mas tu brilhas mais do que ela,
Tu és a flor minha amada.

Continue lendo…

Benção

Quando, por uma lei da vontade suprema,
O Poeta vem a luz d’este mundo insofrido
A desolada mãe, numa crise de blasfêmia,
Pragueja contra Deus, que a escuta comovido:

‚ÄĒ “Antes eu procriasse uma serpe infernal!
Do que ter dado vida a um disforme aleij√£o!
Maldita seja a noite em que o prazer carnal
Fecundou no meu ventre a minha expiação!

J√° que fui a mulher destinada, Senhor,
A tornar infeliz quem a si me ligou,
E n√£o posso atirar ao fogo vingador
O fatal embri√£o que meu sangue gerou.

Vou fazer recair o meu ódio implacável
No monstro que nasceu das tuas maldi√ß√Ķes
E saberei torcer o arbusto miser√°vel
De modo que n√£o vingue um s√≥ dos seus bot√Ķes!”

E sobre Deus cuspindo a sua m√°goa ingente
Ignorando a razão dos desígnios do Eterno,
A tresloucada m√£e condena, inconsciente,
A sua pobre alma às fogueiras do inferno.

Bafeja a luz do sol o fruto malfadado,
Vela pelo inocente um anjo peregrino;
A água que ele bebe é um néctar perfumado,
O pão é um manjar saboroso,

Continue lendo…

T√£o Simples Este Amor

T√£o simples este amor nasceu… N√≥s nem notamos
que era amor e afei√ß√£o que aos poucos nos prendia…
O amor, Рé aquela flor que engrinalda dois ramos
aos esponsais de luz do sol de cada dia!

Dois ramos, – eu e tu, – e as horas desfolhamos
numa doce, irrequieta e impensada alegria,
– e assim vamos vivendo, e a viver, acenamos
sonhos verdes aos céus azuis da fantasia!

T√£o simples este amor nasceu… Tal como nasce
um beijo em tua boca, um riso em tua face,
uma estrela no c√©u… ou uma flor de um bot√£o.. .

Nem era necess√°rio mesmo eu te falar,
se j√° o tens transformado em luz no teu olhar,
e eu, já o sinto a cantar, dentro do coração!

Os bot√Ķes do Mac OS s√£o t√£o bem-feitos que voc√™ vai querer lamb√™-los.

Poema para Galileo

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… Eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
est√° guardado um dedo da tua m√£o direita num relic√°rio.
Palavra de honra que est√°!
As voltas que o mundo d√°!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calend√°rio.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milh√Ķes de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar ‚Äď que disparate, Galileo!
‚Äď e jurava a p√©s juntos e apostava a cabe√ßa
sem a menor hesita√ß√£o ‚Äď
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados s√£o.

Continue lendo…

Os Mesmos Erros

Mesmo um exame superficial da hist√≥ria revela que n√≥s, seres humanos, temos uma triste tend√™ncia para cometer os mesmos erros repetidas vezes. Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de n√≥s. Quando ficamos assustados, come√ßamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam. Temos bot√Ķes de f√°cil acesso que, quando carregamos neles, libertam emo√ß√Ķes poderosas. Podemos ser manipulados at√© extremos de insensatez por pol√≠ticos espertos. D√™em-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestion√°vel paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer – mesmo coisas que sabemos serem erradas.

P√°gina Triste

H√° muita dor por este mundo a fora
Muita lágrima à toa derramada;
Muito pranto de m√£e angustiada
Que vem saudar o despontar da aurora!

Alma inocente só de amor cercada
A criancinha a soluçar descora,
Talvez no berço onde o menino chora
Também, oh Dor, tu queiras, desolada,

Erguer um trono, procurar guarida…
Foge do berço! Não magoes a vida
D’esta ave implume, lirial bot√£o…

Queres um ninho, um carinhoso abrigo?
Pois bem! Procura-o neste seio amigo,
Dentro em minh’alma, aqui no cora√ß√£o!

Miseria Occulta

Bate nos vidros a aurora,
Vem depois a noute escura;
E o pobre astro que ali móra,
N√£o abandona a costura!

Para uns a vida √© d’abrolhos!
Para outros mouta de lyrios!
Bem o revelam seus olhos,
Pisados pelos martyrios!

Miseria afugenta tudo!
Miseria tem dons funestos!
Quem é que gaba o velludo
D’aquelles olhos honestos!…

Ninguem seus olhos brilhantes
Descobre n’essas alturas…
E aquellas formas t√£o puras,
E aquellas m√£os elegantes!

Sempre √° costura inclinada!
Morra o sol ou surja a lua
Nunca vi descer √° rua
Aquella loura encantada!

Aquelle lyrio dobrado
Por que assim vive escondido!
Eu bem sei!–n√£o tem cal√ßado!
E é muito usado o vestido!

Por isso n√£o tem porvir
Morrer√° virgem e nova,
E aguarda-a bem cedo a cova…
Que eu bem a ouço tossir!

Miseria afugenta tudo!
Miseria tem dons funestos!
Quem é que gaba o veludo
D’aquelles olhos honestos!

Pobre flor desfalecida
T√£o nova e ainda em bot√£o!
Como teve estreita a vida,

Continue lendo…