Passagens sobre Choro

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As M√£es?

Fossem estes dias uma fonte que
brotasse.
Manchas de azul, um rasto de neve em pleno céu,
colmeias,
mel, uma exaltação de asas.

Mas é assim:
metais que revestem a pele e as armaduras,
bronze, ferro, formas que perduram, malhas, ameaçados
tecidos que nos moldam ‚ÄĒ
quem borda ainda,
quem se atreve √† min√ļcia das rendas?

As m√£es?
elas vinham cedo, eram como um rumor de levadas,
atravessando as terras.
Eram as mesmas m√£os trabalhando sedas, afagos e
uma conspiração de cores e agulhas frias,
mães de silêncio bordando a treva e o sono, a longa
noite dos filhos.

Herdei uma beleza amarga,
o temor das sombras, dos rel√Ęmpagos que embatiam
na inf√Ęncia,
no dorso das colinas,
no coração mais triste.

Um estrondo de muralhas, diques, batalhas que
deflagram,
uma ciência aterradora:
não quero outra véspera de espadas, a coroação do
sangue,
patíbulos onde a cabeça se expande,
rolando como a poeira e os astros,
repercutindo como um sino no choro das m√£es.

N√£o quero um bordado de horas antigas,

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A Pris√£o do Orgulho

Choro, metido na masmorra
do meu nome.
Dia após dia, levanto, sem descanso,
este muro à minha volta;
e à medida que se ergue no céu,
esconde-se em negra sombra
o meu ser verdadeiro.

Este belo muro
é o meu orgulho,
que eu retoco com cal e areia
para evitar a mais leve fenda.

E com este cuidado todo,
perco de vista
o meu ser verdadeiro.

Tradu√ß√£o de Manuel Sim√Ķes

Remorso

√Äs vezes uma dor me desespera…
Nestas √Ęnsias e d√ļvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explos√£o sincera…
Ah ! Mais cem vidas ! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando !

Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,
M√°rtir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que n√£o tive por tolice,
Por timidez o que sofrer n√£o pude,
E por pudor os versos que n√£o disse!

O tempo tenta sequestrar meu sorriso, mas resisto como uma criança com medo da mãe ao ralar o joelho. Engulo o choro, para não doer mais.

Doente

A lua veio… foi-se… e em breve ainda,
H√° de voltar, a doce lua amada,
Sem que eu a veja, a minha fada linda,
Sem que eu a veja, a minha boa fada.

Ela há de vir, Ofélia desmaiada,
Sob as nuvens do céu na alvura infinda
Do seu branco roup√£o, noiva gelada,
Boiando à flor de um rio que não finda.

Ela h√° de vir, sem que eu a veja… Entanto,
Com que tristezas e saudoso encanto
Choro estas noites que passando v√£o…

√ď lua! mostra-me o teu rosto ameno:
Olha que murcha à falta de sereno
O lírio roxo do meu coração!

Falando com o Mondego Estando Saudoso

Como é, Mondego, igual ao nascimento
O meu choro ao que a ti te desempenha;
Pois se o teu pranto nasce duma penha,
De um penhasco se causa o meu lamento.

Tu do mal, que padeço, estás isento,
Porque abrandas chorado a tosca brenha,
Mas Fillis mais que serra me desdenha,
Quando as ruas correntes acrescento.

Se pois a serra dura tanto zela
O teu chorar, que o √°spero desterra,
E o meu pranto endurece a Fillis bela;

Por teres mais alivio, ou menos guerra
Chora tu, pois na serra tens estrela,
Eu n√£o, que sem estrela amo uma serra.

O Lamento Das Coisas

Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ou√ßo, em sons subterr√Ęneos, do Orbe oriundos,
O choro da Energia abandonada!

√Č a dor da For√ßa desaproveitada
РO cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milh√Ķes de mundos,
jazem ainda na est√°tica do Nada!

√Č o solu√ßo da forma ainda imprecisa…
Da transcend√™ncia que se n√£o realiza…
Da luz que n√£o chegou a ser lampejo…

E é em suma, o subconsciente ai formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!

Choro De Vagas

Não é de águas apenas e de ventos,
No rude som, formada a voz do Oceano.
Em seu clamor Рouço um clamor humano;
Em seu lamento – todos os lamentos.

