Passagens sobre Contemplação

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Frases sobre contempla√ß√£o, poemas sobre contempla√ß√£o e outras passagens sobre contempla√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Quanto Mais Objectos de Interesse um Homem Tem, Mais Ocasi√Ķes Tem Tamb√©m de Ser Feliz

Toda a desilus√£o √© para mim uma doen√ßa que certas circunst√Ęncias podem tornar inevit√°vel, √© verdade, mas que, quando se produz, nem por isso deve deixar de ser tratada o mais r√°pidamente poss√≠vel, em vez de ser olhada como uma forma superior de sabedoria. Um homem, suponhamos, gosta de morangos e um outro n√£o gosta; em que √© que o √ļltimo √© superior ao primeiro? N√£o h√° nenhuma prova impessoal e abstracta de que os morangos sejam bons ou maus. Para quem gosta s√£o bons, para quem n√£o gosta s√£o maus. Mas o homem que gosta tem um prazer que o outro n√£o conhece; sobre este ponto, a sua vida √© mais agrad√°vel e est√° melhor adaptado ao mundo onde ambos t√™m de viver.

O que √© verdadeiro neste exemplo trivial √© igualmente verdade nas quest√Ķes mais importantes. O homem que gosta de assistir a desafios de futebol √© sob esse aspecto supeior ao homem que n√£o gosta. O que aprecia a leitura √© ainda mais superior do que aquele que n√£o a aprecia, pois as oportunidade de ler s√£o mais frequentes do que as de ver desafios de futebol. Quanto mais objectos de interesse um homem tem,

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Quem tem a mente alegre não precisa recorrer especialmente ao método de sorrir diante de um espelho. Basta contemplar a própria alegria interior. Assim, finalmente conseguirá ver com os olhos da mente a sua própria imagem plena de luz. Este é o estado espiritual mais elevado.

Velhice Reveladora

– Pode enganar-se a vida muito tempo, mas ela acaba sempre por fazer de n√≥s aquilo para que somos feitos. Todos os velhos s√£o um testemunho, v√°, e se tantas velhices s√£o vazias, √© porque outros tantos homens o eram e o escondiam. Mas mesmo isto n√£o tem import√Ęncia. Era preciso que os homens pudessem saber que n√£o h√° real, que existem mundos de contempla√ß√£o… com ou sem √≥pio… em que tudo √© v√£o…
РOnde se contempla o quê?
– Talvez nada mais que esta vaidade… √Č muito.

História não é só Cronologia

Um dos principais defeitos dos trabalhos históricos no nosso país parece-me ser a insulação de cada um dos aspectos sociais de qualquer época, que nunca se conhecerá, nem entenderá, enquanto a sociedade se não estudar em todas as suas formas de existir, enquanto se não contemplar em todos os seus caracteres.
Estas cartas, se merecerem a aprovação de V. Exas., poderão algum dia servir, no que tiverem de bom, se o tiverem, de esclarecimento e notas a uma parte da História Portuguesa, como eu concebo que ela se deveria escrever: história não tanto dos indivíduos como da Nação; história que não ponha à luz do presente o que se deve ver à luz do passado; história, enfim, que ligue os elementos diversos que constituem a existência de um povo em qualquer época, em vez de ligar um ou dois desses elementos, não com os outros que com ele coexistem, mas com os seus afins na sucessão dos tempos.
A hist√≥ria pode comparar-se a uma coluna pol√≠gona de m√°rmore. Quem quiser examin√°-la deve andar ao redor dela, contempl√°-la em todas as suas faces. O que entre n√≥s se tem feito, com honrosas excep√ß√Ķes, √© olhar para um dos lados,

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Mente ou Pedra

Esta cidade √© conhecida em todos os arredores por possuir as maiores estrebarias para bois, vacas e cavalos, constru√ß√Ķes que n√£o ficam a dever nada nem sequer aos edif√≠cios p√ļblicos; por outro lado contam-se aqui pelos dedos os locais onde se pode rezar ou discursar com total liberdade.
Em vez de se autocelebrarem por meio da arquitectura, n√£o deveriam as na√ß√Ķes faz√™-lo pelo poder do seu pensamento abstracto? O Bagavad-Gita √© muito mais admir√°vel do que todas as ru√≠nas do oriente. Torres e templos s√£o luxo de pr√≠ncipes. A mente simples e livre n√£o moureja sob as ordens de nenhum pr√≠ncipe. O esp√≠rito n√£o √© privil√©gio de nenhum imperador, nem s√£o exclusivos deste, a n√£o ser em insignificante medida, a prata, o ouro e o m√°rmore. Com que finalidade, digam-me l√°, se talha tanta pedra?
Quando estive na Arc√°dia, n√£o vi pedras a serem lavradas. As na√ß√Ķes s√£o possu√≠das pela louca ambi√ß√£o de perpetuarem a sua mem√≥ria com a soma das esculturas que deixam. Que tal se esfor√ßos semelhantes fossem despendidos no sentido de aperfei√ßoar e polir a sua conduta? Uma obra de bom senso seria mais memor√°vel que um momumento da altura da Lua. Prefiro contemplar as pedras no seu local de origem.

