Passagens sobre Confiss√£o

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Frases sobre confiss√£o, poemas sobre confiss√£o e outras passagens sobre confiss√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Da verdade do amor

Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confiss√Ķes
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufr√°gios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

n√£o se deve explicar demasiado cedo
atr√°s das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

Maus Tratos

Por v√°rias vezes nos chegaram aos ouvidos as not√≠cias de maus tratos. Resolvemo-nos, um dia, a tirar o caso a limpo e a fazer observar por m√©dicos de confian√ßa aqueles que se queixavam desses maus tratos. Devo dizer-lhe que se chegou √† conclus√£o de que os presos mentiam, para tirar efeitos pol√≠ticos, na maioria dos casos, mas quero dizer-lhe, tamb√©m, realmente, que algumas vezes falavam verdade. √Č claro que eram tomadas sempre, em casos desses, imediatas provid√™ncias, e foi essa a raz√£o de se terem dado algumas altera√ß√Ķes nos quadros da Pol√≠cia. Atribuir a responsabilidade, portanto, ao Governo desses maus tratos √© prova de ignor√Ęncia ou de m√°-f√©.
(…) No entanto, chegou-se √† conclus√£o de que os presos maltratados eram sempre, ou quase sempre, tem√≠veis bombistas que se recusavam a confessar, apesar de todas as habilidades da Pol√≠cia, onde tinham escondidas as suas armas criminosas e mortais. S√≥ depois de empregar esses meios violentos √© que eles se decidiam a dizer a verdade. E eu pergunto a mim pr√≥prio, continuando a reprimir tais abusos, se a vida de algumas crian√ßas e de algumas pessoas indefesas n√£o vale bem, n√£o justifica largamente, meia d√ļzia de safan√Ķes a tempo nessas criaturas sinistras…

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A Elvira

(Lamartine)

Quando, contigo a sós, as mãos unidas,
Tu, pensativa e muda; e eu, namorado,
√Äs vol√ļpias do amor a alma entregando,
Deixo correr as horas fugidias;
Ou quando ‚Äėas solid√Ķes de umbrosa selva
Comigo te arrebato; ou quando escuto
‚ÄĒT√£o s√≥ eu, ‚ÄĒ teus tern√≠ssimos suspiros;
E de meus l√°bios solto
Eternas juras de const√Ęncia eterna;
Ou quando, enfim, tua adorada fronte
Nos meus joelhos trêmulos descansa,
E eu suspendo meus olhos em teus olhos,
Como às folhas da rosa ávida abelha;
Ai, quanta vez ent√£o dentro em meu peito
Vago terror penetra, como um raio!
Empalideço, tremo;
E no seio da glória em que me exalto,
L√°grimas verto que a minha alma assombram!
Tu, carinhosa e trêmula,
Nos teus bra√ßos me cinges, ‚ÄĒ e assustada,
Interrogando em v√£o, comigo choras!
‚ÄúQue dor secreta o cora√ß√£o te oprime?‚ÄĚ
Dizes tu, ‚ÄúVem, confia os teus pesares…
Fala! eu abrandarei as penas tuas!
Fala! Eu consolarei tua alma aflita.‚ÄĚ

Vida do meu viver, n√£o me interrogues!
Quando enlaçado nos teus níveos braços*
A confissão de amor te ouço,

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N√£o Creio nesse Deus

I

Não sei se és parvo se és inteligente
‚ÄĒ Ao disfrutares vida de nababo
Louvando um Deus, do qual te dizes crente,
Que te livre das garras do diabo
E te faça feliz eternamente.

II

N√£o v√™s que o teu bem-estar faz d’outra gente
A dor, o sofrimento, a fome e a guerra?
E tu n√£o queres p’ra ti o c√©u e a terra..
‚ÄĒ N√£o te achas ego√≠sta ou exigente?

III

N√£o creio nesse Deus que, na igreja,
Escuta, dos beatos, confiss√Ķes;
N√£o posso crer num Deus que se maneja,
Em troca de promessas e ora√ß√Ķes,
P’ra o homem conseguir o que deseja.

IV

Se Deus quer que vivamos irm√£mente,
Quem cumpre esse dever por que receia
As iras do divino padre eterno?…
P’ra esses √© o c√©u; porque o inferno
√Č p’ra quem vive a vida √† custa alheia!

Um homem nunca deveria ter vergonha de confessar que errou, pois na verdade é como dizer, por outras palavras, que hoje ele é mais sábio do que foi ontem.

A Minha Felicidade Resume-se a Isto

Um dos poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que ainda resta de intelectual na humanidade √© a leitura de romances policiais. Entre o n√ļmero √°ureo e reduzido das horas felizes que a Vida deixa que eu passe, conto por do melhor ano aquelas em que a leitura de Conan Doyle ou de Arthur Morrison me pega na consci√™ncia ao colo.
Um volume de um destes autores, um cigarro de 45 ao pacote, a ideia de uma ch√°vena de caf√© ‚ÄĒ trindade cujo ser-uma √© o conjugar a felicidade para mim ‚ÄĒ resume-se nisto a minha felicidade. Seria pouco para muitos, a verdade √© que n√£o pode aspirar a muito mais uma criatura com sentimentos intelectuais e est√©ticos no meio europeu actual.
Talvez seja para os senhores como que causa de pasmo, n√£o o eu ter estes por meus autores predilectos ‚ÄĒe de quarto de cama, mas o eu confessar que nesta conta pessoal assim os tenho.