S√£o de n√°ufragos mil estes acentos,
Estes gemidos, este aiar insano;
Agarrados a um mastro, ou t√°bua, ou pano,
Vejo-os varridos de tuf√Ķes violentos;

Vejo-os na escurid√£o da noite, aflitos,
Bracejando ou já mortos e de bruços,
Largados das mar√©s, em ermas plagas…

Ah! que s√£o deles estes surdos gritos,
Este rumor de preces e soluços
E o choro de saudades destas vagas!

Hino À Dor

Dor, sa√ļde dos seres que se fanam,
Riqueza da alma, psíquico tesouro,
Alegria das gl√Ęndulas do choro
De onde todas as l√°grimas emanam..

√Čs suprema! Os meus √°tomos se ufanam
De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro
Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro
De que as próprias desgraças se engalanam!

Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstrato.
Com os corp√ļsculos m√°gicos do tacto
Prendo a orquestra de chamas que executas…

E, assim, sem convuls√£o que me alvorece,
Minha maior ventura é estar de posse
De tuas claridades absolutas!

C√Ęntico da Noite

Sumiu-se o sol esplêndido
Nas vagas rumorosas!
Em trevas o crep√ļsculo
Foi desfolhando as rosas!
Pela ampla terra alargar-se
Calada solid√£o!
Parece o mundo um t√ļmulo
Sob estrelado manto!
Alabastrina l√Ęmpada,
L√° sobe a lua! Entanto
Gemidos d‚Äôaves l√ļgubres
Soando a espaços vão!
Hora dos melancólicos,
Saudosos devaneios!
Hora que aos gostos íntimos
Abres os castos seios!
Infunde em nossos √Ęnimos
Inspiração da fé!
De noite, se um revérbero
De Deus nos alumia,
Destila-se de l√°grimas
A prece, a profecia!
A alma elevada em êxtase
Terrena já não é!
Antes que o sono t√°cito
Olhos nos cerre, e os sonhos
Nos tomem no seu vórtice,
J√° rindo, e j√° medonhos,
Hora dos céus, conserva-me
No extinto e no porvir.
Onde os que amei? sumiram-se.
Onde o que eu fui? deixou-me.
Deles, só vãs memórias;
De mim, só resta um nome:
No abismo do pretérito
Desfez-se choro e r√ļy
Desfez-se! e quantas l√°grimas
Brotaram de alegrias! Desfez-se!
e quantos j√ļbilos
Nasceram de agonias!

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Sabedoria I, III

Que dizes, viajante, de esta√ß√Ķes, pa√≠ses?
Colheste ao menos tédio, já que está maduro,
Tu, que vejo a fumar charutos infelizes,
Projectando uma sombra absurda contra o muro?

Também o olhar está morto desde as aventuras,
Tens sempre a mesma cara e teu luto é igual:
Como através dos mastros se vislumbra a lua,
Como o antigo mar sob o mais jovem sol,

Ou como um cemit√©rio de t√ļmulos recentes.
Mas fala-nos, vá lá, de histórias pressentidas,
Dessas desilus√Ķes choradas plas correntes,
Dos nojos como insípidos recém-nascidos.

Fala da luz de g√°s, das mulheres, do infinito
Horror do mal, do feio em todos os caminhos
E fala-nos do Amor e também da Política
Com o sangue desonrado em m√£os sujas de tinta.

E sobretudo não te esqueças de ti mesmo,
Arrastando a fraqueza e a simplicidade
Em lugares onde h√° lutas e amores, a esmo,
De maneira t√£o triste e louca, na verdade!

Foi já bem castigada essa inocência grave?
Que achas? √Č duro o homem; e a mulher? E os choros,
Quem os bebeu?

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Como Está Sereno o Céu

Como está sereno o céu,
como sobe mansamente
a Lua resplandecente
e esclarece este jardim!

Os ventos adormeceram;
das frescas √°guas do rio
interrompe o murm√ļrio
de longe o som de um clarim.

Acordam minhas ideias,
que abrangem a Natureza;
e esta nocturna beleza
vem meu estro incendiar.

Mas, se à lira lanço a mão,
apagadas esperanças
me apontam cruéis lembranças,
e choro em vez de cantar.