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A Beleza Real

Quando então alguém, subindo a partir do que aqui é belo, através do correcto amor aos jovens, começa a contemplar aquele belo, quase que estaria a atingir o ponto final. Eis, com efeito, em que consiste o proceder correctamente nos caminhos do amor ou por outro que se deixe conduzir: em começar do que aqui é belo e, em vista daquele belo, subir sempre, como que servindo-se de degraus, de um só para dois e de dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas ciências até que das ciências acabe naquela ciência, que de nada mais é senão daquele próprio belo, e conheça enfim o que em si é belo.
Nesse ponto da vida, meu caro Sócrates, continuou a estrangeira de Mantinéia, se é que em outro mais, poderia o homem viver, a contemplar o próprio belo. Se algum dia o vires, não é como ouroou como roupa que ele te parecerá ser, ou como os belos jovens adolescentes, a cuja vista ficas agora aturdido e disposto, tu como outros muitos, contanto que vejam seus amados e sempre estejam com eles, a nem comer nem beber, se de algum modo fosse possível,

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O Português não Gosta de Trabalhar

O portugu√™s n√£o gosta de trabalhar. Se h√° uma tecnologia que trabalhe por ele, ela que avance. Ele tem coisas mais interessantes para fazer como poeta, do que a trabalhar. (…) O portugu√™s trabalhou e trabalhou e trabalha sempre que for preciso. O que t√™m feito os emigrantes pelo mundo? Aonde eles v√£o e √© preciso trabalhar, eles trabalham. (…) O portugu√™s, dentro de determinadas condi√ß√Ķes, se a vida lhe fosse inteiramente favor√°vel, ele gostaria muito mais de contemplar e poetar do que trabalhar. Mas quando √© levado a uma fun√ß√£o em tem que trabalhar, ele trabalha.

Apreciação Imparcial

H√° poucos indiv√≠duos a quem √© dado contemplar uma obra de arte como espectadores tranquilos; mas √© dif√≠cil encontrar um que seja capaz ou tenha a vontade, ao mesmo tempo que deixa a obra penetr√°-lo, e escuta as suas impress√Ķes ou as palavras de outro, de permanecer simples observador. Sem se dar conta disso, torna-se cr√≠tico, procurando mostrar a sua for√ßa de ju√≠zo, exercer o seu humor e avaliar a sua pr√≥pria pessoa.
O ing√©nuo f√°-lo inicialmente, √© certo, sem a menor inten√ß√£o mal√©vola; mas mesmo nele, as propriedades naturais do indiv√≠duo n√£o tardam a imp√īr os seus direitos – vaidade e pedantice, desejo de ser superior aos seus pr√≥prios olhos e aos olhos dos outros – de tal modo que depressa estar√° mais decidido a desvelar as fraquezas de uma obra do que a aceitar os seus lados positivos.

Viver √©…

Viver √© uma perip√©cia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o √Ęnimo e o des√Ęnimo, um entusiasmo ora doce, ora din√Ęmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital.

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Aquele que continua preso ao carma apesar de conhecer a lei do carma, alcançou apenas o despertar parcial, e não o despertar verdadeiro. O despertar verdadeiro é aquele em que a pessoa, conhecendo a lei do carma, consegue contemplar a Imagem Verdadeira que transcende o carma. O despertar parcial é aquele em que a pessoa, conhecendo a lei do carma, tenta pesquisá-lo e acaba mergulhando ainda mais no próprio carma.

Ser Doido-Alegre, que Maior Ventura!

Ser doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p’ra al√©m da verdade.
√Č t√£o feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!

Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola, a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

J√° que n√£o tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgat√≥rio um para√≠so…

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P’ra suportar melhor quem tem ju√≠zo.

