Cita√ß√Ķes sobre Cultivo

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A verdadeira revolu√ß√£o n√£o √© revolu√ß√£o violenta, mas a que se realiza pelo cultivo da integra√ß√£o e da intelig√™ncia de entes humanos, os quais, pela influ√™ncia de suas vidas, promover√£o gradualmente radicais transforma√ß√Ķes na sociedade.

Eu sempre estive na serenidade, daí as pessoas, às vezes, poderem achar que a minha expressão é um pouco rebarbativa, mas isso é precisamente o desafogar de coisas que não quero ter recalcadas em mim. Não cultivo a morbidez dos conflitos interiores. Sou um ser escandalosamente saudável! Por isso, canto os deuses.

Ofício de Amar

j√° n√£o necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras
[gal√°xias, e
[o remorso

um dia pressenti a m√ļsica estelar das pedras, abandonei-me ao sil√™ncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
n√£o, n√£o preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade de meu próprio corpo

O Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda a parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? N√£o. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

A piedade não é natural ao homem. Crianças são sempre cruéis. Selvagens são sempre cruéis. A piedade é adquirida e aperfeiçoada pelo cultivo da razão.

A filosofia que cultivo n√£o √© nem t√£o b√°rbara nem t√£o inacess√≠vel que rejeite as paix√Ķes; pelo contr√°rio √© s√≥ nelas que reside a do√ßura e felicidade da vida.

Do mesmo modo que o campo, por mais fértil que seja, sem cultivo não pode dar frutos, assim é o espírito sem estudo.

Ocupação Feliz

Resolvi examinar as diversas ocupa√ß√Ķes que as pessoas t√™m na vida, procurando escolher a melhor entre elas; e, sem desejar dizer algo a respeito delas, conclu√≠ que n√£o poderia fazer nada melhor do que continuar naquela que encontrei para mim, ou seja, ocupando toda a minha vida no cultivo da raz√£o e na busca do conhecimento da verdade, seguindo o M√©todo que prescrevi a mim mesmo. Eu senti um contentamento t√£o profundo desde que comecei a usar esse M√©todo, que n√£o acreditava que algu√©m pudesse obter algo mais doce ou mais inocente nesta vida; e, ao continuar a descobrir, a cada dia, por meio dele, verdades que me pareciam dotadas de certa import√Ęncia e das quais os outros n√£o estavam em geral cientes, a satisfa√ß√£o que senti preencheu a minha mente de maneira t√£o plena que nada mais de modo nenhum me afectava.

Viver o Hoje

Nunca a vida foi t√£o actual como hoje: por um triz √© o futuro. Tempo para mim significa a desagrega√ß√£o da mat√©ria. O apodrecimento do que √© org√Ęnico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa. O tempo n√£o existe. O que chamamos de tempo √© o movimento de evolu√ß√£o das coisas, mas o tempo em si n√£o existe. Ou existe imut√°vel e nele nos transladamos. O tempo passa depressa demais e a vida √© t√£o curta. Ent√£o ‚ÄĒ para que eu n√£o seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa ‚ÄĒ eu cultivo um certo t√©dio. Degusto assim cada detest√°vel minuto. E cultivo tamb√©m o vazio sil√™ncio da eternidade da esp√©cie. Quero viver muitos minutos num s√≥ minuto. Quero me multiplicar para poder abranger at√© √°reas des√©rticas que d√£o a id√©ia de imobilidade eterna. Na eternidade n√£o existe o tempo. Noite e dia s√£o contr√°rios porque s√£o o tempo e o tempo n√£o se divide. De agora em diante o tempo vai ser sempre atual. Hoje √© hoje. Espanto-me ao mesmo tempo desconfiado por tanto me ser dado.

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O Meu Retrato

Sou magro, sou comprido, sou bizarro,
Tendo muito de orgulho e de altivez.
Trago a pender dos l√°bios um cigarro,
Misto de fumo turco e fumo inglês.

Tenho a cara raspada e cor de barro.
Sou talvez meio excêntrico, talvez.
De quando em quando da memória varro
A saudade de alguém que assim me fez.

Amo os c√£es, amo os p√°ssaros e as flores.
Cultivo a tradição da minha raça
Golpeada de aventuras e de amores.

E assim vivo, desatinado e a esmo.
As poucas sensa√ß√Ķes da vida escassa
S√£o sensa√ß√Ķes que nascem de mim mesmo.

A Beleza

De um sonho escultural tenho a beleza rara,
E o meu seio, ‚ÄĒ jardim onde cultivo a dor,
Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor,
Com a eterna mudez do marmor’ de Carrara

Sou esfinge subtil no Azul a dominar,
Da brancura do cisne e com a neve fria;
Detesto o movimento, e estremeço a harmonia;
Nunca soube o que é rir, nem sei o que é chorar.

O Poeta, se me vê nas atitudes fátuas
Que pareço copiar das mais nobres estátuas,
Consome noite e dia em estudos ingentes..

Tenho, p’ra fascinar o meu d√≥cil amante,
Espelhos de cristal, que tornaram deslumbrante
A pr√≥pria imperfei√ß√£o: ‚ÄĒ os meus olhos ardentes!

Tradução de Delfim Guimarães

Insista em si mesmo; nunca imite. Seu próprio talento você pode apresentar a cada momento com a força acumulada pelo cultivo de uma vida inteira; mas do talento adotado de uma outra pessoa você tem apenas uma temporária posse parcial. Faça o que foi designado para você, e nenhuma esperança ou ousadia poderá ser demais.