Surdina

No ar sossegado um sino canta,
Um sino canta no ar sombrio…
P√°lida, V√™nus se levanta…
Que frio!

Um sino canta. O campan√°rio
Longe, entre n√©voas, aparece…
Sino, que cantas solit√°rio,
Que quer dizer a tua prece?

Que frio! embuçam-se as colinas;
Chora, correndo, a √°gua do rio;
E o céu se cobre de neblinas.
Que frio!

Ningu√©m… A estrada, ampla e silente,
Sem caminhantes, adormece…
Sino, que cantas docemente,
Que quer dizer a tua prece?

Que medo p√Ęnico me aperta
O coração triste e vazio!
Que esperas mais, alma deserta?
Que frio!

J√° tanto amei! j√° sofri tanto!
Olhos, por que inda estais molhados?
Por que é que choro, a ouvir-te o canto,
Sino que dobras a finados?

Trevas, caí! que o dia é morto!
Morre também, sonho erradio!
A morte √© o √ļltimo conforto…
Que frio!

Pobres amores, sem destino,
Soltos ao vento, e dizimados!
Inda vos choro… E, como um sino,
Meu coração dobra a finados.

E com que m√°goa o sino canta,

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Com Grandes Esperanças Já Cantei

Com grandes esperanças já cantei,
com que os deuses no Olimpo conquistara;
despois vim a chorar porque cantara
e agora choro j√° porque chorei.

Se cuido nas passadas que j√° dei,
custa me esta lembrança só tão cara
que a dor de ver as m√°goas que passara
tenho pola mor m√°goa que passei.

Pois logo, se est√° claro que um tormento
d√° causa que outro n’alma se acrescente,
j√° nunca posso ter contentamento.

Mas esta fantasia se me mente?
Oh! ocioso e cego pensamento!
Ainda eu imagino em ser contente?

Dispers√£o

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
√Č com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na √Ęnsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida…

Para mim é sempre ontem,
N√£o tenho amanh√£ nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é familia,
√Č bem-estar, √© singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem familia).

O pobre mo√ßo das √Ęnsias…
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas √Ęnsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho,

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O que Poder√° Ver quem j√° da Vista Cegou?

Ante Sintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n’√°gua salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amaram
como males lhe causaram
este bem, que nunca fora,
pois foi o que n√£o cuidarom.

A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ele t√£o mal merecia.
Sendo de pouca idade,
n√£o se ver tanto sentiam
que o dia que n√£o se viam,
se via na saudade
o que ambos se queriam.

Algumas horas falavam,
andando o gado pascendo;
e ent√£o se apascentavam
os olhos, que, em se vendo,
mais famintos lhe ficavam.
E com quanto era Maria
pequena e, tinha cuidado
de guardar melhor o gado
o que lhe Crisfal dizia;
mas, em fim, foi mal guardado;

Que, depois de assim viver
nesta vida e neste amor,
depois de alcançado ter
maior bem pera mor dor,
em fim se houve de saber
por Joana,

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A Devida Educação

Das coisas que mais custa ver é uma pessoa inteligente e criativa, quando nos está a contar uma opinião ou um acontecimento, ser diminuída pela falta de vocabulário Рou de outra coisa facilmente aprendida pela educação.
A distribuição humana de inteligência, graça, sensibilidade, sentido de humor, originalidade de pensamento e capacidade de expressão é independente da educação ou do grau de instrução. Em Portugal e, ainda mais, no mundo, onde as oportunidades de educação são muito mais desiguais, logo injustamente, distribuídas, é não só uma tragédia como um roubo.
Rouba-se mais aos que n√£o falam nem escrevem com os meios t√©cnicos de que precisam. Mas tamb√©m s√£o roubados aqueles, adequadamente educados, que n√£o podem ouvir ou ler os milh√Ķes de pessoas que s√≥ n√£o conseguem dizer plenamente o que querem, porque n√£o t√™m as ferramentas que t√™m as pessoas mais novas, com mais sorte.
Mete nojo a ideia de a educação ser uma coisa que se dá. Que o Estado ou o patrão oferece. Não é assim. A educação, de Platão para a frente, é mais uma coisa que se tira. Não educar é negativamente positivo: é como vendar os olhos ou cortar a língua.
O meu pai,

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