Os Actos Valem mais que as Palavras

Nenhuma explica√ß√£o verbal poder√° alguma vez substituir a contempla√ß√£o. A unidade do Ser n√£o √© transmiss√≠vel pelas palavras. Se eu quisesse ensinar a homens, cuja civiliza√ß√£o o desconhecesse, o que √© o amor a uma p√°tria ou a uma quinta, n√£o disporia de argumento algum para os convencer. S√£o os campos, as pastagens e o gado que constituem uma quinta. Todos e cada um deles t√™m como miss√£o produzir riqueza. No entanto, h√° alguma coisa na quinta que escapa √† an√°lise dos seus componentes, pois existem propriet√°rios que, por amor √† sua quinta, se arruinariam para a salvar. Pelo contr√°rio, √© essa ¬ęalguma coisa¬Ľ que enriquece com uma qualidade particular os componentes. Estes tornam-se gado de uma quinta, prados de uma quinta, campos de uma quinta…
Assim se passa a ser homem de uma pátria, de um ofício, de uma civilização, de uma religião. Mas, para que alguém se reclame de tais Seres, convém, antes de mais, fundá-los em si próprio. E, se não existir o sentimento da pátria, nenhuma linguagem o transmitirá. O Ser de que nos reinvindicamos não o fundamos em nós senão por actos. Um Ser não pertence ao domínio da linguagem, mas dos actos. O nosso Humanismo desprezou os actos.

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Alegria: uma sensação agradável provocada pela contemplação da miséria dos outros.

A natureza √© uma B√≠blia a c√©u aberto. A cria√ß√£o √© uma par√°bola sem fim, para ler e contemplar. Um campo de terra arado… quanta beleza e fragilidade! Uma vinha flamejante de rebentos… quantas coisas nos diz sobre o sentido misterioso do nosso destino! Uma granizada inesperada e todos os esfor√ßos do campon√™s se esfumam, depredando os frutos de um longo e paciente trabalho. A natureza fala-nos da vida, que umas vezes d√° e outras vezes tira.

Dai Me √úa Lei, Senhora, De Querer Vos

Dai me √ľa lei, Senhora, de querer vos,
que a guarde, s√ī pena de enojar vos;
que a fé que me obriga a tanto amar vos
far√° que fique em lei de obedecer vos.

Tudo me defendei, senão só ver vos,
e dentro na minh’alma contemplar vos;
que, se assi n√£o chegar a contentar vos,
ao menos que n√£o chegue [a] aborrecer vos.

E, se essa condição cruel e esquiva,
que me dois lei de vida n√£o consente,
dai ma, Senhora, j√°, seja de morte.

Se nem essa me dais, é bem que viva,
sem saber como vivo, tristemente,
mas contente porém de minha sorte.

Posse Cega

Afligir-se com o que se perdeu e não se rejubilar com o que foi salvo é necedade; só uma criança faria berreiro e atiraria fora o restante dos seus brinquedos se um lhe fosse tomado. Assim procedemos nós, quando a Fortuna nos é adversa num particular: tomamos o resto improfícuo com chorar e lamentarmo-nos.
РQue é que possuímos? Рpode-se perguntar.
Que é que não possuímos? Este homem uma reputação, esse uma família, aquele uma esposa, aquele outro um amigo. No seu leito de morte, Antipater de Tarso fez um inventário das boas coisas que lhe haviam sucedido na vida e nele incluiu, mesmo, uma viagem feliz, que fizera de Cilícia a Atenas. As coisas simples não devem ser negligenciadas, mas levadas em conta. Devemo-nos sentir gratos por estarmos vivos, bem, e por nos ser dado ver o sol; por não haver guerra nem revolução; por a terra e o mar estarem ao dispor de quem deseje plantar ou velejar; por nos ser consentido escolher entre falar e agir ou ficar quietos, em paz, gozando do nosso repouso.
A presença destas bençãos aumentará ainda mais o nosso contentamento se imaginarmos como seria se não estivessem presentes;

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Quem se sente predestinado para a contemplação e não para a fé acha todos os crentes demasiado barulhentos e impertinentes: evita-os.

Nada é impossível a quem pratica a contemplação. Com ela, tornamo-nos senhores do mundo.

O Homem sem Luz

Ao ver a cegueira e a mis√©ria do homem, ao contemplar todo o universo mudo e o homem sem luz, abandonado a si mesmo e como que perdido nesse recanto do universo, sem saber quem o dep√īs ali, o que a√≠ veio fazer, o que ser√° dele ao morrer, incapaz de qualquer conhecimento, sinto-me aterrorizado como um homem que tivessem levado adormecido para uma ilha deserta e aterrorizante e que despertasse sem saber onde est√° e sem condi√ß√Ķes de sair dali.