Passagens sobre Conduta

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Crítica e Auto-Crítica

Assim como o homem carrega o peso do pr√≥prio corpo sem o sentir, mas sente o de qualquer outro corpo que quer mover, tamb√©m n√£o nota os pr√≥prios defeitos e v√≠cios, mas s√≥ os dos outros. Entretanto, cada um tem no seu pr√≥ximo um espelho, no qual v√™ claramente os pr√≥prios v√≠cios, defeitos, maus h√°bitos e repugn√Ęncias de todo o tipo. Por√©m, na maioria da vezes, faz como o c√£o, que ladra diante do espelho por n√£o saber que se v√™ a si mesmo, crendo ver outro c√£o.
Quem critica os outros trabalha em prol da sua pr√≥pria melhoria. Portanto, quem tem a inclina√ß√£o e o h√°bito de submeter secretamente a conduta dos outros, e em geral tamb√©m as suas ac√ß√Ķes e omiss√Ķes, a uma atenta e severa cr√≠tica, trabalha na verdade em prol da pr√≥pria melhoria e do pr√≥prio aperfei√ßoamento, pois possui o suficiente de justi√ßa, ou de orgulho e vaidade, para evitar o que ami√ļde censura com tanto rigor.

A Sabedoria é a Nossa Salvação

A nossa cultura √© hoje muito superficial, e os nossos conhecimentos s√£o muito perigosos, j√° que a nossa riqueza em mec√Ęnica contrasta com a pobreza de prop√≥sitos. O equil√≠brio de esp√≠rito que haur√≠amos outrora na f√© ardente, j√° se foi: depois que a ci√™ncia destruiu as bases sobrenaturais da moralidade o mundo inteiro parece consumir-se num desordenado individualismo, reflector da ca√≥tica fragmenta√ß√£o do nosso car√°cter.

Novamente somos defrontados pelo problema atormentador de S√≥crates: como encontrar uma √©tica natural que substitua as san√ß√Ķes sobrenaturais j√° sem influ√™ncia sobre a conduta do homem? Sem filosofia, sem esta vis√£o de conjunto que unifica os prop√≥sitos e estabelece a hierarquia dos desejos, malbaratamos a nossa heran√ßa social em corrup√ß√£o c√≠nica de um lado e em loucuras revolucion√°rias de outro; abandonamos num momento o nosso idealismo pac√≠fico para mergulharmos nos suic√≠dos em massa da guerra; vemos surgir cem mil pol√≠ticos e nem um s√≥ estadista; movemo-nos sobre a terra com velocidades nunca antes alcan√ßadas mas n√£o sabemos oara onde vamos, nem se no fim da viagem alcan√ßaremos qualquer esp√©cie de felicidade.
Os nossos conhecimentos destroem-nos. Embebedem-nos com o poder que nos d√£o. A √ļnica salva√ß√£o est√° na sabedoria.

As Discuss√Ķes Nunca S√£o Feitas de Boa F√©

S√≥ os ing√©nuos podem crer que uma discuss√£o visa resolver um problema ou esclarecer uma quest√£o dif√≠cil. Na realidade, a sua √ļnica justifica√ß√£o √© testar a capacidade de os participantes derrubarem o advers√°rio. O que est√° em jogo n√£o √© a verdade, mas o amor pr√≥prio. O bem falante leva a melhor sobre o que tartamudeia, o temer√°rio sobre o t√≠mido e o arrebatado sobre o escrupuloso. Estar de boa f√© equivale a potenciar as desvantagens, porquanto os escr√ļpulos se somam √† circunspec√ß√£o, dificultando a express√£o. O que √© a boa f√©? Uma conduta de fracasso, um aut√™ntico suic√≠dio… Quem participa em debates fala sem escutar, espezinha qualquer racioc√≠nio que n√£o seja conduzido por si pr√≥prio, despreza as oposi√ß√Ķes, ignora as obstruc√ß√Ķes e, de certo modo, conquista a vit√≥ria √† for√ßa de palavras.
Cultiva a má fé com o profissionalismo do jardineiro que cria uma planta venenosa cujo veneno possui suavidades tão profundas que quem o prova já não passa sem ele. Para dar melhor resultado, a má fé não deve ser demasiado subtil. Com efeito, o seu impacte não será suficiente para desnortear o outro, rápida e duradouramente. Nesta matéria, a subtileza não substitui a brutalidade que, não obstante a detestável fama em certos meios intelectuais,

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A arte de oprimir os povos foi-se modificando. A ambi√ß√£o sofreu grandes altera√ß√Ķes. Agora os homens usam de conte√ļdo cultural, violador de multid√Ķes na sua conduta; n√£o √© a for√ßa do bra√ßo nem o nome de fam√≠lia que alimentam o seu prest√≠gio – √© antes a energia duma convic√ß√£o que se imponha pela utilidade que prometem.

