Cita√ß√Ķes sobre Conservadores

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Há apenas duas correntes na história humana: a torpeza que cria os conservadores e a inveja que cria os revolucionários.

Desastre

Ele ia numa maca, em √Ęnsias, contrafeito,
Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;
Caíra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.

A brisa que balouça as árvores das praças,
Como uma m√£e erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.

Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: “Homem n√£o desfale√ßa!”
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça,
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.

***
Findara honrosamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da prov√≠ncia, at√īnita, exclamava:
“Que provid√™ncias! Deus! L√° vai para o hospital!”

Por onde o morto passa h√° grupos, murmurinhos;
Mornas essências vêm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que n√£o entra o dia!

Um fidalgote brada e duas prostitutas:
“Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!”
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.

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Nunca se viu nação forte ser conservadora, nem nação sã ser imperialista. Quer impor-se quem não pode já transformar-se.

Os radicais inventam as ideias. Quando j√° as esgotaram de tanto uso, os conservadores adoptam-nas.

Opini√Ķes Influenciadas pelo Interesse

A maior parte das coisas pode ser considerada sob pontos de vista muito diferentes: interesse geral ou interesse particular, principalmente. A nossa aten√ß√£o, naturalmente concentrada sob o aspecto que nos √© proveitoso, impede que vejamos os outros. O interesse possui, como a paix√£o, o poder de transformar em verdade aquilo em que lhe √© √ļtil acreditar. Ele √©, pois, freq√ľentemente, mais √ļtil do que a raz√£o, mesmo em quest√Ķes em que esta deveria ser, aparentemente, o guia √ļnico. Em economia pol√≠tica, por exemplo, as convic√ß√Ķes s√£o de tal modo inspiradas pelo interesse pessoal que se pode, em geral, saber pr√©viamente, conforme a profiss√£o de um indiv√≠duo, se ele √© partid√°rio ou n√£o do livre c√Ęmbio.
As varia√ß√Ķes de opini√£o obedecem, naturalmente, √†s varia√ß√Ķes do interesse. Em mat√©ria pol√≠tica, o interesse pessoal constitui o principal factor. Um indiv√≠duo que, em certo momento, energicamente combateu o imposto sobre a renda, com a mesma energia o defender√° mais, se conta ser ministro. Os socialistas enriquecidos acabam, em geral, conservadores, e os descontentes de um partido qualquer se transformam facilmente em socialistas.
O interesse, sob todas as suas formas, n√£o √© somente gerador de opini√Ķes. Agu√ßado por necessidades muito intensas, ele enfraquece logo a moralidade.

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Conservadores n√£o s√£o necessariamente est√ļpidos, mas a maioria das pessoas est√ļpidas s√£o conservadoras.

Quem não é um liberal aos dezasseis anos é um insensível; quem não é um conservador aos sessenta é burro.

Muito me criticam por ter feito uma reavaliação da arte de vanguarda. Conservadora é a vanguarda, que tem nas mãos todos os prêmios oficiais. A vanguarda ampliou nosso campo de visão, mas chegou ao esgotamento.

A Consciência

A consci√™ncia √© a √ļltima fase da evolu√ß√£o do sistema org√Ęnico, por consequ√™ncia tamb√©m aquilo que h√° de menos acabado e de menos forte neste sistema. √Č do consciente que prov√©m uma multid√£o de enganos que fazem com que um animal, um homem, pere√ßam mais cedo do que seria necess√°rio, ¬ęa despeito do destino¬Ľ, como dizia Homero.
Se o la√ßo dos instintos, este la√ßo conservador, n√£o fosse de tal modo mais poderoso do que a consci√™ncia, se n√£o desempenhasse, no conjunto, um papel de regulador, a humanidade sucumbiria fatalmente sob o peso dos seus ju√≠zos absurdos, das suas divaga√ß√Ķes, da sua frivolidade, da sua credulidade, numa palavra do seu consciente: ou antes, h√° muito tempo que teria deixado de existir sem ele!
Enquanto uma fun√ß√£o n√£o est√° madura enquanto n√£o atingiu o seu desenvolvimento perfeito, √© perigosa para o organismo: √© uma grande sorte que ela seja bem tiranizada! A consci√™ncia √©-o severamente, e n√£o √© ao orgulho que o deve menos. Pensa-se que este orgulho forma o n√ļcleo do ser humano; que √© o seu elemento duradoiro, eterno, supremo, primordial! Considera-se que o consciente √© uma constante! Nega-se o seu crescimento, as suas intermit√™ncias! √Č considerado como ¬ęa unidade do organismo¬Ľ!

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O Ciclo da Vida

O homem domina a natureza e √© por ela dominado. S√≥ ele lhe resiste e ao mesmo tempo ultrapassa as suas leis, amplia o seu poderio gra√ßas √† sua vontade e actividade. Afirmar no entanto que o mundo foi criado para o homem √© algo que est√° longe de ser evidente. Tudo o que o homem constr√≥i √©, como ele, ef√©mero: o tempo derruba os edif√≠cios, atulha os canais, apaga o saber – e at√© o nome das na√ß√Ķes. (…) Dir-me-√£o que as novas gera√ß√Ķes recebem a heran√ßa das gera√ß√Ķes que as precederam e que, por consequ√™ncia, a perfei√ß√£o ou o aperfei√ßoamento n√£o t√™m limites. Mas o homem est√° longe de receber intacta a s√ļmula dos conhecimentos acumulados pelos s√©culos que o precederam e se aperfei√ßoa algumas dessas inven√ß√Ķes no que diz respeito a outras fica bastante atr√°s dos seus pr√≥prios inventores; um grande n√ļmero dessas inven√ß√Ķes chega mesmo a perder-se.
Não preciso sequer de sublinhar como certos pretensos melhoramentos foram nocivos à moral e ao bem-estar. Determinada invenção, suprimindo ou diminuindo o trabalho e o esforço, enfraqueceu a dose de paciência necessária para suportar as contrariedades Рou a energia que temos de dar provas para as vencer.

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Alimentar o Amor

Come√ßar √© f√°cil. Acabar √© mais f√°cil ainda. Chega-se sempre √† primeira frase, ao primeiro n√ļmero da revista, ao primeiro m√™s de amor. Cada come√ßo √© uma mudan√ßa e o cora√ß√£o humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do in√≠cio, da inaugura√ß√£o, da primeira linha na p√°gina branca, da luz e do barulho das portas a abrir.
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.
Em Portugal quase tudo se resume a come√ßos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. √Ä m√≠nima comich√£o aparece uma ¬ęiniciativa¬Ľ, que depois n√£o tem prosseguimento ou perseveran√ßa e cai no esquecimento. Nem damos pela morte.
√Č por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores n√£o nos faltam. Chefes n√£o nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Her√≥is n√£o nos faltam. Faltam-nos guardi√Ķes.

√Č como no amor. A manuten√ß√£o do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas √© preciso paci√™ncia para fazer perdurar uma paix√£o.

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Os maiores revolucionários foram conservadores em coisas de arte, e os maiores artistas foram quietistas em assuntos políticos. Entende-se por isto que no revolucionário há uma nostalgia do consumado, e no artista há um cepticismo da realização.

Nunca ousei ser um radical na juventude. Tinha medo de me tornar um conservador depois de velho.

Em p√ļblico, gosto de roupa bem conservadora, alguma coisa que n√£o seja espalhafatosa. Mas, no palco, gosto da rouba mais espalhafatosa que puder.