O avarento chama pródigo ao liberal; o covarde temerário ao valente; o distraído hipócrita ao modesto; e cada um condena o que não tem, por não confessar o que lhe falta.

Luto por uma Novidade de Espírito

Procuro me manter isolada contra a agonia de viver dos outros, e essa agonia que lhes parece um jogo de vida e morte mascara uma outra realidade, t√£o extraordin√°ria essa verdade que os outros cairiam de espanto diante dela, como num esc√Ęndalo. Enquanto isso, ora estudam, ora trabalham, ora amam, ora crescem, ora se afanam, ora se alegram, ora se entristecem. A vida com letra mai√ļscula nada pode me dar porque vou confessar que tamb√©m eu devo ter entrado por um beco sem sa√≠da como os outros. Porque noto em mim, n√£o um bocado de fatos, e sim procuro quase tragicamente ser. √Č uma quest√£o de sobreviv√™ncia assim como a de comer carne humana quando n√£o h√° alimento. Luto n√£o contra os que compram e vendem apartamentos e carros e procuram se casar e ter filhos mas luto com extrema ansiedade por uma novidade de esp√≠rito. Cada vez que me sinto quase um pouco iluminada vejo que estou tendo uma novidade de esp√≠rito.
Minha vida é um reflexo deformado assim como se deforma num lago ondulante e instável o reflexo de um rosto. Imprecisão trémula. Como o que acontece com a água quando se mergulha a mão na água.

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O Serviço Militar Obrigatório

Deixem-me come√ßar com uma confiss√£o de f√© pol√≠tica: o Estado √© feito para o homem, n√£o o homem para o Estado. Isto √© igualmente verdade em ci√™ncia. Estas s√£o convic√ß√Ķes antigas pronunciadas por aqueles para quem o homem em si √© o valor humano mais alto. N√£o teria de repeti-las se n√£o fosse o facto de estarem constantemente em perigo de serem esquecidas, especialmente nos dias que correm, de standardiza√ß√£o e de estereotipia. Creio que a miss√£o mais importante do Estado √© a de proteger o indiv√≠duo e tornar poss√≠vel o desenvolvimento de uma personalidade criativa.
O Estado deve ser nosso servo; n√£o devemos ser escravos do Estado. O Estado viola este princ√≠pio quando nos for√ßa ao servi√ßo militar obrigat√≥rio, especialmente porque o objectivo e efeito de tal servid√£o √© matar pessoas de outras terras ou restringir-lhes a liberdade. De facto, somente devemos fazer sacrif√≠cios em nome do Estado se servirem o livre desenvolvimento do homem (…)
O nacionalismo, actualmente elevado a alturas excessivas, está, em minha opinião, intimamente associado à instituição do serviço militar obrigatório ou, utilizando um eufemismo, à milícia. Qualquer Estado que exija o serviço militar aos seus cidadãos é compelido a cultivar neles o espírito do nacionalismo,

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Tudo em nós é vaidade, fora a sincera confissão que fazemos perante Deus das nossas vaidades.

Carta (Esboço)

Lembro-me agora que tenho de marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências da vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei de que esse sítio podia
ser, até, um lugar sem nada de especial,
como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir de pretexto
para reflectir a alma, a impress√£o da tarde,
o √ļltimo estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, n√£o conseguimos dizer. √Č
que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação ;
mais exacta de dois seres, a n√£o ser que nos fale,
de s√ļbito, o sentido da despedida, e que cada um de n√≥s
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me pe√ßas: ¬ęVem comigo!¬Ľ, e devo dizer-te que muitas
vezes pensei em fazer isso mesmo,

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H√° ¬ęportas da consola√ß√£o¬Ľ que se devem ter sempre abertas, porque Jesus gosta de entrar por elas: o Evangelho lido todos os dias e trazido sempre connosco, a ora√ß√£o silenciosa e de adora√ß√£o, a Confiss√£o, a Eucaristia. Atrav√©s dessas portas, o Senhor entra e d√° um novo sabor a todas as coisas.

A Realidade em Coro

A realidade sempre me atraiu como um √≠man, torturando-me e hipnotizando-me, e eu queria captur√°-la no papel. Comecei ent√£o a apropriar-me imediatamente deste g√©nero de vozes humanas e confiss√Ķes, de evid√™ncias de testemunhas e documentos. Isto √© como eu vejo e ou√ßo o mundo – como um coro de vozes individuais e uma colagem de detalhes quotidianos. Desta forma, todo o meu potencial mental e emocional √© realizado em pleno. Desta forma eu posso ser, simultaneamente, uma escritora, uma jornalista, uma soci√≥loga, uma psic√≥loga e uma pregadora.

Devido ao amor-próprio, tem-se mais vergonha de um amigo, que de um indiferente, quando se tem de confessar humilhamentos, vexames de vaidade.

Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.