Mente ou Pedra

Esta cidade √© conhecida em todos os arredores por possuir as maiores estrebarias para bois, vacas e cavalos, constru√ß√Ķes que n√£o ficam a dever nada nem sequer aos edif√≠cios p√ļblicos; por outro lado contam-se aqui pelos dedos os locais onde se pode rezar ou discursar com total liberdade.
Em vez de se autocelebrarem por meio da arquitectura, n√£o deveriam as na√ß√Ķes faz√™-lo pelo poder do seu pensamento abstracto? O Bagavad-Gita √© muito mais admir√°vel do que todas as ru√≠nas do oriente. Torres e templos s√£o luxo de pr√≠ncipes. A mente simples e livre n√£o moureja sob as ordens de nenhum pr√≠ncipe. O esp√≠rito n√£o √© privil√©gio de nenhum imperador, nem s√£o exclusivos deste, a n√£o ser em insignificante medida, a prata, o ouro e o m√°rmore. Com que finalidade, digam-me l√°, se talha tanta pedra?
Quando estive na Arc√°dia, n√£o vi pedras a serem lavradas. As na√ß√Ķes s√£o possu√≠das pela louca ambi√ß√£o de perpetuarem a sua mem√≥ria com a soma das esculturas que deixam. Que tal se esfor√ßos semelhantes fossem despendidos no sentido de aperfei√ßoar e polir a sua conduta? Uma obra de bom senso seria mais memor√°vel que um momumento da altura da Lua. Prefiro contemplar as pedras no seu local de origem.

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Para Que Serve a Filosofia?

O leitor ocupado perguntar√° para que serve a filosofia. Pergunta vergonhosa, que n√£o fazemos √† po√©tica, essa outra constru√ß√£o imaginativa de um mundo mal conhecido. Se a poesia nos revela a beleza que os nossos olhos ineducados n√£o v√™em, e se a filosofia nos d√° os meios de compreender e perdoar, n√£o lhes pe√ßamos mais – isso vale todas as riquezas da Terra. A filosofia n√£o enche a nossa carteira, n√£o nos ergue √†s dignidades do Estado; √© at√© bastante descuidosa destas coisas. Mas de que vale engordar a carteira, subir a altos postos e permanecer na ignor√Ęncia ing√©nua, desapetrechado de esp√≠rito, brutal na conduta, inst√°vel no car√°cter, ca√≥tico nos desejos e cegamente infeliz?
A maturidade é tudo. Talvez que a filosofia nos dê, se lhe formos fiéis, uma sadia unidade de alma. Somos negligentes e contraditórios no nosso pensar; talvez ela possa classificar-nos, dar-nos coerência, libertar-nos da fé e dos desejos contraditórios.
Da unidade de espírito pode vir essa unidade de carácter e propósitos que faz a personalidade e dá ordem e dignidade à vida. Filosofia é conhecimento harmónico, criador da vida harmónica; é disciplina que nos leva à serenidade e à liberdade. Saber é poder, mas só a sabedoria é liberdade.

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A Desvantagem da Sabedoria

A sua inteligência estorvava-o. Que podia esperar da sabedoria e das suas cinco propriedades?
Primeiro, ele saberia como tratar os problemas dif√≠ceis ligados √† conduta humana e ao sentido da vida. Mas isso n√£o era priorit√°rio para ningu√©m, iam ach√°-lo desalmado e p√īr-lhe toda a esp√©cie de obst√°culos pela frente.
Segundo, a sabedoria exprime uma qualidade superior do conhecimento. Antecipa a avalia√ß√£o das situa√ß√Ķes, por tudo e nada reanima a aten√ß√£o dos outros com os seus conselhos. Depressa √© tratada como importuna e ter√° que recuar ao abrigo da frivolidade.
Terceiro, a sabedoria √© moderada e v√™ as coisas em profundidade. √Č, portanto, inimiga do ju√≠zo f√°cil e das paix√Ķes que s√£o requestadas para dar emo√ß√£o √†s exist√™ncias f√ļteis e cinzentas.
Quarto, a sabedoria é exercida tendo em vista o bem-estar da humanidade. Tem, por isso, mau nome em qualquer publicidade que faz vender produtos de grande lucro, como a guerra, o amor e as máquinas.
Quinto, finalmente: a sabedoria é reconhecida como valor estável pela maioria da população, o que é nocivo para o envolvimento dessa mesma população em qualquer campanha, seja de poder ou de ganho de negócios.
Enfim, ele teria que formar-se e esquecer os seus sonhos de grandeza,

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Amar contém ensinamentos que aperfeiçoam a conduta humana, desenvolvem os mais nobres sentimentos, e purificam o espírito.

O Conflito entre o Conhecimento e a Fé

Durante o √ļltimo s√©culo, e parte do s√©culo anterior, era largamente aceite a exist√™ncia de um conflito irreconcili√°vel entre o conhecimento e a f√©. Entre as mentes mais avan√ßadas prevaleceu a opini√£o de que estava na altura de a f√© ser substitu√≠da gradualmente pelo conhecimento; a f√© que n√£o assentasse no conhecimento era supersti√ß√£o e como tal deveria ser reprimida (…)
O ponto fraco desta concep√ß√£o √©, contudo, o de que aquelas convic√ß√Ķes que s√£o necess√°rias e determinantes para a nossa conduta e julgamentos n√£o se encontram unicamente ao longo deste s√≥lido percurso cient√≠fico. Porque o m√©todo cient√≠fico apenas pode ensinar-nos como os factos se relacionam, e s√£o condicionados, uns com os outros. A aspira√ß√£o a semelhante conhecimento objectivo pertence ao que de mais elevado o homem √© capaz, e ningu√©m suspeitar√° certamente de que desejo minimizar os resultados e os esfor√ßos her√≥icos do homem nesta esfera. Por√©m, √© igualmente claro que o conhecimento do que √© n√£o abre directamente a porta para o que deveria ser. Podemos ter o mais claro e mais completo conhecimento do que √© e, contudo, n√£o ser capazes de deduzir da√≠ qual deveria ser o objectivo das nossas aspira√ß√Ķes humanas. O conhecimento objectivo fornece-nos instrumentos poderosos para a realiza√ß√£o de determinados fins,

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A velha fábula de Prometeu que roubou o fogo do céu para comer os cadáveres dos animais cozinhados, eis a base em que assenta toda a errónea conduta da humanidade.

Convic√ß√Ķes Temporais

Quando os homens tomarem consci√™ncia de que o tempo deitou por terra muitas convic√ß√Ķes pelas quais lutaram, talvez ent√£o acreditem, mais ainda do que acreditam nos verdadeiros fundamentos da sua conduta, que a melhor maneira de alcan√ßar o bem √ļltimo desejado √© a livre troca de ideias – que o melhor teste da verdade reside na for√ßa que o pensamento tem para se fazer aceitar na competi√ß√£o do mercado, e que a verdade √© a √ļnica base em que se podem seguramente concretizar os desejos.

A Ligação das Ideias

√Č a liga√ß√£o das ideias que sustenta todo o edif√≠cio do entendimento humano. Sem ela, o prazer e a dor seriam sentimentos isolados, sem efeito, t√£o cedo esquecidos quanto sentidos. Os homens sem ideias gerais e princ√≠pios universais, isto √©, os homens ignorantes e embrutecidos, n√£o agem sen√£o segundo as ideias mais vizinhas e mais imediatamente unidas. Negligenciam as rela√ß√Ķes distantes, e essas ideias complicadas, que s√≥ se apresentam ao homem fortemente apaixonado por um objecto, ou aos esp√≠ritos esclarecidos. A luz da aten√ß√£o dissipa no homem apaixonado as trevas que cercam o vulgar. O homem instru√≠do, acostumado a percorrer e a comparar rapidamente um grande n√ļmero de ideias e de sentimentos opostos, tira do contraste um resultado que constitui a base da sua conduta, desde ent√£o menos incerta e menos perigosa.

O Sentimento Religioso Profundo da Ciência

Falando do esp√≠rito que anima as investiga√ß√Ķes cient√≠ficas modernas, sou da opini√£o de que todas as brilhantes especula√ß√Ķes no reino da ci√™ncia nascem de um sentimento religioso profundo e de que sem esse sentimento elas n√£o seriam frutuosas. Tamb√©m acredito que este tipo de religiosidade que hoje em dia se faz sentir na investiga√ß√£o cient√≠fica √© a √ļnica actividade religiosa criativa do nosso tempo. A arte contempor√Ęnea dificilmente pode ser encarada como um meio de express√£o dos nossos instintos religiosos (…) Mas o conte√ļdo da pr√≥pria teoria cient√≠fica n√£o oferece qualquer fundamento moral no que respeita √† conduta pessoal.

A Hipocrisia do Conselho

Nada é mais hipócrita do que pedir ou dar conselhos. Quem pede, parece ter um respeito venerando pelos sentimentos do amigo a quem os pede, mas, no fundo, quer é fazer aprovar os sentimentos próprios e, assim, tornar o outro responsável pela sua conduta. Por outro lado, o que presta os conselhos retribui a confiança que lhe é dada, com um zelo ardente e desinteressado, apesar de, quase sempre, querer, através dos conselhos que dá, satisfazer os seus interesses ou a sua glória.

As Riquezas e as Honras

As riquezas e as honras s√£o objecto da ambi√ß√£o dos homens, mas se n√£o podem ser alcan√ßadas por meios rectos e honrados, cumpre renunciar a elas. A pobreza e as posi√ß√Ķes humildes merecem a avers√£o e o desprezo dos homens. Se delas n√£o se pode sair por meios rectos e honrados, √© mister neles permanecer. Se o homem abandona as virtudes humanit√°rias, como poder√° merecer o nome que tem?
O homem superior n√£o pode esquecer tais virtudes um momento que seja. Mesmo nas horas de maior apuro e confus√£o, deve pautar a sua conduta por elas.
Recuso-me a discutir com aquele que, pretendendo buscar a verdade, envergonha-se, ao mesmo tempo, de comer e vestir-se mal.

A Verdadeira Natureza Humana

A humildade fica perto da disciplina moral; a simplicidade de carácter fica perto da verdadeira natureza humana; e a lealdade fica perto da sinceridade de coração. Se um homem cultivar cuidadosamente essas coisas na sua conduta, não estará longe do padrão da verdadeira natureza humana. Com a humildade, ou uma atitude piedosa, um homem raramente comete erros; com a sinceridade de coração, um homem é geralmente digno de confiança; e com a simplicidade de carácter é comummente generoso. Cometerá poucos erros.

O Descontentamento Consigo Próprio

O caso √© o mesmo em todos os v√≠cios: quer seja o daqueles que s√£o atormentados pela indol√™ncia e pelo t√©dio, sujeitos a contantes mudan√ßas de humor, quer o daqueles a quem agrada sempre mais aquilo que deixaram para tr√°s, ou dos que desistem e caem na indol√™ncia. Acrescenta ainda aqueles que em nada diferem de algu√©m com um sono dif√≠cil, que se vira e revira √† procura da posi√ß√£o certa, at√© que adormece de t√£o cansado que fica: mudando constantemente de forma de vida, permanecem naquela ¬ęnovidade¬Ľ at√© descobrirem n√£o o √≥dio √† mudan√ßa, mas a pregui√ßa da velhice em rela√ß√£o √† novidade. Acrescenta ainda os que nunca mudam, n√£o por const√Ęncia, mas por in√©rcia, e vivem n√£o como desejam, mas como sempre viveram. As caracter√≠sticas dos v√≠cios s√£o, pois, inumer√°veis, mas o seu efeito apenas um: o descontentamento consigo pr√≥prio.
Este descontentamento tem a sua origem num desequil√≠brio da alma e nas aspira√ß√Ķes t√≠midas ou menos felizes, quando n√£o ousamos tanto quanto desej√°vamos ou n√£o conseguimos aquilo que pretend√≠amos, e ficamos apenas √† espera. √Č a inevit√°vel condi√ß√£o dos indecisos, estarem sempre inst√°veis, sempre inquietos. Tentam por todas as vias atingir aquilo que desejam, entregam-se e sujeitam-se a pr√°ticas desonestas e √°rduas,

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N√£o se pode conseguir uma paz verdadeira, se se basear a conduta na eventualidade dum futuro conflito.

A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada n√£o apenas como dor, mas tamb√©m como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuport√°vel; mas tamb√©m aceit√°-la desportivamente, como um obst√°culo que n√£o nos intimidar√° nem nos arrastar√° para uma ira cega, e ent√£o n√£o √© raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, por√©m, o que aconteceu foi apenas que integr√°mos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em fun√ß√£o disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fen√≥meno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conte√ļdo, mediante a sua inser√ß√£o numa cadeia de ac√ß√Ķes consequentes, produz-se em todos os indiv√≠duos que n√£o o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio √† sua capacidade intelectual.
Tamb√©m ele ser√° mais superficialmente afectado nas suas emo√ß√Ķes pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se v√™ como sinal de intelig√™ncia superior num pugilista √© visto como frieza e insensibilidade em pessoas que n√£o sabem de boxe e nas quais isso se deve √† sua inclina√ß√£o para uma determinada forma de vida intelectual.

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